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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Noite mágica em Haifa

Está bem agarrado a raízes profundas este extraordinário futebol do Benfica. Ninguém diria que as sementes que Schemidt começou a semear no início do Verão desenvolveriam tão rapidamente raízes tão sólidas e profundas.

Só essas raízes explicam tudo o que de épico e extraordinário aconteceu nesta noite de glória de Haifa. 

Sem Enzo, até aqui peça fundamental desta máquina de futebol de Schemidt, impedido pelo castigo pelos dois cartões amarelos, havia Aursenes. Já tinha dado garantias de ser capaz de manter a máquina a funcionar em pleno. Só que o norueguês não resistiu mais que meia hora, tendo de sair lesionado. Porque um mal nunca vem só, pelas mesmas razões, e em simultâneo, também Gonçalo Ramos abandonou o jogo. Duas substituições "queimadas" logo à meia hora!

Ficou a ideia que ambas as lesões não seriam motivo de impedimento imediato de ambos. Que o treinador do Benfica simplesmente entendeu não arriscar que pequenas lesões se transformassem em lesões mais graves. E que, sabendo da robustez das raízes, não teve qualquer receio em fazer o que entendeu, e bem, que tinha de fazer.

E isto é bom senso, confiança e coragem!

Apoiado por um ambiente daqueles que empurram qualquer equipa muito para lá dos seus limites, com o estádio repleto de uma massa humana tomada de um entusiasmo fanático, focados no objectivo do terceiro lugar no grupo, que lhes garantia prosseguir a temporada na Liga Europa, o Maccabi Haifa entrou no jogo a todo o gás, pressionando em todos os metros quadrados do campo, e disputando cada bola como se fosse a última.

Nada a que este Benfica não esteja habituado. A equipa sabe o que tem a fazer nessas condições, não treme. Sabe que depois desse tempo vem outro, o seu. E depressa!

Voltou a ser depressa, nesta noite. Bastaram cinco ou seis minutos para o Benfica esvaziar o ímpeto inicial da equipa israelita, e colocar em pleno funcionamento a sua máquina de futebol, e esperar que ela comece a produzir oportunidades de golo.

A primeira chegou de imediato, mas a bola rematada por Gonçalo Ramos preferiu o poste à rede da baliza israelita. Pouco depois, a segunda, num extraordinário remate de Rafa, que o guarda-redes Cohen defendeu de forma verdadeiramente extraordinária. Às três foi de vez: da cabeça de Otamendi, a responder ao passe espectacular de Aursenes a mudar o flanco do jogo, cruzar toda a área,  à cabeça de Gonçalo Ramos para o golo. Tinha o jogo apenas 20 minutos, e já dono. Só o Benfica mandava.

Só que jogo é jogo e, seis minutos depois, o VAR conseguiu convencer o inglês Anthony Taylor que Bah jogara a bola com a mão. Assinalou mais um penálti manhoso - ontem foi também assim que o Sporting foi afastado da Champions e, já em última hora, remetido para a Liga Europa - e o Maccabi empatou.

Nada, mais uma vez, a que o Benfica não esteja habituado. Por isso reagiu, como sempre. Só que logo de imediato surgiram as lesões de Aursenes e Gonçalo Ramos, substituídos por Chiquinho e Musa, e temeu-se pela capacidade de reacção. Até porque as coisas também não estavam a sair bem a Neres.

Nada disso. João Mário recuou para o lado do Florentino, não para fazer de Aursenes, ou de Enzo, mas para fazer o que sabe fazer, e bem, naquela posição. E foi quase como se nada tivesse acontecido.

Mantendo-se o empate, e com o público sempre a puxar pelos jogadores, o Maccabi repetiu na entrada para a segunda parte o que fizera na primeira. E lá voltou o Benfica a fazer, também, o mesmo. Só que, desta vez, mais depressa e ainda melhor!

Bastaram pouco mais de dez minutos para que Musa (finalmente) marcasse, igualmente à terceira oportunidade de golo criada, e acabasse com a resistência israelita, após grande assistência de Bah. Em grande. Dez minutos depois Grimaldo fez o que sabe fazer bem, e marcou o terceiro, num livre primorosamente cobrado, silenciando as bancadas e desbaratando por completo o adversário, já em completo desespero. Mais quatro minutos, e Neres, já recuperado, assistiu para o belíssimo golo de Rafa.

Faltavam dois golos, e mais de um quarto de hora de jogo para, mantendo-se o resultado em Turim, onde o PSG ganhava por 2-1 à Juventus, chegar ao primeiro lugar no grupo.

Tranquilamente, Schemidt decidiu poupar as duas estrelas, que acabavam de construir o quarto golo. Ou refrescar a equipa?

Entraram Diogo Gonçalves e, finalmente, o miúdo Henrique Araújo. O primeiro só não fez o quinto porque a bola teimou em ir outra vez ao poste. O miúdo, em pouco tempo mostrou tudo o que se sabe que vale. E marcou o quinto, a dois minutos dos 90, com selo de marca registada. Aquela desmarcação, e aquela finalização, é marca de Henrique Araújo!

Festejava-se o golo quando, de novo tranquilamente, como se não estivesse a um golo do objectivo maior para esta Champions, Schemidt nos quis dizer que o Lucas Veríssimo está finalmente de volta. Na euforia da celebração quase não dávamos pela entrada do internacional brasileiro, em substituição do menino António.

Faltava um golo. E lá estava João Mário. Em noite de gala, com tanta diversidade de marcadores, merecia ser a ele a marcar o golo mágico. Jogava-se o segundo dos três (mais uma maldade do Sr Taylor) minutos de compensação, e era o final perfeito para uma noite de glória!

O Benfica atingia 14 pontos. Nunca antes lá tinha chegado. O PSG, também. Mas essa era a sua obrigação. Com 16 golos marcados e 7 sofridos. O PSG, também. Tinham empatado ambos os jogos, a um golo. 

Teve de se recorrer ao sexto e penúltimo critério de desempate. O Benfica tinha marcado mais três golos fora de casa que o PSG. Era primeiro no grupo!

Poderia ser pelas bolas nos ferros. Não é. Mas aí também o Benfica ganharia!

Ninguém acreditaria nisto, há meses, na altura do sorteio. Ninguém, ontem,  hoje, ao início do jogo, ou mais ainda ao minuto 30 do jogo, acreditaria ser possível superar a diferença de golos dos ricos de Paris.

O que de melhor que tínhamos para acreditar era que estivéssemos agora a lamentar os golos desperdiçados nos dois jogos com a Juventus, ou mesmo as duas bolas de hoje ao poste. É esta a dimensão épica desta mágica noite de Haifa! 

A fazer dos fortes fracos

O Benfica entrou a ganhar na Champions. E vão dez ... Dez jogos ... dez vitórias. E por agora, no fim da primeira jornada, o primeiro lugar do grupo (o PSG ganhou por 2-1 à Juventus, em Paris). 

Dirão os do costume que ... nada. Que o Benfica só encontrado adversários frágeis. E que este Maccabi Haifa é mais uma equipa fraca. A mais fraca do grupo, será em teoria. Veremos se a prática o vai confirmar.

Só que esta equipa israelita é tudo menos fraca. É mesmo muito forte. Fisicamente fortíssima e, do ponto de vista táctico, um adversário muito difícil.

A primeira parte mostrou claramente as dificuldades deste adversário. O Benfica não fez - é verdade! - uma boa primeira parte, e chegou a parecer que este seria mais um jogo na linha dos dois últimos do campeonato. 

As dificuldades do futebol do Benfica nesses dois últimos jogos mantiveram-se, em particular no que se refere à velocidade e ao afunilamento do jogo para a zona central do ataque, com total ausência de chegadas à linha de fundo - as que mais desequilíbrios provocam nas defesas adversárias. Só que desta vez percebia-se que essas dificuldades eram mais provocadas pelo adversário que propriamente por demérito dos jogadores.

A equipa israelita dificultou mesmo muito a tarefa do Benfica, com uma dimensão física que lhe permitia marcar individualmente em todo o campo, sempre com enorme pressão sobre cada jogador adversário e, com isso, encher de areia a engrenagem do futebol de Roger Schemidt, muito especialmente pelo que entupiu as ligações de Enzo e de Florentino. Depois, essa dimensão física permitia-lhe fazer que saía a jogar, e com isso chamar os jogadores do Benfica para, depois, lançar para a frente à procura das segundas bolas.

E este foi o desafio que, na primeira parte, o Benfica conseguiu ganhar. Muito por mérito dos dois centrais - o miúdo, o António Silva, e o seu avô, Otamendi, foram absolutamente soberbos. O resultado era um empate, a zero. E apenas uma oportunidade de golo, nos pés de Rafa, e negada pelo guarda-redes. Mas o controlo sobre o jogo que, naquelas condições, o Benfica sempre manteve era um grande resultado ao intervalo.

Não se poderá dizer que na segunda parte tudo mudou. Mas mudou muita coisa. Começou por mudar com a troca ao intervalo de Gonçalo Ramos por Muza. Não que o croata seja melhor, mas porque é diferente. Joga de costas para a baliza, como dizem. Mas o que de mais relevante trouxe ao jogo foi o posicionamento. Mais fixo, fixou mais os centrais adversários, e abriram-se mais espaços. E, com eles, a inspiração de Grimaldo e Rafa. Mas também Enzo Fernandez, e até de João Mário.

E os golos acabaram por aparecer. Dois, em apenas 5 minutos, e ainda dentro dos primeiros dez da segunda parte. Primeiro numa excelente jogada colectiva, com Grimaldo (lá está, já perto da linha de fundo) a cruzar para a entrada de Rafa, bem junto à linha de golo. E, depois, aquela obra de arte - arrisco mesmo que esteja desde já encontrado um dos maiores candidatos ao prémio Puskas - do espanhol. Um golo de grande espectáculo que encheu de brilho a vitória do Benfica!

Em apenas 10 minutos ficou resolvido um problema que até parecia bem difícil de resolver. Com o problema dos golos resolvido, o resultado da primeira parte - o controlo do jogo - alargou-se. Com nova intervenção de Schemidt que, para isso, trocou Neres - que não fora bafejado pela inspiração - por Aursnes. E com o António e o Nico sempre lá bem em cima, sem darem qualquer hipótese de susto.

Esperava-se a estreia de Draxler, mas foram Chiquinho e Diogo Gonçalves a entrar para subsistirem o esgotado Rafa - que, se na altura de decidir e definir os lances tivesse metade da qualidade que tem a romper com bola, seria hoje um dos melhores do mundo - e o esforçado João Mário. É o que temos ... e, pelos vistos, ainda teremos de esperar pelo internacional e campeão mundo alemão. 

E o terceiro golo, que melhor definiria a superioridade do Benfica sobre mais este "fraco" adversário, só não surgiu porque o poste direito da baliza do guarda-redes americano do Maccabi o roubou a Enzo Fernandez.

E daqui a uma semana vamos a Turim. Esperemos que para defrontar uma fraquinha Juventus!

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