Terminou ontem, com o Grande Prémio de Abu Dhabi, a temporada de 2024 da Fórmula 1.
Com o título de condutores já entregue - mais uma vez a Verstappen, faltava decidir o de construtores, entre a Mclaren e a Ferrari, as duas mais míticas marcas da Fórmula 1. A marca inglesa tinha alguma vantagem, e bastava-lhe ter um carro a ganhar a corrida. Com os dois carros na primeira linha da grelha, à frente de Sainz, e Leclerc, por penalização, a sair do último lugar, reforçava essa vantagem.
Mas corrida, é corrida. Logo no arranque Verstappen - intratável, está-lhe na massa do sangue, não há volta a dar -, que partira da quarta posição, atirou-se para cima de Piastri, deixando o segundo Mclaren logo fora das contas da corrida. E Leclerc partiu para uma recuperação notável (à décima volta já era sexto!) que o levaria ao terceiro lugar, atrás de Norris e Sainz.
Nem assim houve na verdade muitas dúvidas que Norris ganharia a corrida, e que, 26 anos depois, a Mclaren voltaria a ser campeã do mundo. Foram, sem dúvida, os melhores carros e Norris só não foi campeão mundial já este ano porque Verstappen ... é Verstappen. E trazia uma vantagem muito grande da primeira parte da temporada.
Sainz despediu-se da Ferrari (vai para a Williams), entregando o seu lugar a Hamilton, que se despediu da Mercedes, desfazendo-se a mais bem sucedida dupla da História da Fórmula 1. Na despedida, um último e rijo despique com Russel, seu colega de equipa e compatriota, que animou a parte final da corrida na disputa pelo quarto lugar. Ultrapassou-o na última volta, e no fim deu espectáculo.
Para o ano há mais. E tudo indica que bem diferente!
Depois de um jejum de quase três anos - vencera pela última vez em 5 de Dezembro de 2021(o ano fatídico que terminou com o domínio da Mercedes, no polémico primeiro título de Verstappen), na Arábia Saudita - Hamilton ganhou hoje, em Silverstone. Em casa.
A Mercedes, que já tinha ganhado a última corrida, há uma semana no Grande Prémio da Áustria, e confirmado que está de volta à competitividade, fizera a dobradinha na qualificação, com Russel na "pole" e Hamilton ao seu lado, na primeira linha. E bem poderia tê-la replicado no fim das 52 voltas, não fosse um problema de refrigeração no motor ter colocado Russel fora da corrida, a 18 voltas do fim.
A vitória de Hamilton - a 104ª da carreira - vem carregada de simbolismo. Por terminar com uma "seca" por que nunca tinha passado. Por acontecer 17 anos (e um mês) depois da primeira (no Canadá), e isso constituir mais um record para Hamilton, ultrapassando Kimi Räikkönen (15 anos, 6 meses e 24 dias, entre a primeira vitória no Grande Prêmio da Malásia, em 2003, e a última, no Grande Prémio dos Estados Unidos, em 2018). Por contrariar um dogma estabelecido na fórmula 1, segundo o qual ninguém ganharia depois de atingir os 300 Grandes Prémios. Por, já com contrato com a Ferrari para a próxima temporada, ser esta a sua última temporada na Mercedes. E por ser em casa, perante uma multidão tão cansada de esperar quanto ele próprio.
Para a fórmula 1 é também uma excelente notícia. Porque Hamilton é o sexto piloto a ganhar esta época, agora a meio. O sexto em 12 Grandes Prémios, o que rompe com a monotonia dos últimos três anos. Porque no pódio voltamos a ver três carros diferentes (Verstappen - Red Bull - foi segundo, Lando Norris - McLaren - terceiro). E porque, apesar da praticamente inultrapassável vantagem de Verstappen no Mundial de pilotos, que hoje voltou até a alargar, promete, para a segunda metade da época, o regresso à competitividade perdida, com a discussão das corrida aberta a quatro equipas. A Red Bull já não põe e dispõe das corridas a seu bel-prazer: tem que se haver com a Ferrari - intermitente, é verdade, mas sempre competitiva -, com a McLaren, regressada ao topo há precisamente um ano e, agora, com o regresso da Mercedes.
Verstappen - já com o título campeão no bolso, assegurado no Catar há duas semanas, a cinco corridas do final - ganhou o Grande Prémio das Américas, em Austin, no Texas. Como já ontem ganhara a corrida sprint.
A novidade não é, pois, a vitória de Versttapen - a 15ª da temporada, igualando desde já esse recorde estabelecido na época passada, dez delas consecutivas. A novidade - e grande! - é que não foi o holandês que ganhou esta corrida, mas a Mercedes que a perdeu.
Foi um grande espectáculo de Fórmula 1, e uma das mais disputadas corridas da época. Quatro carros diferentes (um Red Bull, um Mercedes, um Mclaren e um Ferrari) nos quatro primeiros lugares. E já havia sido assim na corrida sprint, a confirmar que as principais equipas se estão finalmente a aproximar da Red Bull. E a confirmar o regresso da Mclaren ao pelotão da frente, passando de surpresa a certeza nesta segunda metade do campeonato, mesmo que ainda não tenha superado (nem na classificação de pilotos, nem na de construtores) a surpresa Aston Martin na primeira.
A Mercedes demonstrou ao longo do fim-de-semana capacidade para discutir a corrida com a Red Bull (e com a Mclaren e a Ferrari, na primeira linha da grelha de partida, com Leclerc na pole, e Norris ao lado, mas logo na frente na partida). Hamilton, que já fora segundo na corrida sprint, saiu no terceiro lugar. Partiu mal, ficou logo atrás do Mclaren de Norris e dos dois Ferraris, e até poderia ter corrido mesmo muito mal se este Verstappen (levantou o pé) fosse o de há três ou quatro anos. Mas, a partir daí fez sempre uma corrida a grande ritmo, limpa e equilibrada.
Fez o suficiente para ganhar, ele que já vai para dois anos sem ganhar uma corrida. Faltou à equipa corresponder ao desempenho do carro e de Hamilton. Pareceu que tinha partido com uma estratégica de uma única paragem para mudança de pneus, que a corrida mostrou ser de todo inviável, e adiou a primeira paragem.
Com isso, com o erro de timing para a paragem, e com a própria operação - que tão bem correu com Russel, e que foi quase desastrada com Hamilton (3,3 segundos a mudar pneus quando todos os adversários, e o próprio colega de equipa, o faziam na casa dos 2 segundos, bem próximo dos fantásticos 1,8 segundos da Mclaren no Catar) - o hepta-campeão perdeu 13 a 14 segundos para Verstappen. E deixou de o ter atrás, para passar a tê-lo à sua frente.
Em corrida, o Mercedes e Hamilton, estiveram sempre melhor que o campeão holandês. Acabou a pressionar Verstappen, e terminou a 2 segundos - chegando até a aproximar-se da diferença do segundo, que lhe daria a possibilidade de utilizar o DRS.
Claro que ninguém poderá garantir que, sem os erros da primeira troca de pneus, Hamilton ganharia. Mas quando se acaba a 2 segundos, e se desperdiçaram 14, é difícil deixar de concluir que foi a equipa da Mercedes que perdeu esta corrida. Muito antes de Verstappen a ganhar!
PS: Soube-se, já no dia seguinte ao da corrida, que Leclerc e Hamilton foram desqualificados porque os blocos de derrapagem, que se situam por debaixo dos carros dos dois pilotos, não estavam de acordo com os requerimentos. Não altera nada do que foi a corrida. Altera, e muito, as classificações. E deixa mais difícil o "assalto" de Hamilton ao segundo lugar da classificação do mundial de pilotos, que parecia ter tudo para ser bem sucedido.
A questão, na fórmula 1 actual, não é quem é primeiro. Verstappen e a Red Bull, não permitem discussão - faz a "pole", ganha, lidera as corridas da primeira à última volta, e faz o melhor tempo de volta. No fim, também não será quem é o segundo. Perez, mesmo alternando boas classificações com últimos lugares na classificação, contará sempre com a supremacia do carro da Red Bull para as mais surpreendentes recuperações em corrida.
A questão é, pois, quem se consegue entre-por na esmagadora superioridade da Red Bull. Com o melhor carro, a melhor estratégia de corrida, e a maior competência nas boxes.
Hoje, em Barcelona, no Grande Prémio de Espanha, não foi diferente. Aconteceu tudo isso, com Verstappen a apenas mudar de pneus quando tem garantida a saída, na mesma, na frente. A fazer a pole, a volta mais rápida, a seguir na frente do arranque até à bandeira de xadrez, a conquistar a 40ª vitória da carreira, a consolidar a liderança no campeonato, e a consolidar, a meio da temporada, o mais que anunciado terceiro título mundial consecutivo . E com Perez a sair dos últimos lugares da grelha para acabar em quarto.
A novidade foi a Mercedes, com Hamilton, a sair da quarta posição na grelha, a terminar em segundo, e Russel em terceiro, saído da 12ª posição, à partida. Na primeira vez em que outra equipa, que não a Red Bull, conseguiu dois lugares no pódio. Mercedes já é segunda no mundial de construtores, quando parecia já ter sido ultrapassada até por construtores há pouco tempo de segunda linha.
É verdade que a Ferrari continua a desiludir, como voltou hoje a fazer. Sainz tinha obtido o segundo melhor tempo na qualificação, e saiu na primeira linha da grelha. Mas nem isso lhe valeu mais que o quinto lugar no fim. E Leclerc que, penalizado, tal como Pierre Gasly, começou por partir das boxes, nem nos pontos acabou (11ª lugar).
Quando até a Maclaren (com Norris na terceira posição na grelha, mas a afundar-se na corrida) a ameaçava empurrar ainda mais para baixo, já depois de claramente ultrapassada pela Aston Martin, a Mercedes ressuscitou em Barcelona. A dúvida, agora, é se esta é a evolução normal do seu W14, ou se apenas um caso de especial apetência pela pista catalã. Seja o que for, a aproximação à Red Bull continua difícil!
Aos espanhóis, naturalmente figuras do cartaz, é que a sua corrida não correu nada bem. Sainz ainda fez figura na qualificação, com o segundo tempo, mas acabou em quinto. E Alonso ficou sempre atrás do seu colega Stroll. Na qualificação, onde não conseguiu melhor que o oitavo tempo, com Stroll em quinta. E na corrida, em sexto, mas ainda atrás do seu colega de equipa.
No GP do Brasil, em Interlagos, na penúltima corrida do campeonato, surgiu finalmente a Mercedes, que tinha andado toda a época longe da competitividade dos principais adversários. Sempre longe dos Ferrari, e ainda muito distante dos Red Bull.
Já vinha dando mostras de estar a encurtar distâncias, tendo já estado bem perto da frente no México, na corrida anterior. Agora, no Brasil, foi incontestavelmente melhor que toda a gente, em tudo o que foi corrida. Que, neste GP do Brasil, até teve corrida sprint na definição da grelha de partida, que deixou os dois Mercedes na primeira linha, com Russel na pole.
Russel, primeiro no fim das 24 voltas do sprint, e Hamilton que, cortando a linha de meta na terceira posição, ficaria em segundo por penalização (em três posições) de Sainz. Dobradinha depois repetida nas 72 voltas da corrida final, na primeira vitória de Russel na Fórmula 1, numa demonstração de superioridade inimaginável há poucas semanas.
É que os dois Mercedes dominaram a corrida em toda a linha, de princípio a fim, superando até todos os incidentes, como o embate entre Hamilton e Verstappen (penalizado por isso em 5 segundos) e dupla participação do safety car. A última, já perto do fim, a virar a corrida do avesso. Excepto nos dois lugares "cativos" de Russel e Hamilton, o ídolo da casa. É cidadão honorário do Brasil!
Da "revolução" provocada por esse último safety car tiraram partido Verstappen - é crónico - e Leclerc para saírem dos lugares lá de trás e chegarem aos da frente. Sainz também saiu a ganhar, ao aproveitar essa oportunidade para trocar de pneus, o que noutras circunstâncias não poderia fazer sem perder o terceiro lugar. A perder, e muito, saiu Perez, o único Red Bull que resistira toda a corrida nos primeiros lugares. Acabou ultrapassado por Alonso, e depois pelo próprio Verstappen. Que, apesar dos insistentes pedidos da equipa, recusou voltar a ceder-lhe a posição, decisiva para manter a segunda posição no mundial de pilotos.
Há muito que se sabe que Verstappen não nasceu para fazer amigos. Mas também não era necessário produzir inimigos dentro da própria equipa. Perez não deixa dúvidas: "Só mostra quem ele realmente é…”
Na Ferrari não aconteceu bem a mesma coisa. Mas não foi lá muito diferente: Leclerc, que discute aquela segunda posição com o mexicano, com o quarto lugar na corrida a cair-lhe do céu, e com Sainz ali à frente na terceira posição, pediu à equipa que desse indicações ao espanhol para o deixar passar, para somar mais uns pontinhos. Mas isso era pedir muito. Era pedir a Sainz que se levantasse da cadeira do pódio para ele se sentar!
Apesar de todas estas "estórias", notícia mesmo é que a Mercedes está de volta. E isso saúda-se!
Não aconteceu o que muitos antecipavam nesta última corrida do mundial de Fórmula 1, em Abu Dhabi. Mas nem por isso deixou de ser a mais insólita decisão de um campeonato do mundo de fórmula 1.
Chamo-lhe insólito para não recorrer à estafada expressão de vergonha.
Vamos à estória: Max Verstappen e Lewis Hamilton estavam empatados em pontos à partida. O holandês conquistou a pole, mercê de mais um excelente jogo de equipa. Estratégia pura, em que a Red Bull foi sempre a melhor de todas as equipas do circo. Na circunstância lançou Sergio Perez para gerar o cone de aspiração que permitiria a Verstappen bater o tempo de Hamilton. Uma estratégia que implicaria também largar da pole com pneus macios, mais vantajosos para o arranque.
Onde, surpreendentemente, o inglês partiu muito melhor, e ficou na frente. Na segunda curva, Verstappen não perdeu tempo e fez o que se esperava que viesse afazer - jogo sujo. Atrasou a travagem, e com isso colocou-se ao lado de Hamilton e, uma vez ao lado, ocupou-lhe toda a pista. O hepta-campeão mundial ou batia ou saía de pista. Saiu de pista, seguiu pela escapatória e acabou até por ganhar alguns metros.
Mais uma vez, o crime não compensava. Bem tentou a Red Bull - agora que tudo em corrida é negociado com a direcção da prova - que a posição fosse devolvida ao holandês. Mas tinha ficada clara a manobra de Verstappen, e a direcção da corrida limitou-se a obrigar Hamilton a devolver os metros ganhos. Que lá seguiu, sempre na frente e sempre melhor.
Hamilton, com pneus médios, tinha teoricamente mais pneus que Verstappen, que partida com os macios ditados pela estratégia de ataque à pole position. Estranhamente mudaram de pneus na mesma volta, e a Red Bull voltou a dar baile em estratégia: deixou Sergio Perez em pista, para depois atrasar Hamilton e deixar Verstappen recuperar muito do atraso que já tinha para o inglês. Nesta altura tínhamos Hamilton 10 - Verstappen 0. Mas Red Bull 2 - Mercedes 0.
A meio da corrida entra o safety car virtual, e a Red Bull aproveita para mudar pneus nos dois carros. A Mercedes, com Hamilton na frente com mais de 8 segundos de vantagem, optou por mantê-lo em pista. Perdeu tempo. Tanto que, mesmo com a paragem de Verstappen a mudar de pneus, operação que custa sempre um pouco mais de 20 segundos, a vantagem acabou por se ficar nos 12 segundos.
Hamilton acabou por responder bem e, a quatro voltas do fim, conseguia ainda assim chegar à vantagem de 14 segundos, já depois de dobrar quatro carros que se encontravam a disputar lugares de classificação, que Verstappen ainda teria que dobrar . Só que Latifi bateu e entrou o safety car. O real. Tudo o que a corrida não precisava, e tudo o que Hamilton não merecia. Nesta altura Hamilton 15 - Vestappen 0.
A Red Bull volta a chamar os seus dois carros à box. Vestappen para nova mudança de pneus. Perez, percebeu-se depois, para desistir. Em simultâneo pressiona a direcção da corrida para que o safety car abandonasse a pista na última volta, mas depois de ultrapassado pelos tais quatro carros que separavam os dois primeiros. Red Bul 15 - Mercedes 0!
E assim, em plena última volta, o safety car abandonou a pista com Verstappen colado a Hamilton, no seu cone de aspiração e com pneus novíssimos. Demasiado fácil para Verstappen, aos 24 anos, ganhar e conquistar o seu primeiro campeonato do mundo. Outros se seguirão, porque demonstrou que tem valor para isso. Mas, assim, não!
A Mercedes ganhou, por equipas. Mas apetece dizer que não mereceu. Foi sempre pior nas decisões que a Red Bull. Verstappen ganhou, sendo sempre primeiro, ou segundo, no pior. Mas isso são os resultados. Hamilton é, ainda, muito melhor. E só não ganhou, para além das decisões erradas da sua equipa, pela incrível decisão da direcção da corrida, ao decidir o que decidiu no final da corrida. Hamilton ia muito à frente, não teve nada a ver com o despiste da Latife. Por que razão Verstappen não teve de dobrar os quatro carros que Hamilton tivera de dobrar?
Só porque a Red Bull grita mais alto? Porque Hamilton iria ganhar pela oitava vez? Porque é preciso manter o recorde de campeonatos? Porque isto é cada vez mais à americana, onde vale tudo?
Há um novo campeão do mundo. É certo (ou talvez não, ainda muita tinta vai correr), mas não houve verdade desportiva. Hamilton não merece perder desta forma. Mas é também demasiado grande para, agora, não merecer ganhar de qualquer outra!
Esperavam-se muitas manobras anti-desportivas da Red Bull. Esperava-se que Verstappen repetisse o que fez logo na segunda volta. Esperar-se-ia até que fosse Sergio Perez, quando ficou na frente para dificultar a vida a Hamilton - e como dificultou! - a desencadear uma qualquer manobra que o colocasse fora da corrida. Hamilton nunca sequer permitiu qualquer uma dessas hipóteses Em pista, fez tudo. Só nada poderia fazer contra aquela decisão da direcção da corrida!
Lews Hamilton e Max Verstapen saem da Arábia Saudita em igualdade pontual para discutirem o título mundial na última etapa deste Mundial de Fórmula 1, no Abu Dhabi, no próximo fim de semana. Só por uma vez, em 1974, dois pilotos tinham chegado empatados em pontos à última prova do campeonato - então Emerson Fitipaldi (cujo neto sofreu hoje um grave acidente, neste mesmo circuito, na prova de fórmula 2) e Clay Regazzoni. Isto depois de Hamilton ter vencido o seu 103º Grande Prémio, e o terceiro dos últimos três, que o relançou para o seu oitavo Mundial, que chegou a parecer perdido.
Foi uma grande corrida, este Grande Prémio esquisito e cheio de coisas estranhas. Desde logo com três partidas da grelha de formação, duas bandeiras vermelhas e já nem sei quantas intervenções do safety car. E muita manha, e outras coisas que tais.
A corrida iniciou-se com os dois pilotos da Mercedes, Hamilton e Botas, nos dois primeiros lugares, donde partiram, com Verstapen em terceiro. À décima volta o primeiro acidente, com Mick Schumacher, e primeira entrada do safety car, que os pilotos da frente aproveitaram para mudar pneus. Todos, excepto o holandês, que quando ia entrar recebeu ordens da equipa para não o fazer, ficando na frente da corrida. Percebeu-se que a Red Bull apostava na bandeira vermelha, que interromperia a corrida, e a relançaria para nova partida, donde sairia na pole, que ontem falhara ao embater no muro à saída de uma curva, quando se aprestava para a conquistar. Quatro voltas depois, aí estava a antecipada bandeira
Nova partida, agora com Verstapen a partir na frente, e com pneus novinhos. Hamilton, em segundo, arrancou bem. Como Verstapen e Ocon. Encontravam os três lado a lado na primeira curva onde Hamilton, quem mais tinha a perder, teve se cortar, Verstapen adiantou caminho por fora da pista, e Ocon, ficando em segundo, seria primeiro pela infracção do holandês. Cá atrás duas molhadas de carros, com Perez, o segundo piloto da Red Bull, a ficar fora da corrida. Nova bandeira vermelha, e nova grelha de partida, desta vez negociada, ao vivo e a cores, entre a direcção da corrida e as equipas: Ocon. Hamilton e Verstapen. Que no arranque, tirando partido dos pneus macios escolhidos para o efeito, mas de risco face às voltas em falta, quando os adversários optaram por duros para durarem o resto da corrida, passou de terceiro para primeiro, à frente de Ocon e de Hamilton, que pouco demorou a ficar a trás do seu rival para o título.
Começou então a perseguição, interrompida de quando em vez por acção do safety car virtual, por força de inúmeros toques em pista que a iam pulverizando com os pequenos destroços que daí resultavam. E começaram os já habituais truques de Verstapen para evitar a ultrapassagem. Numa dessas ocasiões empurrou Hamilton para fora de pista. Foi penalizado, com a obrigatoriedade de lhe ceder o lugar. Nada mais que uma nova oportunidade para outro truque: em vez de abrir para o deixar passar, travou à sua frente, para que lhe batesse por trás. Hamilton ficou com a asa dianteira destruída, e portanto com o carro desequilibrado. Não chegou a passar, mas Verstapen contava com o estrago provocado, mesmo que tivesse de voltar a ceder-lhe a passagem. Como aconteceu, para de imediato tirar partido disso, e voltar à frente.
Mas já não tinha pneus. Os que contara para ganhar na partida não lhe davam para ganhar a corrida. E Hamilton, mesmo com o carro naquelas condições, passou para a frente e fez até a melhor volta da corrida, que lhe deu mais um pontinho. E ganhou claramente uma das corridas mais difíceis de ganhar. Em competição, nem sempre a verdade ganha.. Desta vez ganhou!
Verstapen é um extraordinário piloto, disso não há duvidas. Dúvidas há é que seja um verdadeiro desportista. Para mim, evidentemente!
Uma coisa é a manha, o chico-espertismo. Cabem sempre no desporto. Outra é a batota. Quando a Red Bull arrisca na estratégia e Verstapen arrisca na pista, não há nada a dizer. Mas quando lhe acrescentam batota, já é outra coisa. E fazem-no vezes de mais!
Lewis Hamilton venceu o Grande Prémio da Turquia, a décima quarta etapa do campeonato, e sagrou-se desde já campeão do mundo, pela sétima vez. Foi a décima vitória da temporada. Só não ganhou quatro corridas, todas elas por razões de circunstância em que a fórmula 1 é fértil.
Hoje ganhou com grande autoridade - 32 segundos, uma eternidade em fórmula 1, sobre os companheiros no pódio, o mexicano Perez e o alemão Vettel, da desilusão Ferrari, o primeiro da temporada para ambos - e com espectáculo. Saiu do sexto lugar de uma grelha de partida atípica, consequência da instabilidade meteorológica em que se decorreu a qualificação, que nas duas primeiras filas tinha apenas um cliente habitual: Vestappen, no segundo lugar que, com uma má partida caiu de imediato para a quinta posição. Da pole position, a primeira da carreira, largou Stroll, da Racing Point, à frente do seu companheiro de equipa Sergio Perez, que estava atrás, na terceira posição da grelha.
Ganhando duas posições na largada, que viria a perder ainda na primeira volta, Hamilton chegou à liderança à trigésima sétima volta, quando ultrapassou Perez. A partir daí a corrida só lhe serviu para ir ganhando avanço sobre os adversários, acabando por dar uma volta de avanço a Bottas, o seu colega da Mercedes, e único que o poderia impedir de se sagrar já campeão. Heptacampeão!
Depois de bater todos os recordes de Michael Schumacher, igualou-o agora nos sete títulos de campeão mundial de fórmula 1. Aos 35 anos, Lewis Hamilton é agora recordista de pódios (162), de ‘pole positions’ (97), de vitórias (94). E o nome maior da História da competição automóvel!
Vinte e quatro anos depois a fórmula regressou a Portugal, e estreou-se em Portimão. Não foi na melhor altura, mas foi quando aconteceu. E é sempre melhor que tenha acontecido.
Com público, e com muita coisa a não correr pelo melhor. Que se portou melhor hoje que ontem, ao que se diz. Muita gente com bilhete terá ficado hoje do lado de fora, talvez para isso.
Independentemente das dificuldades do público, e com o público, da polémica à volta disso, e das inevitáveis comparações que acabam sempre por evidenciar pesos e medidas diferentes para situações que se pretendam idênticas, mesmo quando o não são, o 17º Grande Prémio de Portugal fixa um marco na História da fórmula 1. Ao vencê-lo Lewis Hamilton conquistou a sua 92ª vitória, batendo o que se julgava ser o inatingível recorde de Michael Schumacher, e ficou a um passo de igualar os sete títulos mundiais do infeliz alemão.
A corrida começou atribulada, mesmo que sem os incidentes dos últimos grandes prémios. Logo no arranque Verstappen, que partiu da terceira posição, atrás dos dois Mercedes, lançou a confusão. Logo a seguir foram uns pingos de chuva a suscitar alguma prudência aos da frente, aproveitada por Carlitos Sainz para chegar à liderança, com Hamilton a chegar a andar pelo terceiro lugar. Mas foi sol de pouca dura - e chuva nem chegou a ser - e rapidamente tudo voltou à normalidade. À décima volta já eram os três primeiros da grelha que seguiam na frente, com Bottas a herdar a frente da corrida. E à vigésima já estava tudo como no fim, que era tudo como no início. E como sempre, com o britânico na frente, a dominar completamente a corrida. A da sua 92ª vitória no sua 97ª pole position!
Fantástico este verdadeiro conto de fadas de um menino que nasceu negro e pobre!
Este foi um fim de semana fantástico, onde a personalizada exibição da selecção nacional de futebol em Paris será até o menos expressivo dos acontecimentos que o marcaram.
No Giro de Itália, para assinalar uma semana completa de liderança de João Almeida, outro ciclista português, Rúben Guerreiro, resolveu ir por ali acima e ganhar uma das etapas mais difíceis da segunda maior competição mundial, atrás do Tour de France. E os dois portugueses lideram três das quatro classificações individuais de uma prova de ciclismo: a geral e a da juventude, com as camisolas rosa e branca na posse do ciclista das Caldas, e da montanha, com a camisola azul no tronco do corredor do Montijo, que fez parte da sua formação aqui em Alcobaça, no ACC.
Na NBA os Los Angeles Lakers bateram os Miami Heat, na sexta partida das finais, e atingiram o 17º título de campeão norte-americano de basquetebol, o quarto para uma lenda: Le Bron James.
Em França outra lenda nasceu neste domingo: Rafael Nadal, a lenda de Roland Garros. Venceu pela décima terceira vez na catedral da terra batida, fechando com um sensacional ás o terceiro sete (7-5), depois de ter vencido os outros dois por 6-0 e 6-2, com que cilindrou Novak Djokovic, o número um mundial.
E na Alemanha, Lewis Hamilton venceu o Grande Prémio de Eifel, disputado no circuito de Nurburgring, e alcançou a 91ª vitória em Grandes Prémios de Fórmula 1, igualando o recorde de triunfos de Michael Schumacher. Uma lenda a deixar outra para trás.
E outra lenda a deixar-nos: Ângelo, o mítico bicampeão europeu. Um símbolo do Benfica que já não temos!
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