O covid-19 tem mantido a sua marcha galopante, arrastando consigo à mesma velocidade uma vaga de medo que hoje condiciona claramente o mundo, com o cancelamento de uma imensa panóplia de acontecimentos mundiais, e com impacto significativo em padrões económicos e até sociais.
A OMS já anunciou que ninguém está preparado para enfrentar o vírus, e que a pandemia está iminente. As infecções espalham-se pelo mundo e, na China, no epicentro de todo este terramoto, tudo saiu já fora de controlo.
O que se está a passar por estes dias na China poderá vir a passar-se dentro de pouco tempo um pouco por todo o mundo: um autêntico círculo de destruição da capacidade de resposta das estruturas de saúde, onde o vírus surge como uma espécie de íman trágico, a captar e destruir recursos que não só não o conseguem combater, como lhe abrem caminho à sua propagação ao faltarem, e desprotegerem, todos os restantes cuidados básicos e gerais de saúde.
Cenário mais medonho é difícil, e sabe-se que, em circunstâncias críticas desta natureza, tão - ou mais? - importante como controlar o mal é controlar o medo. Sabemos também que as ditaduras se saem melhor nessas tarefas, lidar com o medo é a sua especialidade. Por isso mais medo ainda com o medo que claramente de lá vem.
O regime chinês fez tudo para controlar tudo. Silenciou, como só estes regimes sabem silenciar. E mesmo assim, provavelmente, nunca da China se soube de tanto medo como agora...
Esta bem poderia ser a semana dos horrores. Começou com o diabo disfarçado de eleições no Brasil, e continuou com os horrores de tudo o que se disse e escreveu a esse propósito, ainda antes de começarem os horrores propriamente ditos. Que aí virão, certamente.
Passou pela esperada aprovação do Orçamento de Estado, para uns, cheio de horrores a que chamam eleitoralismo. Mas sem o diabo, essa figura central do horror tão anunciada para esta legislatura, definitivamente afastada. Se não apareceu nesta semana de diabos e diabretes, é porque já não vai aparecer.
E acabou – está a acabar – com o Halloween, essa orgia de horror que os Celtas criaram na sua passagem de ano, acreditando que a fronteira entre um ano e o seguinte, com o frio do Outono, fazia tremer a própria fronteira entre mortos e vivos, e que a diáspora irlandesa levou para a América, para aí transformar num festival de entretenimento exportado para todo o mundo com grande sucesso comercial, como aconteceu com praticamente tudo. Nada que o Papa Gregório IV conseguisse abalar com a introdução do Dia de Todos os Santos que hoje só quase leva a romagens aos cemitérios, também elas revestidas de boa carga comercial.
Em tempo de fake news, esta semana comemorou a primeira de que há registo, marcada, como não poderia deixar de ser, pelo terror, numa brincadeira sem consequências. Há oitenta anos, comemorados agora, Orson Wells interrompeu a emissão radiofónica da CBS para noticiar que os marcianos estavam a invadir New Jersey, lançando milhões de pessoas no pânico.
Dos marcianos temo-nos livrado. Das fake news, já com consequências, e terríveis, não. Invadiram-nos por todos os lados, espalhando terror à conta do mais tenebroso invasor da Humanidade que se dá pelo nome de ignorância. Essa sim, medonha!
* A minha crónica de hoje na Cister FM
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