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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Em Leiria, como em Roma!

Luís Filipe Vieira assiste ao Benfica-Sporting em Leiria - Taça da Liga -  SAPO Desporto

Ganhar a Taça da Liga não salvava a época. Tinha-o dito Nelson Veríssimo e sabíamo-lo todos. Esta época já não tinha salvação! Mas não a ganhar e voltar a perder com o Sporting, como perdeu, como jogou, e com tudo o resto que se passou soltou as labaredas das profundezas do inferno da destruição do Benfica.

Em equipa que ganha não se mexe. Em equipa que não ganha ... também não. Deve ter sido isto que Nelson Veríssimo pensou, e por isso mudou apenas Paulo Bernardo por ... Meité. É verdade que não há muito por onde escolher ... a não ser nos jovens da equipa B, mar onde se pensaria que o treinador - justamente por ser quem é - pescasse  E também é verdade que, pelo que se viu na primeira parte, se percebeu a ideia de alinhar com um jogador que, ao fim de tanto tempo, ainda não permitiu perceber o que é que levou à sua contratação. Percebeu-se que pretendeu usar o seu físico para o combate ao meio campo. Para tentar equilibrar o poder físico do Sporting, mas esqueceu-se de tentar equilibrar o resto.

A primeira parte ainda disfarçou alguma coisa. Mesmo que o Benfica nunca se superiorizasse no jogo, nem individual nem colectivamente, nem táctica nem tecnicamente, ia ficando a ideia que, daquela forma e de uma maneira mais ou menos organizada, poderia minimamente controlar os danos, até porque a equipa do Saporting também não vive os melhores dias da era Amorim. E o golo de Everton, a meio da primeira parte, e no único remate à baliza (no jogo faria dois!), ajudava a admitir que até poderia correr bem.

A entrada na segunda parte até parecia reforçar essa ideia. Nos primeiros lances viu-se um Benfica mais pro-activo, a indiciar que poderia querer responder aos desafios do jogo. E viu-se um Sporting nervoso. No relvado, e no banco. A conjugação dos factores abria, pela primeira vez, a janela da esperança benfiquista. 

Só que, logo aos quatro minutos, num canto que resulta de uma carambola, e com Morato a limitar-se a fazer figura de corpo presente, o central do Sporting - Gonçalo Inácio, que já na primeira parte tinha ameaçado, e só não marcou porque Vlachodimos fez uma defesa apertada, e só possível por a bola lhe ter saído à figura - marcou o golo do empate. E pronto, lá foi a equipa pelo buraco abaixo, e com ela a ilusão dos adeptos.

A partir daí, mais notória que a superioridade leonina no relvado, foi a das bancadas. No relvado o Sporting  ganhou por 2-1, com o golo do Sarabia já dentro do último quarto de hora. Nas bancadas foi de goleada!

O grau de destruição que o Benfica atingiu já chegou ao seu principal activo - os adeptos, a massa adepta que foi quem em mais de um século fez a grandeza do clube. Irá seguir-se o benfiquismo.. A obra de Luís Filipe Vieira está concluída!

Hoje quis certificar-se disso, in loco. E foi a Leiria contemplá-la. Como Nero, em Roma, há 1958 anos!

Uma história curta para a mais longa presidência

Capa Jornal A BolaCapa Jornal RecordCapa Jornal O Jogo

 

Poderia ter ficado na História do Benfica como um dos grandes presidentes do clube, mas fica apenas como o que mais tempo ocupou o lugar. Tempo de mais, e acabou enxotado porta fora, pela mais apertada da saída.

Luís Filipe Vieira até começou bem, com a construção do estádio e o regresso aos títulos - uma Taça de Portugal e um campeonato. Acontecimentos de alta tensão emocional, e de grande comoção benfiquista, reforçaram-lhe o apoio. Foi assim logo no início, com a morte de Feher, e mais tarde com a de Eusébio. 

Depois do bom início seguiram-se anos de desastre. Tínhamos ganho cedo demais, dizia então. Contratações completamente falhadas, e desacerto total na escolha dos treinadores, sucessivamente despedidos. Surgem os primeiros sinais de contestação à sua liderança que, curiosamente, é pela primeira vez desafiada pelo seu primeiro braço direito, José Veiga. Curiosamente, também, o primeiro elemento estranho que chamou para junto de si, directamente proveniente das hostes de Pinto da Costa. Ms não estranhamente, porque também ele daí vinha, e era ainda então sócio do Porto.

Acabaria a encher o clube de gente dessa, como bem nos lembramos, e a blindar com os estatutos qualquer ameaça ao seu projecto pessoal.  

Entretanto nascia o Seixal, um viveiro único de jogadores. Chega Jorge Jesus - o casamento perfeito - e nem um é aproveitado. Tinham de nascer dez vezes. E a Benfica TV, um projecto inovador, e um poderoso instrumento de afirmação do Benfica, pronto para romper com os interesses instalados à volta do todo poderoso Joaquim Oliveira. A quem rapidamente se vende, acabando por reduzir um grande projecto de televisão e de negócio, a um simples - e vergonhoso - canal de propaganda pessoal, à imagem do que de pior se faz nas mais desprezíveis ditaduras. Pago pelos benfiquistas!
Aponta a estratégia para o Seixal, e tem de renegar Jesus. Que, pela sua própria condição e estatura, se torna num dos principais inimigos do Benfica. Começa aí uma boa parte dos últimos capítulos desta história de Vieira. Começa com os vouchers, e depois foi em catadupa.
O Seixal resplandece, dá títulos e muitos jogadores para vender. Dinheiro a rodos, Os resultados da SAD engordam, mas o Passivo permanece na mesma, inamovível. E títulos, o desejado e nunca alcançado tetra. O Porto está de rastos, falido e sem ganhar há quatro anos, coisa de que já nem se lembrava. Então Vieira dá-lhe a mão, e desiste do penta, desinvestindo claramente na equipa.
Despede Rui Vitória, mas vê uma luz, e readmite-o para o voltar a despedir semanas depois. Diz que contrata Mourinho, mas entra Bruno Lage, por uns dias, porque afinal já estava tudo perdido. Enganou-se. Não estava. 
Vendeu João Félix, com truques de ilusionismo sobre a cláusula de rescisão. Saiu Jonas. E Lage que se desenrascasse, porque contratações não havia. Ainda assim as coisas iam correndo bem, até de repente passarem a correr mal. 
Novos casos, novas buscas, novos processos judiciais surgiam todos os dias nos jornais. Novos mails iam sendo sucessivamente divulgados, e revelando-nos coisas que não nos podiam orgulhar, e que lançavam o nome do nosso Benfica na mesma sargeta onde há muitos anos corriam os outros. Tinham sido obtidos e divulgados de forma ilegal, sim. Mas existiam, e existem. Como existiam, e existem, as gravações do apito dourado. Exactamente!
Vêm aí eleições, e corre a buscar ... Jesus, como se ninguém tivesse memória. Sabe quem tem, e sabe que tem gente capaz de tudo esquecer e perdoar por um campeonato. Que tudo  troca por uma ilusão. E já tem 100 milhões para gastar em contratações. Falhou tudo!
Termino aqui a história da presidência de Vieira. Devem ter reparado que não toquei num único ponto daquilo de que Vieira é suspeito, nuns casos, e já acusado, noutros. Todos e cada um com a gravidade  criminal que têm, e boa parte deles gravosamente lesivos do património material e imaterial do nosso Benfica. 
É que não é preciso abrir sequer essa parte da história para, do ponto de visto do benfiquismo, fazer o julgamento da presidência de Vieira. Nem sequer entrar no capítulo reservado ao Sr Textor. Daí que não consiga entender os louvores que hoje lhe vão correndo pelas redes sociais se não no quadro daquilo que são, e a que se prestam. 
 
 
 
 
 


À Bayern, diziam eles...

Venda de ações da SAD do Benfica compensaria 'rei dos frangos' por ajudar  Vieira - Benfica - Jornal Record

Os objectivos da OPA, que muitos benfiquistas, entre os quais me incluí (aqui, ou aqui) na altura desmascararam, não morreram quando a CMVM lhe passou a certidão de óbito. Era para Vieira e os seus fazerem dinheiro, muito dinheiro, e tinha que ser feito.

Não deu para fazer com OPA, fez-se sem OPA. E sem informação, em segredo completo. Foi preciso passar-se pelo que se está a passar para vir a público. E para, só depois de ter sido tornado público, a administração da SAD do Benfica fazer de conta que o tornava público.

De então para cá as acções do accionista José António dos Santos cresceram, cresceram, cresceram... O comprador, o prometente comprador, o Sr Textor veio dizer que nunca negociou com o Benfica, apenas com o Sr Dos Santos. Pois não, nem precisava ... Já tem 25% da SAD, sinalizados com um milhão de euros, e quem conhecer o seu perfil de investidor sabe que não gasta dinheiro para não mandar.

E não é preciso saber muito destas coisas para perceber que ninguém gasta 50 milhões de euros para investir em acções que não se valorizam em mercado, que não distribuem dividendos e que, qualificando-o como investidor relevante, não lhe garantem condições para mandar. Nem é preciso ser visionário para ver onde se pretendia chegar.

Mas, dizia Vieira, e replicam-no anda hoje muitos, era uma operação à Bayern.

 

Dois Presidentes e três opções

As primeiras palavras de Rui Costa como novo presidente dos Encarnados:  "São tempos desafiantes, de nos unirmos em prol do Benfica" - I Liga - SAPO  Desporto

 

Na prisão, Luís Filipe Vieira suspendeu o mandato. Poucas horas depois, Rui Costa assumiu a presidência do Benfica. Quase que dá para dizer que não há fome que não dê em fartura - o Benfica, que há tanto tempo não tem presidente, tem agora dois: um com mandato suspenso, e outro com o mandato apropriado.

É estranho, mas também não seria de esperar que fosse agora que acabassem as coisas estranhas no Benfica. 

Vieira não foi capaz de, nem nestas circunstâncias, ter o pinguinho de dignidade de renunciar ao mandato. Nem de dar o mínimo dos sinais de que, no fim de tudo, ainda lhe tenha sobrado uma resteasinha de pudor. Ou um mínimo de respeito pela Instituição, como ele gostava de dizer, para não lhe complicar ainda mais a vida.

Todos nos lembramos de há para aí um ano LFV ter dito que deixaria o Benfica se fosse acusado de corrupção. Pelos vistos, depois de dois dias detido, olhou bem para os indícios do que  estará para ser acusado, ou pediu ao advogado que lhos lesse, e viu ou ouviu: burla qualificada, abuso de confiança, fraude fiscal, branqueamento de capitais e falsificação.

Pois, corrupção não consta. E ele, sempre cumpridor da sua palavra, concluiu então que não tinha nada que ir embora. Que lhe bastava suspender, como se preso não estivesse já suspenso.

Pelo que tenho visto há ainda benfiquistas que acham que fez muito bem. E mais ainda, pelos "carrega Rui Costa" que por aí tenho visto, que aplaudem entusiasticamente o novo presidente. São os mesmos, "os invisuais de espírito crítico" que têm achado normal tudo o que Vieira tem feito nos últimos anos do seu, mas também nosso, Benfica. 

Para esses, para todos os que exaltam Rui Costa e, ao que se diz, a decisão unânime da direcção do Benfica, de não marcar eleições e assegurar a sucessão dinástica de Rui Costa, deixo as opções que o Ricardo Araújo Pereira já apontou para sustentar esta decisão:

1) Rui Costa, e os restantes membros da direcção, são cúmplices de Vieira;

2) Rui Costa, e os restantes membros da direcção, são coniventes com Vieira;

3) Rui Costa, e os restantes membros da direcção, são completos totós e nunca souberam nada do que Vieira andou a fazer.

Não me parece haver mais alternativas. Têm que escolher uma. E depois digam qual delas lhes dá mais garantias para conduzir os destinos do seu, mas também nosso, Benfica.

Resumo, não é difícil - é escolher para manter o Benfica entregue a cúmplices, a coniventes ou a incapazes!

 

 

 

Tristeza imensa, como a chama

Apoio de António Costa a Luís Filipe Vieira? PCP não critica, mas alerta  para implicações

 

A detenção de Luís Filipe Vieira não surpreendeu ninguém, a não ser os que em tudo são apanhados de surpresa, os invisuais de espírito crítico. De há muito que se sabia ser apenas uma questão de tempo, tempo que rapidamente encurtava depois da detenção de Berardo.

Que Vieira se servia do Benfica era coisa dada por certa, que o tempo se ia encarregando de tornar cada vez mais inquestionável. Há muito que aqui falamos disso. Falamos de comissões, de compras e vendas de jogadores onde era difícil encontrar racionalidade, de encenações, da OPA... Mas também de ética, de princípios e de benfiquismo.

Sabemos bem como são diferentes as preocupações de quem deve uns milhares de euros das de quem deve centenas de milhões. Mas, e apara além de quem deve centenas de milhões ter começado por dever apenas milhares, há uma coisa em comum - dívidas pessoais ao pé dos milhões do futebol é chegar estopa ao fogo.

Mas conhecemos o comportamento das massas, e a facilidade em manipulá-lo, mais ainda nas tribos do futebol. E daí que, no meio disto tudo, sobre a tristeza de constatar que, de Vale e Azevedo a Vieira, nada mudou na instrumentalização do Benfica, apenas com um pequeno intervalo para Vilarinho fazer de mestre de cerimónias na mudança das moscas. E a preocupação de ainda há pouco o primeiro-ministro de Portugal integrar o ramalhete que decorava tudo isto.

 

Vergonha

 

"Não sei o que é guarda de honra, no Benfica deve ser feita é ao presidente pelo grande trabalho que tem vindo a fazer" - palavras de Varandas Fernandes, vice-presidente do Benfica. Que nos envergonham. A mim envergonham-me profundamente.
 
Envergonha-me a falta de desportivismo, o meu Benfica não é isso. E envergonha-me a absolutamente indecente subserviência a quem mais não tem feito que envergonhar o benfiquismo.
 
Ninguém se aproveita nesta corja que capturou o Benfica. Seguirão irreversivelmente para o esgoto, o único destino que a História do Benfica lhes pode reservar. O Benfica continuará, e apesar deles, e depois deles, seguirá glorioso. 

Tudo à mostra

 

Luís Filipe Vieira responde na comissão de inquérito ao Novo Banco: siga em  direto - Benfica - Jornal Record

A presença de Luís Filipe Vieira (LFV) na Comissão de Inquérito Parlamentar ao Novo Banco - tiro o chapéu às deputadas (não é por cliché, mas é porque sobressaem as suas intervenções) e aos deputados que a integram, que vêm fazendo um grande trabalho - não trouxe nada de novo para quem acompanha mais de perto estas coisas. Mas mostrou muita coisa a quem não as queria ver.

No plano em que ali estava, mostrou como é fácil ser capitalista sem capital em Portugal. Ou como Ricardo Salgado manipulava todas peças do tabuleiro, espalhando testas de ferro por todo o lado. Ou como a sua tese fez escola - "emprestem-me mais dinheiro que, com esse dinheiro, pago o que devia e fica tudo em dia". Mesmo deprimente, não foi tão degradante quanto o seu antecessor na comissão, o inenarrável Bernardo Moniz da Maia.

Não estando ali na sua condição de Presidente do Benfica é no entanto nesse plano que, nada sendo novo, mais coisas ficaram à vista de quem as não queria ver. Mostrou que lhe falta tudo para ter dimensão para ser presidente do Sport Lisboa e Benfica. Se nem com dias a fio a preparar-se para esta intervenção, a ponto de lhe servir de desculpa para nem sequer estar presente na Luz no jogo com o Porto, consegue evitar a figura deprimente a que se prestou, ficam claras as suas (in)capacidades. Por isso nunca aceita debates com ninguém. Mostrou como utilizou o clube para ir empurrando a sua dívida com a barriga. Mostrou como fez do Benfica o bunker da sua sobrevivência pessoal e financeira. E mostrou como montou a OPA para pagar ao amigo que o salvou da insolvência, que lhe garantiria a reeleição. 

Nada que muitos não tivessem já denunciado. Nada que muitos não soubessem, mas muito que muitos quiseram continuar a ignorar. Mas que, agora, ninguém pode mais fingir desconhecer, nem evitar que seja simplesmente insuportável permitir-lhe que se mantenha à frente dos destinos do Sport Lisboa e Benfica. Verdadeiramente inacreditável, a acontecer! 

Sacudir culpas

O Benfica ganhou, finalmente. Depois de quatro jogos sem ganhar, que valeram o afastamento da luta pelo título, ganhou. Ao Famalicão, penúltimo classificado, com a pior defesa do campeonato.

Ganhou, mas não foi melhor do que tem sido. Não ganhou por ter sido melhor do que tem sido; ganhou por ter tido a pontinha de sorte que lhe tem faltado. Ganhou porque nos dois primeiros ataques fez três remates e dois golos, o segundo na recarga ao segundo remate, depois de uma grande defesa do guarda-redes do Famalicão. Tudo isto com pouco mais de um minuto de jogo jogado.

Aos seis minutos o Benfica ganhava por dois a zero, mas cinco desses seis minutos foram gastos pelo VAR a validar os golos. Nunca me tinha passado pela cabeça que o VAR também pudesse servir para isso, para uma espécie de pausa técnica a que os treinadores do futebol não podem recorrer. O que pareceu foi que Hugo Miguel, um árbitro com currículo, quis quebrar a avalanche do Benfica e dar oxigénio ao Famalicão.

Não se sabe o que teria acontecido se com aqueles dois golos tivesse acontecido o que seria normal acontecer - bola ao centro, e segue jogo. Sabe-se o que aconteceu. E o que aconteceu foi que os golos não empolgaram os jogadores. Fosse pelo gelo que VAR lhes despejou em cima, fosse porque já nada os empolga.

Porque o jogo acabou por ser o que foi, e não o que eventualmente poderia ter sido sem o saco de gelo despejado pelo VAR, acabam por não ficar grandes dúvidas que o Benfica ganhou porque teve a sorte que não tem tido. Desde logo a sorte de fazer os dois golos do jogo nos três primeiros remates. Ou, na prática, nos dois primeiros remates, dos dois primeiros ataques, nos dois primeiros minutos de jogo jogado.

Mas também porque, depois, a equipa voltou a cair na mediocridade do seu futebol, onde se foi afundando à medida que o tempo ia passando. Passes falhados, incapacidade de ligar as jogadas, perdas de bola, faltas...

Foi sendo assim, e foi mais gritantemente assim na segunda parte. O Famalicão começou a subir no terreno e a discutir o jogo a partir dos vinte minutos no relógio do jogo, e na segunda parte passou mesmo a estar por cima do jogo. E foi então, como já tinha sido nos últimos jogos, que se viu a mediocridade do futebol desta equipa do Benfica. 

Jogando no campo todo, o Famalicão - penúltimo classificado e a pior defesa do campeonato, repito - deixava espaço para os jogadores do Benfica imporem a sua suposta superioridade técnica. Mas o que se viu foi uma completa incapacidade para aproveitar esses espaços, falhando sucessivamente as transições ofensivas. Uma, apenas uma, foi concluída. Mas mais valia que o não tivesse sido - Darwin, numa chocante falta de classe (ou será apenas de confiança?), a dois metros da baliza, completamente escancarada, atirou para as nuvens.

E só não foi a única oportunidade de golo do Benfica na segunda parte porque, já mesmo no fim, o guarda-redes famalicense fez uma grande defesa, a remate de Everton. O cheiro a golo morou sempre na baliza de Vlachodimos, onde o golo não surgiu porque - lá está - a sorte desta vez, ao contrário das outras, não virou costas. Foram cinco as oportunidades que o Famalicão construiu. Quatro na segunda parte. A primeira tinha levado a bola ao poste, ainda antes da meia hora de jogo. 

Cinco oportunidades. Cinco! Ainda se não tinha visto tal coisa na Luz . 

Jorge Jesus resume tudo isto ao covid. Claro que não se pode ignorar o seu efeito devastador na equipa. E menos se pode ignorar que aconteceu, e a dimensão com que aconteceu, depois do jogo no Dragão. É um facto, e factos são factos. Não se pode é justificar o estado a que o futebol do Benfica chegou dessa maneira, até porque o eclipse da equipa já vinha de trás.

Já Otamendi, o capitão e que até marcou hoje o seu primeiro golo de águia ao peito, tem outra opinião. E falou de compromisso, de empenho e de partir para outra, mudar de rumo.

Não, mister. Não é tudo culpa da covid. A catástrofe que se abateu dobre o Benfica é mais da sua responsabilidade do que da covid. E mais ainda de Vieira e de Rui Costa do que sua.

Ontem estava a ver o banho de bola do City ao Liverpool e, extasiado com a classe de João Cancelo e Bernardo Silva, com a imponência de Rúben Dias e com a categoria e segurança de Ederson, via que, ali, numa das duas ou três melhores equipas do mundo, estavam quatro que saíram do Seixal. Quase meia equipa. Daí o pensamento saltou-me para a selecção nacional, e numa das melhores selecções do mundo, conto mais três ou quatro - João Felix, Gonçalo Guedes, Nelson Semedo, André Gomes... Espreitou para grandes equipas europeias - nisto do futebol a Europa é o mundo, o resto é paisagem - e lá estavam Oblak, Witsel, Cristante, Lindelof, Matic, Raúl Jimenez, Di Maria...

Só aqui estão quinze. só nos últimos anos. Dir-me-ão: pois, mas era impossível segurá-los. Não seria possível segurá-los todos, admito, mas não era impossível segurar boa parte deles. Não ter jogadores deste nível, nem os largos  milhares de milhões de euros que eles renderam, é que não deveria ser possível. Mas é a realidade.

Pior só olhar para essa realidade e perceber que disso já não há mais. Já não há no Seixal, nem há já departamento de scouting para os ir buscar fora. 

Sim, é esta a obra feita de Vieira. É este o legado de Vieira, Rui Costa, Jesus e Jorge Mendes... Sem jogadores, sem dinheiro, sem rumo. E sem honra!

Hoje é dia de eleições

Guia para as Eleições do Benfica: Tudo o que precisa de saber

 

Hoje é dia de eleições no Benfica. Marcadas para a próxima sexta-feira, foram antecipadas para hoje em função das restrições à mobilidade impostas para o fim de semana. Mais normal seria que fossem adiadas, mas foram antecipadas. Como natural seria que se prolongassem por dois, ou mesmo três dias, para reduzir os riscos de grandes ajuntamentos nestes tempos severos da pandemia.

Natural teria sido também que os benfiquistas tivessem encontrado um candidato que federasse toda a oposição, para seriamente poder desafiar o poder instalado. Há quatro meses, e na única vez que me pronunciei sobre as eleições que se realizam hoje, deixei aqui um manifesto nesse sentido, chamando-lhe "Uma missão para os benfiquistas".

Não aconteceu o que acho que deveria ter acontecido, e hoje são três candidaturas que vão a votos, depois da desistência de mais duas, uma das quais precisamente ontem. A de Bruno Costa Carvalho, por interposta pessoa por não ser candidatável à luz das condições estatutárias inventadas pelo actual poder.  E assim, evidentemente, não se conquista o poder a ninguém. 

Quando eu propunha alguém como Humberto Coelho para congregar a alternativa a LFV era exactamente para evitar que proliferassem candidaturas, todas elas bem abastecidas de egos, que dispersassem votos e favorecessem quem está no poder. E isso só seria evitado com uma personalidade incontroversa, agregadora, prestigiada e com História. 

Mais que os seus deméritos pessoais, Rui Gomes da Silva e de João Noronha Lopes têm o imenso demérito de não terem utilizado o espaço que lhes permitiu as respectivas candidaturas para promoverem uma candidatura vencedora, à volta de uma personalidade unificadora e acima de qualquer suspeita. Não perdem pelos defeitos ou limitações de cada um, pela estratégia que cada um seguiu, ou pelo programa que cada um apresentou. Perdem porque eventualmente qualquer um dos dois perderia. Mas perdem seguramente por serem dois.

 

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