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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O debate... e as pequenas coisas

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Não sei se Rui Rio ganhou o debate - e até tendo a achar que sim, na medida em que superou as expectativas gerais - mas não tenho dúvida que ganhou o pós-debate: "combinamos que não falaríamos no fim, e eu cumpro"!

António Costa veio depois e falou. E por isso perdeu. Não cumpriu!

Sabe-se que a nossa política não prima pela valorização do cumprimento. Mas, ao falar - rompendo um compromisso - sem dizer nada, Costa perdeu mesmo! 

Acho eu... que valorizo estas pequenas coisas... Nem sempre assim tão pequenas, mas enfim...

Política e entertainment

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Encerra-se hoje este ciclo de debates a dois na pré-campanha, uma espécie de "must" da política espectáculo. Cabe, evidentemente, a António Costa e a Rui Rio, no papel de cabeças de cartaz, fecharem este ciclo de entertainement, fazendo deste o momento mais alto da programação.

Não admira por isso que o espectáculo dobre em tempo, e tenha transmissão directa, em horário nobre, em todos os canais de televisão. Sempre que contracenaram com os restantes nomes em cartaz, ou estes entre si, o espectáculo teve a duração de meia-hora, e passou nos canais de cabo dos três principais operadores de televisão, incluindo o público. Hoje os espectáculo é de uma hora, e todas as televisões o querem transmitir, mesmo à hora da telenovela...

De tanto recorrer às técnicas de marketing, e por tanto procurar o foco dos media, não é estranho que  a política tenha acabado num produto de marketing mediático. 

Princípios, fins e fronteiras

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Quando a dúvida que paira sobre as eleições do próximo dia 6 é se o PS alcança ou não a maioria absoluta, e sabendo-se que alcançá-la é o objectivo maior do partido, é curioso que, em nenhuma ocasião, António Costa enuncie esse objectivo. Antes pelo contrário, como se viu nas declarações que provocaram mais um ataque de ira a Sócrates.

Depois de esgotados os debates a dois com os  partidos com que poderá ter de se entender na eventualidade de não atingir a maioria absoluta, concluídos ontem com o líder do PAN, não fica qualquer dúvida que António Costa adoptou sempre um comportamento consistente com essa atitude. O debate com qualquer dos três opositores - mesmo com Catarina Martins, que era onde o risco de descambar era claramente maior - foi sempre uma conversa amena e nunca um confronto. A expressão mais marcante de todo esse ambiente é do próprio António Costa: "se fui eu que abri esta porta, não faz sentido que seja eu a fechá-la".

Mas isto é António Costa. Outras vozes no PS dizem coisas exactamente opostas. Nem é necessário ir lá mais atrás buscar declarações inflamadas do Carlos César; ainda ontem, no Parlamento, um desconhecido deputado da Madeira (coisas da insularidade, quem sabe?) proclamava que “o que precisamos mesmo é podermos governar sem empecilhos”. 

Mas se nos lembrarmos que ainda há pouco tempo António Costa dava o braço ao PCP e empurrava o Bloco para longe: "o PCP é um verdadeiro partido de massas, enquanto que o Bloco é um partido de mass media"; ou anunciava  - agora ele - o diabo, enrolado na bandeira da ingovernabilidade que se levantaria a partir de um bom resultado do Bloco, somos bem capazes de acabar a dar razão a um dos populistas-mor nesta disputa eleitoral que diz que António Costa não tem princípios, tem fins.

São, de resto, coisas destas que acabam sempre a baralhar as fronteiras do populismo. 

A política a aquecer. Como o tempo...*

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Com o fim das férias, e a subida da temperatura, a actividade política explodiu. De um dia para o outro, de repente, e sem a ponte que as rentrées sempre abrem, o país deu por si rodeado de entrevistas e debates por todos os lados. Sim, que já não se fazem reentrés como antigamente, e até o mítico Pontal do PSD, onde confluía a fina flor do partido devidamente bronzeada, acabou de vez. Vai valendo o Chão da Lagoa, mas isso fica lá na Madeira, e foi sempre uma espécie de festa particular do Alberto João …

Claro que as eleições estão aí à porta, a um mês de distância. E para nós, um mês, em eleições, é muito pouco tempo. É muito curto, é já aqui. Nada que se pareça com os ingleses, que ainda não sabem se vão ter eleições para a semana…

Se os ingleses não precisam de grande preparação, e muito menos de grande conversa para ir votar, nós nem com grande conversa lá vamos. Talvez seja por isso, para nos mobilizar, que a campanha, ou a pré-campanha, nos entra em casa já todos os dias. Os telejornais já não despregam dos líderes partidários, atrás deles por todo o lado e, no resto, se não há debate a dois, há entrevista a um.

Nem sei se tanta coisa, assim de repente, não acabará por ser demais… Talvez não. Pelo menos para o pessoal mais ligado à oposição, que andava desesperado com o desaparecimento da sua gente. Pelo menos agora pode vê-la todos os dias… Ali, no duro. Ombro a ombro com os demais, a disputar cada minuto de luz e câmara, a cantar e a saltar. E sempre, sempre com alguma coisa na ponta da língua para dizer… Mesmo que, frequentemente e sem tempo para as pensar, acabem por sair umas coisas disparatadas e sem grande sentido. Já as começamos a ouvir!

Como há quem pense que o importante é que se fale de si, nem que seja para dizer mal, na política pensa-se que o importante é falar. Nunca estar calado, falar sempre. Nem que seja a dizer asneiras… 

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

O mestre ou artista?

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A histérica reacção de Sócrates às palavras de António Costa sobre as maiorias absolutas ("os portugueses não gostam de maiorias absolutas"), em carta publicada no passado fim de semana no Expresso, foi levada  a crédito da sorte política do actual primeiro-ministro. Para António Costa, nesta altura, nada melhor que a hostilidade expressa de Sócrates.

Na entrevista de ontem à noite à SIC o tema veio a terreiro, tendo António Costa respondido que não quis atingir José Sócrates: “Não me passou isso pela cabeça”.

Poderia parecer que, com esta resposta - em vez de, por exemplo "cada um faz as interpretações que quer" - , estaria a desbaratar a vantagem que é ter Sócrates do lado de lá. Mas não está. Dando por certo que essa é uma vantagem que já ninguém lhe tira, com esta resposta Costa quis reduzir Sócrates à inexistência. 

É por estas e por outras que lhe chamam mestre. Poderá nem ser um mestre na política, mas é um mestre na arte do jogo político. A dúvida é se a isto se chama mestre, ou se chama artista.

 

 

Revisitando a Rã de La Fontaine

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A sondagem da Multidados para a TVI, ontem divulgada e por isso a mais recente actualmente disponível, contraria a possibilidade de maioria absoluta do PS, que vinha ganhando forma nas últimas semanas, confirma a tendência de subida do BE e, e esta a grande novidade, aponta o PAN como quarta força política nacional, deixando para trás CDU e CDS.

É relevante o afastamento definitivo da possibilidade de maioria absoluta do PS nas legislativas de Outubro, a que os mais recentes acontecimentos, e as mais recentes trapalhadas, provavelmente darão normalidade. É também relevante o crescimento do PAN mas, numa espécie de espiral populista urbana, pouco surpreendente. Ainda por cima, a forte concentração do voto nas duas grande metrópoles do país potencia sempre grandes resultados na hora de eleger deputados. Relevante e surpreendente é o afundamento do CDS!

Os resultados das sucessivas sondagens confirmam que a história de Assunção Cristas candidata a primeira-ministra não passa de um episódio da Rã de La Fontaine. "Presunção e água benta, cada um toma a que quer" - diz o ditado. E sabe-se como Cristas não é muito comedida em presunção, e aprecia água benta...

Mas nada disto seria tão relevante se não se começasse a perceber em Assunção Cristas uma espécie de fuga para a frente, direitinha à sinalização mais marcante da extrema-direita. Se não se  começasse a perceber a introdução de alguns ódios e fobias no seu discurso. E isso nota-se nas posições assumidas sobre o acesso à universidade. Ou à saúde...

Deitar foguetes ... e apanhar as canas!

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Não foi preciso passar muito tempo para perceber aquela que, para muita gente, é a mais relevante consequência para a política interna das europeias de domingo. Quando andávamos todos preocupados com a abstenção, rapidamente nos convencemos que... nada... Quando, em menos de 24 horas começamos a perceber que a projecção destes resultados para as legislativas dava para emitir a certidão de óbito da geringonça. Bastará ao PS acenar ao PAN para, sem mais incómodos, assegurar a sua solução governativa.

E a euforia foi geral. A começar naturalmente pelo PAN que, pouco incomodado com as classificações de Miguel Sousa Tavares ("urbano-depressivos que comem alfaces"), já faz lembrar a fábula do sapo e do boi. A passar por António Costa, que já se vê a resolver, sem grandes problemas, todos os seus problemas. Nem sequer terá de acabar com as touradas, e de se preocupar com Manuel Alegre, basta-lhe aquela solução da capa de velcro para as bandarilhas serem coladas, em vez de espetadas no lombo do animal... E, com os partidos da direita em modo de touro no fim da lide, sem tempo para mais nada que as próprias feridas, a acabar na imprensa entusiasmadíssima a deitar foguetes. E a apanhar as canas...

 

 

Eleições à vista*

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Já se percebeu que as eleições do próximo ano, que toda a gente anda já a cheirar, vão correr sob dois temas inevitáveis: incêndios e Sócrates.

Não há volta a dar, e os dados estão lançados.

António Costa, tal como há um ano, andava feliz da vida. Tudo lhe corria bem, o sol brilhava e não havia nuvens. Foi tanto assim que, de início, nem ligou muito aos incêndios de Junho; já então foi preciso que o presidente Marcelo lhe chamasse a atenção.

Era uma grande injustiça, sentia o primeiro-ministro: estava tudo a correr tão bem, e logo tinha que aparecer esta chatice…

Um ano passou, e tudo voltava a estar a correr bem. Os incêndios faziam parte do passado, agora limpavam-se as matas, em festa. Já só faltava um ano para as eleições, e as contas não se faziam por menos – maioria absoluta, limpinho!

Da oposição vinham boas notícias, e Rui Rio era fixe. A esquerda da geringonça podia ser, se não descartada, reduzida à sua insignificância.

A 25 de Abril o presidente Marcelo começou a dizer umas coisas. Nada de importante, nada que António Costa não arrumasse em dois tempos: aquilo era como a “arte moderna”, que não é fácil de entender. E então o presidente passou a tornar-se mais fácil de entender, a ponto de, hoje, pouco mais de duas semanas depois, já toda a gente o perceber bem.

Tudo mudou, e hoje já ninguém brinca em serviço. A seguir a Sócrates veio Manuel Pinho, e a seguir Mário Lino. E Paulo Campos e António Mendonça… E sabe-se lá que mais…

E já nada está preparado para a época de incêndios que aí vem, de pouco valendo se as matas foram ou não foram limpas. O topo da pirâmide da Protecção Civil continua nas mãos de boys, que continuam a cair que nem tordos, uns atrás dos outros, viciados em licenciaturas manhosas. E toda a gente grita que não há meios. Não há aviões nem há coisa nenhuma…

E, estocada final, o presidente diz que não se recandidata se a tragédia se repetir!

Mas – a tragédia, meus amigos – já aí está. Até aqui havia “N” motivações para criminosos e pirómanos acenderem fogos. Agora há “N” e mais uma, mais clara que nunca: derrubar um governo!

Não é coisa pouca. E não há inocentes nesta história…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

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