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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A recuperação pode esperar

 

Começo por onde comecei a análise ao último jogo, em Tondela. Que tinha tudo o jogo da reviravolta, mas não deixou a certeza de o ter sido. Explicava depois que, ao não aproveitar a superioridade numérica durante meia hora de jogo para ir para cima do Tondela à procura da goleada, o Benfica abdicou da construir um jogo e um resultado que robustecesse a saúde psicológica da equipa.

Ao desaproveitar essa oportunidade a equipa mostrou que não estava muito interessada em sair da crise. Essa é que é essa!

Hoje, de volta à Luz, um inferno mas para os jogadores do Benfica, com o mesmo onze e a mesma fórmula de Tondela, confirmou--se que dar a volta à crise não é coisa que esteja nos horizontes do Benfica. A equipa até entrou relativamente bem, como tem acontecido com alguma frequência. Logo aos  minutos criou uma boa jogada de ataque, mesmo que tivesse deixado a ideia que tinha sido tudo mais circunstancial que trabalhado.

Pouco depois, Darwin, isolado, falhou a baliza. E minutos mais tarde, Vertonghen atirou ao poste - mais uma vez nos ferro. Na resposta o Santa Clara chegou pela primeira vez à área do Benfica. No primeiro remate ... grande defesa de Vlachodimos. E na recarga, golo!

O árbitro assistente assinalou fora de jogo, mas o VAR encontrou linhas, e 14 centímetros, para reverter a decisão.

O relógio marcava 20 minutos, e vinha à memória uma expressão popular - "quando um homem está com a azar até a mulher tem filhos dos outros". Os jogadores do Benfica sentiram o golo, e a equipa afundou-se, perdida nos seus medos e na sua incapacidade. E, em vez ideia de azar, ganhava corpo a ideia que as orte dá muito trabalho.

Os 10 a 15 minutos que se seguiram ao golo foram de todo lastimáveis,. E os 10 minutos finais pouco menos que isso, e no fim da primeira parte o Benfica não tinha um único remate à baliza do Santa Clara. Apenas quatro remates, todos para fora!

A segunda parte não começou diferente, o intervalo não deverá ter servido se não para descansar, mesmo que não houvesse grandes razões para que os jogadores estivessem muito cansados. E foi o Santa Clara, mesmo desfalcado de algumas das suas principais unidades, a estar por cima do jogo no primeiro quarto de hora. Aos 58 minutos Nelson Veríssimo fez as primeiras substituições, com a entrada de Yaremchuk e Taarabt, por troca com Everton - a voltar à sua habitual intermitência -e com Paulo Bernardo que, percebe-se, sabe jogar à bola, mas não passa daquilo. Desta vez, ao contrário do que é costume, as substituições funcionaram. Mesmo que, em boa verdade, tenha ficado a ideia que, mais que as substituições, foi o penalti, completamente desnecessário, sobre Rafa, que até já ia a sair da área, no mesmo minuto, que mudou o jogo. Quando duas coisas acontecem ao mesmo tempo é difícil saber qual é que influenciou o quê.

Com o golo do empate, na superior conversão do penalti por Darwin, e com a movimentação e a capacidade física de Yaremchuk e de Taarabt, o Benfica mudou o jogo. O Santa Clara reagiu de imediato ao golo, e vá lá saber-se se não foi essa reacção a abrir os espaços para o segundo golo, de novo de Darwin, logo a seguir, dois minutos depois. 

Em dois minutos o Benfica dava a volta ao resultado, e partiu então para o domínio completo do jogo. Sol de pouca dura, não durou mais de 10 minutos o único período de futebol aceitável que a equipa apresentou hoje,. Depois tentou controlar o jogo com bola, mas acabou com o credo na boca. Dos jogadores e dos adeptos. Qual deles os mais desconfiados. E descrentes!

O jogo de ontem, no Dragão, foi uma vergonha. Foi vergonhoso o comportamento dos jogadores durante o jogo, em especial os do costume - Pepe, Otávio e agora também Evanilson. E inqualificável o que aconteceu depois do apito final. Ficamos agora à espera das consequências disciplinares dessas vergonhas, mesmo sabendo o que a casa gasta. Nada vai dar em nada, tudo vai ficar na mesma. É assim há 40 anos. 

Mas, no pouco tempo em que os jogadores quiseram jogar à bola, vimos uma intensidade - e até qualidade - que não vimos no Benfica. E isso explica porque este Benfica não consegue ganhar um jogo a estes adversários. E porque tem tantas dificuldades com os Morerirenses, os Gil Vicentes e os Santas Clara deste campeonato.

 

No desperdício os dois da praxe

A deslocação a Barcelos para defrontar o Gil Vicente, também ainda com o pleno de vitórias no campeonato e orientado por um treinador habitualmente complicado para o Benfica, cujo treinador aponta como seu discípulo, comportava alguns riscos e apontava para algumas dificuldades, mais a mais caindo no meio da decisiva eliminatória com o PSV.

O Benfica apresentou-se com seis alterações relativamente ao jogo da primeira mão com os holandeses, com a entrada de Gilberto, Taarabt, Meité, Gil Dias, Everton e Gonçalo Ramos para os lugares de Diogo Gonçalves, João Mário, Weigl, Grimaldo, Pizzi e Rafa, e os primeiros minutos, com os jogadores do Gil Vicente subidos e muito pressionantes, pareciam confirmar as esperadas dificuldades. Cedo, logo a partir dos primeiros sete ou oito minutos, se percebeu que, no entanto, as dificuldades do jogo não viriam tanto nem da estratégia e da argúcia do treinador gilista, nem da qualidade dos seus jogadores. Vinham da falta de velocidade no jogo benfiquista, de algumas deficiências no passe e na recepção de alguns dos seus jogadores - particularmente Taarabt, Gil Dias (como é que o Benfica foi buscar este jogador para lateral esquerdo ao Famalicão quando lá estava Rúben Vinagre, e até escolheu primeiro?) e Gilberto - e da falta de eficácia no aproveitamento das ocasiões de golo que iam surgindo.

Mesmo sem jogar bem, na primeira parte o Benfica dispôs de quatro oportunidades claras para marcar, uma série que se iniciou logo aos 8 minutos com o remate de Taarabt ao poste, e acabou no desperdício Yaremchuk, isolado por um grande passe de calcanhar de Everton, o melhor da primeira parte. E teve ainda um golo anulado por fora de jogo de Gilberto. Teria outro, aos 10 minutos da segunda parte, desta vez a Yaremchuk, tornando-se já no líder dos golos anulados. E das bolas nos ferros!

A segunda parte arrancou com mais uma oportunidade de golo, numa grande jogada individual do Gonçalo Ramos, a que se seguiu a única dificuldade que o Gil Vicente colocou a Vlachodimos em todo o jogo, ao travar com os pés um remate de um adversário isolado. E foi toda ela de sentido único, o da baliza de Kritciuk, que ia defendendo tudo o que havia para defender.

Atravessava o Benfica a sua fase de domínio mais intenso, com o adversário encostado à sua baliza, sem de lá conseguir sair, quando Jorge Jesus, ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora,  fez as primeiras substituições - três, João Mário, Pizzi e André Almeida entraram para os lugares de Taarabt, Yaremchuk e Gilberto. Fizeram sentido, só não faziam sentido nenhum porque iam interromper o melhor período do Benfica, o sufoco do adversário que ainda não tinha conseguido. 

Mas a verdade é que João Mário e Pizzi melhoraram a dinâmica de jogo da equipa, e as oportunidades de golo continuaram a surgir, e a ser desperdiçadas. A pouco mais de um quarto de hora do fim o treinador do Benfica esgotou as substituições, trocando o equívoco Gil Dias por Grimaldo, e o entretanto desaparecido Everton pelo regressado Darwin, três meses depois. O golo tardava, ao contrário dos minutos finais, que pareciam cheios de pressa, ao contrário dos jogadores da equipa de Barcelos.

Acabaram por chegar os dois da praxe (sempre dois golos em todos os seis jogos da época), separados por quatro minutos. E que golos. O primeiro, aos 84 minutos, em que Lucas Veríssimo intercepta (sim, isso mesmo!) um remate de Pizzi deixando desde logo Kritciuk, que defendia tudo, irremediavelmente batido. Para, depois, lhe colocar a bola no lado contrário. Inteligência notável, do único jogador das últimas contratações que se tem valorizado (veja-se o que se anuncia de Valdchmidt e Carlos Vinícius, a saírem por valores bem abaixo do seu custo). E o segundo, o do alívio final, em mais uma obra prima de Grimaldo. Que grande golo!

Decisões desportivamente finais.

Havia muita coisa para decidir nesta última jornada do campeonato - o acesso à última vaga para uma competição europeia, determinada pelo sexto lugar na classificação, a fuga ao lugar em aberto para a descida, bem como a do desejável ou indesejável, conforme o ponto de vista da classificação, última esperança de manutenção através liguilha, e ... a questão do melhor marcador da Liga. Com tanta coisa em jogo, abrangendo praticamente todos os jogos (à excepção do Tondela-Paços, que se disputou ontem, e do Porto-Belenenses, que abriu a jornada de hoje, foram todos à mesma hora. Todos menos o Sporting-Marítimo, que começou quando todos os outros estavam a acabar. A Liga achou que não havia desportivamente qualquer problema em dar a um dos competidores pela melhor marca de golos a vantagem de iniciar o jogo já sabendo quantos teria de marcar para ganhar.

No Vitória-Benfica, também um clássico, estavam em jogo a primeira e a última daquelas decisões. Ah... e também o título que Jorge Jesus quer que festejemos - o de campeão da segunda volta. Mas estava também em jogo ... a final da Taça, do próximo domingo.

Por isso o treinador do Benfica apresentou uma equipa com sete alterações em relação ao dérbi, de sábado passado. Para poupar física e disciplinarmente a maior parte dos jogadores habitualmente titulares. Pelo que se viu deveria ter poupado mais um - Lucas Veríssimo, que a meio da primeira parte acabou com uma lesão muscular que o afasta da final da Taça, e eventualmente até da estreia na selecção brasileira. Não poupou, não poderia  naturalmente poupar Seferovic, com o título de goleador-mor do campeonato para discutir com o sportinguista Pote.

Ao contrário de outras vezes, como no recente jogo com o Nacional, não se notaram todas essas alterações. As segundas escolhas não estiveram nada mal e, mesmo sem realizar uma exibição exuberante, não se pode dizer que a equipa não tenha apresentado um futebol agradável. E menos ainda que não tenha dominado tranquilamente o jogo, provavelmente um dos mais fáceis desta longa série de confrontos em Guimarães.

Mesmo sem ter conseguido marcar, a primeira parte foi de domínio absoluto do Benfica, com três ou quatro ocasiões para marcar. Não marcou na primeira parte, mas marcou logo no início da segunda parte. Por Seferovic, pois claro, a finalizar uma excelente jogada de futebol. E repetiria ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora, agora na sequência de um canto bem trabalhado, com desvio ao primeiro poste para Seferovic concluir no segundo golo. Seu e da equipa. Festejou, claro. Eram dois golos preciosos.

Provavelmente suficientes para repetir o título de há duas épocas. Não há "hat-tricks" todos os dias. Acho que nem tinha havido nenhum neste campeonato.

Com o resultado em 2-0 Jorge Jesus começou a fazer entrar alguns dos principais habituais titulares. E a verdade é que o jogo da equipa começou a piorar. Pouco depois o Vitória marcou, de canto. Há muitos jogos que o Benfica não sofria um golo de canto, parecia até que esse problema que durante tanto tempo tinha atormentado a equipa fazia parte do passado mais negro desta negra época. O Benfica chegou até a perder o controlo do jogo, e permitiu até uma ou duas ocasiões para os vimaranenses empatarem. Valeu então o regressado - para a despedia - Vlachodimos

Nos últimos dez minutos voltou ao comando da partida, e acabou até por marcar o terceiro golo. Mas de Everton, que tinha entrado na tal leva dos titulares, que fez o que tinha de fazer. Quando o jogo acabou tinha praticamente acabado de começar o do Sporting, e o Pedro Gonçalves, Pote, já tinha marcado dois golos, voltando a estar empatado com Seferovic, que era ainda o melhor artilheiro por ter os mesmos 22 golos em menos tempo jogado na competição.

Faltava a Pote o terceiro. E o hat-trick, a tal coisa rara e o primeiro da sua carreira, era já uma inevitabilidade. Chegou por volta da hora de jogo e o assunto fico resolvido. E tornou-se, 25 anos depois de Domingos Paciência, no primeiro português com a melhor marca de golos no campeonato.

Não é só por isso que o Pedro Gonçalves merece nota alta. É porque foi a maior revelação da competição, e o mais influente jogador do Sporting, que marcou o desempenho competitivo do novo campeão nacional. Quando Pote esteve bem, e esteve bem durante grande parte da época, e muito bem no início e no fim, o Sporting esteve bem. Quando se apagou, o Sporting apagou-se. E valeu-lhe Coats.

É pois notável, e merecedora de todos os elogios, esta conquista do jogador que Rúben Amorim lançou para a alta roda do futebol. Mas não foi bonito, nem desportivamente aceitável, terem-lhe dado a vantagem que lhe deram. Nada garante que, com o jogo à mesma hora, o resultado fosse diferente. Mas o jogo em Guimarães teria sido certamente diferente!

 

 

Um equívoco grande num grande jogo

Não é costume os clássicos serem grandes jogos de futebol. O dérbi dos dérbis, o clássico maior do futebol nacional, pelo contrário, por vezes dá em grandes espectáculos de futebol. No Benfica-Sporting desta tarde, na Luz, houve espectáculo. Foi um grande jogo de bola, de grande intensidade, aberto, como a gente gosta de ver, sem constrangimentos tácticos. Claramente o melhor do campeonato, com sete golos, que até poderiam ser muitos mais. Mais do dobro! 
 
O Benfica apresentou na primeira parte o melhor futebol da época. Dominando claramente o meio campo - o Sporting, sem Palhinha e João Mário, e com Matheus Pereira e Daniel Proença nos seus lugares pôs-se a jeito - o Benfica partiu para uma exibição que chegou a ser fulgurante, com grandes jogadas ... e grandes golos.
 
Quando, logo aos doze minutos, Seferovic fez o primeiro golo, apenas aconteceu o que a todo o momento já se esperava. Não que, ao contrário de outros jogos, tivesse criado e desperdiçado outras oportunidades. Apenas porque a sua superioridade no jogo, era óbvia. A concentração e o acerto dos jogadores, e a vertigem do futebol do Benfica atropelava o futebol dos novos campeões nacionais. 
 
À porta da meia-hora o Benfica chegou ao segundo, talvez na mais monumental jogada de futebol da partida, concluída, com grande classe, por Pizzi. E sete ou oito minutos depois ao terceiro, por Lucas Veríssimo, no primeiro golo de canto sofrido pelo Sporting esta época. Pelo meio já o árbitro  - Tiago Martins, uma das bestas negras do Benfica, o conhecido "moedas" - tinha assinalado um penalti a favor do Benfica. Desta vez revertido (o assistente assinalou - e bem - fora de jogo) pelo próprio, não foi pelo VAR.
 
À beira do intervalo já não havia dúvidas que o Sporting não escaparia à primeira derrota do campeonato, e que o sonho leonino de campeão invencível poderia acabar num pesadelo de uma pesada goleada. Só que o golo de Pote - que grande jogo fez, também -, no primeiro remate à baliza, já no período de compensação, abrir-lhe-ia as portas do resgate. E o intervalo daria a Rúben Amorim mais uma oportunidade para mostrar que é mesmo bom naquilo que faz.
 
O Sporting entrou para a segunda parte já com Palhinha e João Mário no meio campo, retirando Daniel Bragança e João Pereira, passando o Matheus Pereira para a ala direita. Ainda não dera para perceber como, com o novo meio campo, iria tentar capitalizar o golo salvador do fim da primeira parte,  e já o Benfica repunha a diferença de três golos. Num penalti - aleluia! - desta vez confirmado, e convertido por Seferovic, à procura de golos para garantir a posição de goleador-mor da prova. 
 
Curiosidade: o segundo penalti assinalado a favor do Benfica; também o segundo assinalado contra o Sporting. E o primeiro golo sofrido dessa forma, depois do também primeiro de canto.
 
No arranque da segunda parte estava reposta a diferença de três golos e, com ela, o cenário que se desenhara na primeira. O Benfica continuava a jogar bem, a criar boas jogadas e oportunidades de golo. Só que os jogadores entenderam que o jogo estava mais que ganho e, em vez de se preocuparem em controlá-lo, preocuparam-se com os golos para Seferovic. Mantiveram o mesmo frenesim ofensivo, a mesma vertigem mas, na hora do golo, a única preocupação era procurar o internacional suíço. E desperdiçaram assim dois ou três golos.
 
Estava a ver-se que aquele não era o caminho, e que os jogadores do Benfica estavam a entrar numa perigosa fase de deslumbramento. Repare-se que Helton Leite fez a primeira defesa do jogo - e fácil - aos 61 minutos. Para no minuto seguinte sofrer o segundo golo. Que mudou por completo o jogo.
 
Os jogadores do Sporting tiveram o mérito de se conseguir salvar do precipício, os do Benfica o demérito de lho terem permitido. A substituição de Taarabt - faz tudo bem, menos a última coisa que tem a fazer - pelo ainda mais inconsequente Gabriel também ajudou. Até porque, como sempre acontece, bastaram-lhe três minutos em campo para ficar limitado por um cartão amarelo, Seguiram-se vinte minutos em que só deu Sporting, tempo para Pote repetir Seferovic, e voltar a marcar, e também de penalti. E para mais três oportunidades, entre elas uma bola no poste, do mesmo Pote, para chegar ao golo do empate, a última negada por Helton Leite, aos 78 minutos, com uma defesa enormíssima.
 
Em 20  minutos passou-se do espetro de uma goleadoa histórica para o da invencibilidade do Sporting. Repetindo o que já acontecera com o Porto, e com o jogo ainda mais partido, os últimos 10 minutos voltaram a cair para o Benfica. Foi como que a papel químico, incluindo a arbitragem que, para não expulsar (segundo amarelo) o Nuno Mendes, ignorou uma cotovelada em Rafa, isolado em direcção à baliza. Como já ignorara uma agressão a pontapé de Paulinho, para vermelho. Com as entradas de Nuno Tavares, Rafa, Darwin e Waldchmidt, e já sem Seferovic em campo, e com o Sporting já com Coates a ponta de lança, o Benfica acaba com mais duas flagrantes oportunidades de golo. 
 
Mas, do susto, não se livrara. Ou como uma goleada anunciada acaba num jogo de credo na boca. Tudo pelo equívoco dos jogadores do Benfica nessa coisa do melhor marcador do campeonato. É que, de tanto pensarem no colega, se esqueceram que, mais importantes que os golos que Seferovic ainda pudesse acrescentar, eram os que  Pote viesse a marcar. 
 
Mas nem por isso deixou de ser um grande jogo de futebol. Só deixou de ser o prémio de consolação que é, sempre, uma goleada sobre o velho rival. Mais a mais no dia em que, a uma jornada do fim, também o segundo lugar, o tal de acesso directo à Champions, deixou de ser possível.

 

 

O mister

 

No dia da festa do Sporting - e impõe-se desde já dar os parabéns à lagartagem, e muito especialmente aos meus amigos sportinguistas, que são muitos, e muitos muito amigos mesmo - o Benfica pareceu querer dar-nos mais uma tristeza. E deu, mesmo que no fim a vitória na Madeira a disfarce um bocadinho. A tristeza de mais um jogo pobre, de muito desacerto e de pouca inspiração não é apagada pelo resultado.

Jorge Jesus escalou um onze com seis alterações em relação ao último jogo, com o Porto, de má memória. Duas - Diogo Gonçalves, suspenso por acumulação de amarelos, e Rafa, por obra e graça de Pepe - inevitáveis, as restantes, vá lá saber-se porquê... E a equipa, que já não é famosa, ressentiu-se disso. Gilberto, Pedrinho, Chiquinho, Cervi, Waldschmidt e mesmo Nuno Tavares, não estiveram à altura. Mas a verdade é que, à excepção de Helton Leite, que claramente evitou o pior, e de Lucas Veríssimo, os restantes também não, mesmo que se tenha de reconhecer que, em tamanha minoria, também não seria fácil fazerem muito melhor.

A primeira parte foi uma lástima. Para além das investidas de Riasco, a deixar Gilberto de rastos,  pouco mais há para dizer. Os jogadores do Benfica viam os do Nacional correr, e esmeravam-se a falhar passes. Remates, nem vê-los. E oportunidades de golo só para a equipa da Madeira. Do lado do Benfica apenas duas aproximações à baliza adversária, uma concluída com remate de cabeça de Seferovic por cima da barra, e outra em que o ponta de lança suíço voltou a trocar os pés sem sequer tocar na bola, quando tinha tudo para fazer o golo.

Mau de mais, mais uma vez.

Ao intervalo o mister emendou a mão, e lançou Grimaldo, Pizzi e Everton. E apesar de ter sido o Nacional, logo no arranque, a voltar a ameaçar a baliza de Helton, cedo se percebeu que o Benfica metia mais velocidade no jogo, e que as coisas poderiam mudar de rumo. A equipa passou então a mandar no jogo, mas logo voltou o VAR a entrar em cena. Uma autêntica maldição.

Fruto da superioridade que finalmente tinha no jogo, o Benfica chegou ao golo, por Nuno Tavares. Mas lá estava o VAR para o anular. Desta vez o pretexto foi uma falta de Lucas Veríssimo, numa disputa de bola, para aí um minuto antes, em que fora ele o primeiro a sofrer falta. Depois, pouco depois, em cumprimento da lei máxima desta liga, foi mais um penalti que ficou por assinalar, quando um defesa do Nacional jogou a bola dentro da área com as duas mãos. Não percebíamos como nem o árbitro nem o VAR tinham visto, mas logo os senhores da Sport TV nos elucidaram. Pelo que explicaram ficamos a perceber que, jogar a bola com a mão, ou até com as duas, como foi o caso, já não é penalti. Só é penalti se o movimento dos braços aumentar a volumetria. Se um defesa blocar a bola, como um guarda-redes, não é penalti. Que bom é ter estas explicações dos senhores da Sport TV!

Entretanto entrava-se no último quarto de hora jogo, e a relativa qualidade daqueles vinte e tal minutos começava a desaparecer. Voltavam os passes errados, e o treinador do Nacional começava a lançar jogadores rápidos para o ataque, acreditando que, com o Benfica mandado para a frente, mas já fora do seu melhor período, teria chegado a hora de dar o golpe final no resultado.

Era este o cenário quando, aos 78 minutos, já com Darwin e Gonçalo Ramos em campo, chegou o golo do empate. Seferovic, sozinho em frente ao guarda redes, ia falhar mais um golo, com um remate para fora, só que o defesa do Nacional que tinha marcado o golo na primeira parte, ao tentar o corte, desviou-lhe o sentido para dentro da baliza.

Só podia ser assim. Assim ... ou com Gonçalo Ramos. Dois minutos depois, lá estava o miúdo, no sítio certo, a rematar de primeira, e com classe, para o golo, a passe de Darwin. Cinco minutos depois, repetiu. Sem o mesmo brilhantismo, mas com a mesma eficácia. A lembrar a toda a gente existe, que está lá, e que merece jogar bem mais. 

Mérito de Gonçalo Ramos, o homem do jogo? Não, nada disso. Mérito do mister. Que o meteu a jogar, e que, antes de o fazer entrar, lhe explicou que movimentos tinha de fazer. Mérito de Jorge Jesus, pois claro. Sem qualquer responsabilidade nesta época miserável, em que tudo é culpa da covid, como é que poderia não ser?

Um clássico cheio de clássicos

 

O clássico de hoje. uma quinta-feira, às seis e meia da tarde - sem público e no actual contexto, todos os dias e todos os horários servem, desde que sirvam à televisão - arrancou com o Benfica já irremediavelmente afastado da luta pelo título pela soberana Matemática, a três jornadas do fim. 
 
Começou bem antes, como quase sempre, por cá. Ainda o Sporting não tinha jogado em Vila do Conde, e ainda a Matemática não era definitiva.
 
Sérgio Conceição, o treinador do Porto, estava castigado - suspenso por 21 dias. Mas cedo se percebeu que isso era coisa de fazer de conta, e que estaria hoje no banco, na Luz. Ontem, claro, chegou a confirmação oficial, e hoje lá esteve. No banco, na flash e na sala de imprensa, é que não. Para compor o ramalhete, o árbitro escolhido foi Artur Soares Dias, o tal. 
 
Um clássico!
 
Depois veio o jogo. E Soares Dias não quis deixar de justificar por que é sempre o escolhido para estes jogos. Manhoso e cínico, como sempre. E como ninguém. A ponto de até ter marcado dois penaltis a favor do Benfica, como que a dizer: "vejam bem que até marquei dois, quando ninguém assinala penaltis para o Benfica".
 
O jogo arrancou nos moldes habituais destes jogos. Sérgio Oliveira e Octávio distribuíam fruta a torto e a direito. O primeiro cedo foi amarelado, e … remédio santo. A partir daí ganhou carta branca - para lhe não voltar a mostrar o amarelo, o árbitro deixou de lhe assinalar faltas. O Octávio, não. Como nunca viu amarelo pôde ir acumulando faltas, umas atrás das outras. Quando começaram a ser de mais, Soares Dias começou também a deixar de as assinalar. 
 
Mas havia umas que assinalava sempre, não falhava uma. Sempre que, depois da falta, a bola sobrava para jogadores do Benfica, com possibilidade de saírem rapidamente para o ataque, lá saía o apito. Fosse a meio campo, fosse à saída da área portista. Chama-se a isso beneficiar o infractor, mas que importa? O que lhe importa é levar o barco a bom porto!
 
O Pepe, o Sérgio Oliveira, o Octávio lá continuaram, sempre na impunidade. Aos 80 minutos, com aquela entrada do Pepe sobre o Seferovic, e ao anular a marcação rápida do livre, que até acabou em golo, a coisa passou todas as marcas. E então não foi de meias medidas - de rajada, amarelou tudo o que mexia no Benfica. E até saiu vermelho para o Rui Costa.
 
E é esta a estória do jogo. Um clássico, também.
 
O resto é um jogo com pouca história, pouco bem jogado na sua maior parte. Um jogo levado para os despiques individuais, como é característico nestes jogos, onde os jogadores do Porto se sentem como peixe na água, e ganham normalmente a maior parte dos duelos, das bolas divididas e das segundas bolas. Enfadonho, que só se soltou, e ganhou verdadeira emoção nos últimos dez minutos, depois do Porto ter chegado ao empate. Até porque, naquelas circunstâncias, o futebol do Benfica dependia muito da explosão de Rafa que, depois de tanta pancada,  teve de abandonar por KO de Pepe, naquela entrada à Pepe. Um clássico.
 
O Benfica tinha-se adiantado no marcador, pelo Everton, a meio da primeira parte, mesmo sem ter conseguido contrariar aquele jogo do Porto, e sem se ter conseguido superiorizar. Já no fim da primeira parte surgiu o primeiro penalti, sobre o Rafa. Que não foi, dizem as tais linhas que o Rafa estava em fora de jogo, no início da jogada. Como não foi o segundo, sobre o Diogo Gonçalves, a meio da segunda parte.
 
Nos últimos minutos o Porto quis partir o jogo, e o Benfica, mesmo já sem Rafa, teve então oportunidade de se superiorizar e ganhar o jogo. A festa do golo chegou já no tempo de compensação, numa bela jogada de ataque excepcionalmente concluída por Pizzi, pouco depois de uma bola na barra, rematada pelo Taarabt. Mais uma vez as tais linhas descobriram que, no inico da jogada, o Darwin estava por não sei quantos centímetros em fora de jogo, e anularam a festa, e o golo.
 
E lá fica mais um empate, num jogo que, porque teve mais e as melhores oportunidades de golo, o Benfica merecia ter ganhado. Mas em que, mais uma vez, ficou muito aquém do exigível. Também um clássico desta desastrada época, talhada exclusivamente à medida da reeleição de Vieira. Que não é para esquecer. É para nunca mais esquecer!

A competência facilita as coisas

 

Jogar em Tondela é sempre difícil, pelo que esta deslocação do Benfica não podia ser encarada com grande optimismo. As ausências, por castigo, de Veigl e Otamendi, a que se somavam mais alguns jogadores em risco de ficarem impedidos de jogar o próximo jogo, que é com quem se sabe, complicavam mais as coisas. O Ramadão também entra nestas contas, com Taarabt de fora, entre o jejum e as lesões.
 
Sem Otamendi, o treinador do Benfica abandonou a sua nova opção pelos três centrais, e regressou ao seu clássico 4x4x2, com o centro da defesa entregue a Lucas Veríssimo e Vertonghen. Com Gabriel a fazer de Weigl, Gilberto, também ele em perigo amarelo, a poupar o Diogo Gonçalves a esse risco, Everton e Waldchmidt de volta à titularidade, e Pizzi na rara condição, nos últimos tempos, de titular pela segunda vez consecutiva. Muitas mexidas.
 
O jogo arrancou a quere confirmar as esperadas dificuldades, com o Tondela muito agressivo e disposto a lutar por todos os espaços e por todas as bolas. Rapidamente, bem cedo, e à custa de bom futebol, o Benfica anulou as intenções tondelenses. E partiu para uma boa primeira parte, com 35 minutos de grande nível.
 
O primeiro golo surgiu logo aos 12 minutos, mas já na terceira oportunidade claríssima do Benfica. Antes já Seferovic tinha feito o que é costume - fazer o mais difícil, que é falhar um golo daqueles. E Everton - mais uma aparição, ele que tantas vezes anda desaparecido - isolado, tinha desperdiçado outro.  Às três foi de vez, e foi de novo a vez de Pizzi, em mais um daqueles golos que só ele marca, assistido pelo Everton.
 
O Benfica estava então em plena exuberância exibicional, e o segundo golo tardou apenas 7 minutos. E também à terceira, que no total era a sexta oportunidade de golo criada. E que golo, este de Everton!
 
A equipa manteve a exibição em bom nível até ao fim da primeira parte, mesmo que à medida que o tempo ia avançando se começasse a ver a equipa mais interessada em controlar o jogo, do que propriamente em continuar avassaladora.
 
Tendência que acentuou na segunda parte, e que se chegou até a mostrar perigosa, em especial no primeiro quarto de hora, quando a equipa correu sérios riscos. Valeu, por duas ou três vezes, o guarda-redes Helton, já a fazer esquecer Vlachodimos. Ou pelo menos a dar razão à inexplicável - e inexplicada - opção de Jorge Jesus de há dois meses. 
 
Foi o período menos bom da equipa. Que, passado esse quarto de hora inicial, mesmo sem nunca voltar a atingir o fulgor da primeira parte, voltou ao controlo absoluto da partida. E a criar oportunidades de golo flagrantes. Para Seferovic voltar a desperdiçar. Mas também Pizzi, num remate fantástico que só por muito pouco não deixou a bola dentro da baliza. E ainda Cervi, entrado perto do fim, sozinho em frente ao guarda-redes, mas também com dois colegas ao lado, sem nada que os estorvasse.
 
É sempre assim, quando se é competente, os jogos difíceis acabam em jogos tranquilos. A equipa jogou globalmente bem, e até os patinhos feios a parecer cisnes. Everton foi mesmo cisne. Gabriel não foi, mas às vezes até chegou a parecer. E com Pizzi em forma, a música é outra. 
 
Não fosse aquele intolerável apagão com o Gil e outro galo agora cantaria. Quando deixaram que fosse o galo de Barcelos a cantar deixaram que se acabasse tudo. O acesso directo à Champions é agora de alta improbabilidade. Até porque para o outro lado continua a cair daquilo de que eles gostam tanto por todo o lado, e de toda a maneira e feitio.

Montanha russa

Que jogo esquisito, este do Benfica esta noite na Luz, com o Santa Clara, nesta montanha russa - com mais descidas vertiginosas que propriamente subidas - que são as suas exibições nesta época. Não é que seja esquisito que a equipa não tenha dado continuidade à boa segunda parte de Portimão, porque - lá está - regularidade é coisa que o Benfica não sabe bem o que é. O jogo é que foi mesmo esquisito.
 
O Santa Clara é um adversário complicado, não complicou só a vida ao Benfica. Já o tinha feito em Alvalade e no Dragão, donde acabou por sair com o mesmo resultado de hoje, e porventura até de forma mais injusta que hoje. Mas isso não explica tudo, e menos explica que o jogo tenha sido tão esquisito.
 
Na primeira parte o Benfica não jogou bem, longe disso. Mas também não jogou tão mal como já o tem feito, pelo menos ao nível do passe. É certo que o futebol da equipa não teve velocidade, nem intensidade. Mas também não foi exactamente aquela pasmaceira de muitos outros jogos. Foi assim uma coisa que nem é carne nem peixe.
 
Mais que uma má exibição, foi uma exibição incompetente. Especialmente tacticamente incompetente.
 
Nunca teve o jogo controlado, mas também nunca se viu seriamente ameaçado pelo adversário. Criou duas ou três oportunidades para marcar, mas nem sequer rematou. E acabou por chegar ao golo, aos 25 minutos, quando o Santa Clara estava por cima do jogo, na única vez que conseguiu chegar à linha de fundo - a pecha maior deste futebol de Jorge Jesus, como venho repetindo - num cruzamento tenso, como mandam as regras, de Everton, na única coisa de jeito que fez enquanto esteve em campo, concluída pelo melhor marcador … da equipa açoriana.
 
Foi um golo à ponta de lança, num cabeceamento de grande execução, como se a baliza fosse outra. Uma rotina de ponta de lança numa acção defensiva. Mais esquisito não há!
 
Logo a seguir Seferovic - também ele com a sua montanha russa - não fez de ponta de lance, como tantas vezes lhe acontece. E falhou o 2-0 sozinho à frente da baliza, depois de servido de bandeja pelo Diogo Gonçalves, de novo o mais inconformado
 
Sempre à espera da fase de subida da montanha russa, esperava-se que a segunda parte fosse diferente. Que, em vantagem no marcador, com a lição da primeira parte estudada, com um adversário a jogar aberto e no campo todo, repetisse a segunda parte de Portimão.
 
Mas, não. O Benfica piorou ainda. E o primeiro quarto de hora foi pouco menos que um pesadelo. O Santa Clara chegou naturalmente ao empate, e só se não pode dizer que esteve sempre por cima do jogo porque,, de quando em vez, o Benfica engatava uma jogada, e criava sempre mais perigo que o adversário a atacar e a rematar mais.
 
 Esquisito. Tão esquisito que chegou ao golo da vitória - por Chiquinho, que entrara, com Darwin, logo a seguir ao golo do empate, com mais uma assistência do Diogo Gonçalves, a culminar a melhor jogada do desafio - no primeiro remate de todo o jogo enquadrado com a baliza. 
 
Esquisito que o guarda-redes do Santa Clara tenha feito uma única defesa. E Helton Leite umas sete ou oito. E que os açorianos tenham rematado o dobro do Benfica. E que mesmo assim Seferovic tenha voltado a falhar mais dois golos feitos. E Darwin mais outro.
 
Já só não é esquisita a regularidade desta irregularidade da equipa. Nunca se sabe com o que se pode contar. O melhor é contarmos com exibições destas. E depois, se sair alguma coisa de jeito, deixarmo-nos entusiasmar e pensarmos mais uma vez que agora é que é.. E entramos também na montanha russa!
 
 

Nem sempre nuvens negras dão em tempestade

 

Depois do desastre do passado sábado, na Luz,  esta deslocação a Portimão, para defrontar a equipa da casa na sua melhor fase da época, a ganhar e a marcar golos como nunca, tinha tudo para correr mal. O peso da derrota com o Gil,  nas circunstâncias em que aconteceu e com as consequências directas que teve, a boa forma do adversário e a História das duas últimas visitas, conjugavam-se numa mistura altamente perigosa,
 
As nuvens iam negras e carregadas em Portimão e a primeira parte deixou a tempestade à vista. O Benfica surgiu  com aquele futebolzinho bloqueado, lento, macio, denunciado e desinspirado. Com muita bola, mas sem nunca saber o que fazer com ela. Com domínio territorial, mas inofensivo e completamente confortável para o adversário. 
 
Para que tudo voltasse a ser como antes, o Portimonense marcou na primeira oportunidade que criou, à beira do intervalo, numa jogada bem construída, e melhor concluída pelo sensacional Beto, já a estrela da equipa. Mas também muito consentida pela organização defensiva benfiquista, e por Gabriel, condicionado pelo amarelo, em particular. A tempestade perfeita!
 
Um golo que parecia empurrar a equipa para o inferno, deixando-a sem reacção. Até que, na última jogada da primeira parte, do nada e quando se esgotavam os dois minutos de compensação, aconteceu o empate. Só Pizzi poderia fazer aquele golo, mais ninguém. Aquela recepção, com o remate de imediato, sem precisar do espaço que os jogadores do Portimonense nunca davam, só dele. Não há no Benfica outro para fazer aquilo.
 
Fez bem à equipa. Que surgiria na segunda parte completamente diferente, muito pela entrada de Darwin, pela saída do regressado Gabriel, amarelado desde muito cedo, e desastrado como (quase) sempre. O jovem uruguaio podia ter marcado logo na saída de bola, rematando por cima da barra, com a baliza completamente à mercê.
 
Não marcou aí, marcou quatro minutos depois. Também um golo que só ele poderia marcar. Não há outro no Benfica, com aquela capacidade de atacar a profundidade, e de ganhar em velocidade e em capacidade física por entre os dois centrais. E ter ainda força para concluir na cara do guarda-redes.
 
No primeiro quarto de hora o Benfica criou quatro claras oportunidades de golo. Mas marcou apenas por uma vez, deixando ainda pairar algumas dúvidas sobre o resultado. A perder, o Portimonense subiu no terreno e quis aproximar-se da baliza do Benfica, e chegou até, à entrada do segundo quarto de hora, a assustar, sempre através de Beto, a coqueluche do momento. Mas alterou por completo as condições do jogo, e abriu o caminho ao Benfica para uma exibição bem conseguida, sem nada a ver com a da primeira parte.
 
Não durou mais que dois a três minutos esse tempo em que o Portimonense procurou levar incerteza para o marcador. Aos 64 minutos Seferovic, em mais um grande golo, a concluir mais uma boa jogada, fez o terceiro golo e acabou com as dúvidas. E, para o Portimonense, com o jogo.
 
Só deu Benfica. E ainda mais dois golos, com Seferovic a bisar ( e a isolar-se na lista dos marcadores), e Everton, que voltou a jogar mais uns minutos, a fixar o resultado num radioso 5-1. Que as nuvens negras à chegada não deixavam de todo prever. 
 
Ah… sei que há muitos benfiquistas que embirram particularmente com o Pizzi. Mas não temos melhor para fazer o que ele faz. E a equipa precisa do que ele faz. 

Foi bom enquanto durou

 

Acabou. Foi bom enquanto durou, mas acabou-se. Durou pouco, apenas sete jogos, este jogo de "ses" que, depois das duas últimas jornadas do campeonato, alimentou o remoto sonho do Benfica poder vir ainda a voltar a ser campeão. Se o Benfica ganhasse todos os jogos até ao fim do campeonato, se o Sporting perder mais seis pontos... Se isso acontecesse, e mesmo que o Porto ganhasse todos os outros jogos, no final os três somariam 81 pontos, coisa inédita.
E o Benfica seria campeão. E o Sporting seria segundo e o Porto terceiro.
Com este jogo de hipóteses no ar, e com o desempenho da equipa nos últimos sete jogos, ninguém esperaria que o Benfica hoje entrasse em campo sem a convição de quem queria ganhar o jogo. De quem só poderia ganhar o jogo.
Estranhamente, se é que ainda alguma coisa se estranha neste Benfica,, não foi com esse espírito que a equipa entrou hoje na Luz, na recepção ao Gil Vicente. E acabou o sonho. Até esse mal menor do segundo lugar, de acesso directo à Champions, não passa hoje de uma miragem. E mesmo o terceiro lugar depende agora do que se seguir, onde o mais provável neste momento é voltarmos a assistir ao desmoronar da equipa.
O jogo deixa pouco para contar, para além das consequências de uma derrota que jogadores, em primeiro lugar, mas também o treinador, fizeram pouco por evitar. Começou por ser um jogo sem balizas, o que demonstra a falta de ambição do Benfica. Que convinha ao Gil, bem distribuído no campo todo, e sempre a encontrar espaços para jogar.
O Benfica não pressionava. Nem alto, nem baixo. Simplesmente deixava jogar. E pôs-se a jeito daquilo que antes acontecia, e que pensávamos que faria parte do passado. À primeira oportunidade o Gil marcou, iam decorridos 35 minutos de jogo, sem que o Benfica tivesse sequer efectuado um remate. De resto, na primeira parte o Benfica, o Benfica fez apenas duas espécies de remates. De cabeça, ambos, e ambos sem qualquer sentido.
O Gil Vicente não foi apenas melhor que o Benfica. Foi muito melhor, e nem sequer precisou de caprichar muito, perante um adversário totalmente desinspirado e negligente.
À entrada para a segunda parte Jorge Jesus desfez o trio de centrais (!) , trocando Lucas Veríssimo por Everton, que voltou a não acrescentar nada. Esperar-se-ia que a equipa mudasse de atitude e de qualidade de jogo, e que asfixiasse o Gil, lá atrás. Só que a primeira oportunidade, logo ao terceiro minuto, voltou a pertencer à equipa de Barcelos, e ficou dado o mote. Aos sete minutos surgiu a primeira oportunidade do Benfica, perdida pelo de novo desastrado Seferovic. Mas, cinco minutos depois, consentia nova oportunidade ao adversário.
Depois foi carregar sobre o meio campo adversário, empurrá-lo finalmente lá para trás, mas uma incapacidade absoluta de ultrapassar a sua organização defensiva. Com o futebol do costume. sem dinâmica, sem remates de longe, sem linha de fundo, sem presença e pressão na área adversária, e com passes e recepções errados.
No meio disto, o Gil vai lá à frente e, desta vez à terceira oportunidade, marca o segundo golo. Numa jogada que transmite tudo o que foi a equipa do Benfica, com um único jogador gilista a fugir pela esquerda sem ninguém o acompanhar, a entrar na área com o próprio Otamendi a renunciar a acompanhá-lo até ao fim, e a marcar já e, cima da linha de fundo. Quer dizer, com um ângulo fácil de cobrir pelo Helton Leite. Que não fez uma única defesa, levou dois golos, e poderia ter levado mais.
Claro que, mesmo assim, o Benfica teve oportunidades que poderiam até ter bastado para ganhar um jogo que nunca mereceu ganhar. Se as conseguisse aproveitar. Não conseguiu, e até o golo de honra, a 4 minutos dos 90, teve de ser marcado por um defesa adversário na própria baliza, mesmo que numa tabela na sequência de mais uma boa defesa do seu guarda-redes.
 

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