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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Podia ser mentira, mas não é!

Por Eduardo Louro

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Oficias superiores das forças armadas assinam petição que saiu do Manifesto dos 70São já algumas dezenas de oficiais generais e oficiais superiores das Forças Armadas que assinaram a petição "Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente", que saiu do Manifesto dos 70 e vai entrar na Assembleia da República. 

A onda vai crescendo. É isso que assusta...  E não é mentira!

 

De cabelos em pé!

Por Eduardo Louro

 

Agora são estrangeiros. Aí está mais um grupo, também de 74, mas agora personalidades estrangeiras, reputados economistas de vários quadrantes profissionais, a apoiar o manifesto sobre a reestruturação da dívida. E a pôr os cabelos em pé ao governo! 

Curiosa a reacção do ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes:"A única questão que pode ter relevo aqui é se alguma dessas entidades é credora. Se não forem credores internacionais, a opinião internacional para uma matéria como esta não parece que seja de muito relevo para o nosso país. Se forem credores com certeza que seria importante"...

Pois... Não interessa nada...

O que está em causa

Por Eduardo Louro

 

Como aqui referi na altura, o chamado manifesto dos 70, tinha o grande mérito de trazer para a discussão pública a questão da reestruturação da dívida. De, como então dizia, tirar o tema da clandestinidade, ou do gueto em que o tinham enfiado.

Constato agora que teve ainda outros méritos. Teve o mérito – que não é grande, diga-se – de mostrar que António José Seguro não existe. O que não sendo novidade nenhuma - já toda a gente o sabia - não deixa de ser relevante, porque revela a forte limitação estrutural do regime. Quando numa matéria destas, em que até um tal José Gomes Ferreira faz figura de (parvo) gente grande, e não se ouve o líder do maior partido da oposição, percebe-se o bloqueamento do regime!

Mas teve, acima de tudo, o mérito de desmontar o grande trunfo deste governo e de toda a sua vasta entourage: a tese da inevitabilidade. O governo e todo o seu regimento mediático introduziram e exploraram até ao tutano a tese da inevitabilidade. Tudo o que fazia era inevitável, nunca havia alternativa, era assim e só assim podia ser… Viesse quem viesse, não havia volta a dar… Tudo estava escrito (no programa) nas estrelas, nada a fazer…

Pedro Passos Coelho, sendo ou não o mentor da tese, era o seu maior intérprete. Todos os dias, em todas as circunstâncias, lá estava ele com a bandeira da inevitabilidade bem erguida. Daí que tenha acusado o toque. E reagiu mal, se bem que depressa, na tentativa desesperada de salvar aquele que era o seu maior, se não único, trunfo. A seu cargo, e a cargo das principais figuras do seu governo, com Pires de Lima à cabeça, ficou o ataque à credibilidade da ideia. Reestruturar a dívida já não era exactamente uma coisa de perigosos e irresponsáveis radicais de esquerda, mas era um enorme disparate, especialmente nesta altura, a dois meses do fim do programa de resgate… A cargo do seu exército mediático ficou, mais uma vez, o trabalho sujo. Simples: para descredibilizar a ideia, e como o memorando era subscrito por gente de todos os quadrantes políticos, incluindo os próximos do poder, uns mais respeitados que outros, mas tudo gente de peso, era preciso começar selectivamente a descredibilizar os subscritores.

A malta pôs mãos à obra e tem sido um ver se te avias, um fartar de vilanagem, com o já referido José Gomes Ferreira a salientar-se pelo esforço e dedicação!

A força deste memorando reside, em primeira análise, na forma como deixa claro de que há na sociedade portuguesa o entendimento que há alternativas a esta política de destruição económica e social. Que há opções a fazer, e que podem ser feitas. E que é esta a melhor altura para as fazer!

É evidente que ninguém de bom senso poderia esperar que o governo, este ou qualquer outro, viesse aplaudir o manifesto. É evidente que aquilo que o manifesto propõe não é matéria para, à partida, ser tratada na praça pública. Só que, como também é evidente, vem para a praça pública, e pelas mãos de quem vem, pela simples razão de, contra todas as evidências, não ser opção (recatada) do governo.

E não o é por razões ideológicas e por objectivos de agenda. O governo não desconhece, como de resto a União Europeia também não, que a dívida não é pagável nestas condições. Que a economia não só nunca crescerá em termos de responder ao seu pagamento como nunca resistirá à asfixia dos juros, que são já a primeira despesa do Estado. O governo não desconhece que a manutenção ilimitada de políticas de austeridade, durante décadas e décadas, destrói todo o tecido social.

O governo e esta direita no poder sabem tudo isso. Mas também sabem que foi tudo isso que permitiu baixar salários de forma generalizada, degradar serviços públicos para abrir espaço para interesses privados, destruir a classe média e engrossar as camadas mais frágeis e mais dependentes da sociedade… Resumindo: subverter a política distribuição de rendimentos. Afinal, com o PIB a cair todos estes anos, os mais ricos ficaram mais ricos. O país produziu menos riqueza, mas isso não impediu que os mais ricos ficassem ainda com mais…

É isto que está em causa!

 

Uma questão de relação

Por Eduardo Louro

 

Poderia não ter havido nexo causal, mas afinal sempre havia alguma relação entre o presidente e o manifesto para a reestruturação da dívida. Se não havia, há!

Dois dos subscritores eram colaboradores de Cavaco. Eram, já não são: Sevinate Pinto e Vítor Martins, consultores de Cavaco para a Agricultura e para os Assuntos Europeus, foram já hoje exonerados... Já não têm qualquer relação com Belém. Mas mantêm-na com o manifesto, como cada vez mais gente!

 

Manifesto dos 70

Por Eduardo Louro

 

Não sei se existe algum nexo causal entre as recentes intervenções do Presidente Cavaco e este novo Manifesto hoje divulgado, que junta 70 personalidades dos diferentes quadrantes políticos e das mais diversas actividades a favor da reestruturação da dívida.

Na verdade, designadamente neste novo Prefácio aos Roteiros, Cavaco, sem dizer tudo o que deveria ter dito, disse coisas importantes. Sem dizer que a dívida é impagável, disse que, se a economia crescesse como nunca cresceu nos últimos quarenta anos, andaríamos até 2035 para a colocar nos níveis exigidos nos tratados europeus que assinamos. Sem o dizer, disse portanto a mesma coisa…Sem dizer que os foguetório que por aí têm andado a propósito da saída do programa da troika não passa de circo, disse que nada acabava no próximo dia 17 de Maio. Que, quanto a autonomia, tudo continuava na mesma. Sem dizer que Portas é um pateta, que não há relógios nem 1640 nenhum, disse que até que paguemos 75% dos 78 mil milhões de euros que a troika cá meteu, quer dizer, nas próximas três décadas, não nos veremos livres de coisa nenhuma.

Na verdade, talvez mesmo sem querer, Cavaco só não deitou mais um balde de água gelada na euforia que o governo tem andado a alimentar à volta da saída do programa de resgate e do regresso aos mercados porque já não tem balde. Nem balde nem qualquer outro instrumento que lhe valha. Desbaratou tudo…

Mas, mesmo assim, contribuiu para que se visse bem o circo de palhaços que o governo montou. Permitiu que toda a gente, sem excepções, pudesse alcançar a dimensão do faz de conta em que o país caiu.

Não sei, como comecei por escrever, se tudo isto que Cavaco disse sem dizer, aliado aos seus já patéticos apelos à convergência dos partidos do arco da governação, de algum modo serviu como uma mola para este movimento que junta gente de direita e de esquerda, gente que há muito diz ser esta a única saída para o país com gente que chegou à mesma conclusão pela via da exaustão, quando bateu com a cabeça na parede.

Sei que esta é que é a convergência possível. Sei que é possível estabelecer consensos na sociedade portuguesa, mesmo que impossíveis nos viciados jogos de poder a que se dedicam, em regime de exclusividade, os partidos do tal arco da governação. Sei que, ao logos últimos três anos, quem defendia a reestruturação da dívida como condição sine qua non para a viabilidade do país, era acusado de radical. E embrulhado no rótulo do não pagamos. E que ao longo destes três anos não só não foi atingido nenhum dos objectivos do programa, como o país foi económica e socialmente destruído. Que em apenas três anos o país caiu a níveis de que demorará pelo menos vinte a sair. E que é simplesmente impossível continuar a cortar nas prestações que o Estado deve aos cidadãos sem tocar naquela que é a maior fatia da sua despesa: precisamente os juros!

Seja como for esta iniciativa tem para já o mérito de tirar da clandestinidade a ideia fundamental de renegociar e reestruturar a dívida e os seus juros, que a ideologia dominante empurrara para o gueto do protesto. Passos Coelho já se apressou a virar-lhe as costas, como se esperava. Mas já não pôde dizer que é coisa de radicais, dos que não honram os compromissos, dos que simplesmente acham que as dívidas não se pagam. Reviu o tom e simplesmente disse que isso colocaria em causa o financiamento do país. Que, sendo mentira, já é coisa normal!

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