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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Hoje é dia de luta e do mais justo e urgente de todos os protestos

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Hoje é dia de protesto dos jovens. Hoje é dia de greve às aulas... pelo clima. Não é contra os professores, nem contra o ministro. É contra todos nós. É um protesto pelo estado em que lhes estamos a entregar o planeta. Pela indiferença com que temos encarado e continuamos a encarar as alterações climáticas que  dramaticamente lhes acabam com o futuro. Que é deles, mas cada vez menos lhes pertence.

Tudo começou há pouco mais de seis meses, com uma miúda sueca de 16 anos, Greta Thunberg e com a mais inquietante das suas interrogações: “porque hei de preparar-me para um futuro que pode não existir?”

A partir daí não parou de inquietar o mundo, e é hoje uma das mais fortes candidatas ao Prémio Nobel da Paz (sim, Mr Donald Trump). Que o seu exemplo seja hoje replicado. Em Portugal e por todo o mundo!

Violência e circunstâncias*

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Assistimos nos últimos dias a uma onda de violência e morte envolvendo jovens muito novos, entre os 14 e os 17 anos.

A série iniciou-se em Ponte de Sor, o primeiro mas também o mais mediático desta trágica sequência de acontecimentos, pelo envolvimento de dois filhos do embaixador iraquiano em Portugal, de 17 anos, numa selvática agressão que deixou outro miúdo, de 15 anos, em coma, de que felizmente acaba agora de sair. E com acesa discussão pública à volta da imunidade diplomática. E da impunidade. E da desigualdade de tratamento e de acesso à comunicação.

Prosseguiu poucos dias depois, em Gondomar, com um rapaz de 16 anos a deixar outro, de 14, às portas da morte, que infelizmente se abriram pouco depois, no Hospital. Logo de seguida, e curiosamente ainda em Gondomar, outro miúdo, também de 16 anos, foi igualmente morto. Desta vez pelas balas da polícia, na sequência de um assalto, seguido de abalroamento da viatura policial.

As circunstâncias variam em cada um dos casos. Mas, à excepção do último, que resulta directamente da prática de um crime, já á partida em modo de delinquência, as diferentes circunstâncias decorrem de evidentes comportamentos impróprios para as suas idades – a hora dos acontecimentos, madrugada alta, o consumo de álcool, e outros porventura mais discutíveis – a suscitarem questões de enquadramento social, distúrbios funcionais, ambientes familiares desestruturados, e ausência de regras e valores no processo educativo.

São problemas transversais a praticamente todas as sociedades actuais, que não são naturalmente fáceis de resolver, e que inevitavelmente produzem ocorrências desta gravidade. O que têm de raro – e felizmente que o é – é a concentração temporal. É terem-se sucedido em tão poucos dias. E o que têm de ainda mais perigoso é, por essa sucessão e pelo impacto mediático, poderem desencadear fenómenos de mimetismo. É poderem funcionar como detonador de novas ocorrências de violência extrema e descontrolada. Campo fértil para isso é o que não falta quando a delinquência se cruza com a juventude com demasiada facilidade.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Futebolês #48 Hat trick

Por Eduardo Louro

   

 

 

É o futebolês a regressar aos anglicismos. Sendo a Velha Albion a pátria do futebol não admira que o futebolês de quando em vez entre por esse caminho e vá beber à fonte.

Parece-me que nem sequer lhe fica mal, não vejo nisso qualquer volúpia elitista! Revejo ali a mesma matriz popular do futebol, ao contrário de outros dialectos. Do economês – outra das linguagens em que também dou uns toques –, por exemplo, que tem nos anglicismos a sua imagem de marca. Enfim, embora não pareça – o que mais vemos por aí é discutir economia exactamente como se discute futebol – economia não é futebol!

Pois bem, um hat trick não é nada do outro mundo. Comparado, por exemplo, com o stock options do economês (ouvi hoje mesmo uma a que achei imensa graça: defining moment!), explica-se em duas palavrinhas que toda a gente percebe: três golos!

Não custa nada a explicar. Custa é a fazer: três golos num só jogo não é para todos! Nem para todos os dias!

Quando alguém, algum jogador naturalmente, se cruza com um desses dias está encontrada a tarde ou a noite perfeita. Se isso acontece num jogo importante e de grande visibilidade então estarão irremediavelmente abertas as portas da glória.

Se o hat trick tem toda esta magia imagine-se o póquer. Que tem a particularidade de já não ser um anglicismo mas um termo bem português. Adaptado e bem aceite no regaço da língua portuguesa que o futebolês não enjeitou!

 Este póquer não é esse jogo que agora está na moda, que está a cativar multidões, incluindo algumas estrelas do futebol. Póquer, em futebolês, é marcar quatro golos – quatro – num só jogo! É a glória apenas ao alcance dos predestinados na tarde ou na noite mais que perfeita!

Para se ter uma noção da dimensão do póquer bastará ver que o nosso CR7 apenas conseguiu por uma vez: foi no passado fim-de-semana, quatro golos nos 6 a 1 do Real Madrid frente ao Racing de Santander!

Foi preciso conjugarem-se uma série de variáveis para que a nossa maior estrela alcançasse o seu primeiro póquer. Antes de tudo a sua grande forma com a grande forma da equipa, ou a mão de … Mourinho.

E aí está a dupla portuguesa de maior sucesso mundial: Mourinho e Cristiano Ronaldo, agora juntos numa das mais notáveis instituições mundiais – o Real Madrid! Ambos esta semana indigitados para os prémios de melhor do mundo, que não deverá fugir a Mourinho mas que, graças à falta de liderança e de ambição de Carlos Queirós na errática campanha da África do Sul, deverá fugir ao CR7.

Uma dupla de sucesso que é apenas um exemplo de muitos outros portugueses de alto mérito espalhados por todo o mundo, que nos permitem fazer muitos golos – alguns hat tricks e mesmo um ou outro póquer – no desafio que nos está lançado e que temos que ganhar.

Portugal sempre teve um problema de dirigismo e de lideranças. Não é novidade nem tão pouco um problema sectorial. É um problema transversal na sociedade portuguesa. No futebol temos dirigentes que permitem que o Cristiano Ronaldo veja o prémio de melhor do mundo voar para alguém aqui ao lado. Que se arrastam há anos, sempre os mesmos, a desperdiçar o enorme talento de gerações dos nossos melhores jogadores. Na vida política é o que sabemos e o que constatamos todos os dias: uma casta dirigente instalada, virada para o seu umbigo, impreparada e incapaz, que afasta e empurra os novos valores, para se alimentar de sucessivas fornadas de pseudo quadros criados, à sua imagem e semelhança, nas juventudes partidárias. Na actividade económica, sempre muito dependente e à sombra do Estado, a maioria da classe dirigente vive em regime de pura promiscuidade com a classe política. A mesma gente e as mesmas regras, restando aos novos valores sair do país e colocar o seu conhecimento ao serviço de outros.

Da mesma forma que para as estruturas do futebol se vai já falando em nomes que ainda há pouco tempo passeavam a sua classe pelos relvados europeus, também para a nossa política, e para a nossa economia, é preciso que se comece a falar dos muitos jovens que espalham talento por esse mundo fora.

 

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