Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O costume

Por Eduardo Louro

 

O Benfica começou o campeonato como de costume. Como de costume, não ganhou!

Se é costume, é normal, dir-se-á. E o que é normal é isso mesmo, normal. Nada de anormal, pois, nesta derrota na Madeira – onde não era normal perder. Afinal já há aqui qualquer coisa de anormal…

O problema é que, toda a gente sabia, o Benfica que Luís Filipe Vieira quis que continuasse a ser o de Jesus, estava proibido de começar mal este campeonato. A equipa, e principalmente o seu treinador, depois do desastre do final da época passada, não tinha margem de erro. Esse era, de resto, um dos principais riscos da insensata decisão de renovar com Jorge Jesus!

Os níveis de confiança da equipa saíram da época passada no ground zero. Percebeu-se que as férias não tinham permitido aos jogadores fazer o luto. Mais, que a equipa, graças á continuidade de Jesus, e concomitantemente à abstrusa gestão do caso Cardozo, não tinha fechado a época anterior. Que a pré-época foi simplesmente a sua continuação, sem sequer um intervalo!

Sendo o costume, esta derrota inaugural do Benfica nunca não poderá ser aceite com normalidade. Esta é uma derrota que confirma a lei de Murphy, que há tempo aqui ando a invocar.

Este é o ano decisivo para Luís Filipe Vieira. É o campeonato que o Benfica não pode perder, porque será o tetra do Porto e a porta aberta para o segundo penta. Mas, acima de tudo, porque, agora, com esta estratégia televisiva – que sempre apoiei e apoio - tem todos os ovos no mesmo cesto. Os resultados – e as exibições, e a mobilização dos benfiquistas – já não ditam apenas o sucesso e o insucesso desportivo, passam também a ditar grande parte do sucesso e do insucesso da estratégia da Benfica TV, agora crítica na conta de exploração.

Por isso menos se percebe ainda a aposta na continuidade de Jesus. Mas menos ainda se entende o desaparecimento do presidente. Que não aparece a dar a cara pelos negócios esquisitos – chamemos-lhe assim, quando falamos de Roberto e Pizzi, e mesmo de Fariña - e que não apareceu para resolver a tempo a situação de Cardozo. Por isso não se percebe que, tendo o Benfica que vender como se sabe que tem, o campeonato se tenha iniciado sem uma única venda efectuada. Com a mesma equipa da época passada, sabendo que, dentro de duas semanas, quando os ponteiros do relógio de aproximarem da meia-noite do último dia de Agosto, três ou quatro desses jogadores irão ter de sair, então pelo preço da uva mijona. Ou talvez não, como já viu pelo Roberto!

Por isso se não percebe a “ruicostização” de José Eduardo Moniz, a deixar perceber que LFV entendeu que seria muito mais útil como golpe no coração da oposição do que como mais-valia de gestão, em particular na estratégia para a Benfica TV (prometo voltar ao tema).

Mas não foi só a derrota do Benfica que foi o costume na abertura deste campeonato que não pode perder. E que o Porto, em sentido contrário, também não!

Como de costume, o Porto vendeu bem e na altura certa, dando até para segurar o Jakson. E, ao que parece, não se enganou nas compras. Trocou de treinador, mostrando que ali é acessório o que no Benfica é fundamental. E, porque é de manhã que se começa o dia, mostrou, como de costume, quem manda. Quem põe e dispõe de tudo o que, acessório, pormenor ou detalhe, é decisivo no desequilíbrio dos pratos da balança.

Pinto da Costa - que está sempre presente, como ainda ontem, em Setúbal, muita gente se lembrou logo que os factos lhe avivaram a memória – sabe que, neste arranque de época, como no de há três anos (quando o imperativo era impedir o bi do Benfica), é preciso que as coisas comecem logo a correr mal. E muito bem ao Porto!

As nomeações do super dragão Jorge Sousa para os Barreiros e de Capela – triturado pela máquina portista depois do derbi da Luz, era, em razão do poder, a carta segura - para o Bonfim, aí estavam para mostrar urbi et orbi que, como de costume, não brincam em serviço. E, claro, cada um fez o melhor que pôde. E Capela pôde muito… Fartou-se de poder!

Luís Filipe Vieira, esse, tem mais que fazer… Mesmo que afogado num mar de cumplicidades!

Branquinho pouco claro

Por Eduardo Louro

   

Quando na semana passada o país andava entretido com umas brincadeiras a que chamavam negociação do orçamento, e ainda antes dos puxões de orelhas dados àqueles dois meninos em Bruxelas (ou será que foram postos à janela com orelhas de burro?), um deputado da nação anunciava a despedida do parlamento.

Chama-se Agostinho Branquinho, um nome cheio de “inhos”, e é deputado do PSD!

Desiludido com a política, pensarão uns: afinal ninguém é de ferro, ainda há muita gente que passa por lá e que não tem estômago para aquilo! Regressou à vidinha dele, fez muito bem – pensarão outros.

Não. Nada disso. Foi contratado para a On Going, o grupo que o deputado, ainda há poucos meses – por altura do inquérito parlamentar ao chamado negócio PT/TVI, cuja comissão integrava – avaliava depreciativamente, criticando causticamente a linha editorial dos seus títulos. O mesmo grupo que, depois de alinhar ao lado da PT na estratégia de compra da TVI, com o intuito público de anular o papel casal Moniz, acaba por contratar o hiper indemnizado José Eduardo Moniz, ainda à porta da Media Capital. Isto é, para além de todos os eventuais pouco claros contornos, contrata o Senhor Televisão (sim, hoje já só há um, o outro foi exterminado) … sem ter televisão! Para que servirá um Senhor Televisão sem televisão?

Perguntarão: e o que é que o deputado Branquinho tem a ver com isto?

Se calhar pouco. Além de ser figura do PSD e de, ao que consta, ser um fervoroso adepto da privatização da RTP. Nada de mal em ser figura do PSD e nada de mal em defender a privatização da televisão pública. Eu também a defendo: é cara de mais para o serviço que presta – que em nada se distingue do das estações privadas – é alvo permanente de instrumentalização e agência de emprego e de influências das clientelas partidárias.

Mas se repararmos que o país está entregue a grupos de interesses acomodados nos poderes que a política foi criando, se repararmos na apetência da On Going por essa acomodação, como se viu pela proximidade ao actual governo, e ainda no intenso cheiro a poder que grassa lá pela S. Caetano, e lhe juntarmos a forte probabilidade de privatização da RTP, começa a perceber-se o que este é um Branquinho pouco claro. Um branquinho mais escurinho que clarinho!

Prefiro por isso o tintinho!

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics