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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Finalmente

Benfica 3-1 Boavista: Falha de Leite abriu o 'ketchup' e 'águia ...

 

O Benfica regressou hoje, finalmente, às vitórias. E às exibições decentes.

Na sequência do que vinham sendo as prestações da equipa nos últimos longos seis meses, a recepção ao Boavista não se adivinhava fácil. É conhecida a agressividade da equipa axadrezada, a forma como lutam os seus jogadores e até a tradicional resistência que oferecem ao Benfica. Sabe-se como obriga os adversários a, antes de se preocuparem em jogar bem, terem de preparar-se para lutar tanto como eles. E isso não era, neste momento, coisa que os jogadores do Benfica estivessem em grandes condições de fazer.

O início do jogo confirmou todos os receios. No primeiro quarto de hora, mais precisamente nos primeiros treze minutos do jogo, o Boavista impôs a sua lei. Pressionou, encostou o Benfica à sua área, e teve sempre a bola, que ganhava com grande facilidade. Os jogadores do Benfica não tinham nem tempo nem espaço para se organizarem, nem para impor o seu jogo que, tendo o Presidente optado por entregar o comando técnico da equipa ao adjunto de Bruno Lage, a alguém de cumplicidade máxima com o treinador despedido nas condições que se conhecem, não iria sofrer alteração. No modelo de jogo, e nos jogadores utilizados.

O minuto treze foi no entanto fatídico para o Boavista. Na primeira vez que o Benfica conseguiu passar a linha do meio campo, num lançamento longo de Gabriel (sem ter bola, não havia outra forma), o guarda-redes Helton Leite, que se diz estar de malas feitas para a Luz, não segurou a bola e deixou-a ao alcance de André Almeida que, de ângulo difícil, fez o golo.

No primeiro ataque, e no primeiro  remate, o primeiro golo. Coisa anormal neste Benfica habituado a fazer largas dezenas de ataques e remates para nada. E tudo mudou. 

E os jogadores sentiram que tudo tinha mudado. Um golo assim costumavam sofrer, não marcar. Se calhar tinha finalmente chegado a hora. E tinha!

A equipa passou a jogar a bola, as jogadas passaram a acontecer com princípio, meio e fim e, sob a batuta de Gabriel, finalmente regressado à influência que antes tivera e que fizera que, com ele em campo, a equipa nunca tivesse perdido qualquer jogo, as oportunidades de golo começaram a suceder-se.

Quando à meia hora de jogo surgiu o segundo golo, em mais um passe soberbo do Gabriel, concluído de cabeça por Pizzi, já o guarda-redes do Boavista tinha negado o golo por quatro vezes a Chiquinho e a Seferovic com defesas impossíveis, a redimir-se com juros altíssimos do erro inicial. Redenção que de resto se prolongou na segunda parte.

Depois veio o terceiro, desta vez com Pizzi a assistir Gabriel, depois de mais uma bonita jogada colectiva. Num remate de fora da área - apenas o terceiro no campeonato! - a coroar meia hora, se não de luxo, pelo menos como há muito se não via. E que nos deixava todos com a interrogação fatal: o que é se tem passado?

Seria mesmo que os jogadores só queriam ver-se livres de Bruno Lage? Por que é que com os mesmos jogadores, e com o mesmo modelo de jogo, as coisas agora funcionavam?

Não tenho resposta. Não sei se alguém tem...

Na reentrada do jogo, na segunda metade, tudo continuou. A mesma velocidade, com a mesma dinâmica, e com as oportunidades de golo a sucederem-se ao ritmo das defesas impossíveis do Helton Leite. Já não havia dúvidas: era garantidamente o regresso às vitórias, às boas exibições e, esperava-se a todo o momento, às goleadas de que tantas saudades tínhamos.

No entanto, e apesar das oportunidades criadas, o golo que confirmasse a goleada não aparecia. E de repente, do nada, uma falta, um livre lateral (já na primeira parte havia acontecido, repetindo o que vem sucedendo em todos os últimos jogos, só que então o marcador estava em fora de jogo de centímetros) e ... golo do Boavista. No primeiro remate, como vem sendo habitual, o adversário marcou. Sem ter feito uma defesa, Vlachodimos voltava a sofrer um golo...  

Desta vez não se passou nada. A equipa não entrou em pânico, e controlou sempre o jogo. Mas já não era o mesmo futebol, e Gabriel já desaparecia do jogo. Foi bem substituído, mesmo que Samaris, que entrou para o seu lugar, voltasse a não estar, como não poderia estar, bem. Mas as oportunidades de chegar á goleada, mais espaçadas, é certo, continuaram a surgir. Chegou ainda a festejar-se - e que festa! - o regresso de Vinícius - que substituíra Seferovic - aos golos. Mas estava em fora de jogo, por 30 centímetros, ou lá o que era.  

E em vez da goleada que o jogo justificava, e que poderia ser um precioso tónico para o resto desta época medonha, o jogo acabou com um insonso 3-1. Mesmo assim festejado pelos jogadores que, pela voz do capitão Jardel, baralhando-nos a resposta àquelas questões lá de cima, lembraram Bruno Lage e exaltaram o seu carácter e a sua competência. 

Tourada

Noutras circunstâncias, noutro quadro que não o do actual Benfica, poderia dizer-se que é futebol. Que o futebol é mesmo isto, a velha frase feita do futebolês. Uma equipa joga, ataca, cria oportunidades para marcar, remata, mas a bola não entra. Há sempre mais uma perna a tapar o caminho para a baliza e, quando se consegue desbravar essa floresta de pernas, há um guarda-redes pela frente que defende tudo. E do seu lado há um guarda-redes que não defende nada, que nem toca na bola, Mas que em quatro vezes que vê adversários por perto, é obrigado a ir buscar a bola ao fundo da baliza. Aconteceu isso hoje no joga da Madeira. E o Benfica, que jogou, atacou e construiu mais de meia dúzia de oportunidades claras para marcar, não marcou e só não perdeu por quatro porque dois dos golos do Marítimo acabaram por ser obtidos em fora de jogo.

Mas, nas actuais circunstâncias do futebol do Benfica, não se pode dizer que é futebol. É mais tourada. O futebol do Benfica virou tourada. 

Uma tourada com aquelas pegas em que o forcado da cara se farta de levar tareia do touro. Uma primeira vez, e sai mal tratado. Volta a insistir, e leva mais forte ainda. Está todo partido, a sangrar por todo o lado, mas vai lá outra vez. Volta a levar mais, mas a cambalear e sem se aguentar em pé volta mais uma vez, com o cabo do grupo impávido a assistir ao massacre, de braços cruzados.

Foi neste estado que Bruno Lage hoje entrou nos Barreiros, no Funchal. Estranhamente a equipa até entrou bem no jogo, com vontade de resolver as coisas, como se nada se passasse com o homem da cara. Só que a sorte não ajudou - sabe-se que nestas situações raramente ajuda - , e bastaram pouco mais de 20 minutos para que o fulgor, e alguma qualidade, começassem a desaparecer. 

E lá voltou o homem da cara já não a cambalear mas de rastos. Mexeu na equipa e foi um desastre. E a cada vez que mexia maior era ainda o desastre.

No fim saiu em maca, directamente para ... o cemitério. O verdadeiro destino que o cabo lhe traçara. E que anunciou com o seu habitual discernimento: "no fim do jogo o nosso treinador veio-me dizer que punha o cargo à disposição do presidente ... e que já não treinaria a equipa amanhã".

Que tourada! 

Fim de linha


Já não há palavras para o que se está a passar com o Benfica. É um pesadelo, sem que haja forma de acordar.

Hoje não foi apenas mais do mesmo em que se tornou a equipa de Bruno Lage. Foi ainda pior. A equipa voltou a surgir sem futebol, sem ideias, sem força, e sem alma.

Na primeira parte foi igual ao que tem vindo a ser de há cerca de seis meses para cá. A deixar passar o tempo, como se não tivesse um jogo para ganhar.

Saiu para o descanso a perder, com um golo sofrido em cima do intervalo. Oferecido, infantilmente oferecido por Nuno Tavares, que não mais recuperou desse erro.

Regressou para a segunda parte como há muito se não via. Parecia que finalmente com vontade de dar a volta às coisas e ao jogo. Pressionando o adversário, correndo, metendo velocidade no jogo e com algum acerto. Por obra de uma subida de rendimento dos jogadores, mas também da trocas que Bruno Lage promoveu ao intervalo, com as entradas de Vinícius e Zivkovic (finalmente!) para os lugares dos ineficazes Seferovic e Gabriel.

Valeu-lhe, essa entrada, o empate. Só que, pouco depois, mais um canto - o sexto, todos concedidos em evidente tremideira - e ... costume: golo entre os centrais. Inesperadamente a equipa reagiu e deu a volta ao marcador. Em dois minutos, Vinícius fez dois golos. O mais difícil estava feito!

Só que com esta equipa nunca nada está feito. A tremideira continuava lá atrás, e Rúben Dias, desequilibrado (em falta?) numa disputa no ar com um adversário no seguimento de um lançamento lateral, levanta a mão para as alturas. E para a bola - penalti e empate, de novo. Faltavam oito minutos para os 90, a que haveriam de acrescer mais seis. Mas percebeu-se que a equipa já não tinha alma para mais. Em vez de procurar reagir, entregou o jogo ao Santa Clara. Que, já no período de compensação, à beira do fim, no mais inacreditável dos lances do jogo em que os dois centrais chutaram sucessivamente a bola um contra o outro, marcou o quarto (!!!) e ganhou o jogo.

Como se tudo o que acabara de acontecer não fosse suficiente mau, na conferência de imprensa Bruno Lage fez o resto. E fez o seu haraquiri em directo, acusando os jornalistas de se andarem a vender por uns almoços, uns jantares e umas viagens a todos os treinadores que estão interessados no seu lugar.

É o fim de linha. Para Lage, mas também para alguns jogadores. E para o presidente Vieira que, para além de ser responsável por esta desgraça, tinha dinheiro para a OPA, mas já precisa de um novo empréstimo obrigacionista. E com custos muito acima do que é a realidade actual dos mercados financeiros. E de antecipar receitas das transmissões televisivas. Que deveriam caber a exercícios de mandatos futuros, que deveriam pertencer a futuros presidentes! 

E o fim da ilusão do campeonato, que apenas durou até agora por ter vindo a ser alimentada pelo rival. Que hoje, embalado por mais dois penaltis que desta vez não falhou chega, nesta altura, com três pontos à maior, a uma vantagem que ainda nunca alcançara neste campeonato.

Finalmente!

Rio Ave 1-2 Benfica: Weigl estreia-se a marcar e 'empurra' encarnados para a igualdade com o FC Porto

Finalmente uma vitória. Sofrida, mas consoladora.

E esperemos que libertadora, que seja o ponto final no caminho desastroso que o Benfica vinha a trilhar há quase seis meses, onde se incluem os três do defeso forçado que nada mudaram. Antes pelo contrário, o regresso foi ainda mais penoso.

Na verdade este jogo de hoje com o Rio Ave, em Vila do Conde, não foi - nem ninguém esperava que fosse - de retoma, nem sublimou grande coisa do que de mau o Benfica tem vindo a fazer. Os pecadilhos continuaram lá todos, mesmo que haja que assinalar que os jogadores se bateram, correram e lutaram como já haviam feito na primeira parte do último jogo, em Portimão. Desta vez o jogo todo, talvez porque nunca tivesse estado ganho.

Bruno Lage voltou a mexer no onze inicial. Teria sempre que o fazer face às lesões de Grimaldo e Jardel, e ao impedimento, por amarelos, do André Almeida. As estas três trocas, juntou ainda o regresso de Gabriel e a incompreensível estreia a titular de Dyego Sousa.

Nenhum dos que entraram esteve especialmente bem e o avançado esteve até especialmente mal. Esteve no golo do Rio Ave, provocou a anulação do que seria o golo do empate, ainda na primeira parte, e não fez rigorosamente nada mais. Os outros tiveram altos e baixos, com mais altos de Nuno Tavares, mas também com alguns baixos. E mais baixos do Ferro. 

O Benfica até entrou bem no jogo. Escolheu começar a favor do vento - que no campo do Rio Ave é sempre factor importante - a demonstrar que queria desde logo tomar conta do jogo e ganhá-lo.

Não criou grandes oportunidades de golo, é certo. Mas pressionou, jogou e impediu o Rio Ave de fazer o que sabe e faz bem - jogar à bola. Estava o jogo nisto, submetido ao domínio do Benfica quando, pouco depois de a primeira parte chegar a meio, na primeira vez que o Rio Ave chegou à frente, marcou.

O costume. E também na forma do costume. Um lançamento da linha lateral, Ferro aborda mal o duelo com o Taremi e comete falta. Livre lateral, defesa aos papéis, e Dyego Sousa assiste o mesmo Taremi, para fazer o golo, sozinho em frente a Vlachdymos.

E mais uma vez o costume. A equipa caiu, e foi o Rio Ave que passou a mandar no jogo. Naqueles vinte minutos finais apenas aquela arrancada de Taarabt, concluída no bom golo do Rafa, anulado pelo árbitro (!!!) em consulta ao monitor por fora de jogo do Dyego Sousa, que não tocou na bola. Mas tentou disputá-la.

O Benfica voltou a entrar melhor na segunda parte, com Seferovic no lugar do Dyego, que nunca deveria ter entrado. Pressionante, mais rápido e a encostar o Rio Ave, que agora desfrutava dos favores do vento, lá atrás.

O melhor marcador da última época mexeu com o jogo, e começou a fazer a diferença. A diferença no jogo, e nas decisões de Bruno Lage. Que esteve quase a lançar a Zivkovic, o que só não aconteceu porque o golo da vitória chegou primeiro. E valeu o regresso de Samaris.

Logo de entrada cabeceou para golo, mas bola bateu com estrondo na trave. Não entrou aí, e tardou a entrar. Tardou um quarto de hora, em simultâneo com a primeira expulsão, por segundo amarelo indiscutível, de um jogador do Rio Ave. Marcado por Seferovic, pois claro. Apenas o terceiro neste campeonato do melhor marcador do anterior.

Dispôs ainda de mais duas grandes oportunidades para aumentar o seu score, mas ficou-se por um golo apenas, e muita influência no jogo que a equipa fazia por ganhar.

Pouco mais de dez minutos depois, e ainda com cerca de vinte para o apito final, por vermelho directo claro, mas que o árbitro só mostrou por indicação do VAR, o Rio Ave ficou reduzido a nove. E ficou-lhe ainda mais difícil evitar a derrota.

O golo da vitória surgiria apenas a três minutos dos 90, e a sete do fim do jogo. O primeiro de Weigl. Num canto. Dir-se-ia improvável, tal a ineficácia da equipa nas bolas paradas. Mas já tinha sido também de canto que Seferovic rematara à trave!

Agora, que pela primeira vez aproveitou os também sucessivos deslizes do Porto, que nem os penaltis que lhe continuam a oferecer aproveita, só é preciso aproveitar esta vitória para não voltar a falhar. E esperar que o concorrente continue a jogar o que não está a jogar.

Calvário sem fim à vista

 

Continua o calvário do Benfica, sem fim à vista. Uma única vitória nos últimos dez jogos!

Hoje, em Portimão, foi apenas mais um passo no pesadelo em que conseguiu tornar um campeonato que teve no bolso, com mais uma exibição inadjectivável. Hoje não faltou aquela pontinha de sorte com que tantas vezes se procura justificar o que não tem justificação. Nem o golo que foge, e que intranquiliza a equipa, como noutras vezes. Não, hoje o Benfica fez do jogo o que fez deste campeonato.

Teve-o ganho, e não o conseguiu ganhar.

Sem uma exibição por aí além, loge disso, fez uma primeira parte competitivamente aceitável. Não rematou muito, nem criou muitas oportunidades de golo. Mas a equipa correu, esforçou-se, foi competitiva, e aproveitou as oportunidades que teve, ao contrário, por exemplo, do último jogo, de má memória, com o Tondela.

Os jgadores pressionaram e reagiram sempre à perda da bola, e o golo que poderia desbloquear mentalmente a equipa chegou pouco depois do primeiro quarto de hora de jgo. E à meia hora já ganhava por dois a zero.

Esperava-se - e exigia-se - que tais circunstâncias devolvessem a confiança e a qualidade de jogo à equipa. E um resultado robusto que afundasse de vez todos os fantasmas que a têm aprisionado. Inexplicavelmente, em vez de afundar os fantasmas, a segunda parte afundou a equipa. Notou-se isso logo que soou o apito para retomar a partida, e cedo se começou a perceber o que aí viria.

Porque o Portimonense partiu para cima do Benfica e coemçou a criar oportunidades umas atrás das outras?

Não. Nem isso foi preciso. Apenas porque a equipa desistiu do jogo, como se já estivesse ganho. Como fez com o campeonato.

Não foi falta de sorte, se há falta sorte para lamentar é apenas nas lesões, de Jardel, primeiro, e de Grimaldo, já na segunda parte, quando o desacerto era já por demais evidente. Foi falta de mentalidade competitiva, foi falta de vontade, e foi falta de classe. Parece que os jogadores têm medo de ganhar!

Foi de tal forma assim que, mesmo sem que o Portimonense criasse uma única oportunidade de golo, desde cedo se sentiu que o Benfica não iria ganhar este jogo. E não foi surpresa nenhuma que o Portimonense marcasse na primeira ocasião que o Benfica lhe ofereceu, vinte minutos depois do reinício, na sequência de um livre em jeito de canto mais curto, a punir uma inexistente falta de Tarabt, em que a defesa deixou saltar à vontade e sozinho na pequena área um jogador adversário. 

O desacerto e a falta de competitividade continuaram e, dez minutos depois, num canto, repetiu-se a cena. Vlachodimos ainda defendeu o remate de cabeça. Para a entrada da área, onde surgiu um jogador do Portimonense, para num grande remate, indefensável, fazer o esperado empate, empurrando definitivamente o Benfica para o abismo.

Faltavam 14 minutos para os noventa, e 21 para o fim do jogo. Muito tempo para uma equipa que o quisesse ganhar o fizesse. Só que voltou a acontecer o que sempre tem acontecido.

Com duas substituições efectuadas pelas lesões de Jardel e  Grimaldo, com as cinco agora permitidas, Bruno Lage recorreu aos habituais e ineficazes Seferovic e Dyego Sousa, e ainda a Gabriel, que ficara no banco com a entrada de Cervi no onze inicial, a única alteração que o ainda treinador do Benfica entendeu necessária em relação á equipa que jogara o último jogo.

Com isso apenas conseguiu confirmar o que há muito se sabe. Que não treina as situações de jogo que requerem presença na área, para o sufoco final. Sem isso treinado, e com a confrangedora falta de capacidade daqueles dois avançados, em linha de resto com a nulidade de Vinícius durante todo o tempo em que esteve em campo, o resultado não poderia ser diferente dos que têm acontecido.

E, assim, continua a ser impossível acreditar que esta equipa vai dentro de pouco tempo voltar a ganhar jogos

 

Desconsolo

SL Benfica 0-0 CD Tondela: “Águias” sem asas para voar falham voo ...

 

Regressou a bola, três meses depois. Pelo que se passou nem parece que entretanto passou tanto tempo, tão iguais as coisas estão. Parece até que ninguém quer ganhar este campeonato. Mas se calhar apenas se poderá dizer que ninguém merece ganhá-lo.

Hoje, na Luz, ao desconsolo daquele vazio, ao desconsolo do voo da águia sozinha, como que perdida num deserto, juntou-se o desconsolo da oportunidade perdida de regressar á frente do campeonato, e à condição de não depender se não dos próprios resultados para o ganhar pela segunda vez consecutiva, e pela 38ª da história.

E o desconsolo do Benfica continuar em queda livre. Pegando na imagem que o Toni deixou há uns dias, parece que estes três meses não deram para comprar um pára-quedas. 

O Benfica continua sem jogar bem. Consegue-se ver, como hoje aconteceu, uma ou outra jogada bem pensada e bem executada. Um - hoje não foi mesmo mais que um - ou outro lance de bola parada bem trabalhado. Mas nada disso tem continuidade. Nem variedade!

Mesmo assim a equipa teria de ganhar este jogo com o Tondela, que acabou por se transformar num festival de oportunidades perdidas. A maior foi a oportunidade de passar para a frente. As outras foram a dezena de oportunidades de golo falhadas, que começou logo no primeiro minuto do jogo, quando Rafa não teve arte nem engenho para fazer melhor que acertar no guarda-redes Cláudio Ramos.

Foi premonitório, esse lance do primeiro minuto. Foram 25 ou 26 remates, foram muitas as vezes em que a bola passou perto da baliza. Por duas vezes bateu nos ferros,  por mais três ou quatro ficou nas mãos do guarda-redes adversário. E por uma vez foi tirada por um defesa quando parecia que iria finalmente entrar. Mas, no fim, não deverão ter sido muitos os benfiquistas a achar que tudo foi apenas falta de uma pontinha de sorte. Serão provavelmente muitos mais a admitir que falta muita coisa ao futebol da equipa.

Alguma coisa apesar de tudo melhorou. Melhorou a transição defensiva, e aquela buraco da meia esquerda pareceu ter sido tapado, com a chamada de Jardel. Se o Tondela não assustou se não por uma vez, no segundo dos quatro remates da equipa, foi porque o Benfica esteve francamente melhor que nos últimos jogos antes da paragem a proteger o seu meio campo.

De resto, sempre mais do mesmo. Desta vez Bruno Lage não recorreu aos três pontas de lança. Porque tirou o Vinícius quando fez entrar Seferovic, depois de já ter feito entrar Dyego Sousa, retirando Weigl. Mas o resultado foi o mesmo. Pela simples razão, que entra pelos olhos dentro, que não trabalha isso nos treinos. Que não trabalha nos treinos as situações a que depois, nos jogos, acaba em desespero por lançar mão. E por isso tudo acaba sempre com Seferovic a fugir da área para as alas, e Dyego Sousa a fugir para trás, com os centrais adversários de cadeirinha, a cortar bolas onde só eles estão.

Depois de um longo período para arrefecer a cabeça, quando dispunha de uma oportunidade única para recuperar uma liderança que já foi de sete pontos de vantagem, e ninguém já se lembra da última vez que o Benfica ganhou um jogo, o problema já não é acreditar que seja possível ganhar os nove jogos que faltam. É acreditar que esta equipa vai dentro de pouco tempo voltar a ganhar jogos! 

Irresponsabilidade

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É mais profundo do que se imaginava, esse buraco negro em que o Benfica caiu. A exibição da  passada segunda-feira, e o empate que entregou de bandeja a liderança do campeonato, tinham deixado a ideia que a equipa ainda não tinha batido no fundo. Que havia mais para cair.

Hoje, em Setúbal, isso ficou confirmado. O Benfica caiu ainda mais, muito mais. E nem assim deixou a ideia de já lá ter tocado. O que se ouviu não é aquele som do estatelar final. 

Bruno Lage mexeu na equipa. Mexeu no meio campo: voltou Cervi, retirou Weigl e juntou Samaris a Taarabt. E no ataque tirou Rafa e meteu Chiquinho. Na defesa, tudo na mesma. Não há por onde mexer... E mexeu na cor o equipamento, trocado as nossas camisolas berrantes de papoilas saltitantes por umas tristes, feias e irreconhecíveis camisolas cinzentas. 

Foi a única mexida que se notou!

Por isso, do jogo não há mesmo nada a dizer. O comportamento da  primeira parte não é apenas lamentável e negligente. É irresponsável!

Só a irresponsabilidade de jogadores e treinadores podem justificar que uma equipa que acabou de desperdiçar a larga vantagem de que construíra, que sabe que tudo tem de fazer para inverter o rumo das coisas, e que tem de dizer aos adeptos que nada está ainda perdido, tenha a atitude que teve na primeira parte.

Como é irresponsável, neste contexto actual, em que cada penalti é ouro, pôr Pizzi a marcá-los.  É quem mais penaltis falhou esta época em Portugal, falhou bem mais do que os que concretizou. Falhou três dos últimos quatro!

O único que não falhou foi o primeiro de hoje. Depois de o marcar só uma enorme irresponsabilidade, do próprio e do treinador, o indicaria para um segundo. E lá se foram quatro pontos em dois penaltis falhados em dois jogos consecutivos. E a liderança. E provavelmente o campeonato!

Que só não ficou hoje praticamente perdido porque o Rio Ave, de Carvalhal, fez o que o Benfica, de Lage, estava obrigado a ter feito. Mas não fez, e acabou nisto a que estamos a assistir...

Já está!

 

O Benfica já entregou a liderança ao Porto. Pelo que se foi vendo nos últimos jogos parece até que a pressa era grande.

Este jogo de hoje, com o Moreirense, na Luz, não foi em nada diferente dos últimos. Foi simplesmente mais do mesmo, porque já não há equipa que não saiba explorar as imensas fragilidades deste Benfica.

Enquanto a equipa gozou de níveis de eficácia acima da média, ainda foi dando para esconder muita coisa. Depois, quando as oportunidades deixaram de ter esses níveis de aproveitamento, só ficaram os defeitos à mostra para toda a gente ver. E toda a gente os vê, sem que o Bruno Lage os consiga resolver.

Percebeu-se logo no início do jogo que voltaria a ser assim. Nem se pode dizer que o Benfica tenha entrado mal no jogo, a equipa circulava bem a bola, e ao contrário de outros jogos não falhava muitos passes. Viu-se até o Veigl deixar pela primeira vez algum do perfume do seu futebol, mas ficava claro que faltava velocidade na circulação do jogo.

Neste registo o Benfica empurrou o Moreirense lá para trás, chegou a ser sufocante, recuperando bolas, umas atrás das outras, ainda em cima da grande área adversária. Só que, ao ritmo de uma vez a cada dúzia de minutos, o Moreirense escapava a essa pressão alta do Benfica e largava quatro ou cinco jogadores em direcção à baliza de  Vlachodimos e, por inacreditável que pareça, criou quase tantas oportunidades de golo como o Benfica com 70% de posse de bola, em regime de asfixiamento.

A segunda parte arrancou no mesmo registo, mas com mais carga dramática. Nos primeiros quatro minutos o Benfica desperdiçou um penalti (Pizzi atirou para fora) e teve um golo confirmado e depois anulado pelo árbitro, depois de recorrer às imagens  VAR. Nessa altura, ainda antes do minuto 50, não houve quem não ficasse convencido que desta vez ... já não dava.

E a partir daí a equipa caiu a pique. As substituições, como também é habitual, não melhoraram nada, e tudo passou a ser mal feito. Foi sem surpresa que aos 67 minutos a bola entrou, mas na baliza de Vlachodimos. E só por milagre não voltou a entrar um quarto de hora depois!

Ao minuto 90 o Benfica acabou por chegar ao empate, na única forma em que poderia marcar. E mesmo assim... Sim, de penalti. Pizzi voltou a falhar, marcando pessimamente. Valeu-lhe a recarga, que evitou a derrota e deu no primeiro empate neste campeonato. Que deve ter sido hoje  entregue ao Porto em bandeja de prata!

Bateu no fundo, o Benfica? Não creio. Há ainda mais fundo para cair daqui para a frente.

 

Hoje era ganhar ... ou ganhar!

 

Era um dos mais importantes jogos desta Liga para o Benfica, este de Barcelos, com o surpreendente Gil Vicente, de Vítor Oliveira. Pelas dificuldades que o Gil coloca aos adversários, especialmente em casa, onde apenas tinha perdido uma vez, num jogo atípico, com o Moreirense. E onde tinha vencido Porto e Sporting. Mas, mais ainda, pelas dificuldades próprias da actualidade do  Benfica, que vinha de quatro jogos sem ganhar e de seis sucessivamente a sofrer golos. 

Pela primeira vez em muitos meses o Benfica entrava em campo sem ocupar o primeiro lugar, e obrigado a recuperá-lo. Não ganhar este jogo significava o adeus à liderança, e muito provavelmente, por muitos jogos que ainda faltem e mesmo que Maio esteja ainda a três meses de distância, o adeus ao título. Porque sabe-se o empolgamento que isso legitimamente daria ao rival do título, e a mossa que um quinto jogo consecutivo sem ganhar, e o rápido esfumar de uma gorda vantagem de sete pontos, faria na equipa.

Hoje não se podia pedir à equipa do Benfica que invertesse o nível exibicional dos últimos jogos, que jogasse bem e que regressasse ao futebol que em Dezembro deslumbrava os adeptos. Hoje exigia-se ao Benfica que ganhasse!

E ganhou. E ganhou bem. Sem mácula, e com justiça. Teve maior domínio  do jogo, mais bola e mais melhores oportunidades de golo, mesmo que não fossem muitas. Mas não jogou bem, é verdade. Mas também não era isso, hoje, que se exigia. Nem poderia ser!

O Benfica entrou bem no jogo, assumindo desde logo o comando das operações. E chegou cedo ao golo, logo aos 15 minutos, por Vinícius, de cabeça, na primeira - se não considerarmos a finalização de Pizzi, logo no início - oportunidade que criou. Que foi certamente a chave do jogo. Muitas das dificuldades da equipa nos últimos jogos, e flagrantemente no da última jornada, com o Braga, nasceram da acentuada quebra de eficácia na finalização.

Com Samaris no onze, o meio campo ganhou segurança e a equipa consistência. E isso foi notório, especialmente na primeira parte, onde a superioridade do Benfica foi mais evidente, mesmo que com poucas oportunidades de golo. Curiosamente a equipa criou mais, e mais claras, oportunidades para chegar ao golo na segunda parte, em que o Gil Vicente dividiu mais o jogo, equilibrando-o durante largos períodos. 

Logo na arranque da segunda parte Carlos Vinícius desperdiçou uma claríssima oportunidade para bisar. A meio da segunda parte, Taarabt abriu o livro e, numa jogada individual espectacular, atirou com estrondo à barra. Pouco antes de sair, esgotado, Vinícius voltou a ser protagonista de mais uma excelente oportunidade e, já na parte final do jogo, foi ainda Cervi, recém entrado para substituir Rafa, a estar perto do golo.

O lado esquerdo da defesa beneficiou muito da presença de Samaris, e hoje esteve  na direita o elo mais fraco. Defensivamente Tomás Tavares passou por muitas dificuldades, mais criadas pelo próprio que pelos adversários. A eficácia do passe melhorou um bocadinho, mas a decisão final, em Pizzi, mas especialmente em Rafa, continua muito abaixo da qualidade aceitável.

Fica a vitória, afinal o que hoje era verdadeiramente inegociável. E a liderança segura por um ponto, até que melhores marés venham.

 

"As grandes equipas não perdem dois jogos seguidos"

Braga vence Benfica na Luz, 65 anos depois, e pode deixar FC Porto a um ponto da liderança

 

O Benfica regressou hoje á Luz, cheia que nem um ovo para ouvir a equipa  dizer que aquilo de sábado já tinha passado, e que iria retomar o rumo vitorioso que seguira durante dezassete jornadas. Pela frente o sensacional Braga do sensacional Rúben Amorim. O mesmo Braga que os rivais insinuam que estende a passadeira ao Benfica.

Logo que o árbitro Hugo Miguel - pela segunda vez em duas semanas na Luz - apitou pela primeira vez o Braga tratou de mostrar que vinha à Luz para jogar à bola e que vinha cheio de confiança, como seria de esperar. Nos primeiros quatro ou cinco minutos parecia que a bola estava apaixonada pelos jogadores do Braga, não os largava e não queria nada com os do Benfica. 

À passagem dos cinco minutos as coisas mudaram, o Benfica pegou no jogo e partiu para uma boa exibição, a prometer fazer na partida aquilo que ultimamente tem feito nos jogos com este adversário. O mote foi dado por Rafa, numa belíssima jogada que deixou a Luz a ver o golo. Sozinho à frente do guarda-redes bracarense desviou-lhe a bola para a baliza, mas esta acabou por sair uns centímetros ao lado do poste direito.

Com esta oportunidade de golo o Benfica partiu para 40 minutos de bom nível, criando e desperdiçando oportunidades de golo. Não quer isto dizer que o jogo tivesse sentido único. Nada disso, o Braga esteve sempre dentro do jogo, e contribuiu sempre para o excelente espectáculo de futebol a que se estava a assistir. Só que, em oportunidades de golo, só dava Benfica.

Esgotados os 45 minutos, já com os dois de compensação dados pelo árbitro a decorrer, o Braga cria a sua primeira oportunidade para marcar. Vlochodimos brilhou pela primeira vez e negou o golo a Fransérgio. Só que, do canto, entre Rúben Dias e Ferro, Palhinha saltou mais alto e marcou.

Injustiça no marcador ao intervalo. Pois, mas sabe-se que o jogo é assim. Não foi a primeira vez, nem será a última, que uma equipa cria uma série de oprtunidades e não marca; e que a outra aproveita a única que tem.

O golo do Braga foi um balde de água gelada que caiu sobre a Luz. Como a equipa de Rúben Amorim estava a jogar, com grande acerto defensivo, com a defesa muito subida e colocando os avançados do Benfica facilmente em fora de jogo, e com a facilidade com que saía para o contra-ataque, percebia-se que não seria tarefa fácil virar o resultado.

Mas as grandes equipas não perdem duas vezes seguidas, não é?.

Pois, mas aquele empate em Famalicão é que tinha vindo a seguir à derrota... Não importa, as grandes equipas não perdem dois jogos seguidos para o campeonato. E esta era a crença a que a Luz se queria agarrar ao intervalo.

O Benfica entrou bem na segunda parte, a querer alimentar a fé dos adeptos. E tudo seria provavelmente diferente se o remate de Vinícius, logo aos 4 minutos, tivesse batido na rede em vez de no poste. Percebeu-se aí que, definitivamente, a equipa não estava com aquela pontinha de sorte que era indispensável para ganhar a este Braga. Mesmo que ainda se tivessem sucedido mais duas grandes oportunidades de golo, dez e vinte minutos depois, (Rafa e Pizzi) o futebol do Benfica entrou em rampa descendente, acabando praticamente nessa grande jogada de Pizzi, aos 69 minutos. 

Quando se diz que as grandes equipas não perdem duas vezes seguidas quer-se dizer que não cometem os mesmos erros duas vezes seguidas. E foi isto que Bruno Lage não conseguiu evitar ao repetir as mesmas três substituições do Dragão. Seferovic, está por demais visto, não vale a pena. E três pontas de lança a atrapalharem-se na frente, sem saber o que fazer e sem gente para lá fazer chegar a bola, é um disparate sem pés nem cabeça.

E por isso a segunda parte acabou por servir apenas para justificar um resultado que ao intervalo era terrivelmente injusto. O Benfica acabou por ter mais oportunidades de golo, mas isso deveu-se apenas à imensa vantagem que trouxera da primeira parte. O Braga acabou mais e melhores remates e por se superiorizar em todas as restantes variáveis do jogo.

E fica a sensação que com a insistência nos mesmos erros, a cheirar a teimosia, Bruno Lage está a criar um Benfica à Rui Vitória ... a precisar de um Bruno Lage. Veremos se vem a tempo de evitar a  eminente tragédia de entregar o campeonato ao Porto!

Perder seis dos 7 pontos de vantagem em apenas dois jogos é simplesmente inacreditável.

A arbitragem foi o costume. Cumpriu a regra: na dúvida sempre contra o Benfica. Mesmo que, verdadeiramente grave e com impacto directo no jogo, "apenas" haja que registar, os 23 minutos,  o cartão vermelho por mostrar a um defesa do Braga por "ceifar" Rafa num ataque prometedor. Mas, como se costuma dizer, não foi pelo árbitro...

 

 

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