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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Números de circo em sinais de decadência

Por Eduardo Louro

 

Como era previsível, o projecto lei para a cobertura das campanhas eleitorais pelos orgãos de comunicação social abortou. Não resistiu até ao final do dia, e os três da vida airada desataram em piruetas e outras acrobacias circences. 

Passos Coelho pegou na sua melhor pose de Estado e correu a dizer que não tinha nada a ver com aquilo. Era um problema do Parlamento, que ao Parlamento cabia resolver. O governo não interfere nem tem que interferir... Claro. E, claro, se é problema do Parlamento, lá teria de vir o seu líder parlamentar fazer também o seu número, coisa que Luís Montenegro faz com uma perna às costas: o projecto lei, já prontinho e numerado, passava a ser apenas uma proposta em discussão, onde o odioso da coisa era proposta do PS, que o PSD ainda estava a analisar. O número até era um bom número, feito só de dentes: mentir desavergonhadamente com todos os dentes!

Paulo Portas não foi tão completo. Não recorreu a pose de Estado nem precisou de Telmo de Correia. Nem de Nuno Magalhães. Foi um número a solo, bem à sua maneira: “O meu partido já fez sair uma nota sobre isso. Prezo muito a liberdade de imprensa e acho que isso diz tudo”!

 Não seria, evidentemente, António Costa a deixar-se apanhar. O seu número metia corrida, e correu por isso logo a dizer que o Partido não se revia naquilo, deixando a pobre Inês de Medeiros ainda mais sozinha e perdida, como que nua num palco vazio com os holofotes todos em cima, à procura de perceber o que lhe tinha acontecido. Por muito que o mereça, deixa pena...

É isto o regime. E isto é decadência!

 

Cócó, Ranheta e Facada

Por Eduardo Louro

Capa do Público

PSD, CDS e PS, os três da vida airada, arrogantes donos disto tudo, querem agora controlar a comunicação social na cobertura da campanha eleitoral. O cozinhado foi preparado pelos deputados Carlos Abreu Amorim, Telmo Correia e ... Inês de Medeiros e, como não podia deixar de ser, mais a mais em vésperas de 25 de Abril, fez levantar uma onda de indignação. Desde logo a partir dos próprios media, como não poderia deixar de ser, passando por todos os outros partidos e pela própria ERC, cujo presidente ameaçou demitir-se se o projecto passar a lei.

De tal forma que não há neste momento dúvida nenhuma que este assomo de censura prévia não passará. Não há qualquer possibilidade disso, e toda a gente já o percebeu. Ao ponto de já terem metido a viola no saco. Toda a gente, é um bocado exagerado: apenas o Cócó e a Ranheta. A Facada, por ser o que é (golpe de faca) e por estupidez, permitiu-se ficar sozinha com a enormidade às costas, sem sequer lhe sentir o peso.

Há deputados de que nunca ouvimos falar. Ninguém sabe o que lá andam a fazer. Mas há outros de que só ouvimos falar pelas piores razões. Só fazem merda. Inês de Medeiros é dessas. Uma enorme desilusão!

 

PASSAR AO LADO

Por Eduardo Louro

 

Decidi passar ao lado do tema do dia – o assédio sexual de que é acusado o bispo D. Carlos Azevedo que, remontando a acontecimentos com 30 anos, prova que o passado não prescreve e que, servindo os interesses de alguém, estará sempre pronto a saltar para a actualidade – para regressar a Relvas e à indignação que por aí anda por parte daqueles que acham que a democracia está em riso.

Vejam bem ao que isto chegou: a democracia está em risco porque há muita gente que não está disposta a tolerar o que um ministro que está envolvido em tudo o que se sabe e que, noutro sítio qualquer minimamente democrático e de vergonha, há muito que não era ministro. Nunca sequer teria chegado a ser!

A democracia e a liberdade não estão em risco quando Relvas pressiona e condiciona a imprensa, quando ludibria e engana tudo e todos, seja nas suas supostas qualificações seja nas suas actividades públicas e privadas. Quando insiste em permanecer no poder à revelia de sentimentos tão básicos e estimáveis como a vergonha, a decência e o respeito pelos outros, já para não falar do sentido do ridículo.

A democracia e a liberdade não estão em risco quando, à revelia do mais elementar bom senso e do respeito mínimo pela inteligência das pessoas, há gente que convida uma personagem como o ministro Relvas, de quem se não conhece um pensamento estruturado, de quem se não conhece uma linha escrita sobre o que quer que seja, para uma conferência de pensadores.

A democracia e a liberdade não estão em risco quando, à revelia do mais elementar bom senso e do respeito mínimo pela inteligência das pessoas, há gente que convida - serão estes convites inocentes? - uma personagem como o ministro Relvas para encerrar um colóquio sobre o futuro da comunicação social.

A democracia e a liberdade não estão em risco quando o primeiro-ministro segura este ministro Relvas sem perceber que é um problema de higiene pública. Sem perceber que destrói a autoridade do governo para manter a política que prossegue e que mina o moral que ainda resta ao país para a tolerar.

A democracia e a liberdade não estão em risco quando uma se restringe a, de quatro em quatro anos, depositar um voto iludido por promessas nunca cumpridas, e a outra à de aceitar isso como uma inevitabilidade.

Não. Isso é para passar ao lado! A democracia e a liberdade estão em risco quando, fartos e cansados de tudo isto, fartos e cansados de serem enganados, fartos de desilusões e cansados da mentira, fartos de aturar gente que já não se pode aturar e cansados de sacrifícios que só a eles tocam, há gente que canta e grita para tão simplesmente dizer: nós sabemos quem és e por onde tens andado. Nós sabemos onde e com quem estiveste na passagem de ano. Vai-te embora, tem vergonha, sai daqui que já não te queremos ouvir…

Haja decência. Quem quer ser respeitado tem que se dar ao respeito!

IMPRENSA

 Por Eduardo Louro

 

 

Enquanto uns jornais vão despedindo jornalistas, outros já estão em mãos angolanas, mas despedindo na mesma, e outros, ainda, para lá caminham.

Joaquim Oliveira está a vender a Controlinveste a angolanos. Lá vão o DN, o JN e a TSF … O “Público” agoniza

Chamam-lhe o quarto poder, e um dos pilares de sustentação da democracia. Está decididamente a ir-se abaixo esta nossa democracia… Não se está a aguentar!

 

COISAS INTRAGÁVEIS IV

Por Eduardo Louro

  

A estória conta-se em poucas palavras: Miguel Relvas levou a Fátima Campos Ferreira a Angola para, daí, a RTP emitir um programa lamentável, a lembrar um, designado de “25 milhões de portugueses”, que a RTP exibia há mais de 40 anos. Algumas pessoas desmascararam a manipulação descarada de Relvas e condenaram o servilismo da RTP que, sem olhar a custos e numa altura destas, se apressou a fazer a vontade ao patrão.  Uma dessas pessoas – Pedro Rosa Mendes – fê-lo em plena Antena 1, num espaço de opinião - Este Tempo – que partilhava com mais quatro cronistas. Hoje, Este Tempo acabou!

Calou-se Pedro Rosa Mendes e calaram-se os restantes quatro colegas. Não sem que a cronista de hoje – Raquel Freire – deixasse ao auditório e ao país o seu grito de revolta que aqui trago através, e com a devida vénia, do Aventar. Vale a pena ouvir...

Imagens e memórias

O direito de permanecer calado não se opõe ao direito de falar, ao direito à livre expressão. São direitos complementares que se enquadram no valor supremo da liberdade e conceitos que dão o mote, neste caso não à, mas ao Quinta Emenda.

Em jeito de complemento da apresentação do Quinta Emenda, já que ontem, por muito que possa ter passado despercebido, falei do que pomposamente chamaria enquadramento editorial, hoje falarei do que, não menos pomposamente, chamaria de enquadramento gráfico. Que tem muito a ver com o que atrás ficou escrito: com o direito à opinião e à sua livre expressão!

Para as novas gerações soará a estranho enfatizar-se uma coisa que, para elas, é básica e tão natural como o ar que respiram. É fantástico que assim seja, mas não é de mais recordar-lhes que nem sempre assim foi.

Eu, que vivi tempos em que assim não era, sou profundamente marcado por esses direitos de liberdade. E fiquei marcado por imagens, fotográficas ou apenas escritas, do meu livro de inglês do quarto ou quinto ano do liceu – confesso que já não consigo precisar –, o que, para os mais novos, corresponderia ao actual oitavo ou nono ano. Naquele tempo, e estou a falar do final dos anos sessenta, enquanto aprendíamos o b-a-ba da língua inglesa, os programas assumiam um enquadramento temático: primeiro um enquadramento marcadamente cultural e civilizacional (Shakespeare, Charles Dickens, hábitos e costumes, etc,), depois, no então sexto ano (agora décimo), a História de Inglaterra e, no sétimo e último ano do liceu, a História americana. O ensino das línguas, como de resto todo o ensino, era então substancialmente diferente do das últimas três décadas: o francês, hoje praticamente desaparecido, era obrigatório do primeiro ao quinto ano (nono), estendendo-se ao dois últimos anos do liceu apenas para os que seguiam a via – então designada de alínea, por correspondência à sua definição num qualquer decreto – de românicas. O inglês entrava apenas no então chamado segundo ciclo – do terceiro ao quinto ano. Nos sexto e sétimo estava reservado a apenas algumas das vias, das já referidas alíneas: germânicas e económicas, entre mais uma ou outra.

Voltando às imagens que acima referia, a que mais me marcou era mesmo a dos  speakers`corner do Hyde Park, em Londres! Independente do romantismo que possa arrastar, a verdade é que naquela altura, pelos meus 14 anos, aquela ideia de se poder desatar a discursar, a botar opinião sobre o que quer que fosse, mesmo dizer mal do governo, fez-me perceber a importância da liberdade de expressão. Coisa que, no Portugal de então, nem pelo pensamento podia passar!

Na primeira oportunidade que tive de visitar Londres fui, primeiro e antes de tudo, direitinho a Hyde Park. E lá estavam os speakers`corner, ainda com speakers! Ainda e sempre, no meu imaginário, o mais belo local de culto da liberdade da liberdade de expressão.

Poderia ser outro o enquadramento gráfico deste nosso Quinta Emenda?

 

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