O Benfica assinou hoje a guia de marcha da Liga dos Campeões, ao perder em Lyon o jogo que não podia perder. E mesmo o apuramento para a Liga Europa só não ficou em cheque porque o Leipzig tratou de mostrar que o Zénite só mesmo ao Benfica consegue ganhar.
É mais uma enorme frustração para o benfiquismo, maior ainda depois de se ter dado a retoma por adquirida nos últimos dois jogos. Sabemos que o Benfica não tem equipa para a Champions. Constatamos até que o jogo que por cá se faz não tem grandes hipóteses de sucesso nos níveis mais evoluídos do futebol europeu.
É por isso ainda mais difícil perceber que o Benfica tenha prescindido dos seus melhores jogadores em todos os quatro jogos que disputou. Se com os melhores disponíveis seria difícil, assim é impossível.
Hoje voltou a acontecer o mesmo, e a ficarem demonstradas as limitações do Benfica. Bruno Lage deixou de fora Pizzi e André Almeida, para lançar para os seus lugares Gedson e o miúdo Tomás Tavares. Não deixou apenas de fora os melhores, deixou mesmo de fora a alma da equipa. Manteve Carlos Vinícius, justificadamente, à luz das últimas exibições. Mas que, chegado ao exigente palco da Champions, simplesmente desapareceu. A entrada de Seferovic apenas serviu para amplificar essa evidência.
Para um jogo que tinha obrigatoriamente de ganhar, o Benfica não partia apenas sem os seus melhores jogadores. Partia também sem ambição de o ganhar. Talvez por isso o jogo se tenha encarregado de castigar as opções de Bruno Lage, dando logo aos 4 minutos o golo ao Lyon, a penalizar a passividade com que os jogadores do Benfica entraram em campo. Afastando Ferro do jogo, logo a seguir, lesionado num choque com Odysseas, e garantindo o segundo golo à equipa francesa, no segundo remate à baliza, depois de mais uma série de maldades ao Tomás Tavares. Que fez todos os jogos da Champions!
A partir daí o jogo foi o que o Lyon quis que fosse. A sorte é que talvez tenha entendido que não podia querer de mais.
Mas pronto. O que interessa é o Santa Clara. Já percebemos...
Foi com muito sofrimento, e alguma sorte, que o Benfica alcançou a primeira vitória nesta edição da Champions, e uma das raríssimas dos últimos anos nesta fantástica competição.
No meio da alegria desta vitória, a profunda tristeza da certeza certa do desaparecimento definitivo do Benfica alegre, confiante e competitivo de Bruno Lage. Nada esconde esta triste realidade!
Este jogo de hoje com o Lyon, provavelmente a equipa do grupo melhor apetrechada a nível de individualidades, foi um jogo de paradoxos. O primeiro é mesmo aquela alegria naquela tristeza. O segundo, mas mais notório ainda, foi que o Benfica acabou por ganhar, com sorte, um jogo cheio de azares.
À sorte de marcar na primeira oportunidade, logo aos 4 minutos, por Rafa (Who else?) seguiu-se logo o azar da sua lesão, privando a equipa do seu mais desiquilibrador e talentoso jogador. E não se ficaram por aqui os azares do jogo porque, vítima de uma das muitas entradas violentas e cheias de maldade dos jogadores do Lyon, Seferovic cedo ficou inferiorizado e praticamente fora do jogo. E, sem que se percebesse bem por quê, Bruno Lage deixou-o em campo até à hora de jogo.
Ao azar do remate de Pizzi ao poste, quando o Benfica esboçou a reacção possível ao golo do empate do Lyon sucedeu, dois minutos depois, aos 86, a sorte do golo da vitória... Não. Essa é que não. Não foi sorte o golaço de Pizzi, foi um grande golo, de grande execução. A reposição da bola do Anthony Lopes foi um incidente de jogo, um erro como tantos outros. O que se seguiu foi um momento de grande concentração competitiva, de enorme visão de jogo e de finalização de excelência. Aqui, a sorte foi ter Pizzi naquele momento, como já tinha sido dois minutos antes. E o azar foi nunca ter tido Pizzi desde os vinte minutos de jogo quando, mais de cinco minutos depois da lesão, entrara a substituir o azarado Rafa, acabadinho de regressar.
Do resto, para além destes paradoxos de sorte e azar, fica mais um jogo muito fraquinho do Benfica, de novo com demasiados passes errados, a quebrarem todas as hipóteses de qualquer dinâmica de jogo.
Apesar de tudo a primeira parte nem foi verdadeiramente má. De mau apenas que o Benfica não tenha tido capacidade para tirar mais de um jogo que lhe estava de feição, ainda mais depois daquele golo madrugador. Haverá sempre a desculpa da lesão de Rafa que, evidentemente, cortou com tudo o que tivesse sido a planificação do jogo. A segunda parte foi pouco menos que péssima, e o Benfica só ganhou o jogo, pesem todas as incidências, porque o Lyon, como afinal todos quantos assistiam àquela pálida exibição, pensou que tinha tudo para o ganhar.
Não foi um milagre, esta primeira vitória. Mas não ficou muito longe disso. E se não há milagres todos os dias, também os sucedâneos são esporádicos. Por grande que seja a fé!
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