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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

LUGAR CATIVO: POST SCRIPTUM

Por Eduardo Louro

 

O Ricardo Carvalho já veio dizer de sua justiça. Mas disse pouco. E mal!

O que nem deixa de continuar a soar a estranho nem deixa tudo esclarecido. Diz que, de cabeça quente, errou, o que na circunstância não é suficiente. De cabeça fria, tinha obrigação de dizer mais e de não acusar o outro de mercenário, porque não tem cabimento. Diz que fizeram que se sentisse mal, o que, nem sendo claro, nem suficiente – ou simplesmente não sendo suficientemente claro – poderá não ser mais que uma escapatória para um beco sem saída. Se a história de Paulo Bento nos permite admitir que ele sabe como se fazem essas coisas, esta de Ricardo Carvalho não nos impede de concluir que esteja apenas a procurar tirar precisamente partido disso.

Futebolês #91 LUGAR CATIVO

Por Eduardo Louro

  

Lugar cativo: desconfio bem que estejam já todos a adivinhar do que é que estamos a falar!

Acredito até que lugar cativo passe a partir de agora a ter outros assentos no futebolês. Que, a partir de agora, tenhamos de acrescentar mais qualquer coisa ao lugar cativo para sabermos de que é que estamos a falar. Mesmo falando em futebolês!

Se eu falar do meu lugar cativo no Benfica toda a gente percebe que estou a falar do assento, do sítio onde sento o rabo na Catedral. Sei que aquele é o meu lugar, está reservado para mim. Mas se for, por exemplo, o Javi Garcia a falar do seu lugar cativo no Benfica, percebe-se que não está a falar do mesmo que eu.

São lugares cativos completamente distintos. Os clubes gostam dos primeiros, daqueles que servem para acomodar o rabo dos adeptos, e são cada vez mais criativos para serem bem sucedidos nos seus esforços de venda dessa parte da lotação do estádio. Alguns, os maiores entre os maiores, conseguem ter a lotação toda vendida e mesmo listas de espera para novos cativos, nome dado aos associados com lugar cativo. É assim, enquanto o Sporting, por exemplo, para conseguir vender uma cadeirinha chama-lhe game box, acrescenta-lhe ainda uns vídeos e brindes de toda a espécie (creio que até um assobio para quem não saiba assobiar), o Barcelona dá-se ao luxo de não aceitar mais ninguém.

E não gostam, ou não deveriam gostar, dos segundos. Dos jogadores que têm lugar cativo na equipa, cuja titularidade está assegurada à partida, independentemente do rendimento nos jogos, ou mesmo do trabalho nos treinos. E os adeptos também não!

Pois é! É deste lugar cativo que, como adivinharam logo de início, vamos a falar. É incontornável e está na ordem do dia: Ricardo Carvalho… Que, repentinamente ao que dizem, abandonou o estágio da selecção nacional no dia da partida para Chipre e nas vésperas do jogo que Portugal acabaria por ganhar por quatro a zero. Ao que se diz por lhe ter sido dito que não teria lugar cativo na equipa. Porque, na narrativa de Cristiano Ronaldo, na selecção não há lugares cativos!

A coisa começa a não bater certo logo por aqui. Ninguém acredita que não haja lugares cativos na selecção, mesmo nesta de Paulo Bento. Por que é que o Hélder Postiga - que ninguém quer em lado nenhum e que, juntamente com o Djalo, deu esta semana a melhor notícia que os sportinguistas receberam pelo menos nos últimos cinco anos – lá está? Se não é por ter lugar cativo é por quê?

Mas também não bate certo quando espreitamos pelo buraco da fechadura da história do Paulo Bento e da do Ricardo Carvalho. É que, por esse buraco, descobrimos em Paulo Bento um treinador de conflito fácil com os jogadores, com um rasto que vai de meros arrufos pouco mais que inconsequentes – Miguel Veloso e Djalo, por exemplo – a autênticas certidões de óbito (Stojkovic), passando choques frontais de grande violência e graves consequências com Ismailov ou Vukcevic.

Espreitando pelo outro, nada! Nenhum registo. Um ligeiríssimo desaguisado com Mourinho, no Chelsea, prontamente resolvido e sem qualquer tipo de consequências, como é público e constatável: Mourinho, que continua a proclamá-lo o melhor central do mundo, quis levá-lo para o Inter e levou-o mesmo, já em fim de carreira, para o Real Madrid. E vemos, todos, independentemente da filiação clubística, uma pessoa afável e educada, com uma imagem pública de grande serenidade.

Não conseguimos perceber ali uma pessoa irresponsável, uma personalidade instável ou o carácter de um desertor, como Paulo Bento acusou. E, no entanto, ele teve uma atitude inqualificável e altamente condenável. Que mancha, não se sabe se irremediavelmente, uma das mais brilhantes carreiras de um jogador de futebol; se não o melhor – porque isto do melhor não existe - um dos melhores centrais do mundo da última década. Que não bate certo com a imagem que temos do Ricardo Carvalho!

Por isso desconfio da história que foi contada. Por isso não acredito que a história se resuma a um simples lugar cativo… E acredito que o Ricardo Carvalho vai conseguir explicar isto e manter o seu lugar cativo, que conquistou por direito próprio, na história do futebol mundial!

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