Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

"As grandes equipas não perdem dois jogos seguidos"

Braga vence Benfica na Luz, 65 anos depois, e pode deixar FC Porto a um ponto da liderança

 

O Benfica regressou hoje á Luz, cheia que nem um ovo para ouvir a equipa  dizer que aquilo de sábado já tinha passado, e que iria retomar o rumo vitorioso que seguira durante dezassete jornadas. Pela frente o sensacional Braga do sensacional Rúben Amorim. O mesmo Braga que os rivais insinuam que estende a passadeira ao Benfica.

Logo que o árbitro Hugo Miguel - pela segunda vez em duas semanas na Luz - apitou pela primeira vez o Braga tratou de mostrar que vinha à Luz para jogar à bola e que vinha cheio de confiança, como seria de esperar. Nos primeiros quatro ou cinco minutos parecia que a bola estava apaixonada pelos jogadores do Braga, não os largava e não queria nada com os do Benfica. 

À passagem dos cinco minutos as coisas mudaram, o Benfica pegou no jogo e partiu para uma boa exibição, a prometer fazer na partida aquilo que ultimamente tem feito nos jogos com este adversário. O mote foi dado por Rafa, numa belíssima jogada que deixou a Luz a ver o golo. Sozinho à frente do guarda-redes bracarense desviou-lhe a bola para a baliza, mas esta acabou por sair uns centímetros ao lado do poste direito.

Com esta oportunidade de golo o Benfica partiu para 40 minutos de bom nível, criando e desperdiçando oportunidades de golo. Não quer isto dizer que o jogo tivesse sentido único. Nada disso, o Braga esteve sempre dentro do jogo, e contribuiu sempre para o excelente espectáculo de futebol a que se estava a assistir. Só que, em oportunidades de golo, só dava Benfica.

Esgotados os 45 minutos, já com os dois de compensação dados pelo árbitro a decorrer, o Braga cria a sua primeira oportunidade para marcar. Vlochodimos brilhou pela primeira vez e negou o golo a Fransérgio. Só que, do canto, entre Rúben Dias e Ferro, Palhinha saltou mais alto e marcou.

Injustiça no marcador ao intervalo. Pois, mas sabe-se que o jogo é assim. Não foi a primeira vez, nem será a última, que uma equipa cria uma série de oprtunidades e não marca; e que a outra aproveita a única que tem.

O golo do Braga foi um balde de água gelada que caiu sobre a Luz. Como a equipa de Rúben Amorim estava a jogar, com grande acerto defensivo, com a defesa muito subida e colocando os avançados do Benfica facilmente em fora de jogo, e com a facilidade com que saía para o contra-ataque, percebia-se que não seria tarefa fácil virar o resultado.

Mas as grandes equipas não perdem duas vezes seguidas, não é?.

Pois, mas aquele empate em Famalicão é que tinha vindo a seguir à derrota... Não importa, as grandes equipas não perdem dois jogos seguidos para o campeonato. E esta era a crença a que a Luz se queria agarrar ao intervalo.

O Benfica entrou bem na segunda parte, a querer alimentar a fé dos adeptos. E tudo seria provavelmente diferente se o remate de Vinícius, logo aos 4 minutos, tivesse batido na rede em vez de no poste. Percebeu-se aí que, definitivamente, a equipa não estava com aquela pontinha de sorte que era indispensável para ganhar a este Braga. Mesmo que ainda se tivessem sucedido mais duas grandes oportunidades de golo, dez e vinte minutos depois, (Rafa e Pizzi) o futebol do Benfica entrou em rampa descendente, acabando praticamente nessa grande jogada de Pizzi, aos 69 minutos. 

Quando se diz que as grandes equipas não perdem duas vezes seguidas quer-se dizer que não cometem os mesmos erros duas vezes seguidas. E foi isto que Bruno Lage não conseguiu evitar ao repetir as mesmas três substituições do Dragão. Seferovic, está por demais visto, não vale a pena. E três pontas de lança a atrapalharem-se na frente, sem saber o que fazer e sem gente para lá fazer chegar a bola, é um disparate sem pés nem cabeça.

E por isso a segunda parte acabou por servir apenas para justificar um resultado que ao intervalo era terrivelmente injusto. O Benfica acabou por ter mais oportunidades de golo, mas isso deveu-se apenas à imensa vantagem que trouxera da primeira parte. O Braga acabou mais e melhores remates e por se superiorizar em todas as restantes variáveis do jogo.

E fica a sensação que com a insistência nos mesmos erros, a cheirar a teimosia, Bruno Lage está a criar um Benfica à Rui Vitória ... a precisar de um Bruno Lage. Veremos se vem a tempo de evitar a  eminente tragédia de entregar o campeonato ao Porto!

Perder seis dos 7 pontos de vantagem em apenas dois jogos é simplesmente inacreditável.

A arbitragem foi o costume. Cumpriu a regra: na dúvida sempre contra o Benfica. Mesmo que, verdadeiramente grave e com impacto directo no jogo, "apenas" haja que registar, os 23 minutos,  o cartão vermelho por mostrar a um defesa do Braga por "ceifar" Rafa num ataque prometedor. Mas, como se costuma dizer, não foi pelo árbitro...

 

 

Um clássico dentro do clássico

A expectativa dos benfiquistas em alargar a extraordinária série de vitórias no campeonato, e a ainda mais extraordinária sequência de vitórias fora de casa, e consequentemente a vantagem pontual na tabela classificativa, que praticamente garantiria o título, esbatia-se na degradação do nível exibicional da equipa que se vinha constatando desde o início deste ano, depois da paragem de Dezembro. Mas esbatia-se, acima de tudo, na sequência de golos sofridos nos úlltimos jogos. E esfumou-se na constituição da equipa, sem Cervi, hoje por hoje indispensável no equilíbrio defensivo da ala esquerda.

Por isso o Benfica nunca esteve perto de responder afirmativamente a essa expectativa. Mas poderia não ter perdido este clássico, e pelo menos ter saído hoje do Dragão com a mesma confortável vantagem dos sete pontos com que entrara.

Mas não aconteceu assim e o Benfica perdeu o jogo. Perdeu porque está longe do seu melhor. Porque quase todos os jogadores estão muito abaixo da forma técnica que evidenciavam há mês e meio. Porque, mantendo-se os problemas de organização defensiva, em particular no lado esquerdo, Bruno Lage prescindira de Cervi, que é uma espécie de paracetamol para esse problema. E porque não conseguiu igualar a agressividade competitiva do adversário, perdendo praticamente todas as bolas divididas, quase todos os ressaltos e quase sempre as segundas bolas. 

Mas o jogo não se pode resumir nestas justificações. Tudo isso se passou e influenciou o resultado final, mas o jogo teve mais que contar.

Até pareceu que o Benfica entrou bem no jogo, trocando a bola e fazendo-a circular com rigor e competência. Só que isso durou três ou quatro minutos, e depois a equipa permitiu que o Porto agarrasse o jogo, e chegasse ao golo logo aos 10 minutos. Um golo feliz, já que o remate de Sérgio Oliveira saiu nas orelhas da bola e tornou-se indefensável para Vlachodimos.

O Benfica reagiu bem ao golo, voltou para cima do jogo e oito minutos depois chegou ao empate, por Vinícius, depois de uma excelente jogada de futebol, que teve pelo meio um grande remate de cabeça de Chiquinho e uma grande defesa de Marchesin. Antes, o mesmo Chiquinho já tinha desperdiçado outra oportunidade, que fizera lembrar as circunstâncias do golo do Porto. A diferença foi que a bola espirrou em Pepe, e desviou para as mãos do guarda-redes.

Chegado tão rapidamente ao empate, o  Benfica voltou a entregar o jogo ao Porto. Que voltou a ser feliz, fazendo dois golos em cinco minutos, mesmo no final da primeira parte. Primeiro, o segundo, num penalti de "bola na mão" de Ferro, quando o penalti é para penalizar a "mão na bola". E logo a seguir, o terceiro, num auto-golo de Rúben Dias, em que a bola até nem iria para a baliza se não fosse a infeliz intervenção de Vlachodimos.

Sim, faltou sorte ao Benfica nos três golos sofridos. Mesmo que se possa admitir que o Porto tenha feito por merecer a que lhe calhou.

O Benfica voltou a entrar bem na segunda parte, e a mandar no jogo. Cinco minutos bastaram para Vinícius marcar o segundo, e relançar a discussão do resultado, com mais de 40 minutos para jogar. Mas, mesmo que sempre melhor que na maioria da segunda parte, a equipa não conseguiu prolongar a qualidade desses cinco minutos iniciais.

Provavelmente porque Bruno Lage não terá tomado as melhores decisões nas substituições que foi obrigado a efectuar. E aqui terá que se falar de Soares Dias - um clássico dentro do clássico - o mais habilidoso dos árbitros habilidosos. Tão habilidoso que deixa sempre a ideia que arbitra bem quando, no fundo, influencia o jogo como quer. Hoje, para além do penalti - que não é pouco - foi com faltas e amarelos: um incrível amarelo a Taarabt (que, pela mão de Marega, sem falta nem amarelo, já tinha deixado uns dentes no relvado), a meio da primeira parte, repartido com Octávio, numa daquelas confusões em que o portista é especialista; outro logo a seguir a Weigl, com livre perigoso, numa circunstância em que nem sequer tocou no adversário (Corona mandou-se para o chão), outro para o Ferro, na "bola na mão" do penalti, e ainda outro a Vlachodimos sem que ninguém pecebesse por quê.

A partir daí, para além do condicionamento desses jogadores, centrais na cobertura defensiva, a pressão dos jogadores portistas e do público sobre qualquer falta, ou esboço disso, daqueles jogadores do Benfica foi em crescendo. Quando, por exemplo, Soares, já com amarelo, "mata" um slalom do Rafa, a sair para o ataque, com uma entrada às pernas do 27 sem dó nem piedade. E sem amarelo, o segundo.

Por isso as primeiras duas substituições de Bruno teriam obrigatoriamente que passar pelas saídas precisamente do marroquino e do alemão. Se a de Weigl, por Samaris, não mexeu na estrutura, a de Taarabt, por Seferovic, obrigou Chiquinho a baixar e desiquilibrou claramente a equipa.

Por último, com a lesão de André Almeida, num lace duvidoso dentro da área portista com Alex Telles, Bruno Lage decidiu trocá-lo pelo estreante Diego Souza, deixando a equipa com três pontas de lança ... e totalmente perdida em campo para o ataque final ao empate.

Assim, não!

E agora a liderança está presa por quatro pontos. Apenas dois empates. De que ninguém está livre nos catorze jogos que agora faltam. E o próximo é já com o Braga, de Rúben Amorim, com um futebol que parece geminado com o do Benfica. O do melhor. Escassos dias depois do de Famalicão, onde a equipa vai ter que dar tudo se quiser chegar à final do Jamor. Não é a mesma coisa que receber em casa o Académico de Viseu, até porque os famalicenses pouparam hoje todos os seus titulares, não se importando nada de ser  goleados (7-0) em casa pelo Vitória de Guimarães. 

 

Sem (se) entender (com) o jogo

Análise: Lage apostou em Taarabt, o marroquino brilhou, mas o Benfica ainda se assustou

Foi um jogo estranho e muito complicado, este que Benfica e Belenenses SAD disputaram na Luz nesta sexta-feira. A equipa de Petit surpreendeu com uma atitude descomplexada e cheia de atrevimento.

Esteve por cima em muitas fases do jogo. Foi claramente assim na primeria metade da primeira parte, e muito assim em quase toda a segunda parte. Pelo meio houve a noite de Taarabt e três excelentes golos, todos os do Benfica, em três jogadas verdadeiramente espectaculares. Nos dois primeiros, inteirinhas do marroquino que Bruno Lage ressuscitou. No último, mais colectiva: com um passe notável do Rúben Dias, seguida de um toque de calcanhar fabuloso de Vinícius, e concluída com desmarcação e finalização irrepreensível do recém entrado Chiquinho.

Ficou a ideia que o Benfica nunca entendeu o jogo nem nunca se entendeu com o jogo. Foi um jogo com muitos espaços, nunca o Benfica teve um jogo com tanto espaço. E quando há espaço, as equipas com os melhores jogadores encontram o seu paraíso num jogo de futebol. À excepção das jogadas dos golos, o Benfica nunca soube aproveitar os espaços que o jogo lhe concedia. Parecia que desconfiava disso. Talvez por a equipa não estar habituada a isso, fazia lembrar aquele jargão popular: quando a esmola é grande, o pobre desconfia!

E não entendeu claramente aquele jogo.

Mas também não se entendeu com ele. Depois de chegar com alguma facilidade ao 2-0 (muito mais facilidade que no jogo do ano passado, cujo fantasma pairou tanto tempo na Luz) o Benfica veio para a segunda parte como se nada do que acontecera na primeira metade do período inicial tivesse realmente acontecido. E permitiu que a equipa de Petit se mantivesse viva no jogo, a engordar o fantasma da última época, que levou os únicos dois pontos que Bruno Lage deixou fugir.

E nem vale a pena invocar a mentira do penalti que deu o segundo golo ao adversário. Que o árbitro Hugo  Almeida se tenha equivocado, poderá ter que se aceitar. Mesmo que sejam equívocos a mais, pois também já se tinha equivocado num livre perigoso contra o Benfica, com amarelo e tudo para o Pizzi, que nem na sombra no velho e sabido Varela tocara. Rui Oliveira, o VAR, é que não tem desculpa: o único contacto de Rafa com o mesmo Varela, num esboço de tentativa de o agarrar, acontece bem fora da área. Dentro da área apenas acontece que o velho e sabido Varela se manda para o chão!

 

Demonstração de categoria

Benfica vence Paços de Ferreira e vai em 18 vitórias seguidas fora

 

A fantástica carreira do Benfica nesta liga não lança apenas a crise sobre o seu principal opositor na disputa do título, e no seu futebol de pontapé para a frente, que os especialistas do comentário da bola douram, chamando-lhe "futebol em busca permanente da profundidade". Projecta também sobre os restantes adversários a dúvida sobre a melhor forma de o enfrentar: se recorrer a uma estratégia ultra-defensiva, posicionando os seus jogadores junto à sua grande-área, com duas linhas de cinco muito juntas; ou se discutir o jogo no campo todo, pressionando os jogadores do Benfica logo a partir da saída em construção.

Concluindo facilmente que todos os adversários do Benfica que optaram por se acantonar lá atrás acabaram sempre por perder, Pepa optou por experimentar a outra alternativa neste jogo de hoje em Paços de Ferreira. Com jogadores de alta compleição física, e rijos, o treinador do Paços entendeu que, com esses argumentos, poderia "engasgar" a máquina benfiquista, e decidiu disputar o jogo no campo todo.

E fez bem. Não ganhou, mas ficou o futebol a ganhar, transformando o jogo numa partida viva, muito disputada e bem jogada. Na primeira parte, muito bem jogada mesmo. Porque o Benfica pôde apresentar o seu bom futebol habitual, e o Paços não estragou. Pelo contrário, valorizou também a partida.

A dúvida no resultado, e em particular sobre o vencedor do jogo, não permaneceu muito tempo no estádio. Durou menos tempo que a surpresa pela postura pacence em campo. Viu-se logo no início da partida que, com surpresa, o Paços atacava e, sem surpresa, o Benfica criava oportunidades de golo. Que o Benfica anulava com facilidade todos os ataques do adversário, e concluia com finalização todos os que construía.

Foi sempre assim, e ainda mais assim durante toda a primeira parte. Quando Rafa, aos 38 minutos, concluiu no primeiro golo uma espectacular assistência de Rúben Dias, com uma grande execução - mais uma - já tinham ficado para trás cinco oprtunidades claras para marcar, entre as quais um remate à barra, logo aos 10 minutos, para além de um golo anulado pelo VAR, aos 18, com um alegado fora de jogo no iníco da jogada, que no campo e na televisão ninguém viu, mas que as linhas manhosas acabaram por apurar ser por 4 centímetros. 

 O escasso 0-1 ao intervalo não tinha nada a ver com o recital que o Benfica deixara no campo.

Na segunda parte a qualidade baixou um pouco, mas o figurino do jogo não. Logo aos dois minutos, novo passe a rasgar do central, desta vez de Ferro, e de novo para Rafa, que assistiu Vinícius para o segundo. E pouco depois mais um golo anulado pelo VAR, desta vez num fora de jogo que parecia claro mas que, afinal, pelas mesmas linhas manhosas, voltava a ser à pele. E mais umas tantas oportunidades desperdiçadas, entre as quais uma de Seferovic (que entrara para substituir Vinícius) que irá certamente para os apanhados desta Liga.

Fica um jogo difícil que o Benfica tornou fácil, com uma grande demonstração de categoria. Pela qualidade exibcional mas, a cima de tudo, pela capacidade de resposta a uma situação que não estaria certamente no plano de voo para esta partida. Basta reparar que os golos nascem nos centrais. Ou que o Paços até teve mais posse de bola durante todo o jogo! 

Dérbi em dia de recordes

Rafa decide o dérbi e deixa Benfica com sete pontos de vantagem na liderança

 

Metade do campeonato já lá vai. Para as quatro principais equipas do panorama nacional, provavelmente as quatro primeiras da classificação quando tudo acabar, lá para Maio, a primeira volta deste campeonato terminou hoje.

E de que maneira!

Com um dérbi, que não é só de Lisboa. É o dérbi. Desta vez em Alvalade, onde o Benfica entrou depois do Porto ter jogado e perdido, no Dragão, com o Braga, e portanto com a possibilidade de alargar para 7 pontos a sua vantagem para o segundo.

Não terá sido por isso, pelo menos a crer nas palavras de Bruno Lage - que disse que os jogadores, tal como ele próprio, apenas tinham tomado conhecimento do resultado do Dragão ao intervalo -. que o Benfica entrou pressionante e intenso no jogo. Mas foi assim que a equipa surgiu no jogo, mandão.

Na primeira meia hora só deu Benfica. Mas não deu golos, e até poderia ter dado um para o Sporting, num remate ao poste de Rafael Camacho, aos 25 minutos. Toda essa superioridade no jogo não deu golos porque os jogadores mais decisivos na fabricação de golos, como Pizzi, Vinícius, Chiquinho ou Grimaldo, estão agora longe da forma de há umas semanas, antes da paragem. E como a equipa não remata de fora da área - parece que a ordem é entrar com a bola pela baliza dentro - é preciso que os jogadores estejam todos no top de forma, para que o passe saia no ponto, o drible na medida certa e o faro de golo em alto grau de apuro.

No último quarto de hora, abandonada a pressão e a intensidade que não tinha dado golos, e que não pode durar sempre, o Sporting começou a libertar-se desse domínio e a ficar perto de equilibrar o jogo, muito à custa de um jogo esticado a partir dos passes longos, principalmente de Bruno Fernandes, que agora já pode partir para Manchester.

A segunda parte começou mal. Pior era difícil. Os energúmenos do costume, que há em todos os clubes, resolveram começar a despejar tochas e petardos para o relvado, mesmo para cima da baliza do seu próprio guarda-redes. O jogo tardou, primeiro, a recomeçar e, depois, a ganhar ritmo, e interesse.

O Benfica nunca mais voltou à superioridade da primeira parte, mas fazia sempre melhor o que havia a fazer. A superioridade individual dos jogadores do Benfica vinha sempre ao de cima, e mais ao de cima veio quando, aos 64 minutos, o regressado Rafa, inspirado, entrou para o lugar do discreto Chiquinho.

Bastaram-lhe 6 minutos para fazer o que ninguém tinha conseguido - o golo. Havia ainda muito tempo para jogar - Hugo MIguel, o árbitro, de que ainda não falei, e de quem não há nada a dizer, porque não tem nada a ver que o Jorge de Sousa, no VAR, tenha demorado alguns cinco minutos para validar um golo sem mácula,  deu 10 minutos de tempo extra - mas percebeu-se que o Sporting não tinha argumentos para fazer perigar a vitória do Benfica. E que corria riscos de voltar a sofrer, como viria a acontecer já perto do fim, em mais um golo de Rafa, de excelente execução, que selaria a excelente e porventura decisiva vitória benfiquista. Que, na última jornada de uma primeira volta marcada por recordes (recorde de pontos, recorde de vitórias, e recorde de vitórias sucessivas fora de casa), deixa o Benfica numa liderança com 7 pontos de vantagem. Tantos quantos há um ano tinha de desvantagem. Acho que ninguém se esquece! 

 

 

Más sensações ... e maus sintomas

Resultado de imagem para benfica aves 2020

 

As más sensações para o jogo desta noite, na Luz, começaram a desenhar-se bem antes do seu início. Começaram logo que foi conhecido o árbitro: o nome de Carlos Xistra gera de imediato ansiedade. Está no seu último ano, mas ainda temos que levar com ele... E agravaram-se com a constituição da equipa, com quatro alterações em relação ao jogo anterior, que já não tinha sido famoso.

Dessas quatro alterações só uma era esperada, porque obrigatória, pelo quinto amarelo que Tarabt havia pedido no fim do jogo em Guimarães. Esperada também era a substituição, notava-se uma certa pressa para a estreia de Weigl, e notou-se que foi apressada. A de Tomás Tavares pelo capitão André Almeida poderá perceber-se, mas o miúdo estava a jogar muito bem. As outras duas, Seferovic em vez de Vinícius e Jota na de Cervi, é que não lembrariam a ninguém.

Com o apito inicial de Xistra as más sensações passaram a ganhar a vida. E que vida!

Os jogadores do Benfica entraram a dormir, convencidos que para ganhar ao último classificado bastava estarem lá. Foi assim durante vinte minutos, e quando acordaram estavam a perder. 

É certo que, depois, passaram 70 minutos em cima da baliza do Desportivo das Aves. Mas raramente a jogar bem. Jogaram muito e correram ainda mais. Não lhes faltou vontade, nem garra, nem regatearam gota de suor, mas aos adversários também não. E como a inspiração nunca apareceu, o jogo passou a oferecer dificuldades que durante muito tempo pareciam inultrapassáveis.

Os remates sucediam-se - foram 34, mais um máximo da competição - mas a bola saía invariavelmente uns centímetros ao lado, ou por cima, da baliza. Quando iam à baliza lá estava o guarda-redes avense, o francês Bernardeau, a defender o possível e o impossível. Defendeu 10 remates, outro recorde desta Liga. E quando lá não estava ele, estava lá outro. E outro...

No início da segunda parte, já com Vinícius no lugar de Jota, quando a nulidade fora, e continuava  a ser, Seferovic, tudo parecia piorar ainda, com Xistra, à Xistra, a expulsar o André Almeida. Valeu o VAR, que viu o que todos víramos: que o capitão do Benfica, mesmo que com uma entrada imprudente, nem tinha tocado no adversário. A decisão foi revertida, e evitaram-se males maiores.

O golo do empate lá acabou por aparecer à entrada do último quarto de hora, num penalti (já tinha ficado outro por marcar aos 38 minutos da primeira parte) sobre Vinícius, que Pizzi converteu. E o da vitória - finalmente - já no minuto 89, em mais um bom trabalho do avançado brasileiro (o que é que terá passado pela cabeça de Bruno Lage para o deixar no banco?) a deixar a bola para André Almeida a fazer passar por baixo do corpo do guarda-redes, deixando a Luz, incansável no apoio à equipa, em ambiente de perfeita loucura.

Sintomático, tanto quanto os vinte minutos iniciais, foi que o Benfica não conseguiu controlar o jogo nos 5 minutos de compensação, permitindo duas ou três jogadas perigosas ao adversário, que poderiam até ter roubado uma vitória que tanto tinha custado a conquistar. E que foi, com os três pontos que vale, iguaizinhos aos das grandes vitórias com grandes exibições, a melhor coisa que ficou deste jogo de más sensações. E de sintomas preocupantes para esta altura do campeonato... 

 

Regressos e pirómanos

Foi difícil este jogo de Guimarães, no arranque do ano e no regresso do campeonato, quase um mês depois. Seria sempre difícil, porque nunca é fácil jogar na cidade-berço, e porque este Vitória, de Ivo Vieira, joga muito, como se sabe. Mas não teria sido certamente tão difícil se o Benfica tivesse regressado desta paragem com o mesmo nível de qualidade exibicional das últimas jornadas.

O Benfica de Dezembro, antes da paragem, teria colocado outra qualidade em campo, teria jogado bem mais e teria ganhado melhor. Não regressou o Benfica exuberante, dos grandes jogos e das goleadas. Valeu no entanto outro regresso, o regressou do outro Benfica, de Setembro e Outubro que, mesmo sem jogar bem, foi ganhando jogos.

Que o primeiro dos regressos não iria acontecer, percebeu-se logo no início do jogo. O segundo regresso só se confirmaria naturalmente no fim, mesmo que se começasse a admiti-lo a partir do meio da primeira parte.

No primeiro quarto de hora da partida o Benfica não conseguiu ligar o jogo. Defendia bem, e recuperava rapidamente a bola, mas perdia-a logo de seguida. E nem se pode dizer que a perdesse em resultado da pressão exercida pelos jogadores vimaranenses, porque não eram os jogadores adversários a conquistá-la. Eram os jogadores do Benfica que a perdiam sucessivamente por passes errados - ora entregando a bola directamente ao adversário, ora atirando-a para fora.

Daí que se sucedessem os ataques do Vitória sem que o Benfica praticamente passasse da linha de meio campo. Na primeira vez que conseguiu concluir uma jogada o Benfica marcou, ia a primeira parte a meio. E a partir daí o jogo mudou!

Não quero com isto dizer, como atrás deixo claro,  que o Benfica passou a mandar no jogo e que o Vitória desapareceu. Nada disso. Mudou porque os jogadores do Benfica perceberam que a noite não era de gala, mas apenas de trabalho. E, claro, também ajudou que Gabriel e Tarabt tivessem subido de produção.

E dedicaram-se ao trabalho. Até ao fim do jogo, defendendo aquele golo do Cervi que mudara o jogo. E, sendo que as últimas imagens são as que ficam, as últimas claras oportunidades de golo até são do Benfica.

No fim fica uma vitória muito importante num jogo bastante competitivo, mas nem por isso bem jogado, e com um grande ambiente nas bancadas, estragado por algumas bestas que acham que as cadeiras não servem apenas para sentar o rabo, e que um jogo de futebol é um festival de pirotecnia.

Se não se percebe a existência de adeptos pirómanos, também se não percebe como é que, com tanta revista à entrada, é possível que tenha entrado no estádio material pirotécnico que daria para animar uma das muitas festas de passagem de ano que acabamos de celebrar.

Não será provavelmente difícil identificar estes incendiários e impedi-los de entrar nos estádios. Já aos outros, não menos pirómanos, que vêm penalti no lance do Rúben Dias, não se lhes pode fazer nada se não deixá-los a falar sozinhos. 

Na melhor relva cai o melhor o futebol

Missão cumprida. Benfica goleia Famalicão e acaba o ano na liderança da I Liga  

Foto da Lusa

O jogo de hoje, na Luz, com o Famalicão - terceiro classificado - começou com a entrega dos prémios aos melhores jogadores da Liga de Outubro e Novembro: o melhor defesa, Rúben Dias; o melhor médio, Pizzi; e o melhor avançado, Vinícius. Os árbitros andam doidos, é colinho de mais!

Ah...não são os árbitros que fazem estas escolhas. São os treinadores da Liga...

Pois é. Que chatice!

Entregues os prémios aos melhores, a bola começou a rolar. E começou um grande jogo de futebol, entre duas equipas que sabem jogar à bola e interessadas em demonstrá-lo. Logo que o árbitro apitou para o início da partida o Famalicão não esteve com meias medidas e partiu para a área benfiquista.

Estava dado o mote. Depois começou o festival do Benfica, mesmo numa primeira parte bem dividida, e com algum equilíbrio durante algum tempo. Tempo que ia passando sem que o marcador se mexesse. Dizem as teorias do futebol que, quando assim acontece, a equipa favorita enerva-se, o adversário cresce em motivação e crença, e o jogo complica-se.

Pois, isso é a teoria. Na prática nunca se passou nada disso. Este jogo não era para essas teorias. Quando se joga bem as coisas fucionam de outra maneira, e apenas se espera que o golo chegue. Há-de chegar, se não foi agora, será a seguir.

E chegou, pelo pé direito de Vinícius, embrulhado numa grande jogada de futebol, ao minuto 39. O 1-0 ao intervalo era curto para o que se passara no novo e impecável relvado da Luz, responsável - na opinião incontestável de Bruno Lage - pelo regresso do (seu) futebol do (seu) Benfica. Mas nunca "um resultado perigoso".

Até porque a segunda parte abriu como a primeira. Só que, como desta vez a saída de bola naturalmente se inverteu, coube ao Benfica partir de imediato para a baliza do Famalicão. E ao segundo minuto, o segundo golo saía fulminante do pé esquerdo de Pizzi.

A qualidade do jogo mantinha-se alta, e ia ainda refinando-se cada vez mais. Dava gosto ver. O Famalicão, mesmo com mais dificuldades, continuava ligado ao jogo e apenas interessado em jogar. Não dava abébias, como vimos dar noutro jogo, não perdia bolas à saída da sua área, mas disputava o jogo e apenas o jogo. Um jogo com 14 faltas, sete para cada lado. Como se vê nos grandes campeonatos, e raramente se vê por cá.

Depois veio o terceiro, o bis de Pizzi, numa enorme execução, pouco depois da hora de jogo. Faltava ainda meia hora, e esperava-se nova goleada.

As oportunidades de golo sucediam-se, e o nível individual das exibições dos jogadores do Benfica atingia padrões de requinte. Todos, mas claro, com Pizzi superlativo.

Acabou por dar apenas para mais um golo, o primeiro do suplente Caio, já ao minuto 89. O suficiente para dar uma moldura ao resultado condizente com a excelência da exibição, em mais uma noite de festa na Luz.

 

Competência e valentia

Resultado de imagem para boavista x benfica

 

O Benfica passou com distinção este difícil desafio do Bessa, na abertura da jornada treze deste campeonato. Difícil porque são sempre grandes as dificuldades que o Boavista coloca aos adversários, e em especial ao Benfica, com um tipo de jogo sempre feito de muita agressividade e pouco futebol. E difícil ainda porque Jorge de Sousa assume normalmente o papel de mais um adversário. E hoje voltou a fazê-lo.

Logo de entrada o Benfica mostrou ao que vinha. Mostrou que estava ali para ser competente, jogar bem, e ser valente. Porque só com muita valentia foi possível enfrentar este Boavista que levou o jogo para a dimensão do combate, a bater como ninguém, e com faltas consecutivas que não só massacravam os jogadores do Benfica como lhes quebravam o ritmo de jogo.

Percebeu-se que equipa estava preparada para isto, para ser intensa, competente e valente. Entrou forte, e fez um golo logo no arranque do jogo. Invalidado, por fora de jogo. Um fora de jogo que no jogo corrido ninguém percebeu, mas que, no entanto, o auxiliar de Jorge de Sousa não teve nem dificuldade nem dúvida em assinalar. Depois, o VAR deu-lhe razão com uma linha que dava off side por uns inacreditáveis 50 centímetros.

Nada que abalasse a equipa, que continuou a fazer o seu futebol atractivo, sério e competente. E a dominar completamente o jogo, sempre sob forte apoio da massa adepta e indiferente às peripécias do jogo. Ao amarelo a Cervi, por ter levado um toque dentro da área adversária e caído. Ou ao amarelo a um defesa do Boavista que carregou por trás o Chiquinho, completamente isolado à entrada da área e só com Bracali pela frente. 

Mesmo que a qualidade de jogo fosse grande, como era, as oportunidades de golo não abundavam. Daí a importância da competência também na finalização, e isso, como se vai vendo, é atributo do Carlos Vinícius. Que aos 34 minutos não falhou, e fez o primeiro golo da partida. Foi um alívio!

Um alívio que a equipa sentiu, levando-a crer que o mais difícil estava feito, que em vez de mandar no jogo podia controlá-lo. E relaxar um bocadinho... Correu mal, e o Boavista chegou ao empate na primeira vez que chegou à baliza do Odysseas, já em cima do intervalo.

Ao contrário do Boavista, que nunca mais chegava para o reatamento, o Benfica mostrou pressa em arrancar para a segunda parte. E logo que os jogadores axadrezados resolveram aparecer foi para cima deles, no mesmo ritmo que tinha mantido na primeira parte, até ao golo. E o segundo, por Cervi, apareceu meia dúzia de minutos depois. 

Avisado que tinha ficado, o Benfica continuou sem tirar o pé. Forte reacção à perda da bola, versatilidade, intensidade, dinâmica... Nada faltava. E o terceiro, bis de Vinícius, não demorou mais que 10 minutos. E nem aí a equipa abrandou. 

O quarto golo, por Gabriel, que acabaria por chegar já nos minutos finais, serviu apenas para deixar um colorido no pacard ajustado à categórica exibição do Benfica. À campeão!

Belo regresso ao quentinho

Resultado de imagem para benfica marítimo"

Havia uma certa expectativa à volta deste jogo de hoje na Luz, de relva nova. Também por isso, pela nova relva, mas por ser o regresso ao campeonato, três semanas depois, por suceder ao jogo da Champions - mito, ou não, estes jogos têm fama de ser complicados -, com menos de 72 horas de recuperação; porque o Marítimo vinha de treinador novo, com três semanas (quase uma pré-época) para preparar o jogo e, the last, not the least, porque o jogo era arbitrado pelo Fábio Veríssimo. Palavras para quê?

Creio que nem nas melhores expectativas caberia um jogo de tanta qualidade. Na primeira parte assistimos a um belo jogo de futebol. A segunda só não foi igual, ou até melhor, porque cedo - aos quinze minutos - Fábio Veríssimo pôs o Gabriel na rua e o Benfica ficou a jogar com dez. E naturalmente não poderia ser a mesma coisa.

Deve dizer-se que o Marítimo tem muito a ver com a qualidade que o jogo teve. Pela própria qualidade que lhe emprestou mas, acima de tudo, porque surgiu na Luz para jogar futebol. Querendo apenas jogar futebol, como que desafiou o Benfica a fazer o mesmo. E o Benfica aceitou o repto!

E o que se viu foi bonito de ver. O Marítimo entrou a jogar à bola - já com o dedo de José Gomes bem à vista - e não quis perder tempo. E o Benfica respondeu de imediato. Logo no primeiro minuto duas oportunidades, uma para cada lado. A dar o mote. E aos 8 minutos, na segunda oportunidade, o Benfica marcou, pelo goleador Pizzi.

Pareceu que o jogo foi de imediato para intervalo. Mas não foi - aconteceu apenas que o VAR demorou quase 5 minutos a confirmar o golo. No reinício parecia que não seria possível retomar o ritmo que o jogo trazia, mas depressa tudo voltou ao normal.

Aos trinta minutos o Benfica já ganhava por 3-0, com mais dois golos de Vinícius e, ao intervalo, para que o resultado espelhasse o que se tinha passado, teria de ter no placard qualquer coisa como 6-1.

A segunda parte iniciou-se no mesmo ritmo, e com apenas 10 minutos jogados já Vinícius tinha feito o hat-trick, deixando na Luz a certeza que aquilo não ficaria aquém dos 6-0 das duas últimas épocas.

Só que a expulsão de Gabriel mudou os dados do jogo. Mas não acabou com a exibição do Benfica. Mesmo com dez a equipa jogou bem, nunca permitiu qualquer superioridade ao adversário, e criou mais três ou quatro claras oportunidades de golo. De tal modo que, no fim, o melhor que aconteceu ao Marítimo foi mesmo o resultado. 

Foi o regresso ao campeonato, ao quentinho cá de casa - na Europa, o frio é muito -, é certo. Mas foi um regresso uns bons furos acima daquilo que vinha acontecendo, mesmo que aqui e ali com sinais de retoma nalguns dos últimos jogos. 

A dúvida que agora fica para esclarecer é se esta exibição resulta do desafio proposto pelo adversário, ou da decisiva retoma exibicional da equipa. Se, com adversários mais fechados, com marcações cerradas, e que levem o jogo para o confronto físico, não voltam as dificuldades.

Nada no entanto apaga o que se viu hoje. Uma bela exibição colectiva, com todos os jogadores em grande nível, mesmo que Taarabt, e inevitavelmente Vinícius, tenham estado ainda um pouco acima. Domingos Piedade teria gostado. Pena que a expulsão de Gabriel tivesse impedido mais um resultado memorável. E que tenha impedido a integração de RDT com a equipa completa e naquele ritmo. Marcaria certamente, não haveria como não o fazer! 

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics