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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O tudo ou nada

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Não estou certo que dê certo. Tenho mesmo muitas dúvidas, mas há grandes probabilidades de Mourinho vir a ser, no início da próxima época, o novo treinador do Benfica.

Há muito pouco tempo, quem ousasse pensar uma coisa destas só poderia não estar bom da cabeça. Hoje, é a coisa mais natural deste mundo!

Se José Mourinho, enquanto treinador de top mundial, não bateu no fundo, não anda lá muito longe. Tem, nesta fase da sua carreira, duas opções. Nem mais uma: ou desiste, e começa a viver a sua reforma dourada; ou vai à procura do relançar a carreira!

Se pensarmos um bocadinho concluimos facilmente da baixa probabilidade da primeira hipótese, e rapidamente somos levados a concluir que a única opção de Mourinho é, agora, relançar a carreira. Não é começar tudo de novo, mas é recomeçar para voltar ao lugar de topo que ocupou, e tornar-se ainda maior que os maiores por lá ter estado em tempos históricos diferentes. E provar que é tão "special" que até contraria a própria natureza!

O Benfica serve estes propósitos. Tem grandeza e tem condições que lhe permitem voltar a ganhar. Está também perto do fundo e só pode subir, minimizado-lhe todos os riscos. 

É a tábua de salvação para a reeleição de Luís Filipe Vieira que - lembram-se? - há muito tem na mão uma cenoura bem viçosa a que chama ganhar na Europa. Quer isto dizer que Vieira, ao contrário do que sucedeu nos últimos três anos, não vai olhar a meios para fazer investimentos na equipa de futebol. Não faltarão jogadores para satisfazer as exigências de Mourinho, nem dinheiro para lhe pagar um vencimento bem chorudo e confortável. Longe, em qualquer das circunstâncias, daquilo a que está habituado, mas nada que envergonhe ninguém...

Acabo como comecei: não estou certo que dê certo. Por certo tenho apenas que, neste cenário há pouco inimaginável, José Mourinho e Benfica correm diferentes graus de risco.  São mínimos os riscos que Mourinho corre nesta oportunidade. São muito grandes, enormes, os do Benfica. Como sempre acontece quando se chega ao desespero do "tudo ou nada"! 

Perder até a vergonha

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Nos útimos anos o Benfica tem vindo a perder a olhos vistos capacidade de contratação de jogadores no mercado de transferências. Houve um período em que o scouting funcionava, mas mais parecia levantar lebres para Pinto da Costa caçar. Foi assim, entre muitos outros, com Danilo, Falcão e James Rodriguez. Quando, mais tarde, até parecia que a mira tinha sido acertada, percebemos que, afinal, o que aconteceu foi que o Porto caiu em dificuldades financeiras, e deixou de poder dar tiros.

Depois, já mais recentemente, percebemos que o Benfica já nem scouting tinha. Não precisava, tinha Jorge Mendes... E deu no que deu, na desgraça das contratações do último mercado de Verão, que não renderam um único jogador para a equipa, para amostra que fosse.

Às portas de nova abertura do mercado, Luís Filipe Vieira não quis esperar mais para mostrar aos benfiqusitas como tudo pode ser ainda pior. Nunca se tinha visto, e era de todo inimaginável, que um jogador de tostões, do Santa Clara, entrasse no Estádio da Luz para assinar o contrato e de lá saísse para ir assinar pelo Porto. 

Nestes últimos anos de decadência da gestão de Luís Filipe Vieira, o Benfica, tendo scouting, perdeu a capacidade de fechar os negócios. Depois, perdeu o scouting, e deixou fugir as melhores oportunidades de negócio. Acabou ,agora, a perder até a vergonha!

 

 

 

 

 

 

Acto falhado

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Rui Vitória até poderá ter algum jeito para treinar equipas do meio da tabela, para falar é que não tem nenhum. Não diz coisa com coisa, e quando quer falar grosso até a voz grossa - que jura ter - lhe sai fininha, efeminada. Em completo acto falhado, a espirrar na bola em vez de lhe acertar em cheio, ou como aquele aperto de mão convicto em que, depois, a mão se fica pelos dedos.

Com esta terceira derrota com o Sporting, quase à média de uma por mês, Rui Vitória esgotou os últimos cêntimos do plafond de crédito que os adeptos lhe tinham atribuído. Ao sentar-se na primeira fila das conferências de imprensa depois das derrotas, Luís Filipe Vieira não é um avalista pessoal a correr para lhe reforçar o crédito. Está apenas a a sacudir a água do seu capote directamente para a cara do treinador. Que é para isso que lá está! 

Não quer ser comido de cebolada, mas ainda sobram mil maneiras de o comer...

 

Contratos com história. Ou com estórias?

Por Eduardo Louro

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A notícia chegou logo a seguir à derrota na supertaça, ainda não se sabia que o treinador do Sporting andava a mandar sms aos jogadores do Benfica: o Benfica contratou ao Atlético de Madrid "meio" Raul Jimenez (a outra metade é de Jorge Mendes, e ficara já tratada no casamento) por 9 milhões de euros, o que projecta o valor do passe para 18 milhões de euros, e assim na contratação mais cara de sempre do Benfica.

O ponta de lança mexicano fora contratado há um ano pelos colchoneros por 10 milhões de euros. Jogou pouco mais de meia dúzia de jogos - foi titular em cinco - e marcou um golo, pelo que o clube com que Luís Filipe Vieira gosta de negociar decidiu prescindir dos seus serviços. Chegou a ser anunciado no West Ham, por empréstimo, por 2 milhões de euros... Mas para LFV valorizou-se, e o seu passe passou a valer quase o dobro. Daí que se tenha chegado à frente, impedido o empréstimo ao clube inglês, e rematado mais um sensacional negócio com o Atlético de Madrid. Depois de ter retirado Simão a Fernando Santos já com o campeonato a arrancar, para vender em saldo, com a garantia de que viriam não sei quantos jogadores, que se devem ter perdido pelo caminho, porque nunca ninguém os viu... Depois de Reyes, que vinha por 2 milhões de euros e que depois de cá passar uma época já eram afinal 10 milhões... Depois de Salvio por cá ter passado, regressado, e tendo que ser dispensado por excesso de extra-comunitários, voltar como a contratação mais cara de sempre, por 14 milhões de euros... Depois dos sensacionais, duas vezes sensacionais, quase 9 milhões de euros por Roberto,  e depois de Oblak - das duas, uma: ou foi hostil, como se quis fazer crer, e não podia haver mais negócios; ou foi apenas mais um negócio favorável aos espanhóis disfarçado de TINA (there is no alternative) -   há apenas um ano, eis mais um misterioso negócio. De um jogador que, sem jogar, se valoriza praticamente para o dobro!

Daí a necessidade de mais uma habilidade, para transformar mais um negócio manhoso num grande negócio, quase épico. E então arranjam-se umas dificuldades de última hora, à "Atlético de Madrid", só ultrapassáveis pela habitual mestria e sagacidade do grande timoneiro, sem qualquer substância mas que deixem bem clara a valorização da mercadoria.

E assim, quando o treinador do Sporting já dizia que os sms não contavam para nada, que o que contava era a supertaça no museu, não era mais um negócio manhoso, mas mais um grande negócio com o Atlético de Madrid & Jorge Mendes, já com "call options" mirabolantes que só revelam o desconforto dos madrilenos por tão grande perda. E, como não podia deixar de ser, com uma menção específica dos espanhóis ao duro que é sempre negociar com o Benfica...

Pronto. Pronto para a fotografia...

Angústias de um benfiquista

Por Eduardo Louro

 

Estamos, incrédulos e sem uma palavra da SAD do Benfica ou de Luís Filipe Vieira (LFV), a assistir ao desmantelamento do plantel campeão. Quando acreditávamos que desta é que era, desta é que chagaríamos a bicampeões, que desta vez é que cortaríamos com um ciclo a que não mais víamos fim, começamos a ver contornos de um passado que nos transporta vinte anos para trás, a Manuel Damásio.

Todos sabemos que o futebol em Portugal não é um negócio autofinanciável por resultados correntes de exploração. Acresce que clubes e SAD`s acumularam passivos que deixaram de ser toleráveis. O Benfica, por maior que seja e mais potencial que tenha, não consegue fugir a essa realidade e tem, por isso, que vender jogadores. Nenhuma dúvida a esse respeito!

O problema é outro. O problema é que uma coisa é vender jogadores para realizar o montante identificado como necessário para cobrir esses objectivos, e outra é vender em série, tipo saldo, e sem qualquer critério objectivo.

Com um determinado objectivo de encaixe – falava-se que o Benfica teria de realizar 80 milhões – o normal seria começar por identificar os activos (jogadores) que o permitissem atingir e, tendo evidentemente em conta os movimentos de procura percepcionados no mercado, desencadear os mecanismos de venda. Outras vendas, noutras circunstâncias, apenas se batidas às respectivas cláusulas de rescisão.

O que se está a passar no Benfica não é nada disto. Está a vender-se tudo, sem critério – pelo menos compreensível – e sem transparência. Sem critério porque tudo serve para vender e sempre bem longe das cláusulas estabelecidas. E sem transparência desde logo porque não há critério, mas também porque sem informação. Ou, pior, com desinformação organizada, como foi evidente nos casos de Rodrigo, André Gomes, Markovic, Garay e Oblak.

Uma desinformação organizada que começou logo que acabou a época quando, sem mais nem menos, completamente a despropósito, LFV começou a anunciar que não queria jogadores contrariados no Benfica. Mas que atinge verdadeiramente o ridículo no caso de Oblak, que começa por ser dado por refractário, para logo de seguida ser visto em Madrid, já em exames médicos. Só que muitos dias antes de lá ter chegado, como se viria a saber. E acaba, depois com a confirmação da venda, com a entrevista que elogia o presidente, e os seus invariáveis esforços para que não saísse.

Se a situação de Garay é um insulto à inteligência dos benfiquistas, a de Oblak é uma afronta directa. Não é sequer necessário puxar muito atrás para recordar como tudo terá começado, há um ano, com Jorge Jesus a dizer que não ainda tinha condições para jogar no Benfica. Nem para perguntar por que é que, tendo no final desta época sido anunciada a revisão salarial para o dobro, a cláusula de rescisão foi mantida. Nem para pedir que expliquem bem por que, a exemplo de todas as outras, a cláusula de rescisão de repente passa de 20 para 16 milhões…

Basta lembrarmo-nos dos anteriores negociatas com o Atlético de Madrid. De Simão, Reyes, Pizzi e claro, Roberto. E perguntar por que é que, numa compra tão hostil quanto LFV quis fazer crer, e quando, de acordo com o contrato, em caso de incumprimento a cláusula teria de ser paga pelo jogador, o Benfica cedeu em toda a linha negociando com o clube espanhol e poupando-lhe problemas e muitos milhões de euros. Porque, claro, apertar com Oblak, era coisa que estava fora de causa a partir do momento em que o presidente do Benfica fez saber, alto e bom som, que não queria jogadores contrariados.

Pode especular-se que muito disto terá a ver com o que se passa no BES. Mas não faz sentido. Ou, o que fizer sentido, não faz sentido… Simplesmente porque não está em causa o cumprimento dos contratos de financiamento que o Benfica tenha com o banco. E se o que estiver em causa – e eventualmente fizer sentido – for o fundo de jogadores (do banco ou do GES?) então não faz sentido nenhum. É simplesmente um negócio do banco, eventualmente sem rentabilidade, mas da sua exclusiva responsabilidade. Não faz sentido nenhum que o Benfica ande a vender jogadores ao desbarato para ir adquirir ao banco (ou ao grupo, seja lá a quem for) as pequenas percentagens dos passes – que constituem o fundo – de jogadores com que conta no seu plantel.

Como isso não faz sentido, se vier a confirmar-se, é prova provada de que não são os interesses do Benfica os prioritários nesta estória. Provado está já que os sócios e os adeptos só contam para fazer número. E pagar quotas. E bilhetes. E Benfica TV...

Sem estratégia

Por Eduardo Louro

 

Já passaram dois dias e do Benfica ninguém desmentiu a venda dos direitos desportivos e económicos de André Gomes. Mesmo que, tanto quanto neste momento se sabe, a operação ainda não tenha sido comunicada à CMVM – nem esta entidade, ao contrário do habitual, tenha exigido qualquer esclarecimento – sou levado a dá-la por facto.

Não faço a mínima ideia se a venda do passe de André Gomes pelos propalados 15 milhões de euros, é bom ou mau negócio. Trata-se de um jovem que, apesar de deixar a ideia que é avesso a altas intensidades, já demonstrou com clareza que poderá vir a ser um jogador de primeira água, em que o Benfica, através deste seu treinador, pareceu apostar menos do que se justificaria. Logo, tanto poderá dizer-se que ainda não justificou tão elevado montante, como que tem potencial para a curto prazo valer mais do dobro. Não se pode por isso pôr em causa o valor da venda; apenas a sua oportunidade.

Mas nem mesmo isso é, do meu ponto de vista, o que mais importa. E assim sendo não é sequer a venda de André Gomes o que de mais importante tem a venda de André Gomes. O que de mais importante há para concluir desta operação é que o Benfica está sem estratégia, a navegar à vista e com muito pouca clareza, coisa de que há muito se desconfiava.

O presidente Luís Filipe Vieira começou a época, há apenas 5 meses, com aposta estratégica na Liga dos Campeões, razão pela qual recusou qualquer venda. O Benfica não estava obrigado a vender, e em ano de final na Luz justificava-se apostar tudo. Quatro meses depois, porque afastado desse sonho, o Benfica já era obrigado a vender. E por qualquer preço, como se começou a perceber… E sem nexo causal, as necessidades de encaixe já satisfeitas (40 milhões) não têm nada a ver com o prejuízo financeiro (10 milhões, no máximo) da saída da chamada liga milionária…

E muda de estratégia, que passa da aposta na Champions para a aposta no Seixal, na formação, o que, como se percebeu, abriu uma zona de conflito com o treinador. Para de imediato vender justamente o produto em curso em mais adiantado estado de acabamento.    

Estratégia é, por definição, um caminho claro e longo. Mudar de caminho ao sabor do que quer que seja pode ser muita coisa. Estratégia é que não!

Tudo isto é errático. E nada claro. O André Gomes não foi vendido a um clube, como é normal. Foi vendido a um empresário, coisa que LFV sempre disse não admitir no Benfica. Jorge Mendes irá agora cedê-lo a quem e nas condições que entender. Poderá até colocá-lo no Porto, que até acabou de deixar partir o Lucho Gonzalez…

 

Emoções fortes

Por Eduardo Louro

 

O jogo de hoje na Luz iria sempre ser histórico. Pela primeira vez um clube assumia a responsabilidade de transmitir um jogo do campeonato nacional pela sua própria televisão. Era a primeira transmissão da Benfica TV de um jogo do campeonato nacional, cortando definitivamente com o eterno monopólio de Joaquim Oliveira. E, começando por aí, cumpre elogiar, elogiada que há muito está a decisão, a transmissão, um trabalho de grande qualidade e profissionalismo. E de grande independência, com o profissionalismo a que o Hélder Conduto já nos habituou, a pedir meças à concorrência. De tal forma que nem uma arbitragem de fraquíssima qualidade de um dos mais incompetentes árbitros nacionais, que prejudicou grandemente o Benfica, mereceu qualquer reparo…

Mas será certamente histórico por outras razões. Não tanto pela forma épica como o resultado foi invertido, com dois golos em dois dos quatro minutos de compensação, mas pelo que essa reviravolta poderá significar. E pelas manifestações que provocou!

Não adianta sequer falar muito do jogo que, na realidade, não surpreendeu muito. O Gil jogou como se esperava que fizesse, mesmo que não tivesse enveredado por uma estratégia ultra-defensiva e mesmo que nem tivesse tido necessidade de, à sua escala e nesse modelo, jogar bem. Também o Benfica não conseguiu superar as expectativas, bem baixas por esta altura.

A pedaços – pequenos – o Benfica jogou com alguma qualidade, o suficiente para criar muitas oportunidades de golo que especialmente Lima e Rodrigo iam desperdiçando. Mas nem foi constante nem nunca chegou a ser brilhante!

Não é pois pela exibição que se poderá esperar que hoje tenha sido o dia D, de mudança. É pela mensagem de união que saiu de dentro da equipa, é pela nota que a equipa quis dar de estar com o treinador, e é ainda pela inédita atitude de Jesus com Maxi Pereira. Corresponda tudo isto à realidade ou não passe tudo isto de uma grande encenação!

Tenho algumas dúvidas que os jogadores estejam assim tanto com o treinador. Tenho as mesmas dúvidas que Jorge Jesus se comporte agora com todos os jogadores como se comportou hoje com Maxi Pereira. Não sou um crente destas coisas, mas também não é isso agora o que mais conta. O que conta é que todos, jogadores e treinador, tenham tomado consciência que a coisa não está para braços de ferro, que não há nada para forçar, que, se são estes jogadores e este treinador a ir até ao fim, têm todos que se comportar dentro dos padrões de respeito que a grandeza do Benfica exige.

E não há dúvida nenhuma que, mesmo que não morram de amores uns pelos outros, o sentimento que hoje todos manifestaram é um forte contributo para o espírito de equipa indispensável ao sucesso. Que o carinho e apoio que os colegas dispensaram ao Maxi, seguindo o mote dado pelo treinador - um indicador que contrasta com o que se viu no passado com Ola John, Carlos Martins ou Enzo Perez – revela grande solidariedade e um espírito de balneário que se dava por perdido.

Claro que é especulativo dizer que isto se deve ao facto Luís Filipe Vieira ter dado à costa. Mas não há grandes dúvidas que, sendo o presidente o responsável pela inaceitável continuidade de Jesus, era mais inaceitável ainda que agora se escondesse, que não deixasse claro que o treinador não ficaria abandonado e cada vez mais fragilizado. É verdade que não deixou nada disso assim tão claro, como se percebeu ao voltar a agitar o fantasma de Fernando Santos, mas basta dizer qualquer coisa… E aparecer, mesmo que tarde e a más horas!

Mesmo que não queira perceber que são benfiquistas que sofrem aqueles que hoje estão descontentes com a sua gestão. São benfiquistas dos 83% que o elegeram, dos que enchem o estádio, dos que pagam as quotas e dos que deitaram fora o comando…

Gestão fantasmagórica

Por Eduardo Louro

 

Luís Filipe Vieira renovou o contrato com Jorge Jesus com medo de um fantasma: o fantasma de Jesus no Porto. Com os resultados que estão à vista. Que o levam a segurar agora o treinador com o fantasma de Fernando Santos. Já começa a sustentar a sua própria presidência com o fantasma de Vale e Azevedo. 

É fantasmagórica, esta gestão de Luís Filipe Vieira!

O costume

Por Eduardo Louro

 

O Benfica começou o campeonato como de costume. Como de costume, não ganhou!

Se é costume, é normal, dir-se-á. E o que é normal é isso mesmo, normal. Nada de anormal, pois, nesta derrota na Madeira – onde não era normal perder. Afinal já há aqui qualquer coisa de anormal…

O problema é que, toda a gente sabia, o Benfica que Luís Filipe Vieira quis que continuasse a ser o de Jesus, estava proibido de começar mal este campeonato. A equipa, e principalmente o seu treinador, depois do desastre do final da época passada, não tinha margem de erro. Esse era, de resto, um dos principais riscos da insensata decisão de renovar com Jorge Jesus!

Os níveis de confiança da equipa saíram da época passada no ground zero. Percebeu-se que as férias não tinham permitido aos jogadores fazer o luto. Mais, que a equipa, graças á continuidade de Jesus, e concomitantemente à abstrusa gestão do caso Cardozo, não tinha fechado a época anterior. Que a pré-época foi simplesmente a sua continuação, sem sequer um intervalo!

Sendo o costume, esta derrota inaugural do Benfica nunca não poderá ser aceite com normalidade. Esta é uma derrota que confirma a lei de Murphy, que há tempo aqui ando a invocar.

Este é o ano decisivo para Luís Filipe Vieira. É o campeonato que o Benfica não pode perder, porque será o tetra do Porto e a porta aberta para o segundo penta. Mas, acima de tudo, porque, agora, com esta estratégia televisiva – que sempre apoiei e apoio - tem todos os ovos no mesmo cesto. Os resultados – e as exibições, e a mobilização dos benfiquistas – já não ditam apenas o sucesso e o insucesso desportivo, passam também a ditar grande parte do sucesso e do insucesso da estratégia da Benfica TV, agora crítica na conta de exploração.

Por isso menos se percebe ainda a aposta na continuidade de Jesus. Mas menos ainda se entende o desaparecimento do presidente. Que não aparece a dar a cara pelos negócios esquisitos – chamemos-lhe assim, quando falamos de Roberto e Pizzi, e mesmo de Fariña - e que não apareceu para resolver a tempo a situação de Cardozo. Por isso não se percebe que, tendo o Benfica que vender como se sabe que tem, o campeonato se tenha iniciado sem uma única venda efectuada. Com a mesma equipa da época passada, sabendo que, dentro de duas semanas, quando os ponteiros do relógio de aproximarem da meia-noite do último dia de Agosto, três ou quatro desses jogadores irão ter de sair, então pelo preço da uva mijona. Ou talvez não, como já viu pelo Roberto!

Por isso se não percebe a “ruicostização” de José Eduardo Moniz, a deixar perceber que LFV entendeu que seria muito mais útil como golpe no coração da oposição do que como mais-valia de gestão, em particular na estratégia para a Benfica TV (prometo voltar ao tema).

Mas não foi só a derrota do Benfica que foi o costume na abertura deste campeonato que não pode perder. E que o Porto, em sentido contrário, também não!

Como de costume, o Porto vendeu bem e na altura certa, dando até para segurar o Jakson. E, ao que parece, não se enganou nas compras. Trocou de treinador, mostrando que ali é acessório o que no Benfica é fundamental. E, porque é de manhã que se começa o dia, mostrou, como de costume, quem manda. Quem põe e dispõe de tudo o que, acessório, pormenor ou detalhe, é decisivo no desequilíbrio dos pratos da balança.

Pinto da Costa - que está sempre presente, como ainda ontem, em Setúbal, muita gente se lembrou logo que os factos lhe avivaram a memória – sabe que, neste arranque de época, como no de há três anos (quando o imperativo era impedir o bi do Benfica), é preciso que as coisas comecem logo a correr mal. E muito bem ao Porto!

As nomeações do super dragão Jorge Sousa para os Barreiros e de Capela – triturado pela máquina portista depois do derbi da Luz, era, em razão do poder, a carta segura - para o Bonfim, aí estavam para mostrar urbi et orbi que, como de costume, não brincam em serviço. E, claro, cada um fez o melhor que pôde. E Capela pôde muito… Fartou-se de poder!

Luís Filipe Vieira, esse, tem mais que fazer… Mesmo que afogado num mar de cumplicidades!

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