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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Bonito de ver!

Por Eduardo Louro

 

As últimas jornadas da liga espanhola foram tão estranhas quanto espectaculares, com os três da frente a perderem sucessivamente pontos onde menos se esperava. Às vezes até parecia que em vez de um campeonato de futebol aquilo era uma daquelas corridas de ciclismo onde, à beira do sprint todos se escondem e ninguém quer atacar, se bem que todos queiram ganhar. O Real Madrid esteve fora do título, de repente voltou a entrar – e até chegou a parecer dispor das melhores condições – para, na vertigem dos resultados surpreendentes da ponta final, ficar definitivamente de fora. O Barcelona passou por algo semelhante, mas conseguiu chegar à ultima jornada em condições de discutir o título, em casa, com o extraordinário Atlético de Madrid. Que, sempre mais regular que os adversários, mas não conseguindo fugir à onda dos resultados surpresa da ponta final, chegou à última jornada com a curta vantagem de três pontos que perderia se perdesse o jogo.

No Camp Nou, cheio como sempre, o Barça contava com o apoio de mais de cem mil para ganhar o jogo e revalidar o título. Que nunca lho regatearam durante todo o jogo, mas que, quando ao minuto 93 o árbitro apitou pela última vez sem que a sua equipa tivesse conseguido vencer a brilhante equipa que Simeone construiu e dirige (nunca o conseguiu, nos quatro jogos desta época o que lhe custou também o afastamento da Champions), passou de imediato a aplaudir os novos campeões nacionais.

Bonito de ver!

Tão bonito como ver os colchoneros suplantar os dois colossos de Espanha e do mundo e, 18 anos depois, voltarem a ser campeões. E tão bonito como ver que neste futebol de hoje ainda é possível que ganhe quem não tem mais dinheiro... E que há treinadores que conseguem moldar um colectivo à medida do que foram com jogadores, e assim fazer campeões...

De hoje a uma semana aqui estarão, na Luz, para voltar a mostrar o querer mais bem organizado que o futebol até hoje conheceu!

UMA ESPREITADELA À BOLA AQUI DO LADO

Por Eduardo Louro

 

Caprichos do calendário da Liga de Futebol Espanhola colocaram hoje frente a frente as duas principais equipas de Madrid e Barcelona: o Real recebeu no Barnabéu o Espanhol de Barcelona – penúltimo classificado – e o Barça recebeu em Camp Nou o Atlético de Madrid.

Em Madrid, o super favorito Real empatou (2-2), prosseguindo a série mais negra de Mourinho e despedindo-se definitivamente do título. Limitou-se a jogar dez minutos – os primeiros da segunda parte – ao nível que lhe é exigido, e por isso não mereceu ganhar um jogo em que se viu a perder no primeiro remate do adversário, que teve a felicidade de empatar no último minuto da primeira parte e de chegar ao segundo golo logo no arranque da segunda. Aos dez minutos da segunda parte os merengues acharam que já tinham feito o suficiente. Correu mal!

Quem assistiu aos primeiros trinta minutos do jogo do Camp Nou convenceu-se que os colchoneros eram capazes de quebrar a invencibilidade dos culés. O Atlético dominava o jogo, Falcão enchia o campo e, mesmo no final desse período, à terceira oportunidade – depois de um remate de cabeça a um poste e de um remate a rasar o outro, isolado frente ao Valdez - o colombiano maravilha abria o marcador. Do Barcelona nem sombra, apenas as camisolas!

Durou cinco minutos a vantagem. O brasileiro Adriano, hoje a jogar a lateral direito, no que foi o primeiro remate da equipa, empata com um golo tão espectacular quanto improvável. Depois seguiram-se 10 minutos à Barcelona: sem jogar bem, mas sem que os madrilenos pudessem sequer respirar. No fim dos quais, já no último minuto da primeira parte, surgiu o segundo golo: na sequência de um canto e na segunda oportunidade.

Ainda dentro do primeiro quarto de hora da segunda parte, Messi, na primeira vez que lhe foi dado espaço para rematar, fez o terceiro golo. Siemeone, percebeu que o tempo não voltaria para trás, e que a equipa fora engolida após o golo do empate, e que o melhor mesmo era evitar males maiores. Reforçou o meio campo, abdicou do ataque e o jogo estabilizou naquele habitual e entediante domínio do Barcelona. E Messi ainda faria mais um!

Ainda se não chegou ao Natal e em Espanha já se sabe quem é o campeão. Com este futebol do Barcelona nunca se pode dizer que a equipa joga mal, mas a verdade é que também se percebe que não joga assim tão bem. Mesmo assim, mesmo sem entusiasmar, é de uma eficácia única, com a equipa a bater todos os recordes e, como se gosta de dizer por cá, a poder encomendar as faixas!

 

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