Terminou o GP de Abu Dahbi, com a vitória de Verstappen - a terceira, nos três últimos GP`s do campeonato mundial de Fórmula 1. E a sexta, nos últimos nove!
Começo por aqui porque é isto - o súbito reaparecimento de Verstappen - o que mais ressalta deste mundial de Fórmula 1, completamente dominado pela Mclaren, que há muito havia assegurado o título de construtores.
Ao indiscutível mérito do piloto holandês na inesperada competitividade do final da temporada não pode, no entanto, tem que se juntar o demérito da Mclaren. Se a superioridade da equipa britânica lhe garantiu facilmente o título de construtores, também, ao usar essa superioridade em favor de Norris, e contra Piastri, facilitou a tarefa do tetracampeão do mundo. E assim se chegou hoje à Yas Marina, com o título em aberto para Norris, Piastri e Verstappen.
O holandês, confirmando a sua superioridade pessoal das (largas) últimas corridas, largou na pole position. À frente de Norris, e de Piastri. Que, numa ultrapassagem sensacional, saiu no fim da primeira curva à frente do seu colega (na foto). Curiosamente, e mesmo com todos os incidentes e estratégias ao longo das 58 voltas, o pódio da corrida - e o do campeonato (de pilotos) - ficaria logo definido, logo ali, no arranque da primeira volta.
Para conquistar o seu primeiro título mundial, Norris precisava de ser terceiro. E foi. E só por escassos minutos, e seis das 58 voltas, poderá ter corrido o risco de o não ser. Foi quando, à 17ª volta, foi pela primeira vez trocar de pneus, saindo das boxes em nono.
No regresso à pista, rápida e espectacularmente ultrapassou logo Lawson e Stroll. Mais à frente, para lhe dificultar o objectivo, estava Tsunoda, colega de Verstappen na Red Bull. Fez o que pôde, e até o que não podia (obrigando-o a sair da pista na ultrapassagem, o que lhe valeu uma penalização) para lhe dificultar a ultrapassagem mas, à 23ª volta, já Norris recuperava o terceiro lugar.
Nessa altura Verstappen decidiu, então, trocar de pneus deixando para Piastri a liderança, e o desafio de resistir ao máximo à inevitável paragem nas boxes. O astraliano resistiu tanto que só foi mudar de pneus quando se viu ultrapassado pelo holandês, à volta 41, quando Norris já mudara de pneus pela segunda vez. Garantindo, ainda assim, a segunda posição.
No fim, Norris foi campeão do mundo com 423 pontos, mais dois que Verstappen, e mais 13 que Piastri. É o primeiro título de Norris, e isso é que fica para a História. Mas, mais uma vez na História da Fórmula 1, ela - a História - podia ter sido diferente.
Verstappen - já com o título campeão no bolso, assegurado no Catar há duas semanas, a cinco corridas do final - ganhou o Grande Prémio das Américas, em Austin, no Texas. Como já ontem ganhara a corrida sprint.
A novidade não é, pois, a vitória de Versttapen - a 15ª da temporada, igualando desde já esse recorde estabelecido na época passada, dez delas consecutivas. A novidade - e grande! - é que não foi o holandês que ganhou esta corrida, mas a Mercedes que a perdeu.
Foi um grande espectáculo de Fórmula 1, e uma das mais disputadas corridas da época. Quatro carros diferentes (um Red Bull, um Mercedes, um Mclaren e um Ferrari) nos quatro primeiros lugares. E já havia sido assim na corrida sprint, a confirmar que as principais equipas se estão finalmente a aproximar da Red Bull. E a confirmar o regresso da Mclaren ao pelotão da frente, passando de surpresa a certeza nesta segunda metade do campeonato, mesmo que ainda não tenha superado (nem na classificação de pilotos, nem na de construtores) a surpresa Aston Martin na primeira.
A Mercedes demonstrou ao longo do fim-de-semana capacidade para discutir a corrida com a Red Bull (e com a Mclaren e a Ferrari, na primeira linha da grelha de partida, com Leclerc na pole, e Norris ao lado, mas logo na frente na partida). Hamilton, que já fora segundo na corrida sprint, saiu no terceiro lugar. Partiu mal, ficou logo atrás do Mclaren de Norris e dos dois Ferraris, e até poderia ter corrido mesmo muito mal se este Verstappen (levantou o pé) fosse o de há três ou quatro anos. Mas, a partir daí fez sempre uma corrida a grande ritmo, limpa e equilibrada.
Fez o suficiente para ganhar, ele que já vai para dois anos sem ganhar uma corrida. Faltou à equipa corresponder ao desempenho do carro e de Hamilton. Pareceu que tinha partido com uma estratégica de uma única paragem para mudança de pneus, que a corrida mostrou ser de todo inviável, e adiou a primeira paragem.
Com isso, com o erro de timing para a paragem, e com a própria operação - que tão bem correu com Russel, e que foi quase desastrada com Hamilton (3,3 segundos a mudar pneus quando todos os adversários, e o próprio colega de equipa, o faziam na casa dos 2 segundos, bem próximo dos fantásticos 1,8 segundos da Mclaren no Catar) - o hepta-campeão perdeu 13 a 14 segundos para Verstappen. E deixou de o ter atrás, para passar a tê-lo à sua frente.
Em corrida, o Mercedes e Hamilton, estiveram sempre melhor que o campeão holandês. Acabou a pressionar Verstappen, e terminou a 2 segundos - chegando até a aproximar-se da diferença do segundo, que lhe daria a possibilidade de utilizar o DRS.
Claro que ninguém poderá garantir que, sem os erros da primeira troca de pneus, Hamilton ganharia. Mas quando se acaba a 2 segundos, e se desperdiçaram 14, é difícil deixar de concluir que foi a equipa da Mercedes que perdeu esta corrida. Muito antes de Verstappen a ganhar!
PS: Soube-se, já no dia seguinte ao da corrida, que Leclerc e Hamilton foram desqualificados porque os blocos de derrapagem, que se situam por debaixo dos carros dos dois pilotos, não estavam de acordo com os requerimentos. Não altera nada do que foi a corrida. Altera, e muito, as classificações. E deixa mais difícil o "assalto" de Hamilton ao segundo lugar da classificação do mundial de pilotos, que parecia ter tudo para ser bem sucedido.
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