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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Benfica europeu

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Mais uma extraordinária exibição do Manchester City de Guardiola, numa goleada por números invulgares na Premier League: 8-0, frente ao Watford, agora de Quiqe Flores. Com um improvável hat-trick- o primeiro da sua carreira - de Bernardo Silva,  numa exibição memorável.

É, sem dúvida, o melhor plantel do futebol mundial, este do City. Com, pelo menos, dois jogadores para cada posição onde é difícil perceber qual é o melhor, à excepção do guarda-redes Ederson, e de Bernardo Silva e Kevin de Bruyne, sem essa estafada estória do melhor do mundo, dois jogadores do top five mundial.

É curioso que, quando falamos nos três jogadores ímpares deste City, dois deles sejam da formação do Benfica. E que, na equipa deste fabuloso plantel, três tenham a mesma origem. E digo que é curioso porque mostra o melhor e o pior da discutida estratégia do Benfica.

O melhor, porque é sinal inequívoco do sucesso da formação que se faz no Seixal. E o pior, porque é o sinal, não menos inequívoco como, apenas com um pouco de parcimónia na ânsia vendedora, estaria tão à mão uma grande equipa, verdadeiramente competitiva no panorama internacional. 

Ou como, nesta estória do Benfica europeu, teria sido possível passar das palavras aos actos!

 

Business as usual ...

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Resisti a escrever o que quer que fosse sobre a transferência de João Félix até que estivesse realmente confirmada sabendo-se, como se sabe que, nestas coisas, a verdade nunca chega antes de uma infinidade de mentiras, produzidas por uma máquina diabólica sempre a funcionar em alta rotação.

Sabe-se agora, parece que já não há volta a dar-lhe, que João Félix vai para o Atlético de Madrid. Dizem-nos, diz-nos a mesma máquina, que pelo valor da cláusula de rescisão. Pelos tais 120 milhões de euros, transferência que passa a constar do top 5 mundial.

Será certamente. Poucas dúvidas sobram disso. Mas muitas se levantarão sobre o destino de tanto dinheiro... Uma coisa pode ser dada por certa: se alguém esperava que este negócio resultasse do simples accionamento de uma cláusula de rescisão de um contrato, em que uma parte se apressa a depositar o respectivo valor deixando a outra paralisada e sem qualquer possibilidade de reacção; esqueça!

Não foi nada disso que se passou. E como não foi nada disso que se passou, toda a gente negociou com toda a gente sem restrições de qualquer espécie - incluindo o clube de Madrid com o jogador -, não há forma de os 120 milhões serem 120 milhões a entrar nos cofres do Benfica. Jorge Mendes esteve envolvido - está sempre - e não sai de mãos a abanar. Nem nada que se pareça...

Claro que haverá quem venha a correr dizer que só Jorge Mendes é capaz de fazer negócios deste nível. E são até capazes de trazer para aqui o caso de Bruno Fernandes, de que foi afastado. Mas não colhe. Pela simples razão que João Félix ... não era para vender!

O presidente do Benfica disse sempre que o queria manter no clube, renovar-lhe o contrato e aumentar até a cláusula de rescisão. Que, apenas obrigado pela activação da cláusula prevista no actual contrato, abriria mão do jogador. E por isso não se percebe por que surgiu Jorge Mendes no negócio. Se não era para vender, porquê um vendedor? Nem por que o Atlético de Madrid pôde começar a apresentar propostas a um jogador que não estava livre para negociar, nem era para vender, sem que isso fosse denunciado por hostilidade.

Mas, claro, estamos a falar de negócios - "business, as usual". Onde tudo o que importa é ganhar dinheiro a qualquer custo. Ninguém olhou muito para mais lado nenhum que não esse. Nem o miúdo, sempre o elo mais fraco nestas coisas. Que, deixando-se ir na conversa de todos os que o rodearam, cada um com as suas preocupações e com os seus interesses, corre sérios riscos de, naquele clube e naquele futebol de Simeoni, hipotecar uma carreira que poderia ser brilhante. 

O Manchester City, de Guardiola, a alternativa mais robusta, ganha títulos, tem um futebol de primeira água, à medida das mais evidentes qualidades do miúdo, e pretendia deixá-lo na Luz, mais 6 meses ou um ano, passando depois integrá-lo na equipa. No Manchester City iria encontrar Bernardo Silva, uma referência na equipa. Atlético de Madrid vai encontrar fantasmas: João Pinto, Simão, Gaitan... e um clube com enorme dificuldade em conquistar títulos. Vai cair num futebol eminentemente físico e encontrar bancadas cansadas de não ganhar, que nada perdoarão a um miúdo que custou como gente grande. Da maior. Mas, acima de tudo, a diferença é esta: no Manchester City João Félix poderia aspirar a ser bola de ouro. No Atlético de Madrid, nem por sonhos...

Pode perceber-se que, com tanto dinheiro, ninguém se tenha lembrado disto. Não se entende é que o próprio João Félix não o tenha percebido!

 

FUTEBOLÊS#127 PERÍODO DE COMPENSAÇÃO

Por Eduardo Louro

 

 

Tempo de compensação, também chamado período de compensação ou até tempo extra, é a designação que o futebolês dá para o tempo de jogo que subsiste depois de o ponteiro dos minutos do relógio ter completado três quartos de uma volta completa. É o tempo que o árbitro acrescenta à primeira e à segunda parte de cada jogo, comunicado à plateia através de uma placa mostrada pelo chamado quarto árbitro. Para compensar, e por isso a designação de tempo ou de período de compensação! E deixemos o tempo extra para outras coisas, até para nome de programa de televisão…

Para compensar o quê? O tempo perdido com assistência médica aos jogadores - por necessidade real ou por manha –, o tempo perdido com as substituições e com as mais diversas habilidades para o fazer passar, a que o futebolês chama anti-jogo. Com atrasos na reposição da bola ou com quebras de energia, estranhas ou nem tanto, como em Braga, por exemplo. Estranhamente não é comum vermos compensar o tempo perdido com o festejo dos golos… Faz sentido: festa é festa!

Está na mão – e no relógio - do árbitro a decisão do tempo de compensação. Como tudo o resto, afinal. E na pressa. Se estão com muita pressa dão pouco tempo de compensação. Se pelo contrário, têm muito vagar, aquilo nunca mais acaba!

Também os adeptos olham para este período de compensação com relógios muito diferentes. Se a nossa equipa está a ganhar e sob forte pressão do adversário, não há razão nenhuma para compensar o que quer que seja. Se, ao contrário, é a nossa equipa que está ali numa luta titânica contra o tempo e a precisar de alterar o resultado, o tempo de compensação terá que ser tanto quanto o necessário para isso!

É normal que os adeptos assim reajam. O que não é normal é que haja árbitros exactamente na mesma onda. Mas há!

Umas vezes estão com uma pressa danada para acabar com aquilo, e percebe-se que há ali marosca. Noutras percebe-se que tem todo o tempo do mundo, e que só acaba com aquilo quando quiserem. Há tempos de compensação que não são medidos em tempo, são medidos numa unidade antiga, dos tempos em que se jogava à bola nas ruas e os jogos não duravam minutos, duravam golos: mudava-se aos cinco e acabavam aos dez!

Não admira pois que muita coisa importante de decida nesse espaço de tempo. E nem sempre isso significa marosca, embora muitas vezes haja mesmo…

Já houve Ligas dos Campeões decididas também nesse espaço de tempo. Mas um campeonato, e mais a mais um campeonato como o inglês, disso é que não há memória!

Mas aconteceu no passado domingo. À entrada do tempo de compensação – fixado aí em cinco minutos – a parte de Manchester mais habituada a festejos estava em festa, enquanto a outra parte da cidade, que há quarenta e quatro anos não sabia o que era festa, chorava, incrédula, a ver fugir para os mesmos de sempre o campeonato que julgavam impossível escapar-lhe desta feita. Para eles, aquele era o jogo que só podia acabar depois de a sua equipa marcar os dois golos que faltavam para o ganhar. Mas, também para eles, aquele era um dos jogos que poderia prolongar-se pela tarde e noite fora, que a bola não entraria…

E, no entanto, o milagre aconteceu. Era 13 de Maio!

Desconfio que, do outro lado, poucos se terão lembrado que, uma dúzia de anos antes, um milagre idêntico lhes entregava uma Champions que o Bayern – que hoje mesmo, e mesmo com um dos árbitros mais dados à marosca, vai reclamar vingança perante outra equipa inglesa – já festejava!

CARTEIRISTAS?

Por Eduardo Louro

  

O Manchester City, que na próxima quinta-feira visita o Porto para disputar o jogo da primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa, publicou no seu site um aviso aos adeptos para que se tomassem dos devidos cuidados com os carteiristas do Estádio do Dragão.

Evidentemente que este aviso choca os portistas, choca os portuenses e choca todos os outros portugueses. Até porque, se já estamos a ficar habituados a ser abusados e insultados pelos alemães e outra gente do norte da Europa, não esperávamos ser agora também achincalhados pelos nossos mais velhos aliados. Logo eles que tanto e há tanto tempo gostam de Porto. Do vinho, of course!

Pois bem. Estou em condições de adiantar que tudo isto não passa de uma mera e infeliz confusão, que não belisca minimamente a nossa mais antiga aliança nem põe em causa as exportações do precioso néctar.

É certo que há aqui um pouco de má vontade. Como se sabe o Manchester City é propriedade de uns senhores árabes muito ricos. Mouros, dos puros: coisa que, como é sabida, não é muito apreciada para os lados do Dragão. Eles sabem disso… E isso explica a parte da má vontade!

Falta a outra. Eles não sabem apenas que por ali os mouros não são muito apreciados. Eles sabem que muita gente se queixa de ali ser indecentemente roubada. Ouviram falar em autênticos roubos de igreja no Dragão e, como sabem que os seus adeptos não irão levar para lá igrejas mas apenas as suas carteiras, felizmente - para eles - bem mais recheadas que as nossas, aconselham-lhes os devidos cuidados.

Apenas isso. Espero que, depois desta explicação, portistas, portuenses e portugueses em geral, deixem os adeptos dos citizens esvaziar tranquilamente as carteiras para encher o bucho de cerveja...

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