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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Exportações

Convidada: Clarisse Louro *

 

Por força das minhas funções profissionais, mas também pelo relacionamento de proximidade que cultivo com os meus alunos, acabei de participar nas cerimónias de encerramento de mais um curso de Enfermagem.

Há muitos anos que a minha escola vem abrindo dois cursos por ano, um com início em Setembro e outro em Março. Por isso, há muitos anos também que encerra dois cursos em cada ano. Este é um desses, que se iniciaram em Março. De 2010, há quatro anos atrás!

É sempre um momento de grandes emoções, para alunos, familiares e professores. Quatro anos é muito tempo, mas também pouco, passam depressa. É esse um dos sortilégios do tempo, que sendo sempre o mesmo nunca é o mesmo… Em quatro anos vivemos uma vida que tem muito de comum. Acompanhamos sonhos, venturas e desventuras. Partilhamos alegrias e tristezas e sentimos que, da mesma forma que cada um deles leva no fim um pouco de nós, também nós ficamos com um bocadinho de cada um deles.

É sempre assim, curso após curso. Ano após ano, década após década… Por isso, e mesmo sendo assim há tantos anos, cada encerramento de curso é um sempre momento de grande intensidade emocional que une professores, alunos e familiares. Os professores porque também sentem sua a vitória deles, dos alunos e dos pais que, na maioria das vezes, sabe Deus com que sacrifícios, realizaram um sonho de vida!

Quando estes alunos iniciaram este percurso, há quatro anos atrás, o país era outro, bem diferente do que agora é. Era acima de tudo outra a imagem que dele tínhamos, diferente, mas muito diferente, da que dele hoje temos. Por isso o sonho de cada um deles foi sendo certamente retocado, ajustado à revisão das expectativas em baixa, como se diz na esotérica linguagem dos mercados.

Desta fornada de cinquenta novos licenciados poucos, muito poucos, ficam no país. Mas os que ficam – melhor dizendo, os que por enquanto ficam – não ficam por terem encontrado saídas profissionais. Não, ficam porque querem resistir à emigração, porque ainda não conseguem lidar com a ideia de deixar o país. Porque, como dirá quem manda, não são suficientemente empreendedores e não estão dispostos a abandonar a sua zona de conforto… Os que ficam, ficam porque, a deixar família e amigos e partir atrás do desconhecido, preferem procurar emprego numa caixa de supermercado, engrossar o portfólio das empresas de trabalho temporário, ou mesmo as dos seus colegas mais velhos e de poucos escrúpulos, que vendem os seus serviços ao Estado e aos privados a três euros à hora, e em condições de trabalho e de dignidade inaceitáveis. Todos os outros têm já contratos assinados para a Inglaterra, Suíça e Alemanha…Para, em condições de trabalho e de remuneração dignas, venderem as competências que em condições de excelência o país lhes forneceu!

Tenho muita dificuldade em perceber tanto desperdício. O país investe em profissionais altamente especializados e depois desperdiça todo esse investimento. Percebo, claro que sei por que outros países europeus os vêm cá buscar. É muito remotamente aí que, como professora e formadora, vou encontrar uma parte do meu sentido de dever cumprido. A outra, felizmente que bem maior e a que mais conta, encontra-a nos olhos de cada um deles. Todos os dias!

E amanhã vou iniciar um novo curso, arrancar com uma nova fornada para entregar a esses mesmos países. Quiçá a outros que venham a descobrir este filão!

Pelo crescimento que apregoa, deve ser destas exportações que Paulo Portas fala …

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

O drama do país

Convidada: Clarisse Louro * 

 

Uns nem estudam nem trabalham. São os nem nem!

Outros, estudam mas nem sabem para quê.

Outros estudaram e fazem parte da chamada geração mais qualificada de sempre.

A maioria não tem trabalho e conta para pouco mais que um número - 40%, taxa do desemprego jovem. Correm atrás de um estágio não remunerado que nada lhes acrescenta, de um biscate sazonal no restaurante que já fechou, de uma caixa de supermercado ou de um call center onde ninguém lhes veja a cara…

Boa parte deles já deixou o país, pela porta da emigração indicada pelos que (n)os (des)governam. São muitos dos melhores, que vão entregar a outros o talento e o capital de conhecimento que, num esforço de décadas, em vão o país neles investiu.

Sobrou lugar no mercado de trabalho para alguns. Para uma certa e conhecida rapaziada - uma inexpressiva parte mas nem por isso negligenciável - há sempre um lugar reservado na máquina dos aparelhos partidários. Ou a partir dela. Há muita juventude até nos gabinetes do governo, muitos jovens a entrar todos os dias, como a pouco e pouco vamos percebendo…

E, claro, para alguns jovens muito capazes, os melhores dos melhores, que chegam ao mercado de trabalho com uma enorme vontade de dar o melhor de si, de contribuir para a renovação do país, de ser parte activa na criação de uma sociedade que não lhes corte os sonhos e a vontade de mudar o mundo.

Cedo chocam com a realidade imobilista dos interesses instalados, com o status quo inamovível que não tolera a afronta. Cedo percebem que não são afinal capazes de mudar o mundo, e que, ou se adaptam e se deixam absorver pelo sistema, na certeza de que se virão também a instalar e a perpetuar o inamovível status quo, ou desistem e, desiludidos, desencantados, frustrados e vencidos procuram também eles lá fora o que o país também a eles lhes nega, de uma forma ainda mais violenta e brutal. Não é um país que se adia, é um país que, impedindo a circulação de sangue novo, nega a renovação, negando-se a si próprio.

São estas as linhas que traçam o cenário de drama que hoje marca o país. Um país que desperdiça o maior e mais importante investimento feito nos últimos 40 anos, entregando ao desbarato os cérebros em que tanto investiu, hipoteca irremediavelmente o futuro que durante décadas se julgava estar a construir. Um país que ou empurra para fora, ou castra cá dentro, aqueles que são a alma, a base de sustentação e a mola de desenvolvimento das nações, descarta o futuro.

Um país onde o presente de uns poucos nega futuro de todos, é um país que não faz sentido!

 

 

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

JOVENS DEPUTADOS: TEMOS FUTURO?

Por Eduardo Louro

 

“A ignorância da juventude é um espanto”. Esta era frase de um programa de humor do Jô Soares, há já muitos anos. A ignorância da juventude feita deputados da nação é um escândalo que não espanta!

Se não fossem estas cenas dignas de um qualquer programa de apanhados, nem sequer saberíamos que eles existiam. Sabíamos que eram ignorantes, porque nos apercebemos disso a todo o momento, não sabíamos é que também eram deputados…

Se, com os políticos que temos, são estes os que iremos ter, o melhor é mesmo fugir daqui. Depressa!

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