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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

EURO 2012 (XIV) - A MAGIA DO FUTEBOL

Por Eduardo Louro

                                          Grécia dá um pontapé na crise e está nos “quartos”                            

Fala-se da magia do futebol para se referir à beleza do espectáculo que produz, mas, muito mais do que isso, para referir imprevisibilidade que o integra. É por isso que arrasta multidões, desperta paixões como nenhum outro. É por isso que é o desporto-rei!

Quem assistiu ao segundo jogo do euro – Rússia vs República Checa (4-1) – à exuberância da exibição da equipa russa e, por consequência, ao descalabro checo, jamais admitiria que os russos – uma das selecções favoritas – não fossem apurados. E muito menos que os checos não só lograssem o apuramento como terminassem no primeiro lugar do grupo!

Mas que dizer do apuramento da Grécia de Fernando Santos?

Uma equipa que chegava à última jornada com um simples ponto, dizimada nas duas primeiras jornadas, por erros próprios – é certo – mas acima de tudo por um enorme conjunto de azares e por clamorosos e decisivos erros de arbitragem. Tudo o que é infelicidade lhe bateu à porta, a lembrar, como aqui se disse, o que acontece no país!

Há qualquer coisa de especial nesta selecção grega que não podemos certamente desligar da situação de revolta no país por tudo o que lhe tem acontecido. Dir-se-á que não é de agora, que a Grécia foi campeã europeia em 2004 - em Portugal, contra todas as expectativas - quando o país ainda vivia a iludir a realidade e com a crise escondida. Mas não é a mesma coisa!

Em 2004 a Grécia surpreendeu tudo e todos com um futebol retrógrado, o futebol ultra-defensivo e nada atractivo de Rehagel, e com muita sorte pelo meio. Bafejada por uma sorte que, do primeiro ao último jogo, nunca abandonou.

Neste europeu não foi nada que se parecesse. Nem o seu futebol foi ultra-defensivo nem foi a sorte a empurrá-los. Antes pelo contrário, tiveram que lutar contra tudo e também contra a sorte. Foi uma crença enorme, uma mentalidade competitiva incomum, não compaginável com a imagem que dos gregos é dada. Foi uma força de fraquezas feita, como se daí dependesse a redenção da pátria grega!

Ameaçada de expulsão deste euro desde o primeiro dia, diria mesmo que desde o primeiro minuto, a Grécia resistiu e ficou. Não conseguiram pô-la fora!

Gregos: podem votar tranquilamente amanhã. Sem receios, de acordo com a força das vossas convicções porque, do euro, ninguém vos consegue pôr fora!

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