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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Futebolês #87 LIMPEZA DE BALNEÁRIO

Por Eduardo Louro

  

O balneário é sagrado, como já tivemos oportunidade de ver. De um local sagrado o mínimo que se espera é … limpeza. Num local que pode concentrar mais valor que os cofres-fortes de qualquer banco de primeira linha espera-se limpeza máxima, um esmero de asseio onde tudo brilhe…

E no entanto, em futebolês, a limpeza de balneário não tem nada a ver com isto. Não tem nada a ver com limpeza e com asseio, mas tem muito a ver com expurgar, expulsar ou mesmo empurrar – nem que seja para baixo do tapete – lixo. Podendo o lixo ser mesmo porcaria ou simplesmente o que já não presta, como uma maçã podre, por exemplo.

Pois é, limpeza de balneário não é mais do que correr com uma série de jogadores que alguém entende serem lixo, já não prestarem e, pior, que representam altíssimo risco de contágio. Neste sentido a limpeza de balneário chega mesmo a assemelhar-se a um profundo processo de desinfestação. Limpa-se mas vai-se mais longe, eliminando-se todos os riscos de contágio por infecção!

É certo que, às vezes, esta operação de desinfestação é do tipo cirúrgico, com pinça e bisturi. Nada melhor que o Sporting para percebermos melhor cada uma destas distintas formas de limpeza. No ano passado – há um ano atrás – no Sporting tudo corria bem: um bom presidente - o José Eduardo Bettencourt, como todos estarão recordados -, um grande treinador, Paulo Sérgio – de créditos firmados no panorama desportivo nacional através de uma sólida carreira no Paços de Ferreira e de um curto, mas espectacular trajecto de dois ou três meses no Guimarães –, um director desportivo experimentado e de currículo invejável, o Costinha, e um excepcional grupo de jogadores como Hildebrand, Torsiglieri, Evaldo, Grimi, Zapater, ou Saleiro, para não ser muito exaustivo. Mas havia um pequeno-grande problema: o João Moutinho, um jogador sem categoria para jogar naquela equipa mas, pior ainda, um tipo sem brio profissional, sempre indisponível para jogar, fosse por lesões, resultantes de permanente deficiência de condição física, fosse por punições disciplinares, resultantes de uma gritante falta de sentido de responsabilidade. Um péssimo exemplo para os colegas e, azar dos azares, capitão de equipa!

Uma maçã podre – como muito bem definiria o presidente – que representava sérios riscos de contaminar grandes e lindas maçãs verdes como Maniche, Vukcevic ou Tales Souza, por exemplo. Impunha-se e muito bem uma desinfestação do tipo cirúrgico: pegar no João Moutinho e mandá-lo para bem longe! Alguma coisa correu menos bem e acabou por ficar bem por perto. Perto de mais!

Não correu lá muito bem. E começou a perceber-se que, afinal, nem o presidente, nem o director desportivo, nem o treinador, nem os jogadores eram bem o que se dizia. E, de rabinho entre as pernas, acabaram todos por, um a um, ir abandonando o cesto: primeiro o director desportivo, depois o presidente e, finalmente e a muito custo, o treinador. Ficaram os jogadores, foram ficando. Antes da partida do presidente ainda chegaria outro director desportivo que, já com o novo presidente mas sempre com os mesmos jogadores, ainda viraria treinador. Como se percebe só os jogadores é que permaneceram, inamovíveis!

Inevitável pois a limpeza de balneário marcada para o início deste Verão. Árdua tarefa, a exigir uma vassoura das grandes e cheques, coisa que por ali vinha rareando nos últimos tempos. Muitos cheques! Cheques para os que partem e cheques para os que chegam. Que foram muitos: catorze, até agora!

Pode ser que corra bem: melhor do que no ano passado não é difícil! É que às vezes estas limpezas de balneário correm mal. Lembro-me que, há 17 anos, depois do título de 1994, um senhor dado como especialista na matéria – Artur Jorge, lembram-se? - chegou à Luz e fez uma limpeza daquelas em que vai tudo a eito. Em que, ao deitar fora a àgua, vai também o bebé: deu num jejum de 11 anos! E na descolagem do Porto que, a parir daí, abriu e foi embora

Este ano chegou a parecer que também Jorge Jesus andava de vassoura na mão. Nuno Gomes e Moreira pareciam apontar para sinais de limpeza mas, vá lá… parece que não. Chegaram 20 caras novas mas, pelo que se tem visto, mantém na equipa 5 ou 6 jogadores da época passada. Portugueses é que já não há. Nem Roberto, esse guarda-redes de grande futuro …

 

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