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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A exigência dos bons hábitos

Não dá para cantar loas a esta exibição com que o Benfica cumpriu o último compromisso para o campeonato antes desta paragem para o Mundial ... do Catar. À parte aquela de Guimarães, no único jogo que até agora não saiu com a vitória, esta foi a exibição menos entusiasmante do Benfica neste campeonato. 

Não gostei. E, pelo que se viu na sua expressão ao longo do jogo, Roger Schemidt também não.

A Luz estava praticamente cheia - mais de 57 mil -  apesar da chuva. Entre eles estava o Sr Jaime Silva, que fez ontem 99 anos, e veio hoje à Luz ver o jogo, e receber o seu cartão de sócio número 1, herdado do Ti Emílio, que há pouco nos deixou. Mereciam mais, mereciam uma exibição na linha das últimas e, na mesma linha, uma vitória bem mais robusta.

O Gil Vicente chegava à Luz na condição de equipa intranquila e debilitada, mas também na da mais recente besta negra do Benfica. Aqui ganhara nos últimos dois anos. 

Os primeiros cinco minutos serviram para ver o Gil não trazia a primeira cara. A equipa surgiu tranquila e sem sinais de debilidade, bem espalhada pelo campo todo, a pressionar alto. Como este tem sido um comportamento habitual nos adversários do Benfica, não dava para perceber se aquilo era a besta negra a mostrar a cara.

Passados esses primeiros cinco minutos passou a parecer que o Gil não estava fraco e débil, mas que também não tinha cara para besta negra. O Benfica chegou ao golo, num penálti cometido sobre Rafa, assinalado pelo árbitro Manuel Oliveira - que substituíra o Paulo Costa á última da hora - e convertido por João Mário.

À segunda entrada na área, na segunda jogada bem construída, e no primeiro remate, o Benfica marcava. Os árbitros já marcam penáltis a favor do Benfica. Os quatro neste campeonato já são mais que todos os assinalados nos últimos três. Mas têm preço, os penáltis a favor do Benfica.

O deste foi pago logo oito minutos depois. A bola roçou a mão imóvel de Otamendi, vinda da cabeça de Fran Navarro, ali à queima, Manuel Oliveira assinalou penálti - o VAR permaneceu mudo e quedo - e o ponta de lança espanhol restabeleceu o empate.

Aqueles oito minutos, entre os dois penáltis, foi o único período do jogo em que o Benfica foi igual ao que tem sido, com aquele futebol de encantar, rápido,  pressionante e asfixiante. A partir daí, depois de pago o preço do penálti que parecia encaminhar as coisas para o seu rumo habitual, nunca mais o Benfica conseguiu dar continuidade ao seu habitual futebol.

Durante a primeira parte ainda conseguiu momentos desse futebol empolgante que é a sua imagem de marca. Mas nunca tiveram continuidade, eram como que solavancos aqui e ali. Um desses momentos rendeu o segundo golo, aos 36 minutos, com Gonçalo Ramos a empurrar a bola para a baliza depois do cruzamento de Neres ter ressaltado no guarda-redes do Gil.

Na segunda parte nem isso. Nem por momentos esse futebol assentou arraiais no encharcado relvado, mas sempre em bom estado, da Luz. De resto, a única semelhança entre a primeira e a segunda parte foram os piores períodos do Benfica, a entrada do Gil - mais ousado nos mesmos primeiros cinco minutos - e o oportunidade do terceiro golo. Precisamente aos mesmos oito minutos. De novo de Gonçalo Ramos, a isolar-se na lista dos marcadores.

É verdade que o Benfica criou oito oportunidades de golo, e que o Gil nem uma. Só fez até um remate na segunda parte, já nos descontos, e ao lado da baliza de Odysseas. Mas faltou-lhe quase tudo. Acerto nos passes, velocidade, intensidade. E até estratégia.

Na forma como decorreu, teria bastado ao Benfica ter-se aproximado do seu rendimento médio para tirar do jogo mais uma exibição empolgante, e um dos mais expressivos resultados do campeonato.

Com a equipa do Gil - que só naquele período entre os penáltis teve mesmo de se fechar lá atrás, a defender com todos - espraiada pelo campo, a deixar metros atrás da sua defesa, e a equilibrar a posse de bola, teria bastado ao Benfica tirar partido desse adiantamento para construir uma goleada das antigas. 

Para isso teria ligar o chip da velocidade, que parecia estar avariado. Ter maior acerto nos passes. E maior concentração para evitar as inúmeras vezes em que os jogadores se puseram em posições de fora de jogo, anulando jogadas com a intervenção da arbitragem, ou obrigando o portador da bola a jogar para trás, inviabilizando transições rápidas.

Faltou tudo isso. E por isso a exibição não agradou. Nem o resultado, um simples 3-1. Poderemos estar mal habituados, mas esses são os hábitos que não queremos perder. Estamos exigentes, e é asim que tem que ser. E acho que o Roger Schemidt também o acha!

Futebol para todos os gostos

Mais uma exibição categórica do Benfica, e mais uma goleada, no regresso ao nosso campeonato, depois da brilhante noite de Haifa.

Hoje, na Amoreira, frente ao Estoril, o Benfica fez uma nova demonstração que tem futebol para todos os gostos. É impossível não gostar deste futebol que a equipa apresenta, jogo após jogo!

Tem futebol para quem gosta dele jogado ao primeiro toque. Para quem gosta dele intenso e pressionante. Para quem gosta dele mais rendilhado. Para quem gosta dele imprevisível. Para quem gosta dele em ataque continuado. Para quem gosta mais dele em transição e vertigem. Para quem gosta dele carrossel. E até para quem só gosta de golos. Rigorosamente para todos os gostos!

Tem tudo isto, este futebol do Benfica, como hoje ficou mais uma vez demonstrado. Mas tem mais que isto. Tem uma imensa, como a chama, capacidade competitiva. E uma insaciável fome de golos.  

Tem todos os jogadores numa condição física incomum, e numa condição mental à prova de bala. Por isso, jogue quem jogar, tudo sai bem.

Só assim se compreende o resultado de Haifa. E só assim se compreende que, esta noite, a ganhar por três, nunca tenha abrandado. Que, a ganhar por quatro, ninguém tenha pensado em descansar. Que, a ganhar por cinco, tenha acabado a partida num ritmo competitivo como se o jogo, que tinha de ganhar, estivesse empatado.

A entrada no jogo foi a esperada. Com o Benfica a começar logo a tomar conta dos acontecimentos, e o Estoril a correr atrás da bola pelo campo todo, e a tentar fazer o campo curto. Aos 3 minutos já o Benfica perdia a sua primeira grande oportunidade de golo, no primeiro alarde do grande futebol que tinha para apresentar. A extraordinária abertura de João Mário, foi complementada por uma grande desmarcação de Musa, que rematou para a bola rasar o poste esquerdo da baliza adversária. A ameaça despertou o Estoril que, praticamente de imediato, na primeira vez que passou do seu meio campo, poderia ter marcado, não fosse a excelente defesa de Vlachodimos perante um adversário isolado. A dar golo, seria eventualmente anulado  - o lance deixou dúvidas de fora de jogo e ainda de domínio da bola com a mão. 

Mas animou os jogadores do Estoril, a ponto de os pôr a correr ainda mais, e a colocar ainda mais intensidade e poder físico na disputa dos lances. A maturidade e a solidez do futebol do Benfica tem resposta para tudo, e também a tem para a fase do jogo que isso implicava. E pegou no jogo de outra forma, acalmando-o e circulando a bola para esgotar esse tipo de reacção, e partir depois para novos e sucessivos assaltos à baliza dos canarinhos.

A meio da primeira parte já estava de novo tudo sob controlo. E começaram a surgir os golos. Primeiro de Musa, hoje titular por impedimento físico de Gonçalo Ramos, respondendo com um perfeito golpe de cabeça a um grande cruzamento de Grimaldo. O que pouco antes não tinha feito Chiquinho, pela primeira vez titular, em vez do lesionado Aursenes, desperdiçando a segunda oportunidade do encontro.

Logo depois, cinco minutos apenas, surgiu o golo de estreia no campeonato do menino António, na sequência de um canto e ... de calcanhares. Assistência de calcanhar de Chiquinho (sim, até ele está a revelar dotes desconhecidos na utilização do calcanhar), e finalização no calcanhar do menino. Tomou-lhe o gosto e, de novo no seguimento de um canto, 10 minutos depois marcou o seu segundo golo. O terceiro com que o resultado foi para o intervalo. Pelo meio, Musa cortou uma bola para a trave da baliza de Vlachodimos, e evitou o golo ... e o canto. Dois em um. Na resposta, contra-ataque exemplar do Benfica, com Enzo a acertar no corpo do guarda-redes Pedro Silva.

Três a zero não é razão para descansar. É apenas razão para continuar a procurar mais golos. E foi essa a história da segunda parte, feita de sucessivas oportunidades de golo. E de golos.

No primeiro quarto de hora foram três as vezes em que o golo esteve iminente. A última no remate ao poste de Musa, pouco ante de substituído por Henrique Araújo, na tripla substituição que incluiu ainda Chiquinho por Diogo Gonçalves, e Rafa por David Neres. Que, acabado de entrar, lançou João Mário - que acabara de, isolado, fazer passar a bola ligeiramente por cima da barra -  para a cara do golo. E foi o quarto.

Logo a seguir Pedro Silva negou o golo a Henrique Araújo. E depois foi o VAR a negar-lhe o mais espectacular dos golos do jogo, chamando o árbitro Nuno Almeida a ver um fora de jogo de Florentino. Que não tocou na bola, mas ameaçou tocar-lhe. Mesmo que bem assinalado, não deixa de ser quase criminoso anular um golo daqueles. De uma execução (a imagem diz tudo) soberba!

Não contou esse extraordinário golo, mas contou outro. Três minutos depois de substituir Grimaldo, Ristic fez então o quinto, aos 89 minutos, num espectacular remate. Uma bomba, do meio da rua!

O resultado parecia estar encontrado - uma goleada de 5-0, que poderia ter sido de oito ou nove. Só que, já na compensação, uma escorregadela de Enzo acabou por deixar Serginho isolado frente ao surpreendido Vlachodimos, que não conseguiu evitar o golo. O primeiro que o Benfica sofreu fora de casa neste campeonato. Alguma vez teria de ser!

Acabou por ser quando menos se esperava. Mas também quando menos prejuízos causou! 

 

Magia na relva

O Benfica continua a espalhar magia pela relva, sem intermitências. Hoje, de novo na Luz, de novo em festa, praticamente cheia, perante o Chaves, voltou a exibir o seu futebol entusiasmante, de primeiríssima água.

Havia alguns receios, as feridas antigas estarão saradas, mas as más memórias não são fáceis de apagar. O Chaves tinha ganhado em Alvalade. E em Braga. O jogo da passada terça-feira tinha tudo para ter deixado a equipa altamente confiante, e segura do seu valor. Mas também tinha sido muito exigente, física e mentalmente. Os jogadores tanto poderiam entrar em deslumbramento, como desgastados, como em relaxe. E depois havia a questão do chip - a mudança do modo "Champions" para o de campeonato nacional. Contra um adversário tranquilo, bem trabalhado, como se tem visto, e moralizado pela história já feita neste campeonato, deslumbramento, relaxe, cansaço e chip são coisas complicadas.

Só que este Benfica parece imune a essas coisas todas. Não há deslumbramento, não há relaxe, não há cansaço e só tem um chip, o do futebol de alto quilate. E nem deu tempo ao Chaves para sequer pensar que poderia na Luz repetir Alvalade, ou a Pedreira. Quando, com apenas dois minutos, Neres fez magia naquele golo espectacular, já o Benfica tinha conquistado dois cantos, e já o menino António Silva tinha tentado imitar o calcanhar do Rafa, da passada terça-feira. 

E nunca mais parou. Os jogadores nunca se cansam quando se divertem a jogar à bola. Estes jogadores a que Roger Schemidt devolveu o prazer de jogar à bola divertem-nos divertindo-se!

Bastaram pouco mais de cinco minutos para Grimaldo voltar a vestir a magia de golo. O jogo não ficava resolvido nos primeiros dez minutos porque já se sabe - o 2-0 é um resultado perigoso, diz-se. Dificilmente o será quando não se levanta o pé, quando o caudal de futebol enleante não seca. 

E o Benfica não levantou o pé, nem baixou a quantidade nem a qualidade do seu futebol. E Rafa, primeiro, e Gonçalo Ramos, depois, poderiam ter dobrado o resultado em pouco tempo.

A equipa nunca relaxou, mas abrandou então um pouco. Em ritmo e em concentração, mas foi em apenas dois ou três minutos, pouco depois da meia hora. Resultou em dois passes falhados, um dos quais só não deu em golo porque Vlachodimos também faz parte da equipa. E está também em grande forma!

Serviu de lição, e rapidamente chegou ao terceiro golo. De Gonçalo Ramos, assistido pelo fantástico Aursenes, mais um caso sério nesta equipa, acabando de vez com os perigos do 2-0, e abrindo as portas para uma segunda parte tranquila, como se pedia neste contexto competitivo, com a importante deslocação a Israel, donde poderá ainda trazer o primeiro lugar do grupo de apuramento na Champions.

E foi isso, a segunda parte. Tranquila. Mas nem por isso menos bem jogada, nem por isso sem a magia, que regressou logo no início. Primeiro numa grande jogada de Rafa, que assistiu João Mário para o golo que um defesa adversário evitou, desviando a bola para canto. Pouco depois, naquele mágico golo do fantástico Enzo. Não contou, foi depois anulado por fora de jogo (18 cm) de Aursenes, no início da jogada.

E regressaria mais vezes. No lance em que João Mário foi derrubado à entrada da área, mas ainda a tempo de deixar a bola em Rafa, isolado à frente do guarda-redes, pronto para o golo. Com o árbitro, Luís Godinho, a preferir assinalar a falta, beneficiando escandalosamente o infractor.

Mas é isto. A jogar desta forma, o Benfica não dá hipóteses aos adversários, nem aos árbitros habilidosos, como Luís Godinho. Não se limitou a impedir esse golo, teve ainda que, de uma só vez, amarelar Aursenes - por uma falta que nem falta pareceu - e Otamendi, por simplesmente usar o seu estatuto de capitão para chamar a atenção justamente para isso.

E regressaria no quarto golo, de Musa, assistido por Enzo, a concluir mais uma brilhante jogada tricotada já dentro da área flaviense. E no grande remate do Gilberto, à trave. Que deu a Rafa, na recarga, o quinto golo, igualando os números do melhor resultado da época, com o Marítimo, há semanas. Ainda assim longe do que, com melhor coeficiente de aproveitamento das oportunidades criadas, seria um resultado de mais condizente com a qualidade de mais esta excelente exibição de futebol!

   

O Benfica ganhou. E ganhou bem!

O Benfica voltou a ganhar no Dragão e, sendo muito cedo - esta é apenas a décima jornada -, deu um passo importante rumo ao há tanto adiado 38.

Os primeiros instantes do jogo deram a indicação de um Benfica descomplexado, e pronto a discuti-lo sem medos nem receios. Passados esses primeiros minutos começou a surgir a esperada pressão alta do Porto, e como ela os primeiros passes falhados do meio campo benfiquista. Os primeiros dos muitos, de mais mesmo, que marcaram hoje o seu futebol. E o Porto conheceu então o único período de superioridade no jogo.

Foram cerca de 10 minutos, os últimos do primeiro quarto de hora, que se esgotaria com a única ocasião de golo, negado por Vlachodimos, numa defesa extraordinária. 

A partir daí o Benfica passou a equilibrar o jogo e, depois da expulsão de Eustáquio, aos 27 minutos, a superiorizar-se em todos capítulos do jogo. E mereceria ter saído para o intervalo na frente do marcador, depois de duas ou três boas oportunidades de golo criadas, em especial aqueles dois remates aos ferros - Aursnes ao poste, e Rafa à barra.

Em vez disso, de sair a ganhar, saiu para o intervalo com uma carrada de amarelos para resolver. Até porque se sabia que, depois dos dois amarelos, em três minutos - quando o segundo deveria ter sido vermelho directo -, que ditaram a expulsão do jogador do Porto, naquele contexto, o segundo amarelo para cada um dos amarelados - João Mário, Bah, Enzo e Aursnes - seria uma questão de (pouco) tempo. Até porque o Porto já tinha em grande actividade todos os especialistas na pressão sobre o árbitro e nas simulações de faltas. 

Avisado, Roger Schemidt deixou logo três deles no balneário. Apenas Aursnes continuou, e concluiu todo o jogo. E bem, com uma grande exibição. 

A expulsão do Eustáquio, deixando o Porto reduzido a 10, condicionou o jogo. Mas os amarelos aos jogadores do Benfica não o condicionaram menos. Ao ficar órfão do futebol de João Mário e Enzo, o Benfica perdeu a orientação do seu futebol. E, na prática, ficou também a jogar com 10. Se Gilberto - que não esteve bem - ainda assim cumpriu, Draxler não existiu em campo. Saiu, lesionado, ao fim de 18 minutos, em que praticamente não tocou na bola. Dos três, apenas Neres, mesmo também amarelado desde cedo, teve verdadeira influência no jogo. Pelo que jogou, mas também porque, não fosse a superioridade numérica, não teria muito provavelmente entrado tão cedo.

Sérgio Conceição não fez alterações ao intervalo, e o Porto veio para defender. Com a equipa subida, mas a defender. E quando isso não fosse possível, então sim, lá atrás. E o jogo começou a correr-lhe de feição, até porque na sala de máquinas do Benfica não estavam nem Enzo, nem João Mário. As poucas ocasiões em que poderia marcar iam sendo desperdiçadas, e os jogadores começavam a acusar claro nervosismo. Viu-se em muitos deles, mas viu-se mais claramente no António - com o miúdo a acusar a perseguição que lhe foi movida nos últimos dias - e em Gilberto, que transformou um passe ao guarda-redes num remate que obrigou Vlachodimos a uma defesa complicada. 

Percebia-se que se entrara numa fase do jogo em que o Porto começava a acreditar que até poderia ganhar o jogo. Percebeu-se logo a seguir que acabaria traído pela ambição. Ao adiantar-se no terreno deixava o espaço que o Benfica não tinha ainda encontrado quando só defendia. Lá atrás, ou mais à frente.

Espaço que é oxigénio do futebol de Neres e Rafa. Combinaram pela esquerda, lá surgiu finalmente o golo. Que o árbitro João Pinheiro anulou de imediato, mesmo que fosse por demais evidente que David Neres estava em jogo quando recebeu a bola, antes de a devolver para que o Rafa a rematasse para dentro da baliza. Valeu o VAR!

Nem com o golo a equipa tranquilizou. Pelas mesmas razões anteriores, mas porque, logo a seguir, Musa - que entrara por troca com Draxler -  não matou o jogo, rematando por cima da barra uma bola que, a dois metros da baliza, só tinha que empurrar lá para dentro. 

Sucederam-se faltas e livres nas proximidades da área do Benfica. E truques, dos habituais no Dragão. E mais amarelos... mas nunca para o Octávio. Que teria de ter sido expulso, não fosse isso uma impossibilidade.

Houve sofrimento até ao fim. Mas a bola só esteve realmente perto de entrar na baliza do Diogo Costa. Que teve ainda tempo de fazer uma defesa tão grande que até tirou a bola de dentro da sua baliza. Há VAR, mas não há tecnologia da linha de golo. Vá lá perceber-se por quê.

Claro que nestes jogos, mais que em quaisquer outros, o mais importante é ganhar. Logo a seguir, é ganhar bem. O Benfica ganhou, e ganhou bem. Não jogou bem, mas isso nunca é possível nestes jogos no Dragão. É tão impossível como o jogo acabar com imagens de fair play. Ou como Sérgio Conceição aceitar uma derrota!

Espectáculo, lágrimas e goleada falhada

Benfica-Rio Ave, 4-2 (destaques) | MAISFUTEBOL

Como era esperado, em razão da grande sobrecarga competitiva desta altura, o Benfica surgiu hoje na Luz, para o jogo com o Rio Ave desta nona jornada do campeonato, com um onze bastante diferente do habitual. Roger Schemidt mudou meia equipa, mas nem parecia.

Há a ideia que o plantel é desequilibrado, e que tem sido isso a obrigar Schemidt a utilizar sempre o mesmo onze. Pode ser, mas pelo que hoje se viu, desde que mantenha Enzo Fernandez, o treinador pode rodar toda a equipa.

Pelo que se viu com uma primeira parte de luxo, e uma segunda, já sem o argentino, apenas razoável. Outras razões haverá certamente para o desnível da primeira para a segunda parte, até porque também Gonçalo Ramos saiu ao intervalo, mas é por demais evidente que Enzo Fernandez é absolutamente decisivo nesta equipa.

A primeira parte foi um hino ao futebol, apenas traído pelo resultado. Aos cinco minutos, tinha o Benfica desperdiçado a segunda oportunidade para marcar, na primeira vez - e única na primeira parte - que o Rio Ave chegou à baliza, marcou. É já um clássico - no primeiro remate que consente, o adversário marca.

A qualidade do jogo do Benfica era tal que isso não mexeu nem com os jogadores, nem com as bancadas da Luz, cheias, com perto de 60 mil adeptos, mais uma vez. As ocasiões de golo continuaram a suceder-se, e o empate demorou apenas 7 minutos, com Gonçalo Ramos a concluir uma triangulação perfeita desenhada por Enzo e João Mário. 

O Rio Ave estava asfixiado, em agonia. Mas a bola não entrava, e pareceu que até o guarda-redes terá achado que o melhor seria ele próprio resolver aquilo. Talvez assim os jogadores do Benfica acalmassem. Ou então achava aquilo tão injusto que o melhor seria meter mãos (no caso, os pés) à obra, e fazer o segundo golo, da reviravolta. Tinham passado 6 minutos sobre o golo do empate, e o Benfica já tinha desperdiçado mais três oportunidades.

Numa coisa teve Jonathan razão: com o golo os jogadores do Benfica tiraram o pé do acelerador, e deram-lhe alguma paz. E algum descanso. Mas por pouco tempo. Quinze minutos depois já estava de novo tudo na mesma, mas então também já ele tinha recuperado. E passou também a brilhar. Entre os 34 e os 39 minutos, em apenas cinco minutos, evitou cinco golos. E o terceiro golo - uma assistência fabulosa de Enzo, a picar a bola por cima da defesa, com recepção e remate primorosos de Gonçalo Ramos - chegaria apenas mesmo em cima do intervalo. Depois de 18 remates e uma dezena de oportunidades de golo!

Ao intervalo, aquele 3-1 era um dos resultados mais mentirosos de sempre na Luz. A exibição, essa, era uma das melhores!

A segunda parte começou com Florentino em vez de Enzo, e Musa na de Gonçalo. E com a equipa adormecida, como se tivesse prolongado o intervalo por todo o primeiro quarto de hora. Logo que "regressou", no fim desses primeiros 15 minutos, chegou o quarto golo. O primeiro de Musa, finalmente.

A qualidade da primeira parte é que nunca mais voltou, e pouco mais há para salientar que as duas ovações da noite: para João Mário - o melhor em campo pelo que acrescentou na segunda parte ao brilhantismo da primeira, a par de Enzo - e, acima dessa, logo a seguir, ao minuto 65, para Samaris. Provavelmente o mais benfiquista dos antigos jogadores do Benfica, retribuiu com lágrimas. Momento bonito na Luz!

Para além desses momentos, só a primeira defesa de Vlachodimos, aos 81 minutos. E, aos 86, logo a seguir ao menino António Silva ter ficado mais uma vez à beira do seu primeiro golo - quem não marca sofre - o belo golo de Guga - mais um miúdo do Seixal - a fixar o resultado final num inacreditável 4-2. Num jogo que acabou com o golo anulado (fora de jogo de Draxler) a Rodrigo Pinho, e com o recorde de 29 remates. E para aí com dezena e meia de oportunidades de golo para o Benfica.

De negativo fica a goleada falhada. De positivo ficam os desempenhos de boa parte dos jogadores que hoje tiveram oportunidade de se mostrar, especialmente de Ristic, uma agradável surpresa. Mas também Diogo Gonçalves, apenas prejudicado pela ânsia do primeiro golo na Luz, já que Gilberto continua a confirmar que tem tudo para ser titular. De Draxler é que terá sempre de se esperar mais.

Alguma vez teria de ser. Desta forma é que não!

Alguma vez o Benfica haveria de não ganhar. Não se admitiria que fosse hoje, em Guimarães, que interrompesse a longa série vitoriosa desta época, mas algum dia teria de ser. 

As visitas a Guimarães são sempre anunciadas de grandes dificuldades. A comunicação desportiva faz sempre questão disso. Mas a verdade é que, nos últimos anos, esse anúncio tem acabado por se revelar francamente exagerado, e o Benfica tem até encontrado mais dificuldades em casa, contra esta equipa, que propriamente em Guimarães. A História recente destes jogos em Guimarães, mesmo sem resultados muito desnivelados, regista exibições categóricas do Benfica que sempre transformaram em fácil o apregoado jogo difícil, por mais difíceis que fossem, como são sempre, as condições encontradas. 

Talvez por isso não se esperasse que fosse hoje que seria interrompida a sequência de vitórias, e já se fizessem contas aos cinco pontos de vantagem sobre o Braga e o Porto, e aos onze sobre o Sporting. E talvez, agora por isto, hoje seja dia de azia.

Mas o que verdadeiramente tem de provocar azia é a exibição de hoje. O Benfica não só chegou atrasado ao jogo - nos primeiros vinte minutos não compareceu - como chegou sem o seu futebol, que nunca apresentou sobre o relvado de Guimarães.

A equipa do Vitória entrou com tudo, com energia e motivação para dar e vender. O Benfica pareceu surpreendido com aquela entrada, e tardou a entrar o jogo. E depois de entrar no jogo, a partir do meio da primeira parte, faltou-lhe o seu futebol. Roger Schemidt tinha admitido recear alguma dificuldade em pôr o motor em marcha, e confirmou-se. O motor nunca funcionou!

A partir dos 20 minutos da primeira parte o Benfica começou a ter mais bola, mas só isso. Nunca encontrou solução para criar sequer condições para criar oportunidades para ganhar o jogo. O Vitória tinha a lição bem estudada, é certo. Sempre muito compacta, fosse em bloco baixo, fosse mais adiantada no terreno, nunca deixou espaços entre linhas, espaços que são o oxigénio de Rafa, Neres, Gonçalo Ramos ou João Mário. E a equipa nunca respirou ... futebol.

Há jogos que se resolvem com substituições, trocando jogadores menos inspirados, ou mais cansados, por outros que eventualmente possam trazer inspiração ou frescura física. Hoje percebeu-se muito cedo que a desinspiração era grande, mas também que a equipa não estava preparada para as dificuldades que estava a encontrar. Os de Guimarães não concediam espaços e ainda ganhavam todas as segundas bolas, fosse lá atrás, a defender, ou lá à frente, a atacar. E isso não se resolvia apenas trocando jogadores. Era preciso mais, e percebeu-se que esse mais não estava preparado.

E por isso as substituições não resultaram. E por isso falhou tão clamorosamente aquela substituição para tentar imitar o que Rúben Amorim fazia com Coates, com a entrada do central Brooks para a frente de ataque. No desespero, poderia até fazer sentido. Só que os quase 10 minutos que o gigante norte-americano esteve em campo foram passados com ele de costas para a baliza adversária, a 30 metros de distância. E a fazer faltas em cada disputa da bola nas alturas, chutada por ... Vlachodimos.

Para que esta substituição fizesse algum sentido ele teria de estar em permanência na área, e as bolas a serem cruzadas das laterais. E isso nunca aconteceu, a não ser no último lance do jogo, na única oportunidade que o Benfica teve para poder marcar um golo, esvaída no remate para as nuvens de Draxler.

Pode ganhar-se um jogo sem jogar bem. Mas isso é tão improvável como acertar na chave do euro-milhões. A jogar assim, o Benfica nunca poderia ganhar este jogo. Como nunca ganhará qualquer outro!

Como comecei, "alguma vez o Benfica haveria de não ganhar". Não poderia era ser assim. E isso é que é preocupante, não são os dois pontos perdidos. Ou o ponto ganho, como Schemidt, clarividente, referiu.

Que essa clarividência lhe sirva para evitar que uma exibição destas se repita!

De gala

No regresso à Luz, depois da noite de gala de Turim, o Benfica prosseguiu a sua caminhada totalmente vitoriosa, e a rota das grandes exibições, com um futebol de alto quilate, assombroso e de grande espectáculo.

Neste final de tarde de fim de Verão assistiu-se, na Luz, a mais uma exibição de gala do Benfica. Hoje sim, contra um adversário fraco. O Marítimo tem sido nestas primeiras sete jornadas a equipa mais fraca do campeonato. Hoje sim, podem desvalorizar a vitória do Benfica!

Mas não o farão, porque isso seria desvalorizar a do Braga, pelo mesmo resultado, contra este mesmo adversário. E a do Porto, com o mesmo número 5 de golos marcados, mas com um sofrido. Mas também não o podem fazer pela dimensão da qualidade da exibição benfiquista. E porque os 5-0 desta vitória, só são cinco porque o guarda-redes do Marítimo fez sete defesas que impediram outros tantos golos. E António Silva (mais uma enorme exibição, a respirar classe), naquele remate fantástico ao poste, Otamendi, João Mário, Gonçalo Ramos e Rafa, não conseguiram acertar na baliza em situações de golo cantado.

Foram 5, mas podiam bem ter sido 15!

O Marítimo entrou na Luz como entram - e têm entrado - todos os adversário: com dois autocarros à frente da baliza do Miguel Silva, duas linhas de cinco jogadores. Não era fácil furar aquelas duas barreiras, e durante a primeira metade do primeiro tempo o Benfica não preencheu todos os requisitos para fazer mexer o autocarro. Faltou mais velocidade, faltou rematar de longe e faltou chegada à linha de fundo. 

Não faltaram mudanças de flanco, sempre dos pés de Enzo, e não faltou paciência. Foi esse o maior mérito da equipa do Benfica: paciência para circular a bola sem precipitações, sem falhar passes e sem deixar o adversário tomar fôlego e ganhar confiança. Pelo contrário, à medida que os minutos passavam, os jogadores do Marítimo iam perdendo oxigénio e confiança.

A velocidade que faltava ao jogo do Benfica começou a aparecer na segunda metade da primeira parte. A partir daí as oportunidades de golo começaram a desenhar-se em catadupa. Só deu num golo, de Rafa, já perto da meia hora, mas foram criadas condições e oportunidades para mais três ou quatro.

Logo no início da segunda parte chegou o segundo, e primeiro de Gonçalo Ramos. E depois foi continuar com a exibição bem lá em cima, numa avalanche e oportunidades, mas sem golos. Ou negados pelo guarda-redes maritimista, ou pelos deuses!

Acabaram por chegar atrasados, talvez por terem precisado de tempo para se aproximarem da perfeição. Só isso pode explicar o crescendo de qualidade dos últimos três golos. O terceiro, e segundo de Gonçalo Ramos, num espectacular toque de calcanhar, demorou quase 20 minutos. O quarto, de Neres, mais outro tanto. E por fim, então já perfeito, seis minutos depois, o golo de Draxler. Já bastava ser o primeiro do alemão com o manto sagrado, mas tinha ainda de ser o mais espectacular. Que bonito que foi!

 

Chip, em vez de cântaro!

Na visita a Famalicão, na sexta jornada, o Benfica prosseguiu a marcha vitoriosa deste início de época, com a terceira vitória consecutiva pela margem mínima. A quarta, em seis jornadas. 

Ao contrário do que possa parecer, isto pode até ser bom pronúncio. Não gosto - confesso que gosto mais de goleadas - mas não é raro que coisas assim acabem bem. Tenho aqui falado, a propósito desses últimos jogos, na "estória" da asa do cântaro, que alguma vez lá fica. Hoje não entra na história do jogo.

Que tem no resultado a mesma diferença mínima, mas só isso de paralelo com a história desses jogos. Tudo o resto foi diferente. Mesmo o escasso 1-0,  é diferente do 3-2 e do 2-1 desses jogos. É - lá está - mais parecido com 0 1-0 de Leiria, sobre o Casa Pia. Mesmo jogando bem melhor.

Outra diferença neste jogo em relação aos anteriores está na arbitragem, que desta vez não foi entregue aos habilidosos do costume. Nuno Almeida também erra - e hoje voltou a errar em matéria disciplinar (apenas puxou do amarelo por duas vezes, e já depois dos 90 minutos, na compensação, e pelo vermelho, já com o jogo terminado, muito depois de o ter perdoado a jogadores do Famalicão), e deixou por assinalar um claro penálti sobre Draxler, aos 36 minutos - mas não é provocador. Não deixa a ideia de errar propositadamente, como sistematicamente fazem Tiago Martins, Soares Dias e Fábio Veríssimo, todos encomendados de enfiada logo nas cinco jornadas iniciais.

Posto isto, e sem que  tenha realizado uma exibição de encher o olho, nem isso por esta altura seria expectável, nem repetido as goleadas das últimas épocas em Famalicão (lá está, como elas correram mal ...), o Benfica mandou sempre no jogo. E nem o acerto defensivo do adversário, nem aquela pressão alta inicial, mais ou menos comum a todos os opositores nestes jogos, nem a inspiração do guarda-redes, deixavam no ar a ideia de um jogo muito problemático.

Com três alterações na equipa - as duas forçadas pelas expulsões de Fábio Veríssimo no último jogo, com a estreia de Draxler, no lugar de João Mário, e Musa, no de Gonçalo Ramos, e a já rotineira rotação entre Bah e Gilberto - a primeira parte não foi muito rica. Nem em futebol, nem em oportunidades de golo.

O Famalicão apostou muito em tapar o jogos de flancos do Benfica, juntando os alas aos defesas laterais. Com Draxler, na esquerda, pouco em jogo e bastante apagado, foi pelo corredor direito que o Benfica criou mais desequilíbrios. Sempre que os conseguiu, no entanto, o eixo central da defesa e o guarda-redes do Famalicão resolviam o problema. Neres teve a primeira oportunidade, mas o guarda-redes Luiz Júnior defendeu bem. Depois foi Grimaldo, com o mesmo resultado. E finalmente, a melhor jogada da primeira parte, em que foi cometido o tal penálti que Nuno Almeida não terá visto (ou terá tido medo de assinalar?), mas que o VAR não pôde deixar de ver, acabou por ser concluída com o remate de Enzo para um golo cantado, que Luiz Júnior desviou miraculosamente com a ponta do pé.

Uma defesa que - quem diria? - ficaria a rivalizar com a de Vlachodimos, a 5 segundos do intervalo, no único remate do Famalicão. Mas sabe-se como tantas vezes o primeiro remate do adversário dá em golo. Ora aí está outra das diferenças deste jogo para os últimos.

Ao intervalo Roger Schemidt substituiu Draxler por ... Diogo Gonçalves. É triste, mas é verdade. E resultou. O Benfica passou a ter duas asas e, então sim, entrou com tudo. Voltou a valer Luiz Júnior, a negar o golo a Neres e a Musa, mas cheirava a golo. E Schemidt preparava mais três substituições. Estavam já Rodrigo Pinho - a outra estreia na equipa - Chiquinho(!) e Bah junto à lateral quando Rafa, assistido por Grimaldo e a concluir mais uma boa jogada daquela enxurrada que estava a ser o início da segunda parte, desviou finalmente a bola para dentro da baliza.

Cumpria-se, mesmo à entrada do segundo quarto de hora, o que estava escrito nas estrelas do jogo. As substituições fizeram-se à mesma. E bem!

Não tanto pelo que trouxeram ao jogo - na realidade não tiveram o impacto da primeira, ao intervalo - mas pelo que isso diz da convicção do treinador. O golo, alterando tudo, não alterava nada!

Muda apenas o chip. De modo avalanche para, de novo, modo controlo. E foi nesse regresso ao modo controlo, em absoluta segurança, que o jogo se passou a desenrolar. Até ao fim. Sem cântaro à vista, mesmo com um resultado curto. Curto na expressão, e curto para tanta superioridade! 

Pobrezinho, mas honesto. E sem as "ofertas" que engordaram resultados em Alvalade e no Dragão...

 

Gostoso, mas atenção à asa do cântaro

Ganhar no último segundo do jogo, com um penálti assinalado por Fábio Veríssimo é, evidentemente, dos desfechos mais gostosos que poderá haver numa partida do Benfica.

Fica-se por aqui, mesmo não sendo pouco, o que de prazenteiro se leva deste jogo com o Vizela, na Luz, a contar para a quinta jornada do campeonato. A consequente manutenção da liderança isolada, e o grande golo de Neres, que deu então o empate a cerca de um quarto de hora do final da partida, é o que de realmente bom fica do jogo. 

O Vizela apresentou-se na Luz como se apresentara o Paços há três dias, e como já se percebeu que se apresentarão praticamente todos os adversários que se seguirem. Não é novidade: início do jogo com pressão pelo campo todo e, logo a seguir, recuar toda a gente em modo de dois autocarros à frente da baliza. Depois é esperar por um contra-ataque para apanhar a defesa benfiquista de calças na mão, que aconteça o golo no primeiro remate e começar a  queimar tempo, de toda a maneira e feitio. Para gastar tempo e para quebrar o ritmo de jogo. Se os jogadores do Benfica desatarem a desperdiçar as poucas oportunidades que consigam criar, fica a receita completa.

Não é sequer nova, mas o Benfica tem grandes dificuldades em impedir que funcione. E já é caso para dizer que "tantas vezes o cântaro vai à fonte que um dia lá deixa a asa".

Não há nada por inventar. O antídoto é velocidade e intensidade, complementadas com chegadas permanentes à linha de fundo e mudanças rápidas de flanco. Sem esses ingredientes, já só sobra esperar por momentos de inspiração de um ou outro jogador, como sucedeu com o golo de David Neres. O único que o jogo teve!

Com a inspiração individual divorciada, como anda, dos jogadores, o Benfica está a ir vezes de mais com "o cântaro à fonte".

Para além da "receita" universal dos adversários há ainda a velha receita da arbitragem. Depois de Soares Dias, veio na "encomenda" Fábio Veríssimo. Mais um "especialista" na gestão do jogo à maneira, que nem o penálti no último segundo limpa. Não o ter assinalado seria apenas mais um escândalo, como fora, minutos antes, não só não ter assinalado o penálti sobre Gonçalo Ramos como, ainda, o ter expulsado com o segundo amarelo, por simulação.

O Benfica sai deste jogo com duas expulsões, e portanto com dois jogadores impedidos para a próxima jornada. A de Gonçalo Ramos é um roubo de catedral de Fábio Veríssimo. A de João Mário - por muito que, evidentemente, se perceba a "loucura" que é marcar o golo da vitória num jogo destes, e desta forma - não tem nada que se lhe diga. A culpa, mesmo que se perceba a justificada "loucura", é só do jogador, que tem de saber que a lei, mesmo que seja a mais estúpida das leis, é lei. Levar com um amarelo por tirar a camisola depois de marcar um golo, acaba por se perdoar. Quando é o segundo, e implica a expulsão, mesmo este golo, fica mais difícil.

De resto os jogadores do Vizela viam amarelos por faltas duras e/ou para impedir jogadas de perigo para a sua baliza. E o treinador substituía-os para evitar o segundo. Os do Benfica, por simplesmente reclamarem. Até por levantar o braço a reclamar um canto, o Enzo viu o amarelo. E o João Mário por reclamar de uma falta sofrida, e não assinalada. 

Contra estas "encomendas" o Benfica pouco poderá fazer. Já contra a receita dos adversários em campo, tem mesmo muito mais a fazer.

Os jogadores não podem adormecer, e não podem, com dez adversários metidos dentro da área, insistir em jogar pelo meio. Não podem, nos poucos momentos em que o adversário sobe no terreno, deixa espaço nas costas, e lhe permite superioridade numérica a atacar, deixar de a aproveitar com decisões erradas. 

Porque nem tudo pode ficar para resolver com a inspiração dos jogadores. É que é difícil que ela apareça quando as coisas não estão a correr bem. E mais ainda se o talento não for assim tanto como às vezes julgamos. 

A festa imensa, como a chama, no fim de um jogo ganho no último segundo, quando já nada o fazia admitir, mas ainda assim de forma merecida, não esconde estas dificuldades. Se não forem rapidamente superadas o "cântaro perde a asa" mais depressa ainda.

Ah... e o menino António Silva se não é, aos 18 anos, o melhor central do Benfica é, pelo menos, o melhor central disponível. E isso é outra das poucas boas notícias deste jogo!  

 

 

 

 

 

Excessos

O Benfica é líder isolado do campeonato, depois de ter vencido o Paços de Ferreira, esta noite, na Luz, no jogo que pertencia à terceira jornada, que havia sido adiado por cair no meio dos dois jogos do play off de apuramento para a Champions.

O jogo desta noite tinha a particularidade de confrontar a equipa que ainda não tinha sofrido golos com a que ainda não tinha marcado. À partida, dentro das lógicas destas coisas da bola, seria de prever que ambas se mantivessem nessa mesma condição.

Mas num jogo de futebol nem sempre funciona a lógica, e esse é talvez o seu maior aliciante. E a equipa que ainda não tinha marcado, marcou dois golos ... em três remates ...

Tinha ainda a particularidade de ser arbitrado por Soares Dias que, sabe-se e está por demais demonstrado, tem o condão irritar, perturbar e prejudicar o Benfica. Há dois ou três dias, num comentário das redes sociais, um amigo tinha referido sobre este jogo que o adversário seria Soares Dias. Na altura respondi que o adversário iria entrar com tudo.

Assim foi. Mais que o Paços, Soares Dias entrou com tudo. E acabou por acontecer o que frequentemente sucede com as equipas que entram com sofreguidão - acabam por se esgotar. 

Entrou com tudo, irritou as bancadas da Luz e e atingiu os jogadores, no relvado. No final da primeira parte já estava esgotado. E por isso assinalou o penálti que consumou a viragem do resultado ainda antes do intervalo, que nos minutos anteriores, antes de esgotar todos os créditos, certamente não assinalaria. Não estou a dizer que não foi penálti, estou a dizer que o Soares Dias nunca o assinalaria. E não tinha medo de ninguém!

Também o Paços de Ferreira, de César Peixoto, entrou com tudo. E pertenceu-lhe mesmo a primeira jogada de perigo, desfeita por Grimaldo, já muito perto da linha de golo. Mas também cedo se esgotou, muito mais cedo que o outro adversário. A partir daí defendeu com tudo. E com todos, com dois autocarros de cinco à frente da baliza.

O Benfica ia instalando o seu futebol habitual, mas o ritmo não era o mesmo, e não havia forma de criar reais oportunidades de golo. A bola acabava invariavelmente numa perna, num pé, nas costas ou na barriga de um dos 10 jogadores pacences plantados à frente da baliza. Isso, o tempo a passar e o inevitável Soares Dias, iam dando cabo da cabeça dos benfiquistas. Jogadores e público.

Na única vez em que a bola entrou na baliza, numa espectacular jogada trabalhada a partir de um canto, não contou. Rafa estava em fora de jogo.

Um mal nunca só e, a cinco minutos do intervalo, na sequência de um canto numa das já raras saídas em contra-ataque do Paços, a bola sobra para o velho pé esquerdo o velho Antunes que, a meio do meio campo, dispara uma bomba que acabou levar a bola a bater na cabeça de Koffy, o único jogador pacense que até nem estava para lá da defesa, desviando-a para dentro da baliza. Estava feito o primeiro golo do jogo, o primeiro marcado pelo Paços e o primeiro sofrido pelo Benfica.

A tempestade perfeita!

Valeu que a equipa não afundou, e empatou menos de dois minutos depois. Obra de Neres e do guarda-redes adversário, que não foi lá muito feliz. 

Seguiram-se minutos de avalanche sobre a baliza do Paços, e uma larga série de grandes oportunidades para dar a volta ao marcador. Até surgir o penálti, quando o Soares Dias já tinha esgotado a sua entrada de rompante, já à entrada do último minuto da compensação da primeira parte, cobrado na perfeição por João Mário.

Foi um alívio. O Benfica já tinha entrado em modo rolo compressor!

Manteve-o a seguir ao intervalo, e o resultado eram oportunidades de golo, umas atrás das outras. Invariavelmente desperdiçadas. Sucediam-se jogadas de grande nível. As melhores tinham o condão de acabar em golos anulados por fora de jogo. Salvou-se a que deu o terceiro golo, de Gonçalo Ramos, ainda bem cedo, 10 minutos depois do intervalo.

A partir daí o Benfica relaxou. Mais que relaxar, mais ainda que "as favas contadas" passou para excessos. Excessos de falhas na concretização, excessos de confiança, aqui e ali excessos até de vedetismo, e ainda excessos de circulação naquela de "descansar com bola". Descansar é no intervalo, e no fim do jogo. Durante o jogo não há por onde descansar!

Estes excessos que trouxeram de volta o Paços e ... Soares Dias. E o jogo complicou-se definitivamente com o segundo golo de Koffy. Do Paços e na baliza de Vlachodimos, no campeonato. Faltavam 10 minutos para os 90. E um quarto de hora para o fim do jogo.

Tempo para o Benfica desperdiçar mais umas quantas jogadas de golo feito. Mas também para, no último minuto, o Paços poder ter marcado. A jogada teve tudo para isso, só não teve remate. 

Não havia necessidade... Mas sofreu-se na Luz.

Festeja-se a chegada ao primeiro lugar. Festeja-se a grande qualidade do futebol da equipa, e que hoje voltou a apresentar. Mas desconfio que hoje houve muitos adeptos que pela primeira vez não gostaram da equipa.

Eu não gostei nada daqueles excessos. Acredito que Roger Schemidt também não tenha gostado, e que tenha percebido que terá de tratar com que não se repitam. 

 

 

 

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