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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Mau de mais

Portugal vence '10' da Croácia na despedida - Jornal Açores 9

 

A selecção nacional despediu-se hoje da Liga das Nações, em Split, com uma vitória dobre a Croácia. Uma vitória que é a única coisa positiva que sai deste jogo, disputado num péssimo relvado, impróprio para um jogo deste nível, entre os campeões europeus e os vice-campeões do mundo. 

A exibição esteve ao nível do estado relvado, imprópria para uma selecção como esta. Poderíamos pensar que uma coisa teve algo a ver com a outra, só que temos ainda bem fresca a exibição de sábado, com a França. E aí o relvado era de excelência!

O seleccionador hoje não poupou na crítica aos jogadores. Teve razão para isso, mas também com isso quis dizer que não tinha nada a ver com o que se passou no sábado passado. E se calhar teve...

Para a História fica a vitória. Fica 3-2 no resultado final. E ninguém se vai lembrar que a equipa sofreu tantos golos quantos tinha sofrido em todos os cinco jogos anteriores. Nem que dos três golos marcados, dois foram oferecidos: um pelo árbitro, o segundo, e outro pelo guarda-redes adversário, o da vitória, mesmo no fim do jogo. Nem ainda que a selecção jogou contra dez quase toda a segunda parte.

Dos jogadores utilizados salvou-se Rúben Dias, sólido a defender e goleador, a marcar dois golos, os seus primeiros na selecção nacional. E também Trincão, que entrou ao intervalo, a substituir Rúben Fernandes, uma das maiores desilusões. Já que Rui Patrício, sem qualquer tipo de trabalho, mas também muitas vezes mal a repor a bola em jogo, não é para aqui chamado. Todos os restantes, incluindo, para não dizer sobretudo, Cristiano Ronaldo, estiveram simplesmente deploráveis.

Não é um jogo para esquecer. É para lembrar como jogadores desta craveira podem facilmente constituir uma equipa confrangedora.

O "resultadismo" nem sempre resulta

Imagem

 

O novo confronto de campeões, do mundo e da Europa, desta vez em Lisboa, na Luz, foi um jogo em espelho relativamente ao de Paris, há dois meses, com os campeões do mundo a retribuírem o que então a selecção nacional lhes fizera.

Pareceu que Fernando Santos, com o seu ADN resultadista, procurou jogar para o mesmo resultado de Paris, que provavelmente daria para voltar a apurar a selecção portuguesa para a final four desta Liga das Nações. Só que a selecção francesa sabia evidentemente disso, e que, face ao critério de desempate (numa competição disputada em poule, de todos contra todos, é bizarro que o primeiro factor de desempate entre duas equipas com os mesmos pontos seja o dos golos marcados fora de casa nos jogos entre si) teria de marcar um golo.

E mesmo sem a sua estrela maior - Mbapé - procurou-o, enquanto a equipa portuguesa assistia. Dominou completamente o meio campo, com os seus centro-campistas, do melhor que há, a gozarem de toda a liberdade. A equipa francesa teve mais bola, jogou mais e só não marcou porque Rui Patrício, por duas vezes, e o ferro da sua baliza, noutra, o impediram. E o nulo ao intervalo era bastante lisonjeiro para a selecção portuguesa.

No arranque da segunda parte as coisas pareciam vir a ser diferentes. Não que se acreditasse que a equipa portuguesa tivesse deixado no balneário o chip do 0-0, apenas porque Fernando Santos e os jogadores perceberam que não podiam continuar a entregar o meio campo aos franceses. O meio campo da selecção nacional passou a marcar melhor os adversários, passou a ganhar bola, e a equipa passou a jogar mais em cima da área de Lloris.

Só que logo aos 10 minutos, na primeira vez que os franceses chegaram à baliza portuguesa, marcaram, numa das duas falhas de Rui Patrício, que não segurou uma bola que parecia fácil, soltando-a para Kanté fazer o golo que a França tanto procurara na primeira parte. E aí acabou o jogo. Os campeões do mundo tinham atingido o seu objectivo!

Fernando Santos foi introduzindo jogadores, uns atrás dos outros, e jogou até muito tempo com quatro avançados. Poderia até ter chegado ao empate, num remate de cabeça de José Fonte ao poste, ou noutro de João Moutinho, que entrara para o lugar do William Carvalho, evitado por uma grande defesa de Lloris. Pouco, se compararmos com tudo o que os franceses fizeram.

E muito pouco se olharmos para a qualidade dos jogadores portugueses. Que mais uma vez pareceram castrados pela estratégia do resultadismo, na saga do empate a empate até à vitória final.

É certo que a regra é perder com a França. Só por uma vez, e já há mais de 70 anos, a jogar em casa, Portugal marcou à França. Mas com estes jogadores a História tem que ser outra!

Campo esticado e jogão de Diogo J

 

Num jogo - de novo em Alvalade e com público (5 mil espectadores pouco participativos) - em que fez coisas muito boas, mas que raramente conseguiu controlar, a selecção nacional cumpriu a sua obrigação de ganhar à Suécia. Como a França também ganhou (2-1), na Croácia, ambas continuam a par no topo da classificação do grupo, mesmo que a selecção nacional continue na liderança, por ter marcado mais golos marcados (9 contra 7 dos franceses) e menos sofridos (apenas 1, contra 3 dos gauleses), coisa que poderá não valer de nada, já que é apenas o último dos factores de desempate.

É frequente que as equipas menos dotadas, como é claramente o caso da actual selecção sueca em relação à portuguesa, encolham o campo para, com ele mais pequeno, mimetizarem as suas fraquezas. Recolhem-se lá atrás, e o jogo decorre em apenas 40 ou 50 metros, com muito menos espaço para o adversário exibir os seus talentos. No jogo de hoje a Suécia fez precisamente o contrário - esticou o campo. 

A equipa nacional nunca se entendeu com isso. Esse posicionamento adiantado dos jogadores suecos resultou, como não poderia deixar de ser, mais espaço para jogar. Só que para o ocupar a equipa sueca apostou em partir o jogo, e criou problemas inesperados aos jogadores portugueses. Um jogo partido é sempre difícil de controlar. Foi o que aconteceu.

Se as coisas correm mal, é o diabo. Valeu que não correram mal. Valeu que a equipa sueca não foi nem feliz nem eficaz, e a melhor qualidade dos jogadores portugueses acabou por resolver o jogo. Mas nem sempre assim sucede.

A selecção nacional chegou ao primeiro golo na sua melhor fase do jogo, por volta dos 20 minutos, quando já emergia a exibição de Diogo J, que assistiu primorosamente Bernardo Silva para um belíssimo golo. O segundo, e primeiro de Diogo J a passe (soberbo)  de Cancelo, chegaria mesmo em cima do intervalo, mas já quando a equipa não tinha o jogo controlado.

Como continuou a não ter na segunda parte. Até chegar ao terceiro golo, de novo do novo jogador do Liverpool, numa espectacular jogada individual depois de um passe científico de Wlliam Carvalho. Faltavam 20 minutos para o fim, e aí sim. A selecção sueca caiu, e a portuguesa pôde finalmente mandar no jogo. E selar com mérito esta importante vitória.

E daqui por um mês tudo se resolverá, quando recebermos a França na Luz. Ou talvez não, se o resultado do passado domingo em Paris se repetir. Mas só nesse caso!

Uma selecção respeitada

Desta vez, não houve Éder. Portugal e França seguem 'coladinhos' no topo

 

No cartaz desta terceira jornada do apuramento para a fase final da Liga das Nações sobressaía o confronto entre os campeões do mundo e da Europa. Bastava isso para legitimar grandes  expectativas para este jogo no Stade de France, em Paris. É certo que poderiam baixar significativamente se, em vez de olhar para o jogo sob essa perspectiva, se reparasse que era também uma repetição dessa inesquecível final do Europeu de há cinco anos. 

Desse jogo guardamos na nossa memória a vitória, que deu esse título europeu que Portugal ainda ostenta porque, como se sabe, a competição que deveria ter decorrido no início do último Verão, não se realizou. Mas lembramos também as exibições dessa selecção nacional resultadista, mas pouco brilhante. 

Pois. O jogo de hoje foi um jogo entre o campeão mundial e o campeão europeu. Aquela selecção nacional encolhida, que entrava em campo para se defender do jugo do adversário que dava por adquirido,  quase de subserviência - essa tal que o seleccionador Fernando Santos no "pré-match" distinguiu da humildade, mas que nem sempre é assim tão distinta - já não existe. E se outros méritos este jogo não tivesse tido, bastar-lhe-ia ter permitido chegar a esta conclusão. 

Finalmente a selecção nacional consegue jogar um futebol compatível com a qualidade dos jogadores de que dispõe. Viu-se isso durante toda a primeira parte, onde a selecção nacional assumiu o controlo do jogo, e foi claramente superior à francesa. Não criou grandes oportunidades de golo, é certo. Mas também não as consentiu ao adversário, e teve a bola e jogou-a com qualidade. E impõe respeito aos adversários. Nunca se tinha visto uma selecção francesa entrar num jogo com Portugal com tanto respeito,.

A segunda parte foi diferente. O meio campo da equipa nacional decresceu de rendimento, enquanto os dos franceses evoluiu  em sentido contrário, e os franceses tiveram mais bola, e passaram a estar por cima do jogo. Nunca no entanto a subjugar. E, num jogo com poucas oportunidades de golo, a maior parte delas até acabou por pertencer à selecção portuguesa.

O apuramento para a final a quatro está em aberto.  Nada está decidido e a até Croácia, vice-campeã do mundo, que ganhou à Suécia, tem ainda condições para o discutir. Com as melhores selecções da Europa concentradas em apenas quatro grupos, de que apenas uma se apura, o apuramento terá sempre muito de circunstancial. Bem mais do que isso é a confirmação da selecção portuguesa no topo europeu. Onde afinal já estavam alguns dos seus jogadores.

O paradoxo

Suécia 0-2 Portugal | À lei de CR101, o insaciável - ZAP

 

A selecção nacional de futebol ganhou na Suécia, e lidera o grupo à frente da França, mesmo que ambas  com o pleno da pontuação no fim da segunda jornada. Com os mesmos adversários, e nas mesmas circunstâncias, a selecção nacional sofreu menos um golo no jogo em casa, com a Croácia (4-1, contra 4-2, ontem, dos franceses) e tem mais um golo marcado no jogo fora, com a Suécia (2-0, contra 1-0 dos gauleses no passado sábado).

Ganhar fora numa competição tão apertada como esta, é sempre um bom resultado. Ganhar na Suécia por 2-0 é por isso um bom resultado. Ganhar claramente, sem deixar espaço para dúvidas na justeza do resultado, é mesmo muito bom. No entanto a qualidade da exibição da selecção nacional não teve nada a ver com o que tinha acontecido no sábado passado, frente à Croácia.

A selecção jogou bem menos. E bem menos bem, expondo o paradoxo da presença de Cristiano Ronaldo na equipa. Fernando Santos manteve 10 jogadores que tinham iniciado o jogo com a Croácia. Não mudou mais nada, acrescentou-lhes apenas "o melhor do mundo".

Cristiano Ronaldo respondeu, e fez o que se lhe pedia: golos. E dos bons. Dois golaços, o primeiro num espectacular livre directo, e o segundo, mais espectacular ainda, numa execução soberba a finalizar uma das poucas bem sucedidas jogadas de futebol corrido da equipa. Teve mais uma noite de glória, chegou aos 100 golos pela selecção. E passou aos 101, a oito de um tal iraquiano de que ninguém sabe o nome (não vale ir cabular ao Google) que, com 109, é quem mais golos marcou por uma selecção. E no entanto a equipa não jogou bem...

A pergunta já é se será possível encaixar uma grande exibição de Cristiano Ronaldo numa grande exibição da selecção nacional. Estranhamente a resposta parece que é - não! E é por isso que Fernando Santos repete até à exaustão que "com o melhor do mundo qualquer equipa é mais forte".

As equipas que jogam melhor nem sempre são as mais fortes, é verdade. Mas as que jogam melhor estão sempre mais perto de ser as mais fortes. 

Nada disto pretende pôr em causa a presença de Cristiano Ronaldo na selecção. Nem quer dizer que a selecção nacional deveria descartá-lo, impedindo-o de bater o último recorde que tem pela frente. Mas apenas que a incompatibilidade entre a qualidade de Cristiano Ronaldo e a do colectivo da selecção é o grande paradoxo desta selecção.

Não sei como se resolve. Mas não tenho dúvidas que não se resolve com a espécie de "regime de vassalagem ao melhor do mundo" que Fernando Santos lançou.

 

Compatibilidades

Portugal entra na Liga das Nações com vitória convincente sobre a Croácia -  O Jogo

A selecção nacional de futebol iniciou hoje a participação na Liga das Nações, no Dragão, precisamente onde, há pouco mais de um ano conquistou o troféu da última edição da competição. Que até foi a primeira.

Num grupo que junta o campeão e o vice-campeão do mundo, e o campeão da Europa e da própria Liga das Nações - justamente Portugal -, e ainda a Suécia, o apuramento para a fase final será bem discutido, e o cartaz de jogos rico e apetecível.

Começou a Croácia, a vice-campeã do mundo, e senhora de um futebol atractivo de bom nível técnico. Desfalcada de três dos seus nomes mais sonantes - Modric e Rakitic fora da convocatória, e Perisic no banco - a selecção das Balcãs entrou bem no jogo, e pertenceu-lhe até o primeiro remate do jogo. E logo um remate a sério. 

Depois a selecção nacional, sem Cristiano Ronaldo, começou por equilibrar o jogo - não durou mais que um quarto de hora essa sensação de equilíbrio - e passou depois a dominá-lo por completo. E até ao fim!

Quando João Cancelo marcou o primeiro golo, aos 41 minutos -e que golo! - já a bola tinha ido por três vezes aos ferros da baliza croata, e para trás já estavam cinco ou seis oportunidades de golo.  O jogo correu sempre a um ritmo relativamente baixo, e com baixos níveis de agressividade - na primeira parte as duas equipas não cometeram mais que cinco ou seis faltas - o que favoreceu claramente o jogo da equipa nacional, com os jogadores portugueses a terem tempo e espaço para exibir o talento que reconhecidamente lhes não falta.

Foi por isso um jogo agradável de ver, com jogadas de bom recorte técnico, e com a equipa das quinas - a estrear o novo equipamento alternativo que, de gosto discutível, mas não feio de todo - a praticar um futebol compatível com a qualidade dos jogadores. O que, com Fernando Santos, como se sabe, nem sempre acontece. Diria mesmo que raramente acontece.

O jogo acabou para dar para tudo. E até para matar saudades do futebol de João Félix. E para João Félix matar saudades de si próprio, finalmente numa equipa que lhe permite expressar o seu futebol.

O resultado poderia ter atingido números vexatórios, e a expressão da goleada (4-1, com estreias a marcar de João Félix e Diogo J, e com o golo de André Silva no último lance do jogo a atenuar o golo sofrido, na única oportunidade dos croatas) acaba por ser lisonjeira para o vice-campeão do mundo.

Não é politicamente correcto mas, mais uma vez, fica a ideia que a selecção joga muito melhor futebol sem Cristiano Ronaldo. Não retira nada a Cristiano Ronaldo, nem apaga nada do muito que ele fez pela selecção, mas acontece demasiadas vezes para ser apenas coincidência. 

Mas sabe-se que é pecado questionar se nesta altura Cristiano Ronaldo tira mais à selecção do que lhe dá. E ninguém está para pecar. Muito menos Fernando Santos, como se sabe!

 

Agora sim

Portugal regressa ao topo da Europa. Liga das Nações fica em casa

Foto: GABRIEL BOUYS / AFP

A selecção nacional conquistou a primeira edição da nova Liga das Nações, ao vencer (1-0) a selecção holandesa, no Dragão. E deixou o país em festa, na véspera do seu dia nacional.

Tendo por referência o jogo com a Suíça, na última quarta-feira, que ditou o apuramento para a final de hoje, esta foi uma selecção diferente. Com um futebol melhor, bem melhor e bem mais próximo daquilo que é legítimo esperar deste extraordinário conjunto de jogadores.

Para o jogo de hoje o seleccionador Fernando Santos promoveu três alterações em relação à equipa inicial do jogo anterior. Para além mudança obrigatória, por força da lesão do Pepe, com a entrada de José Fonte - que já o substituira na altura em que o luso-brasileiro fora obrigado a sair - trocou ainda Rúben Neves por Danilo, e João Félix por Gonçalo Guedes.

Mas não é nessas alterações, e em particular nestas duas últimas, porque a primeira não decorreu de qualquer iniciativa de mudança do seleccionador, que se devem encontrar os motivos da melhoria. A grande alteraçao, e que, em boa verdade, justifica a enorme melhoria no futebol da equipa, foi colocar os jogadores nas suas posições naturais. Onde mais rendem.

À primeira vista, a entrada de Danilo - que, de resto, estava impedido por motivos desciplinares de alinhar no jogo anterior - parecia corresponder a uma ideia mais defensiva, uma espécie de mais do mesmo de Fernando Santos. E a de Gonçalo Guedes à penalização de João Félix, pelo seu fraco rendimento no jogo da meia-final, vítima precisamente dos evidentes equívocos posicionais do seleccionador nesse jogo.

E no entanto, à medida que a partida se ia desenrolando ficava a ideia que, naquele jogo, fazia falta o futebol de João Félix. Que, a jogar assim, o futebol do miúdo do Benfica acrescentava. Mas Gonçalo Guedes não só esteve bastante bem, e bem enquadrado no esquema mental de Fernando Santos como, ao marcar o golo único do jogo, acabou por ser o herói da final. E quando assim é... entramos naquela velha máxima: contra factos, não há argumentos!

Da mesma forma, exactamente da mesma forma, também a exibição de Danilo, e acima de tudo o resultado final, acabou a dar razão ao seleccionador.

Posto isto, a selecção acabou por fazer um bom jogo e justificar plenamente a vitória, ao contrário do que tinha acontecido na quarta-feira. Foi quase sempre melhor que a excelente selecção holandesa, que iniciou a partida a dar a sensação que iria mandar no jogo.

Foi sol de pouca dura, rapidamente a selecção nacional inverteu essa tendência, e acabou por fazer uma primeira parte em clara superioridade. Podia e devia ter saído para o intervalo em vantagem no marcador, mas assim não aconteceu.

No regresso dos balneários, e à imagem do início do jogo, voltamos a ver os holandeses por cima. Mesmo sem atingir a exuberância da primeira parte, a selecção nacional voltou a inverter essa tendência, e um quarto de hora depois do reinício chegava ao golo, o tal de Gonçalo Guedes, depois de mais uma bela jogada de Bernardo Silva, eleito o melhor jogador da competição. 

Percebeu-se então que dificilmente este troféu sairia de Portugal. A equipa revelava grande solidez defensiva, e à Holanda começavam a faltar as forças, vindo ao de cima o peso do esforço da sua meia-final, com a Inglaterra, num jogo com prolongamento, e com menos um dia de descanso.

Com a selecção holandesa obrigada a adiantar-se para o forcing final, a entrada de Rafa (em substituição de Guedes) acabou por ser o xeque-mate final da selecção nacional.

E no fim fez-se a festa por este segundo triunfo europeu em três anos. Menos importante que o de 2016, mas desta vez numa final mais convicente. Há, agora, que o aproveitar para corrigir o arranque periclitante da fase de apuramento para o Europeu do próximo ano, e (e)levá-lo para patamares condizentes com a capacidade, e a responsabilidade, desta selecção.

 

 

Vencer, a selecção venceu. Convencer é que não!

Fotografia:FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

 

A selecção nacional de futebol venceu a da Suíça e vai disputar a final da nova Taça das Nações, no próximo domingo. Mas continua a não limpar a imagem que vem trazendo dos jogos de apuramento para o Euro 2020, longe, muito longe da qualidade que se exige a este conjunto de jogadores fantásticos de que dispõe.

Fica a ideia que Fernando Santos é tão bom a falar do talento como a desperdiçá-lo. É verdadeiramente deprimente este futebolzeco deste seleccionador!

A selecção suíça, que a sorte (ou os interesses da UEFA?) colocou frente à selecção portuguesa nesta meia-final, e claramente a mais acessível das quatro finalistas, foi quase sempre melhor. Mesmo assim foi a equipa nacional a chegar ao golo, ia a primeira parte a meio, num livre de Cristiano Ronaldo. chegando ao intervalo na frente do marcador. Mas sem o justificar, a selecção Suíça dispôs de muitas mais oportunidades para marcar, com Seferovic em destaque. 

Na segunda parte nada se alterou para melhor no futebol dos nossos craques, e os suíços continuaram melhor no jogo, chegando bem cedo ao empate, num penalti esquisito, que o árbitro assinalou depois de recorrer ao VAR, quando tinha precisamente assinalado outro, a favor de Portugal, na outra área.

A partir do golo do empate o jogo caiu ainda mais. A equipa helvética parecia satisfeita com o resultado, e procurou segurá-lo. À portuguesa continuava a faltar futebol para fazer melhor.

Estava o jogo nisto, com ambas as equipas à espera do prolongamento, numa espécie de pacto de não agressão, quando um grande passe de Rúben Neves encontrou o talento de Bernardo Silva que, de primeira, colocou a bola para o remate, também de primeira, de Cristiano Ronaldo, fazer o segundo. Estava-se em cima do minuto 90 e, logo a seguir, quando o adversário partia para o forcing final, uma perda de bola acabou no brilhante hattrick de CR7. E num 3-1 que não tem nada a ver com o que foi mais uma exibição pobre desta selecção que não se encontra com os seus talentos.

 

 

Luke Shaw

Luke Shaw em estado grave após choque de cabeça com Carvajal

 

As selecções de futebol da Espanha e da Inglaterra defrontaram-se esta noite em Wembley no jogo de abertura do grupo 4 da nova Liga das Nações. Foi um belo jogo de futebol, com a selecção inglesa dentro daquilo que fez no Mundial, onde chegou às meias finais, acabando no quarto lugar. E a espanhola, ao invés, bem diferente do que então fizera que, como se sabe, não foi brilhante. 

A Espanha, agora de Luís Henrique, teve mesmo pouco a ver com a que Lopetegui foi obrigado a entregar a Hierro. Ganhou baliza e perdeu previsbilidade, o que não é pouco. E alguns jogadores até parece que ganharam inteligência táctica, como especialmente Rodrigo e Thiago Alcântara mostraram exuberantemente.

À parte disso, o jogo prendeu-me pelo os laterais esquerdos das duas equipas, ambos a jogar na Premier League, despertaram nas minhas memórias.

Na Espanha, Marcos Alonso - filho e neto de velhas glórias do futebol espanhol das décadas de 80 e 70 -, a alinhar no Chelsea, por uma questão de esquecimento. E não foi apenas por ter feito esquecer Jordi Alba, o jogador do Barcelona que era o dono do lugar. Foi por mostrar que Luís Henrique não se esqueceu dele desde o tempo que treinou em Camp Nou. E para lembrar que não se esqueceu, esqueceu-se de o convocar ... O que serve para lembrar aos jogadores de futebol que não é boa ideia entrar em conflito com o treinador. Nunca se sabe quando ele volta a surgir numa curva qualquer da vida...

Na Inglaterra, Luke Show. Um dos mais promissores jogadores de futebol de sempre naquela posição. Nasceu para o futebol no Southampton, onde se estreou na equipa principal em 2012, aos 18 anos, para substituir Gareth Bale, outro produto da formação deste clube do sul de Inglaterra, de saída para o Tottenham (é verdade, Bale, o jogador que mais semelhanças tem com Cristiano Ronaldo, jogava a lateral esquerdo quando saiu para Londres). E logo mostrou que não ficava nada a dever ao seu antecessor. 

A sorte não o ajudou, e cedo iniciou o seu Calvário de lesões. Nada que impedisse Alex Gerguson de o contratar para o Manchester United, em 2014, onde a sorte não mudou. Em Setembro de 2015, no início da sua segunda época, num jogo da Champions com o PSV, numa disputa de bola com o mexicano Hector Moreno, sofreu dupla fractura na perna. Seguiram-se mais de 2 anos de cirurgias e problemas, Confessou há dias, já regressado aos dias de felicidade, que durante esse período lhe chegou a ser dito que seria necessário amputarem-lhe a perna.

Resistiu a perna e resistiu ele. Na época passada começou a voltar a jogar, mas as coisas não saíam bem. Mas não desistiu, nem José Mourinho desistiu dele, e neste início de época começava a voltar ao nível de Southampton, fixando-se como indiscutível na equipa do United e chegando naturalmente à titularidade na selecção.

Estreou-se hoje, e estava a ser, a longa distância, o melhor jogador inglês. Foi dele a assistência para o golo inglês, o primeiro do jogo. No primeiro minuto da segunda parte, chocou com Carvajal e caiu inanimado. Saiu em maca, com respiração assistida, sem sentidos...

Na bancada, o rosto de Mourinho, que antes irradiava felicidade - ele que nem anda em maré de grandes momentos desses - fechou-se.

O resultado nem interessa muito. Mas ganhou a Espanha (2-1)...

 

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