Metido no meio de uma zona do país que a Kristin virou do avesso, sem serviços públicos, água, luz, comunicações, internet, e entregue às parvoícesdesta gente que nos finge governar, que brinca e se diverte a fazer que faz alguma coisa - imaginemos estes incompetentes à frente do país durante a Covid! - não me foi possível escrever o que quer que fosse sobre a épica e gloriosa noite de quarta-feira na Catedral, verdadeiramente contrastante com a noite negra e sofrida vivida nesta região, que é a minha.
Não vou escrever sobre o jogo, mas não podia passar sem aqui deixar o registo deste resultado para a posteridade: Benfica 4 - Real Madrid 2. Para engalanar ao lado dos 5-3 de Amesterdão, de 2 de Maio de 62, na segunda Taça dos Campeões Europeus; dos 5-1 da Luz, de 24 de Fevereiro de 65, nos quartos de final que nos levariam ao 0-1 da final de S. Siro, com o Inter. Já que os 5-2, também da Luz, na Eusébio Cup, em 2012, não têm o mesmo peso histórico.
Foram quatro golos, podiam ter sido mais. Foi uma noite à Benfica, como há muito se não se vivia. Dizer-se que foi um hino ao futebol é dizer pouco. Foi o futebol na sua expressão mais pura, na sua exuberância máxima. O futebol é isto, não é isto mesmo - aquilo que dele querem fazer!
A paixão do futebol é isto. Depois de tantos golos sofridos nos descontos, depois de tanta desilusão, depois de quatro derrotas nos primeiros quatro jogos. Depois da flagrante falta de sorte em Stamford Bridge, do azar da Luz com o Bayer, e da injustiça da derrota de Turim, um golo no último lance, da cabeça do Trubin, quando nem lhe passava pela cabeça que faltava aquele golo para o milagre do apuramento.
Agora, no play-off ... voltamos a ter Real Madrid.
É mais difícil? Claro que é. Mas só isso - mais difícil!
Pela mão do Jornal de Leiria a cidade voltou a encontrar-se com a música, pela quinta vez... É já uma marca de Leiria!
Mais músicos, e mais palcos que nunca antes, marcaram este reencontro da cidade com a música, dois anos depois. Encontramo-nos todos com a música, mas - e não menos importante - encontramo-nos uns com os outros. Depois de tantos desencontros, depois de tantas vezes, tantos anos, sabemos que ali nos encontramos todos. Nem que seja séculos depois, a julgar pelo hoje alguém me dizia, numa grande festa: "já não te via há 300 anos"!
Os partidos políticos são indispensáveis à democracia, disso ninguém tem dúvidas. Mas também ninguém tem dúvidas da sua contribuição negativa para a actual imagem da democracia no nosso país. Ninguém tem dúvidas de que têm sido precisamente os partidos os maiores responsáveis pelo descrédito em que caiu o regime e, com ele, a democracia que com ele se confunde. Curiosamente também por responsabilidade dos partidos, que nunca pareceram muito interessados em discernir entre regime e democracia!
Os principais bloqueamentos da sociedade portuguesa passam por aí: pelos partidos e pelo regime. A principal reforma de que o pais carece passa por aí – pelos partidos e pelo regime, entendido como todo o sistema político e o seu modo de funcionamento.
Tem-se por adquirido que é total o peso dos partidos nas eleições nacionais, nas legislativas, e quase residual nas autárquicas. Que nestas prevalece a proximidade, a relação e o contacto directo entre eleitores e eleitos, condições que fazem com que as pessoas se sobreponham aos partidos. Não é bem assim!
Não disponho de dados que me permitam fundamentar esta opinião, mas parece-me mesmo – por sensibilidade e intuição – que vem sendo cada vez menos assim. Que cada vez mais são os directórios partidários – nas suas diferentes estruturas – a, sempre que chega a vez das ansiadas listas das candidaturas autárquicas, baralhar, partir e dar. O sucesso das candidaturas independentes não só não consegue iludir esta realidade como, acima de tudo, a confirma. É que a esmagadora maioria destas candidaturas vem dos partidos, das suas lutas intestinas e das suas roturas. Não vêm da sociedade civil.
Estas autárquicas que aí vêm têm confirmado isto mesmo. Com os partidos a insistirem, para além do razoável e do aceitável, nas candidaturas de legalidade duvidosa, empurrando para os tribunais o que cabe à política. Com estruturas locais dos partidos a imporem candidaturas que resultam das relações de poder saídas de lutas internas. À revelia do desempenho e da capacidade de quem já deu provas, gerando mais e mais falsas listas de independentes. De tudo isto se tem passado um pouco por todo o país, tocando praticamente a todos os partidos. Seguramente a todos os que têm implantação autárquica!
Em Leiria, também o PSD navegou nestas águas. Só que aqui, provavelmente por efeito da Ribeira dos Milagres, em águas muito sujas. E porque há muito sujas, nauseabundas. De cheiro insuportável!
Sabe-se que o PSD é tradicionalmente um partido com muitos partidos lá dentro. E que são frequentes actos desavindos entre eles. Há muito que se sabe que há em Leiria um PSD dividido em dois. E que, o que tem o poder, na comissão política concelhia, não tem feito lá muito bem ao outro, pondo em causa o todo. Que joga um jogo que nunca parece limpo, sempre com mangas que escondem alguma coisa. Desta vez, ao contrário da última, escolheu o candidato. Um candidato pouco provável, diria quem olhasse de fora. Tão pouco provável que levaria a pensar numa escolha para não agitar outras águas. E que alguma coisa ficava na manga, para jogar mais tarde, quando chega o tempo de ser o tempo quem mais ordena…
E assim foi. Assim mesmo, sujo e feio!
Ao candidato nada mais restou que recusar o papel de fantoche que pretendiam reservar-lhe e bater com a porta. Em nome da dignidade. Pessoal, porque a do partido já não tem salvação!
Sou um adepto da União de Leiria – toda a gente tem um segundo clube, e o meu é precisamente o União, clube que vi nascer e crescer como nenhum outro - que integra uma maioria silenciosa (na semana do 28 de Setembro, quando já ninguém se não lembra maioria silenciosa de 74, a expressão vem a propósito) de adeptos que se não revê na actual vergonha que é o divórcio do clube com a cidade, que mais não é que uma sucessão de muitas outras vergonhas que têm marcado os últimos anos de um clube que tinha tudo para ser uma bandeira da região.
Assisti a este início de campeonato nesta precisa condição de adepto desiludido e afastado, vendo ali a equipa mais fraca da liga, logo à segunda jornada, no jogo com o Porto, com um treinador dado como um dos muitos yupis da nova geração que, percebia-se, estava completamente afastado da realidade, como vem sendo habitual neste nosso país. Depois veio Vítor Pontes, um homem da casa e que ali havia sido feliz, apontado, pelo próprio, como um dos delfins do special one, mas que, longe de Leiria, nunca confirmara essa premonição. Duas derrotas e 17 dias depois seria, sem mais nem menos, mais um da vasta lista de humilhados de Bartolomeu, o Pinto da Costa número dois do futebol português.
E regressou Cajuda, um técnico da velha guarda, à boa e antiga escola portuguesa. Que tem reclamado da injustiça de nunca lhe ter sido dada a oportunidade de treinar um grande e, em particular, o nosso comum Benfica. Começou à sua maneira – já estafada é certo mas que, comparada com a do Vítor Pereira, parece saída dos novos compêndios das mais prestigiadas universidades -, dizendo que não tinha medo do jogo com o Braga e avisando os jogadores de que, tem o tivesse, ficasse em casa. Provocou depois os mais puritanos da comunicação quando disse que o empate com o Braga seria um bom resultado.
Mas ganhou, e ganhou bem, o seu primeiro jogo com o novo grande. Depois de uma entrada sufocante do Braga, a equipa primeiro resistiu e, depois, dominou. Dominou toda a segunda parte e desperdiçou oportunidades de alargar o marcador. É Cajuda num dos seus múltiplos milagres, o Cajuda de que a gente gosta.
Leiria, apesar de tudo, agradece. E Vítor Pereira também: a derrota de Jardim poderá ser mais um desvio na sua rota para o Dragão. Esta terá sido a melhor notícia que recebeu antes do jogo com a Académica!
A Câmara Municipal, o Governo Civil e o Instituto Politécnico, todos de Leiria, aproveitaram a passada sexta-feira, dia 3 – Dia Internacional da Pessoa com Deficiência – para realizar a I Gala da Inclusão: uma iniciativa a todos os títulos meritória para, a partir de Leiria, sensibilizar a sociedade para a inclusão de pessoas portadoras de deficiência mas igualmente portadoras de múltiplas capacidades e virtudes. E, acima de tudo, credoras de respeito e dos mais variados factores de dignidade.
Foi bonito ver sair de Leiria um exemplo destes, virado para a realidade global da inclusão que, como tudo, começa nas crianças, e passa pelas acessibilidades, e pela educação. E pela formação! Mas que passa por muito mais: passa por nós, passa pela nossa própria sensibilização e pelo combate ao preconceito!
Foi bonito saber que em Leiria, no Instituto Politécnico, há quem se preocupe seriamente com estas coisas. Que há um Centro de Recursos de Inclusão Digital (CRID) que produz um fantástico trabalho em prole da inclusão. E que lançou uma campanha – “mil sorrisos, mil brinquedos” – através da qual uma enorme quantidade de brinquedos convencionais foi convenientemente adaptada à utilização por crianças portadoras de deficiência.
Foi bonito de ver a distribuição destes brinquedos por diferentes delegações de todo o país da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral.
Foi bonito saber que já há em Portugal empresas e organizações que dizem não ao preconceito e que promovem de facto a inclusão, cruzando muitas vezes empreendedorismo e pioneirismo.
E foi bonito de ver, como não podia deixar de ser, o espectáculo transmitido em áudio descrição e interpretado em linguagem gestual. Fiquei a perceber que é possível cantar em linguagem gestual, o que é absolutamente extraordinário. Que nem a surdez impede que se apreciem a música e as canções do David Fonseca!
PS: Para que conste, os galardões foram atribuídos ao grupo Impresa (comunicação), à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, UTAD (Curso de Engenharia de Reabilitação), grupo Auchan (boas práticas), World Bike Tour (desporto), ZON Lusomundo (acessibilidades) e Alunos da Escola Superior de Tecnologia e Gestão – ESTG do IPL (mérito regional, pela campanha “mil sorrisos, mil brinquedos”).
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