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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A falar grosso. De novo!

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O comissário europeu dos assuntos económicos decidiu vir avisar publicamente os portugueses de novas medidas de austeridade. Admito que muitos dos destinatários do aviso já nem sequer se tenham sentido incomodados. Afinal os deputados da defunta PAF não têm feito mais nada no Parlamento que perguntar por elas - é mesmo a única questão que, em uníssono, têm para colocar ao primeiro-ministro ou ao ministro das finanças. Os portugueses já estavam por isso mais que preparados para levar esse aviso a sério. E como há muito que perderam a capacidade de se indignar com o que quer que seja, não se terão incomodado muito com tão insólita quanto abusiva atitude deste membro da comissão europeia. Por acaso, francês. Por acaso, socialista.

Já não é a primeira vez que o senhor Pierre Moscovici mostra as garras de falcão, a confirmar que esta ortodoxia que se instalou em Bruxelas para acabar de vez com o projecto europeu é transversal ao que resiste das velhas famílias politicas europeias. Na pele de comisário, ninguém distingue um socialista francês ou holandês de um "verdadeiro finlandês"...

Por isso ninguém estranha muito que tenha sido este socialista francês a dar o pontapé de saída na primeira ofensiva da UE, depois do Orçamento, com vista a pôr em causa a solução de governo em Portugal. Logo a seguir vieram os outros todos, onde não podia evidentemente faltar Schauble,  mandando às ortigas este que era o tempo de respeitar o que ficou estabelecido para o Orçamento. 

Moscovici vem a Lisboa já depois de amanhã, para informar pessoalmente Mário Centeno daquilo que já avisou os portugueses. E faz até questão de dizer que vem falar grosso ... O senhor 95% deve estar a gostar disto.

 

 

POLÍTICA DO COGUMELO

Por Eduardo Louro

 

Ora aí está mais uma. Este governo não pára: ainda não acabou de sair duma e já se está a meter noutra!

Hoje foi Durão Barroso - eventualmente a prolongar o fim-de-semana em Lisboa – a dizer que o governo já tinha entregue em Bruxelas as medidas de substituição da famigerada TSU. E disse mais: que Bruxelas as tinha aprovado!

Toda a gente se sentiu – uma vez mais, e perdoe-se-me a linguagem – encornada. Seguro, no preciso momento em que se demarcava das duas moções de censura hoje apresentadas, não conseguiu disfarçar a surpresa. Não é, no entanto, a reiterada falta do mais elementar sentido de concertação que desta notícia mais releva.

O que mais releva é a insistência na trapalhada, na confusão que, vá lá saber-se com que intenções, se fomenta entre a decisão do Tribunal Constitucional, a TSU e novas medidas de austeridade. Uma confusão que o governo e a sua entourage têm promovido, que a Comunicação Social tem deixado passar e que, agora, tem a cobertura do próprio presidente da Comissão Europeia.

Uma confusão que aqui tem sido amplamente denunciada: a declaração de inconstitucionalidade do corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos, com um efeito orçamental de 2 mil milhões de euros, serviu para o primeiro-ministro justificar a absurda - mas inteligentíssima, na opinião de António Borges – medida da TSU, que tinha apenas um efeito orçamental de 500 milhões de euros que, agora morta e enterrada, servirá para justificar mais um conjunto de medidas de austeridade - cortes e subida de impostos – que já foram tratadas (negociadas ou impostas?) com a troika.

Não se percebe porque que é que a TSU surge a compor este triângulo. A medida significava, com a redução da contribuição patronal e o agravamento da dos trabalhadores, uma transferência de 2,3 mil milhões de euros do trabalho para o capital. E, com o agravamento da taxa em 1,25 pontos percentuais (de 34,75% para 36%), um aumento da receita, esse sim com efeito no défice, em 500 milhões de euros. Ao apresentá-la como medida de compensação da decisão do Tribunal Constitucional, Passos Coelho quis inventar uma justificação para o injustificável, quis tapar o sol - uma opção ideológica – com a peneira. Se a medida tivesse passado teria de ir inventar medidas para garantir os 1,5 mil milhões de euros em falta. Como não foi o caso, apenas teria agora que procurar mais os quinhentos milhões!

Só há uma forma de compreendermos tudo isto. E bem simples: é que as contas seriam estas se batessem certas. Mas não batem! 

As contas de Vítor Gaspar - e da troika, nunca se sabe bem onde começam umas e acabam outras -  nunca bateram certas, e a melhor forma de o esconder é uma velha receita que um dia, era eu um jovem a iniciar-me nas exigentes tarefas da gestão, aprendi de um colega mais velho, uma velha raposa, batido e experimentado: chamava-lhe a política do cogumelo. Explicava-me ele que, quando a confusão é grande, fazemos como aos cogumelos: bem tapados, para fique tudo escuro e muita merda para cima! Que é do que eles gostam... 

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