O Manchester City conquistou finalmente, tantos anos e tantas centenas de milhões depois, a "Champions", depois de vencer ("à rasquinha") o Inter de Milão, esta noite , no Atatürk, em Istambul.
O favoritismo da equipa de Guardiola era total, mas não o conseguiu confirmar no jogo. Porque lhe faltou o seu futebol, realmente superior e sem rival no planeta, "curto-circuitado" pelo meio campo do Inter. Que conseguiu fazer ao City de Guardiola, com todas as suas estrelas, aquilo que fizera ao Benfica, na Luz.
O único golo do jogo foi marcado, aos 68 minutos, pelo espanhol Rodri, assistido por Bernardo Silva, numa jogada que desequilibrou por completo a intransponível defesa da equipa de Simone Inzaghi. E só então o jogo ganhou a dimensão de espectáculo de uma final da "Champions".
Até aí foi um jogo enfadonho, com o City aprisionado na maldição "Champions" e na teia italiana, e o Inter preso à estratégia que o tinha trazido até Istambul. A partir daí, o Inter soltou-se, o jogo tornou-se excitante, poderia ter acabado com um resultado diferente, e poderia até ter ido para prolongamento.
Não foi, acabou assim. E o Manchester City conquista finalmente a "Champions", juntado-a ao campeonato e à taça de Inglaterra. O "treble", como eles dizem, por lá. E quatro benfiquistas são campeões europeus : Ederson, Rúben Dias e Bernardo Silva - provavelmente o jogador da final -, mas também "o proscrito" João Cancelo.
Chegou ontem ao fim a Premier League. Manchester City e Liverpool chegaram à última jornada separados por um ponto, a favor da equipa de Guardiola. Ambas as equipas jogavam em casa, junto do seu público: o City recebia o Aston Villa, de Steven Gerrard, um dos mais emblemáticos jogadores e capitães da História do Liverpool, onde passou toda a sua vida de praticante de futebol; em Anfield Road, o Liverpool recebia o Wolverhampton, de Bruno Lage, a equipa mais portuguesa de Inglaterra.
A possibilidade de terminarem em igualdade pontual era remota, mas no melhor campeonato nacional do mundo tudo pode acontecer. Seria necessário que a equipa de Guardiola perdesse e que a Yurgen Klopp empatasse. Mais improvável seria que esse empate pontual servisse para o Liverpool conquistase o título. O desempate far-se-ia pela diferença entre golos marcados e sofridos, e esse factor era favorável ao City. Seria necessário que fosse derrotado por uma diferença de seis golos. Pelo que o cenário verdadeiramente realista para que o Liverpool fosse campeão passava por ganhar o seu jogo e esperar que Steven Gerrard desse uma ajuda, ganhando em Manchester.
Os dois jogos arrancaram, à mesma hora, naturalmente. Em Manchester o City tomava conta do jogo, ao seu jeito. Mas as coisas não saíam bem, era evidente o peso da responsabilidade que os seu jogadores carregavam. Nem os melhores e mais experientes escapam a estes momentos. Em Liverpool tudo começou ainda pior, com a equipa de Bruno Lage a jogar muito bem, e com Pedro Neto endiabrado. Marcou logo aos 3 minutos e esteve por mais duas vezes muito perto do golo, antes de sair, lesionado, ainda antes do meio da primeira parte. E aí o jogo começou a mudar. De tal forma que Sadio Mané empatou logo a seguir, aos 24 minutos.
Pouco depois, aos 37, em Manchester o Aston Villa, que só defendia, na primeira vez que o pontapé para a frente resultou, marcou. E fez-se festa em Anfield onde, apesar de tudo, os Wolves iam discutindo o jogo e até obrigando Allison a muito e bom trabalho. O intervalo deixava tudo na mesma, e o nervosismo passou ansiedade dramática no Etihad quando mais um pontapé para a frente, desta vez do próprio guarda-redes, levou a bola a Philippe Coutinho, e o ex-Liverpool, com a classe que se lhe reconhece, marcou o segundo. Guardiola acabara de trocar Bernardo Silva por Gudogan, e a resposta era um inacreditável 0-2, a 20 minutos do fim.
Mais festa em Liverpool, mesmo que o empate por lá subsistisse. Entretanto, no Jamor começara o jogo da final da Taça, entre o Porto e o Tondela. Enquanto na Cidade do Futebol o VAR se entretinha durante cinco minutos a descortinar um fora de jogo para acabar a descobrir um penálti a favor dos do costume, em Manchester esse mesmo tempo, entre os 76 e os 81 minutos, era aproveitado pelo City para marcar três golos - dois do "herói" Gudogan, a lembrar Kun Aguero, há dez anos, com o de Rodri pelo meio -, dar a volta ao resultado e garantir o segundo campeonato consecutivo.
Demonstrativo do que é o futebol, a sério, em Inglaterra, e o da palhaçada, em Portugal. Enquanto aqui, numa final da Taça, o VAR se entretém entre um fora de jogo e um penálti sempre a favor dos mesmos, em Inglaterra ganha-se um campeonato!
Já o Machester City tinha feito a reviravolta, e o Etihad rebentava em festa, quando Salah, aos 84 minutos, em Anfield conseguia desfazer o empate, e assegurar a vitória - confirmada com o terceiro golo (Robertson) já em cima do minuto 90 - que já não servia para nada. E na verdade, nem mesmo com o City a perder por 2-0, nunca o Liverpool esteve virtualmente campeão!
Mais uma extraordinária exibição do Manchester City de Guardiola, numa goleada por números invulgares na Premier League: 8-0, frente ao Watford, agora de Quiqe Flores. Com um improvável hat-trick- o primeiro da sua carreira - de Bernardo Silva, numa exibição memorável.
É, sem dúvida, o melhor plantel do futebol mundial, este do City. Com, pelo menos, dois jogadores para cada posição onde é difícil perceber qual é o melhor, à excepção do guarda-redes Ederson, e de Bernardo Silva e Kevin de Bruyne, sem essa estafada estória do melhor do mundo, dois jogadores do top five mundial.
É curioso que, quando falamos nos três jogadores ímpares deste City, dois deles sejam da formação do Benfica. E que, na equipa deste fabuloso plantel, três tenham a mesma origem. E digo que é curioso porque mostra o melhor e o pior da discutida estratégia do Benfica.
O melhor, porque é sinal inequívoco do sucesso da formação que se faz no Seixal. E o pior, porque é o sinal, não menos inequívoco como, apenas com um pouco de parcimónia na ânsia vendedora, estaria tão à mão uma grande equipa, verdadeiramente competitiva no panorama internacional.
Ou como, nesta estória do Benfica europeu, teria sido possível passar das palavras aos actos!
Resisti a escrever o que quer que fosse sobre a transferência de João Félix até que estivesse realmente confirmada sabendo-se, como se sabe que, nestas coisas, a verdade nunca chega antes de uma infinidade de mentiras, produzidas por uma máquina diabólica sempre a funcionar em alta rotação.
Sabe-se agora, parece que já não há volta a dar-lhe, que João Félix vai para o Atlético de Madrid. Dizem-nos, diz-nos a mesma máquina, que pelo valor da cláusula de rescisão. Pelos tais 120 milhões de euros, transferência que passa a constar do top 5 mundial.
Será certamente. Poucas dúvidas sobram disso. Mas muitas se levantarão sobre o destino de tanto dinheiro... Uma coisa pode ser dada por certa: se alguém esperava que este negócio resultasse do simples accionamento de uma cláusula de rescisão de um contrato, em que uma parte se apressa a depositar o respectivo valor deixando a outra paralisada e sem qualquer possibilidade de reacção; esqueça!
Não foi nada disso que se passou. E como não foi nada disso que se passou, toda a gente negociou com toda a gente sem restrições de qualquer espécie - incluindo o clube de Madrid com o jogador -, não há forma de os 120 milhões serem 120 milhões a entrar nos cofres do Benfica. Jorge Mendes esteve envolvido - está sempre - e não sai de mãos a abanar. Nem nada que se pareça...
Claro que haverá quem venha a correr dizer que só Jorge Mendes é capaz de fazer negócios deste nível. E são até capazes de trazer para aqui o caso de Bruno Fernandes, de que foi afastado. Mas não colhe. Pela simples razão que João Félix ... não era para vender!
O presidente do Benfica disse sempre que o queria manter no clube, renovar-lhe o contrato e aumentar até a cláusula de rescisão. Que, apenas obrigado pela activação da cláusula prevista no actual contrato, abriria mão do jogador. E por isso não se percebe por que surgiu Jorge Mendes no negócio. Se não era para vender, porquê um vendedor? Nem por que o Atlético de Madrid pôde começar a apresentar propostas a um jogador que não estava livre para negociar, nem era para vender, sem que isso fosse denunciado por hostilidade.
Mas, claro, estamos a falar de negócios - "business, as usual". Onde tudo o que importa é ganhar dinheiro a qualquer custo. Ninguém olhou muito para mais lado nenhum que não esse. Nem o miúdo, sempre o elo mais fraco nestas coisas. Que, deixando-se ir na conversa de todos os que o rodearam, cada um com as suas preocupações e com os seus interesses, corre sérios riscos de, naquele clube e naquele futebol de Simeoni, hipotecar uma carreira que poderia ser brilhante.
O Manchester City, de Guardiola, a alternativa mais robusta, ganha títulos, tem um futebol de primeira água, à medida das mais evidentes qualidades do miúdo, e pretendia deixá-lo na Luz, mais 6 meses ou um ano, passando depois integrá-lo na equipa. No Manchester City iria encontrar Bernardo Silva, uma referência na equipa. Atlético de Madrid vai encontrar fantasmas: João Pinto, Simão, Gaitan... e um clube com enorme dificuldade em conquistar títulos. Vai cair num futebol eminentemente físico e encontrar bancadas cansadas de não ganhar, que nada perdoarão a um miúdo que custou como gente grande. Da maior. Mas, acima de tudo, a diferença é esta: no Manchester City João Félix poderia aspirar a ser bola de ouro. No Atlético de Madrid, nem por sonhos...
Pode perceber-se que, com tanto dinheiro, ninguém se tenha lembrado disto. Não se entende é que o próprio João Félix não o tenha percebido!
Tempo de compensação, também chamado período de compensação ou até tempo extra, é a designação que o futebolês dá para o tempo de jogo que subsiste depois de o ponteiro dos minutos do relógio ter completado três quartos de uma volta completa. É o tempo que o árbitro acrescenta à primeira e à segunda parte de cada jogo, comunicado à plateia através de uma placa mostrada pelo chamado quarto árbitro. Para compensar, e por isso a designação de tempo ou de período de compensação! E deixemos o tempo extra para outras coisas, até para nome de programa de televisão…
Para compensar o quê? O tempo perdido com assistência médica aos jogadores - por necessidade real ou por manha –, o tempo perdido com as substituições e com as mais diversas habilidades para o fazer passar, a que o futebolês chama anti-jogo. Com atrasos na reposição da bola ou com quebras de energia, estranhas ou nem tanto, como em Braga, por exemplo. Estranhamente não é comum vermos compensar o tempo perdido com o festejo dos golos… Faz sentido: festa é festa!
Está na mão – e no relógio - do árbitro a decisão do tempo de compensação. Como tudo o resto, afinal. E na pressa. Se estão com muita pressa dão pouco tempo de compensação. Se pelo contrário, têm muito vagar, aquilo nunca mais acaba!
Também os adeptos olham para este período de compensação com relógios muito diferentes. Se a nossa equipa está a ganhar e sob forte pressão do adversário, não há razão nenhuma para compensar o que quer que seja. Se, ao contrário, é a nossa equipa que está ali numa luta titânica contra o tempo e a precisar de alterar o resultado, o tempo de compensação terá que ser tanto quanto o necessário para isso!
É normal que os adeptos assim reajam. O que não é normal é que haja árbitros exactamente na mesma onda. Mas há!
Umas vezes estão com uma pressa danada para acabar com aquilo, e percebe-se que há ali marosca. Noutras percebe-se que tem todo o tempo do mundo, e que só acaba com aquilo quando quiserem. Há tempos de compensação que não são medidos em tempo, são medidos numa unidade antiga, dos tempos em que se jogava à bola nas ruas e os jogos não duravam minutos, duravam golos: mudava-se aos cinco e acabavam aos dez!
Não admira pois que muita coisa importante de decida nesse espaço de tempo. E nem sempre isso significa marosca, embora muitas vezes haja mesmo…
Já houve Ligas dos Campeões decididas também nesse espaço de tempo. Mas um campeonato, e mais a mais um campeonato como o inglês, disso é que não há memória!
Mas aconteceu no passado domingo. À entrada do tempo de compensação – fixado aí em cinco minutos – a parte de Manchester mais habituada a festejos estava em festa, enquanto a outra parte da cidade, que há quarenta e quatro anos não sabia o que era festa, chorava, incrédula, a ver fugir para os mesmos de sempre o campeonato que julgavam impossível escapar-lhe desta feita. Para eles, aquele era o jogo que só podia acabar depois de a sua equipa marcar os dois golos que faltavam para o ganhar. Mas, também para eles, aquele era um dos jogos que poderia prolongar-se pela tarde e noite fora, que a bola não entraria…
E, no entanto, o milagre aconteceu. Era 13 de Maio!
Desconfio que, do outro lado, poucos se terão lembrado que, uma dúzia de anos antes, um milagre idêntico lhes entregava uma Champions que o Bayern – que hoje mesmo, e mesmo com um dos árbitros mais dados à marosca, vai reclamar vingança perante outra equipa inglesa – já festejava!
O Manchester City, que na próxima quinta-feira visita o Porto para disputar o jogo da primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa, publicou no seu site um aviso aos adeptos para que se tomassem dos devidos cuidados com os carteiristas do Estádio do Dragão.
Evidentemente que este aviso choca os portistas, choca os portuenses e choca todos os outros portugueses. Até porque, se já estamos a ficar habituados a ser abusados e insultados pelos alemães e outra gente do norte da Europa, não esperávamos ser agora também achincalhados pelos nossos mais velhos aliados. Logo eles que tanto e há tanto tempo gostam de Porto. Do vinho, of course!
Pois bem. Estou em condições de adiantar que tudo isto não passa de uma mera e infeliz confusão, que não belisca minimamente a nossa mais antiga aliança nem põe em causa as exportações do precioso néctar.
É certo que há aqui um pouco de má vontade. Como se sabe o Manchester City é propriedade de uns senhores árabes muito ricos. Mouros, dos puros: coisa que, como é sabida, não é muito apreciada para os lados do Dragão. Eles sabem disso… E isso explica a parte da má vontade!
Falta a outra. Eles não sabem apenas que por ali os mouros não são muito apreciados. Eles sabem que muita gente se queixa de ali ser indecentemente roubada. Ouviram falar em autênticos roubos de igreja no Dragão e, como sabem que os seus adeptos não irão levar para lá igrejas mas apenas as suas carteiras, felizmente - para eles - bem mais recheadas que as nossas, aconselham-lhes os devidos cuidados.
Apenas isso. Espero que, depois desta explicação, portistas, portuenses e portugueses em geral, deixem os adeptos dos citizens esvaziar tranquilamente as carteiras para encher o bucho de cerveja...
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