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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tourada

Noutras circunstâncias, noutro quadro que não o do actual Benfica, poderia dizer-se que é futebol. Que o futebol é mesmo isto, a velha frase feita do futebolês. Uma equipa joga, ataca, cria oportunidades para marcar, remata, mas a bola não entra. Há sempre mais uma perna a tapar o caminho para a baliza e, quando se consegue desbravar essa floresta de pernas, há um guarda-redes pela frente que defende tudo. E do seu lado há um guarda-redes que não defende nada, que nem toca na bola, Mas que em quatro vezes que vê adversários por perto, é obrigado a ir buscar a bola ao fundo da baliza. Aconteceu isso hoje no joga da Madeira. E o Benfica, que jogou, atacou e construiu mais de meia dúzia de oportunidades claras para marcar, não marcou e só não perdeu por quatro porque dois dos golos do Marítimo acabaram por ser obtidos em fora de jogo.

Mas, nas actuais circunstâncias do futebol do Benfica, não se pode dizer que é futebol. É mais tourada. O futebol do Benfica virou tourada. 

Uma tourada com aquelas pegas em que o forcado da cara se farta de levar tareia do touro. Uma primeira vez, e sai mal tratado. Volta a insistir, e leva mais forte ainda. Está todo partido, a sangrar por todo o lado, mas vai lá outra vez. Volta a levar mais, mas a cambalear e sem se aguentar em pé volta mais uma vez, com o cabo do grupo impávido a assistir ao massacre, de braços cruzados.

Foi neste estado que Bruno Lage hoje entrou nos Barreiros, no Funchal. Estranhamente a equipa até entrou bem no jogo, com vontade de resolver as coisas, como se nada se passasse com o homem da cara. Só que a sorte não ajudou - sabe-se que nestas situações raramente ajuda - , e bastaram pouco mais de 20 minutos para que o fulgor, e alguma qualidade, começassem a desaparecer. 

E lá voltou o homem da cara já não a cambalear mas de rastos. Mexeu na equipa e foi um desastre. E a cada vez que mexia maior era ainda o desastre.

No fim saiu em maca, directamente para ... o cemitério. O verdadeiro destino que o cabo lhe traçara. E que anunciou com o seu habitual discernimento: "no fim do jogo o nosso treinador veio-me dizer que punha o cargo à disposição do presidente ... e que já não treinaria a equipa amanhã".

Que tourada! 

Belo regresso ao quentinho

Resultado de imagem para benfica marítimo"

Havia uma certa expectativa à volta deste jogo de hoje na Luz, de relva nova. Também por isso, pela nova relva, mas por ser o regresso ao campeonato, três semanas depois, por suceder ao jogo da Champions - mito, ou não, estes jogos têm fama de ser complicados -, com menos de 72 horas de recuperação; porque o Marítimo vinha de treinador novo, com três semanas (quase uma pré-época) para preparar o jogo e, the last, not the least, porque o jogo era arbitrado pelo Fábio Veríssimo. Palavras para quê?

Creio que nem nas melhores expectativas caberia um jogo de tanta qualidade. Na primeira parte assistimos a um belo jogo de futebol. A segunda só não foi igual, ou até melhor, porque cedo - aos quinze minutos - Fábio Veríssimo pôs o Gabriel na rua e o Benfica ficou a jogar com dez. E naturalmente não poderia ser a mesma coisa.

Deve dizer-se que o Marítimo tem muito a ver com a qualidade que o jogo teve. Pela própria qualidade que lhe emprestou mas, acima de tudo, porque surgiu na Luz para jogar futebol. Querendo apenas jogar futebol, como que desafiou o Benfica a fazer o mesmo. E o Benfica aceitou o repto!

E o que se viu foi bonito de ver. O Marítimo entrou a jogar à bola - já com o dedo de José Gomes bem à vista - e não quis perder tempo. E o Benfica respondeu de imediato. Logo no primeiro minuto duas oportunidades, uma para cada lado. A dar o mote. E aos 8 minutos, na segunda oportunidade, o Benfica marcou, pelo goleador Pizzi.

Pareceu que o jogo foi de imediato para intervalo. Mas não foi - aconteceu apenas que o VAR demorou quase 5 minutos a confirmar o golo. No reinício parecia que não seria possível retomar o ritmo que o jogo trazia, mas depressa tudo voltou ao normal.

Aos trinta minutos o Benfica já ganhava por 3-0, com mais dois golos de Vinícius e, ao intervalo, para que o resultado espelhasse o que se tinha passado, teria de ter no placard qualquer coisa como 6-1.

A segunda parte iniciou-se no mesmo ritmo, e com apenas 10 minutos jogados já Vinícius tinha feito o hat-trick, deixando na Luz a certeza que aquilo não ficaria aquém dos 6-0 das duas últimas épocas.

Só que a expulsão de Gabriel mudou os dados do jogo. Mas não acabou com a exibição do Benfica. Mesmo com dez a equipa jogou bem, nunca permitiu qualquer superioridade ao adversário, e criou mais três ou quatro claras oportunidades de golo. De tal modo que, no fim, o melhor que aconteceu ao Marítimo foi mesmo o resultado. 

Foi o regresso ao campeonato, ao quentinho cá de casa - na Europa, o frio é muito -, é certo. Mas foi um regresso uns bons furos acima daquilo que vinha acontecendo, mesmo que aqui e ali com sinais de retoma nalguns dos últimos jogos. 

A dúvida que agora fica para esclarecer é se esta exibição resulta do desafio proposto pelo adversário, ou da decisiva retoma exibicional da equipa. Se, com adversários mais fechados, com marcações cerradas, e que levem o jogo para o confronto físico, não voltam as dificuldades.

Nada no entanto apaga o que se viu hoje. Uma bela exibição colectiva, com todos os jogadores em grande nível, mesmo que Taarabt, e inevitavelmente Vinícius, tenham estado ainda um pouco acima. Domingos Piedade teria gostado. Pena que a expulsão de Gabriel tivesse impedido mais um resultado memorável. E que tenha impedido a integração de RDT com a equipa completa e naquele ritmo. Marcaria certamente, não haveria como não o fazer! 

De pé no fundo

 

A quinta final, na Luz com o Marítimo, já ficou para trás. Foi vencida, e com distinção: grande exibição e 6-0!. Depois da eliminação da Europa, e nas condições em que aconteceu, e antes da deslocação a Braga, dificilmente se poderia esperar melhor. 

O Benfica entrou - voltou a entrar - muito bem, a chegar ao golo logo aos dois minutos, num canto de laboratório, só possível por lá estar esse fantástico cientista que é João Félix. Chegou logo ao golo, sem qualquer penalti e sem nenhum jogador do Marítimo expulso. Nem de início, nem em nenhum outro momento, quando tantos tanto por isso fizeram.

Não se pode no entanto dizer que o Benfica tenha aproveitado esse golo para partir de imediato para uma grande exibição. Não. Descansou até um pouco em cima do golo e permitiu que o jogo fosse demasiado tranquílo durante alguns períodos da primeira parte. Com Seferovic infeliz como nunca se vira na finalização, o resultado chegou ao intervalo com esse golo único.

O Benfica entrou para a segunda parte de pé no fundo. E marcou o segundo logo ao quarto minuto (Pizzi). A partir daí os jogadores não mais levantaram o pé, e a equipa partiu à procura da perfeição. Encontrou-a e não mais a largou até ao fim do jogo. E foi uma delícia de ver!

E os golos foram aparecendo. Acabou na meia dúzia, mas o Marítimo bem podia ter repetido o 10-0 do seu rival do Funchal. Basta reparar que Seferovic, infeliz como nunca - hoje poderia lá estar a noite inteira a rematar, de toda a maneira e feitio, que a bola não entraria - ficou em branco e desperdiçou seis oportunidades claríssimas de golo. E que também Jonas ficou em branco, pese duas três oportunidades, daquelas que não costuma desperdiçar.

Uma goleada de meia dúzia - bis de João Félix e de Cervi, um de Pizzi e outro de Salvio -, sem golos do melhor marcador do campeonato, e sem golos de Jonas, parece estranho. Mas não é. É apenas o resultado do grande futebol que Bruno Lage trouxe para a equipa. 

Faltam agora quatro finais. E muitas peripécias, certamente... Este jogo de hoje voltou a deixar muita gente assustada.

 

Novidade, mesmo sem nada de novo...

Marítimo 0-1 Benfica: Jonas foi o 'druida' anti-crise no 'caldeirão' dos Barreiros

 

Mais uma exibição sofrível, mais uma vitória por 1-0, daquelas que valem os mesmos pontos mas que não dão saúde a ninguém, perante um adversário muito fraco e praticamente inofensivo. Inofensivo no sentido futebolístico, na incapacidade para atacar a baliza adversária porque, no campo e no jogo, o Marítimo foi tudo menos inofensivo. Pelo contrário, capacidade para ofender as pernas dos jogadores do Benfica não lhe faltou. Sabe-se que nessas coisas Petit não é muito diferente de Lito Vidigal.

De resto o jogo nem foi muito diferente do de Setúbal, na semana passada, mesmo que os jogadores do Marítimo não tenham batido tanto, nem o árbitro tenha sido tão mau. Teve no entanto uma novidade no golo do Jonas, porque aí não há novidade - se há golo, só pode ser de Jonas.  À 13ª jornada, o Benfica chega ao primeiro golo de bola parada no campeonato. E de penalti - às três foi de vez. Isso mesmo, este foi apenas o terceiro penalti assinalado a favor do Benfica...

E não tem muito mais que contar, este jogo da Madeira. Outra vez muitos cantos e livres, tudo a continuar a dar em nada. Com Cervi - no lugar do lesionado Rafa -, Pizi, e Fejsa completamente fora de forma, vão valendo Grimaldo, Zivkovic, e Gedson, já que Jonas hoje só não passou ao lado do jogo porque esteve no penalti. E os mesmos equívocos de Rui Vitória nas substituições, onde só muda os jogadores. 

O futebol (do Benfica) é isto mesmo!

 

 

"O futebol é isto mesmo". É um jargão do futebolês, mas se dissermos que "o futebol do Benfica é isto mesmo" estaremos a descrever o que se passou hoje na Luz - praticamente cheia - numa noite diluviana para receber, desta vez, o Marítimo. 

O jogo até nem começou lá muito bem. Pertenceram ao Marítimo o primeiro remate e o primeiro canto - a até o segundo - do jogo. Com uma pressão muito alta, os jogadores da equipa insular não condicionavam apenas a saída de jogo do Benfica. Ganhavam permanentemente a bola, e logo com a baliza do Varela ali à mão.

Foi assim no primeira dúzia de minutos. Mas... aí está - o "futebol do Benfica é isto mesmo", e percebia-se que os jogadores do Marítimo eram apenas os pardais a tentar aproveitar o primeiro milho. Quando o primeiro quarto de hora se despedia do jogo já o Benfica rompia a teia, construia a primeira jogada do seu "futebol que é isto mesmo" e fazia o primeiro golo: Jonas, claro. Com a classe que só Jonas dá aos golos...

A tendência direitista vinda da semana passada mantinha-se. Era da ala direita que o Benfica desferia os golpes, uns logo a seguir aos outros. À famosa ala esquerda de Grimaldo e Cervi, assessorada por Zivkovic, respondia, à procura da mesma fama, a ala direita de André Almeida e Rafa, assessorada por Pizzi. Tudo,  da direita ou da esquerda, a desaguar na classe dos golos de Jonas. Se o primeiro tinha sido muito bom, o segundo - terceiro do jogo, porque o segundo, com certificado de denominação de origem na esquerda, fora obra de Grimaldo, seis minutos depois do primeiro - foi uma obra de arte, em mais uma assistência de André Almeida. 

Faltavam 10 minutos para o intervalo quando Jonas assinou essa obra prima. Até o terceiro, quarto do Benfica, sete minutos volvidos, na cobrança de um penalti cometido sobre Rafa em mais uma jogada do "futebol do Benfica  que é isto mesmo", foi notável. Depois de ter falhado dois penaltis (Belenenses, que custou dois pontos, e Boavista) Jonas quis mostrar como se marcam penaltis indefensáveis. E com categoria.

Com quatro a a zero ao intervalo perspectiva-se um recorde de golos. Sete, oito, sabia-se lá...

O início da segunda parte apontava para aí. Tivessem sido mantidos os índices de eficácia e assim teria sido. Mas não foram, e o Marítimo defendeu-se muito mais. Especialmente depois de, já perto da hora de jogo, ter ficado reduzido a dez jogadores, pela inevitável expulsão de Gamboa, por sugestão do VAR confirmada pelo árbitro, depois de consultar as imagens. A partir daí o Marítimo só defendeu.

Defendeu com dez, e o Benfica só marcou por mais uma vez - aos 81 minutos, num golaço de Zivkovic. Até deveria ter valido por dois!

Nem a chuva pára este "futebol do Benfica  que é isto mesmo". Com o que se tem visto, até pode nem dar para o penta, mas que é - de longe, a enormíssima distância - o melhor futebol que por cá se vê, lá isso é!

 

 

Fim da linha

 

 

Em dia de eleições, o Benfica voltou a perder posições na candidatura ao título. Voltou a mostrar que, assim, é um candidato perdedor, sem condições para ganhar.

Depois de um jogo bem conseguido com o Paços de Ferreria, com uma primeira parte muito prometedora - ainda não se tinha visto tão flagrante demonstração de superioridade, a primeira meia hora foi a coisa mais avassaladora que viu num jogo de futebol - o desastre de Basileia voltara a devolver o Benfica às trevas. Não podia ser maior a expectativa para esta deslocação à Madeira, para defrontar o Marítimo, em dia de eleições.

A constituição da equipa alimentava as maiores dúvidas. Ao repetir o onze de Basileia, Rui Vitória ou estava a dizer aos adeptos que tinha ficado satisfeito com o desempenho da equipa humilhada na Suíça, ou a dizer-lhes que é teimoso e que é ele quem manda, ou simplesmente a atirar a toalha ao chão.

Como Rui Vitória não está em condições de se armar em teimoso, nem de demonstrações de força. restam apenas as duas restantes hipóteses. Que vão dar ao mesmo. Dizer que estava satisfeito com o que a equipa de Basileia é assinar a sentença da sua própria morte. Atirar a toalha ao chão é apenas um eufemismo dessa morte...

O jogo confirmou isso mesmo. Rui Vitória não sabe o que fazer, e como não sabe, não faz nada. Deixa andar... Sabe-se que a equipa joga até marcar um golo. Aí chegada, acabou. Não consegue mais continuar no mesmo ritimo à procura do segundo, nem consegue controlar o jogo para lhe definir ritmos. Nem consegue manter o ataque ao adversário, nem consegue mandar no jogo. Perde-se, pura e simplesmente.

E desta vez o golo surgiu no decurso do segundo minuto do jogo... A equipa durou dois minutos. Se isto não é o fim da linha...

Espero que tenham percebido...

 Benfica-Marítimo, 3-0 (resultado final)

 

Luz cheia de luz, de cor - mesmo que só vermelho - e de gente. Estádio cheio, como sempre. Entre os 57.064 espectadores, dois muito especiais: duas debutantes, de 3 e 5 anos. Vibrantes, como toda aquela fantástica moldura humana!

O Benfica entrou a surpreender o Marítimo. O bem sucedido treinador da equipa madeirense tinha afirmado que o Benfica é avassalador nos primeiros quinze a vinte minutos. E que era por isso fundamental apostar tudo nesse período. Que, evitar aí o golo do Benfica, era o primeiro passo para levar pontos da Luz. Talvez por isso, para surpreender o adversário, o Benfica não quis atirar-se para cima da equipa insular, hoje de amarelo, logo que o árbitro apitou. Nem nesse momento nem nos 10 minutos que se lhe seguiram....

Os jogadores do Marítimo devem ter ficado baralhados, pensando que tinham sido enganados pelo treinador. Aquilo não era avalanche nenhuma. Baralhados os jogadores adversários, o Benfica abriu então o livro e deu início, com 10 minutos de atraso, ao prometido assalto avassalador. Que não durou apenas os quinze ou vinte minutos que o treinador Daniel Ramos tinha na estratégia. Foram 35 minutos de sufoco, com as oportunidades de golo a sucederem-se a um ritmo diabólico.

O golo tardou, é certo, mas percebia-se que teria de chegar, mais minuto, menos minuto. Chegou aos 34 minutos, em mais uma fantástica jogada do Rafa, concluída num auto-golo do Luís Martins. Inevitável. Pouco antes, em circunstâncias praticamente iguais, o guarda-redes conseguira o milagre de evitar o golo. E depois, já na segunda parte, só os deuses da fortuna evitaram que mais uma intercepção de uma jogada de golo acabasse na baliza do Charles.

No minuto seguinte Jonas fez o segundo. E dez minutos depois o terceiro!

Podiam ter sido mais, muitos mais, mas o resultado acabou por ficar por aqui. A exibição é que não. Foi muito mais que o resultado, a explicar, especialmente àqueles benfiquistas que na semana passada já se tinham esquecido da exibição com o Porto, que há jogos no campeonato em que não é possível jogar bem. Que a equipa joga à bola, que o futebol de qualidade está lá. Mas há jogos - campos pequenos, jogo eminentemente físico, com ressaltos e mais ressaltos e adversários, como que possuídos, a correrem atrás de tudo o que mexe - em que não é possível mostrá-lo.

A equipa hoje explicou isto muito bem explicadinho. Espero que todos tenham percebido!

Não falei da segunda parte. Mas também não há muito para dizer. Sem repetir aqueles fantástcos 35 minutos, o Benfica controlou um jogo que estava então fácil. O Marítimo pôde respirar, e sem nunca dividir o jogo - nem uma oportunidade para a estatística, que seja -, adiantou-se mais um pouco no campo. E pisou já terrenos que nunca antes pisara. Mas só isso.

Só porque Mitroglou - hoje em dia de desentendimento com o golo, desperdiçou umas cinco oportunidades de golo feito - e Salvio desaproveitaram as oportunidades que o génio de Rafa lhes entregou, é que a segunda parte não repetiu os três da primeira.

Ah... Já me esquecia... Espero também que tenham percebido que o Rafa foi - é - brilhante. E que Lindelof está de volta à sua enorme categoria. E que isso é, nesta altura, muito importante!

E que foi o jogo 100 de Rui Vitória no Benfica. E que faltam cinco. Só cinco finais!

 

Quando menos se esperava...

Luisão: «Fomos parados de várias maneiras»

 

O Benfica perdeu, hoje na Madeira. Com o Maítimo, à décima segunda jornada e à entrada de um ciclo de elevado grau de dificuldade que faz deste Dezembro um mês complicado. 

Já não perdia há muito tempo e, embora muitos o desejassem, ninguém pensaria que acontecesse hoje. Porque ainda há duas apenas semanas cilindrara esta equipa do Marítimo, no jogo da Luz, para a Taça, com uma enorme exibição e uma gorda goleada de 6-0. E porque a equipa atravessa - sim, no presente do indicativo - um período de grande consistência, em grande forma, com um  futebol demolidor, com soluções para todos os problemas...

Mas aconteceu, e o Benfica perdeu hoje a invencibilidade no campeonato. E deixou de integrar o restrito grupo de três equipas invictas em toda a Europa: sobram agora o sensacional Leipzig, na Alemanha, e o Real Madrid.

A equipa não entrou bem, é certo. Entrou a perder, com um golo aos 5 minutos, num erro colectivo a que Luisão emprestou a cara. O Benfica reagiu de imediato, e pouco tempo depois já lá estava o seu futebol habitual. Em cima do adversário, asfixiando-o, com o carrossel a funcionar em pleno. Uma única excepção, ali pelo minuto 20, quando o Ederson, com duas defesas consecutivas de grande qualidade, evitou o segundo golo. Foi claramente uma excepção, as oportunidades sucediam-se, como se sucediam as faltas dos impunes jogadores do Marítimo, e era praticamente garantido que o golo do empate chegaria depressa. E que os outros viriam a seguir...

Tardou, mas não muito. O empate chegou à passagem da meia hora, com um remate de Nelson Semedo a sofrer um desvio, sem o qual não daria em golo, na única gota de felicidade que hoje estava reservada para os tri-campeões. Que sairia bem cara!

Ainda se não tinha percebido isso, e apesar de o guarda-redes Gotardi começar a parecer instransponível, a ilimitada confiança na equipa deixava os adeptos convencidos que ao intervalo já o marcador teria dado a cambalhota. Não foi assim, o golo não aparecia mesmo. Mas havia ainda toda a segunda parte...

Logo no arranque a bola saiu da cabeça de Salvio para bater na barra, e não entrar. A partir daí, ou o guarda-redes do Marítimo fazia milagres, ou a bola saía centímetros ao lado. Ou por cima. E pronto, lá se voltou a cumprir a eterna profecia do futebolês: quem não marca, sofre. Na únca vez em que o Marítimo saiu lá de trás, foi a vez do erro ganhar a cara do André Almeida. Por três vezes, o que, convenhamos, é demais: primeiro foi anjinho, e permitiu que um adversário lhe roubasse uma falta (os jogadores do Marítimo mandavam-se permanentemente para o chão, e o árbitro fazia-lhes sempre a vontade); do livre, a bola chegou-lhe, na esquerda e, com uma rosca, devolveu-a para a área, à mercê do remate de um adversário, que resultaria num canto; por fim, no canto, deixou o adversário saltar à vontade para marcar o golo que ditaria a derrota. 

Faltavam 20 minutos, mas nem cinco sobraram para jogar. A partir daí os jogadores do Marítimo não permitiram mais que se jogasse à bola. Sempre no chão, um de cada vez e o guarda-redes nas vezes todas.

    

 

A Taça merece luxos destes...

Benfica-Marítimo, 6-0

 

A Taça tembém merece este Benfica. A Taça também merece este futebol!

Que fantástica exibição fez o Benfica!

O Marítimo não teve tempo para nada. Entrou como é costume entrarem os adversários do Benfica, com uma ideia de pressionar logo na primeira zona de construção, coisa que, como se sabe, é possível fazer enquanto há pernas e pulmão..Tem esse problema: não é possível fazer durante todo o tempo. Mas tem outro: se a equipa consegue ultrapassar essa zona de pressão fica logo em vantagem, porque os adversários ficaram para trás, e já sem condições de recuperar.

Foi o que aconteceu logo após a bola de saída. O Benfica saiu da pressão que o Marítimo montou, passando pela teia montada como cão por vinha vindimada, e fez logo o primeiro golo. E o Marítimo ficou ali, como quem fica a meio da ponte: sem saber muito bem se devia cumprir o plano de voo que trazia. Percebeu-se que o abandonou, não voltou a pressionar alto e aconchegou-se lá atrás, a ver jogar o Benfica.

E o que viu... E o que vimos... Que jogo!

A primeira parte foi absolutamente espectacular, com um futebol de ataque permanente, com soluções para todos os problemas, em jogadas a um ou dois toques, numa dinâmica verdadeiramente extraordinária. A ponto de, ao intervalo, apenas os números surpreenderem: três golos para tanto futebol era surpreendente. Tão surpreendente como as estatísticas de posse de bola: não dá para acreditar nos 72%  apresentados. Pelo que víramos, não dava para acreditar em tudo o que fosse menos de 90% ...

A segunda parte, meso sem nunca ter baixado do exigível a uma grande exibição, não teve o mesmo nível. Mas teve o mesmo número de golos, que fizeram subir o resultado para a meia dúzia - todos de rara beleza, incluindo o quinto, de penalti -, o maior resultado da época. A condizer com a melhor exibição da temporada. E a deixar excelentes indicações para o que aí vem. Em especial para o que aí vem já na quarta-feira, na Turquia.

 

 

À campeão. Para que não haja dúvidas...

Imagem relacionada

 

Neste tão badalado jogo da Madeira, o Benfica fez questão de demonstrar por que vai ser, com toda a justiça, de novo campeão. Por causa das dúvidas…

Nem entrou bem no jogo. A velocidade e a intensidade com que entrou não eram suficientes para agarrar um jogo que não se podia dar ao luxo de não ganhar. Coisa temporária, que rapidamente se resolveu. Pouco a pouco o Benfica soube levar ao jogo tudo aquilo que ele pedia. À meia hora de jogo a equipa já asfixiava o Marítimo, encostado à sua baliza. Já tinha uma bola no ferro, com mais magia do Jonas, e o árbitro já tinha feito vista grossa a dois lances para penalti, um deles com o cúmulo de um amarelo - decisivo - ao Renato Sanches. Para controlar danos, o Marítimo começou a deitar mão ao antijogo que se tem visto aos adversários do Benfica, lançando jogadores para o chão, uns atrás dos outros. E contou com a preciosa ajuda do Renato Sanches. Porque a do sucessor do Olegário Benquerença já vinha de trás, do tal penalti não assinalado com cúmulo em amarelo. A expulsão do miúdo, a sete ou oito minutos do intervalo, colocava ponto final no sufoco do Benfica. Que não na imensa superioridade do Benfica. Nem na crença benfiquista!

Com dez, na segunda parte, o Benfica dominou por completo o jogo. Noutro registo, sem sufocos nem asfixias, o Benfica marcou por duas vezes, teve mais uma bola no ferro, e criou mais três ou quatro oportunidades claríssimas de golo. Numa delas o Pizzi cometeu a proeza de acertar no guarda redes deitado no chão… E o tal discípulo de Benquerença deixou ainda passar mais um penalti sobre o Mitroglou.

Isto é “à campeão”. Isto é de campeões… Com mala ou sem mala. Com dez ou com onze. Com o campo encharcado – com os jogadores a escorregarem pelo campo encharcado, ao intervalo voltaram abrir as torneiras – ou seco. Contra tudo e todos, esta sensacional equipa do Benfica esteve-se nas tintas para as contrariedades. Foi-se ao jogo e ganhou-o com toda a clareza.

E vai certamente ser campeão, tricampeão, 39 anos depois… E vai certamente festejar o 35 no próximo domingo!

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