E passou a haver outras coisas para contar... (VIII)
Por Eduardo Louro
Cada vez se vê com maior nitidez que a brincadeira do BES nos vai sair muito cara. Para quem pudesse ter dúvidas, ou maior tendência para optimismos, basta olhar para o que dizem os auditores. E não comecem já a dizer que não dá para levar a KPMG a sério, que no passado deixou passar tudo e agora está em pé de guerra com o Banco de Portugal, porque isso é outra coisa. Como outra coisa é que não tenha agora certificado as contas semestrais, por falta do documento que responsabiliza a administração pela informação financeira prestada, aquilo que em Auditoria se chama Representation Letter, e que é uma peça inprescindível do processo.
O que releva do que a KPMG diz é que o banco precisa de muito mais capital, e que “existe o risco de virem a ocorrer contingências para o BES cujo montante, a esta data, não é possível quantificar”. É que há créditos de clientes do BES no novo banco que são agora muito provavelmente incobráveis, e garantidamente incobráveis os de todos os clientes que investiram em títulos de dívida do Grupo Espírito Santo que perderam por completo.
Se a isto juntarmos a pipa de massa (3,5 mil milhões) que ficou a arder no BES Angola, e que parece – parece, porque nada se sabe sobre os activos que passaram para o novo banco – que ficaram sob as asas da borboleta.
Pois é: os 4,9 mil milhões de euros começam a ficar curtos para tanta coisa. E, pior, são já claramente de mais para alguém dar pelo banco. Daí a nitidez com que, precisamente um mês depois, se vê já que isto nos vai sair bem caro!