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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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FUTEBOLÊS#111 LEVANTAR O PÉ

Por Eduardo Louro

 

Sendo o futebol jogado com os pés é natural que esta parte dos membros inferiores seja frequentemente chamada à conversa. À conversa em linguagem própria, em futebolês evidentemente!

Fiquemos hoje pelo levantar o pé. Levantar o pé na disputa da bola pode não querer dizer que se levante o pé. Pelo contrário, é normalmente sinal de que se não levanta o pé!

Confuso? Sim, mas exactamente como o futebol, o futebolês é isso mesmo!

Levantar o pé - quando acima de determinada altura, o chamado pé alto, que é punido pelas leis do jogo - é um gesto normalmente tido como sinal de entrega ao jogo e de empenhamento máximo na disputa de cada bola. Significa disputar cada bola como se fosse a última!

Ora isto é precisamente o inverso de levantar o pé. De tirar o pé do acelerador, a imagem automobilística de que o futebolês se apropriou!

Levantar o pé é, neste sentido, sinal de baixar a guarda. De descompressão competitiva! Ora, quem levanta o pé sem receio e apenas porque é lá que está a bola e é lá que tem de ser disputada, não está a negligenciar nem a regatear esforços. Isto é, não levanta o pé!

A tendência para a descompressão é uma inevitabilidade da própria condição humana. Em competição, seja num jogo de futebol ou noutro confronto qualquer, exigem-se níveis de concentração competitiva capazes de superar aquela tendência natural e é a gestão dessa concentração competitiva que faz a diferença. É decisiva!

É por isso que há jogos que mudam por completo quando o resultado começa a atingir determinado desnivelamento. O avolumar do resultado permite tirar o pé do acelerador – levantar o pé - e, daí até à perda completa da concentração competitiva, é um passo muito curto. Daí que, levantar o pé, só mesmo quando o adversário está sob controlo absoluto.

O Benfica, por exemplo, não está a dar hipóteses. Não levanta o pé!

Joga mais e melhor que todos os adversários e por isso já leva um avanço que começa a ser apreciável. Tanto que começa a perturbar os rivais, em especial o principal rival dos últimos anos, levando o seu treinador - exorbitando mais as suas capacidades que propriamente as suas funções, para as quais, de resto, também não revela especiais aptidões – a confundir o conforto da competência com o do colo. São coisas diferentes, Sr Vítor Pereira!

As coisas complicaram-se um bocado no último fim-de-semana. Tudo fora feito, como aqui se deu conta na última semana, para que o Benfica fosse jogar naquela caixa de fósforos que é o campo do Feirense: sem espaço (menos 4 metros de comprimento e menos 3 de largura, o que levou um comentador da RTP a dizer, sem se rir nem corar de vergonha, que não podia haver razão de queixa das dimensões do campo que teria apenas menos 12 metros quadrados) e sem adeptos benfiquistas. Não resultou: o Benfica ganhou enquanto o Porto perdia, sem apelo nem agravo, com o Gil Vicente. Como não resultou, o Benfica ganhou porque o árbitro ajudou, anulando uma jogada por fora de jogo inexistente que, já depois de interrompida pelo árbitro, daria em golo. Não contava que o árbitro assistente não tivesse assinalado um fora de jogo mas sim um pé alto do jogador do Feirense. Ou que o mesmo árbitro tivesse deixado por assinalar dois penaltis as favor do Benfica. Ou que o Benfica tivesse jogado muito mais, e criado inúmeras ocasiões de golo sucessivamente anuladas pela fantástica exibição do guarda-redes adversário!

Consta por aí que, com o vencimento do regressado Lucho (a custo zero? Seria interessante saber quantas prestações o Marselha ainda teria por pagar...), o João Moutinho e mais uns quantos irão passar a levantar o pé um pouco mais. Acredito que sejam as habituais más línguas...

Quem agora não quer levantar o pé é o Sporting. Não tanto os jogadores dentro do campo, que esses ainda andam à procura do pedal do acelerador, mas o seu presidente. À procura de investidores internacionais! De alguém que pague as contas…

Olharam para Inglaterra e miraram-se em Londres - lá para os lados de Stamford Bridge – e em Manchester, no City of Manchester. Aqui mais perto, para os lados da Costa del Sol, a imagem também já não era má: também se via por ali um árabe cheio de massa que ficara com o Málaga. E acham que o futebol em Portugal é tão atractivo para gente dessa como em Inglaterra ou em Espanha. Por acaso as duas principais ligas do mundo!

Mas, se calhar, também já ouviram falar em lavagem de dinheiro! Não havia, nas últimas eleições, um candidato que tinha uns russos em carteira? Vá lá: pé no fundo, rapazes!

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