No dia em que era notícia a entrevista - na verdade apenas a entrevista era notícia, nada do que disse o foi, nem o foi o seu alheamento do mundo real (chegou a parecer aquele condutor que, ao ouvir a notícia de um carro em contra-mão na auto-estrada, dizia que não era um, eram todos) - da actual PGR, Lucília Gago, a notícia é a morte da anterior, e primeira mulher a ocupar a função: Joana Marques Vidal.
A ideia que fica é que, por grande que seja a proximidade - ou as várias proximidades - entre ambas, é muito maior a distância que separa a forma como exerceram os seus mandatos. Tão grande que Joana Marques Vidal saiu pela porta grande, enquanto Lucília Gago irá sair pela pequena porta dos fundos. E empurrada!
Acabada a última aula, o professor regressou presidente para acabar de vez com a novela da recondução de Joana Marques Vidal. Explicou que era do entendimento que o mandato do Procurador Geral da República deveria ser único, como, de resto, era mais ou menos consensual no meio, e nomeou Lucília Gago, em contra-mão com o CDS e com o PSD, ou com o que dele resta, já que para o seu líder tudo o que viesse estaria bem.
Ora aqui está uma derrota política da direita, sem qualquer sombra de dúvida. Nunca percebi por que é que a continuidade de Joana Marques Vidal era uma questão de direita e esquerda. Continuo convencido que não é, mas a verdade é que a direita fez dela a sua casa. E tendo chamado a si a causa, perdendo-a, perdeu.
Mas não perdeu apenas aí. Perdeu, e aí com estrondo, quando apostou tudo nesta carta para abrir fracturas no entendimento reinante entre o primeiro-ministro e o presidente da república. E perdeu, finalmente e com não menos estrondo, quando, hoje, a única reacção negativa à nomeação é assinada por Passos Coelho, numa carta de despedida à ainda PGR publicada no Observador. Se calhar, quem menos se deveria ter metido nisso...
Acompanhe-nos
Pesquisar
Subscrever por e-mail
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.