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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Censura - dizem eles...

 

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A agenda do dia está marcada por duas notícias "configurantes" de censura: o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto à volta do  Populismo, do Brexit, de Trump e de Le Pen, na Universidade Nova de Lisboa e a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa de fazer recolher todos os exemplares do livro "Eu e os políticos", de José António Saraiva.

Quando escrevi "configurantes" quis dizer que "podem" configurar censura. Podem, e muita gente - mais no primeiro caso, naturamente - está exactamente e denunciá-la. De resto é esse o único ponto de contacto entre os dois casos, é isso justamente que os junta. 

A Conferência cancelada, promovida por um grupo designado de "Nova Portugalidade", anunciava-se assim: "Populismo ou democracia? O Brexit, Trump e Le Pen em debate". "Em debate"... Todavia um debate com um único orador: Jaime Nogueira Pinto.

Pessoalmente tenho grande admiração e respeito pela dimensão intelectual do palestrante, mesmo que nenhuma simpatia pelas ideias que perfilha. A sua capacidade intelectual é estimulante para o debate - sigo sempre que posso a interessante conversa que mantém semanalmente na Antena 1, com Rúben de Carvalho - mas o debate pressupõe contraditório. Sem parte contrária não há nem debate, nem estímulo... Há - ou pode haver - outra coisa qualquer. Que poderá ter desencadeado outra coisa qualquer, eventualmente cheia de coisas condenáveis, mas que não é censura. Arranjem-lhe outro nome, censura é outra coisa!

Também, quando o Tribunal da Relação de Lisboa manda recolher todos os exemplares do livro do José António Saraiva, e retirar das novas edições os dois párágrafos que considerou "uma evidente invasão da zona da vida privada da requerente, e nesta, parcialmente, na sua esfera íntima”, - a requerente é Fernanda Câncio - não é de censura que se trata mas tão só, como os próprios os juízes salientaram, pôr "na balança a liberdade de expressão e o direito à privacidade". É um confronto de liberdades. E de direitos!

Curioso é que o autor entenda “que se trata de um livro de memórias, à partida de circulação restrita, e quem deu publicidade a certas passagens foram os que o atacaram”. E que assim, meio em segredo, já possa publicar o que quiser sobre a vida privada de quem quiser.

Não pode. E impedi-lo não é censura. Nem censurável!

 

 

Generosidades*

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De repente, um livro – desculpem-me se exagero na designação – que teria pela frente todo um longo caminho comercial até chegar a best seller, alarga o passo e, de uma só vez, sem investir um tostão em marketing e publicidade, salta para as estantes com uma campanha promocional nunca vista, com as portas das vendas completamente escancaradas.

Mérito do editor, profundo conhecedor dos segredos do negócio?

Mérito do autor, ilustre escritor, distinto Nobel, ou emérito investigador e pensador?

Nada disso. O editor é de primeira linha, mas sem investimento não faz milagres. E o autor … Bom, já lá vai o tempo em que garantia que um dia haveria de chegar a Nobel… 

O mérito é todo – todinho – de Pedro Passos Coelho. Aceitou o convite para apresentar uma coisa que toda a gente tinha por verdadeiramente pornográfica. Intelectualmente pornográfica. E ao que se diz – porque não a li, nem tenciono fazê-lo porque tenho mais que fazer – também de facto muito próxima da pornografia. E ao aceitar fazê-lo acendeu nas redes sociais, e na comunicação social em geral, uma gigantesca campanha que não mais se apagou, com reacções que, se não chegaram para rasgar vestes, deram pelo menos para rasgar cartões do partido.

Três dias depois de reafirmar a sua intenção de assegurar essa apresentação, porque admirava o autor e não era homem de voltar com a palavra atrás, deu o dito por não dito. E pediu ao autor que o desobrigasse do compromisso…

Não lhe vale de muito, esta inflexão. Não lhe acrescenta nada, antes pelo contrário. Mas vale muito, e acrescenta ainda mais, à campanha que generosamente ofereceu à obra do seu amigo… Que já nem de apresentação precisa. O livro, a coisa, está já à venda. A todo o vapor, como seria inevitável num país como o este…  

 

 * Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

Aqui não há cão. Nem gato...

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Três dias depois de garantir "que não era pessoa de voltar com a palavra atrás em de dar o dito por não dito", Passos Coelho desdiz-se mais uma vez e diz que não vai, afinal, apresentar aquela coisa do Saraiva. Que, generoso mas surpreendido. compreende e acaba mesmo por suspender a apresentação.

Esta inflexão do antigo primeiro-ministro não lhe vale de muito. Nem lhe acrescenta nada que não o grau de todos os defeitos que fazem dele um dos mais rascas subprodutos da política portuguesa. Com a absurda leviandade de, preso a uma fidelidade canina, ter aceitado associar-se a um livro deplorável, Passos confirmou ausência de princípios, em especial dos da ética e da responsabilidade, que têm de nortear quem já foi, e aspira voltar a ser, primeiro-ministro. 

Não precisava disto para negar a sua categória afirmação de três dias antes. Quando a proferiu já ninguém tinha dúvidas da sua facilidade em dar o dito por não dito. Não, não é este um caso de "preso por ter cão e preso por não ter cão". Aqui não há cão. Nem gato... Nem vergonha. Nem nada...

 

 

 

Mas qual é a surpresa?

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Acho extraordinária a surpresa, que não a indignação, da generalidade dos "supporters" de Passos Coelho por se ter prestado a apresentar um livro que, ao que se diz, não passa de umas miseráveis folhas de papel envergonhadas pelo que nelas está escrito. 

Compreendo a indignação de todos eles, gente que escreve e se faz ouvir todos os dias em hossanas que não se cansam de cantar a seriredade, a integridade e os princípios do ex-primeiro-mimistro. Acham esta atitude de Passos Coelho um acto de traição insuportável.

Não compreendo a surpreza, e muito menos a desculpabilização que muitos estão a montar em cima de expressões como amadorismo, simplicidade e ingenuidade. Há até quem ache que foi uma casca de banana de que Passos Coelho se não conseguiu desviar.

Não há razão para nenhuma surpresa em ver Passos Coelho associar-se à publicação de um livro que toda a gente diz ser miserável, ao nível do esgoto.

Desde logo porque, se o autor o convida, é porque encontra nele um conjunto de afinidades que faz as coisas baterem certo. E é correspondido: um dos argumentos que o líder do PSD utiliza para justificar a sua conivência é a "admiração pessoal pelo autor". De resto, o único em que podemos acreditar. O outro, de que "não é homem para voltar com a palavra atrás", é de falsidade mais que provada.

Mas para além da afinidade pessoal outras há que matam qualquer surpresa que pudesse haver na ligação do ex-primeiro ministro a esta coisa que todos vivamente repudiam. A primeira, e a mãe de todas, está no vazio. No vazio de ideias que hoje caracteriza o PSD à imagem e semelhança de Passos Coelho e da sua entourage. E no vazio de valores, sem qualquer respeito pela coerência, pela verdade e pela dignidade, que só pode abrir uma via verde para a decadência.

A leviandade de quem diz uma coisa e o seu contrário, as inutilidades que se ouvem nas chamadas Universidades de Verão, ou o voyeurismo de um líder da jota num dos mais decadentes reality shows da tv portuguesa, são apenas evidentes pontos de contacto entre as obras de Saraiva e de Passos.

Percebo que os spin doctors não gostem muito que estas evidências venham ao de cima. Mas não venham com surpresas. É que é possível esconder muita coisa durante muito tempo, mas não é possível esconder tudo, sempre. Nalgum momento a realidade vem espreitar ... e mostra-se!

Portugal a caminho do Terceiro Mundo?

Por Eduardo Louro

 

O director do SOL – José António Saraiva (JAS) – na sua coluna de opinião política que, de alguma forma, se tornou ao longo de quase trinta anos já num clássico – era a Política à Portuguesa no Expresso, durante mais de vinte anos, e é, agora no SOL nos últimos quatro anos, a Política a Sério – veio esta última semana sentenciar o terceiro-mundismo de Portugal.

Para ele é uma evidência: “Portugal está a caminho do Terceiro Mundo”. Uma evidência que nem sequer nos pode espantar: “assim como há países do Terceiro Mundo que registam taxas altíssimas de crescimento e se preparam para aceder ao Segundo ou mesmo ao Primeiro Mundo, outros sofrerão evolução oposta”. Porque, sustenta ainda, “ a roda do mundo é como os alcatrazes” – quis seguramente dizer alcatruzes –: “se uns sobem, outros têm de descer”.

Creio que já muita gente estará habituada – eu, pelo menos, estou – a algumas excentricidades (chamemos-lhe assim) do José António Saraiva. Umas com alguma graça, outras com algum arrojo e, outras ainda, sem pés nem cabeça.

Lembro-me de uma, aqui há alguns anos, ainda no seu tempo do Expresso, em que desenvolvia uma teoria que mostrava a importância de se fixar a capital em Castelo Branco. Ou de uma outra, mais recente e já no SOL, de um projecto para a Baixa ribeirinha de Lisboa que passava, entre outras coisas, por criar uma zona coberta em toda aquela área. Fiquei com a ideia que seria uma espécie de Piazza del Duomo, em Milão, mas em grande!

Lembrei-me destas duas, onde se consegue encontrar um cruzamento entre algum arrojo e alguma graça, para evidenciar a clara bipolaridade de dois estados de alma: um, de um passado recente, virado para um empreendedorismo de grandiosidade e outro, actual, marcado pela mais profunda e deprimente das decadências.

Evidentemente que todos sentimos uma tremenda degradação da nossa vida colectiva. Que todos nós sentimos que o mais importante capital social – não no sentido tecnocrático do termo, mas no sentido de instrumento de intervenção e de promoção de desenvolvimento colectivo – a esperança e a confiança (a mesma a que o primeiro-ministro, subvertendo realidades, desesperadamente apela), bateram no fundo. Que se percebe que a economia não irá crescer a níveis capazes de enfrentar o problema do desemprego nos anos mais próximos. Que se percebe que não irá ser possível manter regalias sociais dadas por adquiridas. Que percebemos a degradação das instituições e, pior do que isso, dos valores. Que, por via de tudo isto, todos os dias nos cruzamos com atitudes terceiro-mundistas. Na rua, na estrada, nos serviços públicos… Mas também que o simples facto de as identificarmos como tal as transformam na excepção. Nunca na regra!

Evidentemente que não faz qualquer sentido afirmar-se que Portugal está em viagem para o Terceiro Mundo. Se o não faz utilizando o sentido figurado é de todo inaceitável, e mesmo grosseiro, pretender enquadrar essa afirmação num suposto contexto de rigor e credibilidade.

Ao recorrer á tal teoria dos alcatruzes – “se uns países sobem outros têm de descer” – uma figura com a responsabilidade intelectual do JAS – director de um jornal, o director de maior longevidade no mais influente jornal do país, actor da cena política e mediática, escritor e professor universitário de ciência política -, está a pretender fundamentar a sua afirmação num fenómeno determinístico que tem tanto de incontestável como de charlatanice intelectual.

Porque o mundo não é uma roda e será tanto mais perfeito, equilibrado e seguro quantos mais forem os países a abandonar o subdesenvolvimento e a atingir os patamares do desenvolvimento. Que são medidos de forma objectiva através de factores de diferenciação de desenvolvimento que, na sua maioria, não têm regresso.

Há coisas sem pés nem cabeça. E esta é, em toda a sua extensão - até com aquela ideia da passagem do terceiro para o segundo mundo (classificação mais que ultrapassada e já desaparecida) e deste para o primeiro - uma delas. Se é, como parece, um problema de agenda política, seria recomendável, apesar de estarmos em Agosto, em que nada se passa e tudo se desculpa, um pouco de mais cuidado. Agora desta forma… Francamente, assim até parece, lembrando-nos da saga de Scarlet O`Hara, que tudo o Freeport levou!

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