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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Ilusório é isto mesmo

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O desfecho final da eliminatória pode até sugerir grande equilíbrio de forças, muita incerteza no resultado e invugar emoção até ao apito final. Mas não foi nada disso que se passou na outra meia-final: o 5-2 de Liverpool foi, antes e durante praticamente todo o jogo, 5-0. Do massacre à displicência foi uma questão de minutos: os minutos finais que tornaram um resultado vexatório - se é que isso existe - num 2-5 que não era nada pior para a Roma que os revertidos 1-4 de Barcelona.

O 4-2 de hoje, em Roma, não tem uma história muito diferente. O Liverpool voltou a mostrar ser imensamente superior, só que, mais uma vez, rapidamente passou da superioridade à displicência. Enquanto foi a valer o domínio da equipa inglesa foi indiscutível; os romanos apareceram quando, por muito que fizessem, já não podiam fazer coisa nenhuma. O Liverpool esteve grande parte do tempo a ganhar, depois tolerou o empate e, no fim, nos últimos minutos - a 4 dos 90 e outros 4 depois dos 90 - o resultado acabou a um só golo do prolongamento. Que nunca passou pela cabeça de ninguém!

Mas, claro e sem dúvida nenhuma, a Roma foi uma equipa rija, caiu de pé e com honra. E teve sempre o grande mérito de não se deixar abater. De, à beira do precipício, se agarrar à vida. Mas nada que tenha a ver com o espectacular 7-6 que fechou a eliminatória.

O Liverpool foi muito superior. E será um osso bem duro para o Real Madrid roer em Kiev, no próximo dia 26!

Já estamos nas meias. Mais uma vez!

 

Foi nos penaltis, e isso vai dar para continuar a alimentar uma imagem pouco simpática da selecção nacional. É verdade, uma selecção que habitualmente suscita simpatias generalizadas, arrisca-se a tornar-se na menos cativante da competição. O patinho feio deste Europeu.

Foi nos penaltis, abusando mais uma vez da saúde cardíaca dos portugueses. Mas podia não ter sido. Devia não ter sido, o que não quer exactamente dizer que a equipa nacional tenha merecido outro resultado. Quer dizer que Portugal teve tudo para partir para outro resultado.

Entrou mal, sofrendo um golo logo no primeiro minuto. Prolongou essa má entrada por quase meia hora, mas depois, e em particular depois de chegar ao empate pelo tal miúdo que não podia jogar de início, teve o adversário aos seus pés. Durante todo um outro jogo, nos 90 minutos que se seguiram.

 Pela posição que historicamente ocupa no ranking mundial. Pela condição - rara - de semi-finalista em quatro dos últimos cinco europeus, com o adversário a aceitar a subalternidade, a selecção portuguesa, mesmo sem futebol para isso, teria que puxar desses galões e teria de tudo fazer para ganhar este jogo.

A verdade é que não fez, e foi pelo caminho da Polónia. Que esperou pelos penaltis, enquanto os portugueses pareciam esperar pelo minuto 117. Ambos à espera que a história se repetisse!

Não se repetiu. Fez-se uma história nova!

A continuar assim, se a história se não voltar a repetir, para chegar à final Portugal terá de ganhar o jogo das mais finais. Já não há como empatar!

Brasil 2014 XXVI - Argentina - Holanda

Por Eduardo Louro

 

 

Não foi um bom espectáculo, este que Argentina e Holanda nos serviram nesta segunda meia-final do campeonato do mundo. Foi um jogo mastigado, enrolado, que só abriu nos últimos 10 minutos dos noventa.

A Argentina não teve Di Maria. Nem Messi, que esteve lá mas foi como se não tivesse estado. Provavelmente porque Messi terá achado que o seleccionador Sabella não merecia ter Messi. Teve Enzo Perez, que acabaria substituído aos 80 minutos, quando o seleccionador argentino fez uma dupla substituição (saiu também Higuain) com a entrada de Palácio e Aguero, uma das maiores desilusões deste mundial.

E já que se está a falar de substituições vale a pena dizer que quando, depois, Sabella trocou Lavezzi por Maxi Rodriguez, decidi que não torceria mais pela Argentina.

Quando o melhor jogador em campo é Mascherano, está tudo dito!

A Holanda também não fez melhor, antes pelo contrário, se bem que Robben, mesmo longe da sua praia (sem espaço), tenha espalhado ainda o seu perfume pelo jogo. Foi, apesar de tudo, a única das estrelas a chegar perto do seu estatuto!

Mas também Van Gaal voltou a não estar bem. Voltou a descaracterizar a equipa, cortando-lhe todas as possibilidades de se superiorizar a um adversário que, sem Di Maria e com aquele Messi, estava perfeitamente ao seu alcance.

Já no prolongamento, Van Gaal hesitou entre fazer entrar Huntelaar ou guardar a última substituição para repetir a insólita substituição do guarda-redes. Acabou por se decidir pela troca de pontas de lança. Não ganhou nada com isso, mas não terá sido também por isso que acabou por ser afastado da final. Não deixa no entanto de ser verdade que perdeu nos penaltis, que o guarda-redes agora não defendeu um único, e que foi Romero, o guarda-redes argentino, a defender dois. Brilhantemente, e porque não foi preciso defender mais. É que apenas Robbem e D. Kuyt converteram!

E pronto, lá teremos no Maracanã a Alemanha e a Argentina a disputar o título mundial. Correu bem para o Brasil: o pior que lhes poderia acontecer teria sido, depois do desastre de ontem, defrontar a Argentina no jogo de consolação! 

Brasil 2014 XXV - O Balão que rebentou

Por Eduardo Louro

 

 

Poderia sempre dizer-se que não há explicação. Que a hecatombe que se abateu sobre a selecção brasileira é verdadeiramente sobrenatural. Impensável: cinco golos num quarto de hora. Coisa inédita em campeonatos do mundo: nunca à meia-hora de jogo uma equipa estivera a perder por 5 a 0.

E no entanto isto percebe-se. Isto é Scolari. Isto é Nossa Senhora do Caravaggio. Isto é a exacerbação da emoção e o desprezo pela competência!

Como aqui se foi dizendo o Brasil não jogava nada. Mesmo deixando de fora da convocatória grandes talentos, de que Lucas Moura é apenas um exemplo, a Scolari não faltaram jogadores de grande talento. O que lhe faltou foi capacidade para os pôr a jogar futebol!

Víamos e não acreditávamos naquele futebol sem meio campo, de pontapé para a frente e fé em Deus. Fé… Muita fé. Apenas fé!

Sem qualquer racionalidade, com todos as fichas no lado emocional do jogo, a selecção brasileira era um balão prestes a rebentar à primeira contrariedade. Percebeu-se isso claramente no jogo com o Chile, na descarga emocional que se sucedeu ao sucesso nos penaltis!

David Luiz é provavelmente o jogador que melhor simboliza este Brasil emocional e incompetente. Hoje não o foi apenas uma vez mais, hoje foi-o em toda a expressão dramática!

A canarinha foi humilhada, goleada como nunca ninguém tinha sido, em casa e nesta fase da prova. O Brasil está em estado de choque, o país apostou tudo – certamente de mais – neste mundial, e a sociedade brasileira reagiu. Violentamente, muitas vezes… O hexa poderia não ser um desígnio nacional, mas era certamente a válvula de escape de todas as tensões sociais. Que a frustração, ao invés, provavelmente irá potenciar. Com consequências imprevisíveis!

Que dizer da Alemanha, que simplesmente fez isto tudo?

Pouco. Que deu sete, mas poderiam até ter sido mais. Que foi o que tem sido – a melhor equipa do mundo nesta altura. Simplesmente perfeita, sem falhas. E que, para que tudo fosse perfeito, Klose, aos 36 anos, tornou-se no maior marcador de sempre em fases finais, com 16 golos. Superando os 15 do brasileiro Ronaldo…

Falou-se que este jogo seria a final antecipada deste campeonato do mundo. Olha se fosse… A Alemanha já era a campeã. Mas não vê forma de o não vir a ser!

Nas meias... Mais uma vez!

Por Eduardo Louro

 

 

O Benfica está de novo, e como se esperava, nas meias-finais da Liga Europa. Jogando suficientemente bem para ir ultrapassando os seus adversários com facilidade, gerindo a utilização dos jogadores e gerindo os jogos, e em especial o desgaste físico e mental durante os jogos.

O que infelizmente não é possível gerir é o infortúnio das lesões. No último jogo na Holanda o Benfica perdeu Ruben Amorim, numa lesão preocupante mas felizmente menos grave do que na altura se chegou a esperar. Hoje foi o Sílvio, outro jogador para quem a sorte é madrasta… O azar foi tanto que fracturou a perna a pontapear o joelho de um colega, Luisão. E vai ficar de fora do Mundial, ele que pelas mesmas razões já ficara de fora do último europeu. Ele que é a par de Cristiano Ronaldo – também em risco, ao que se diz – o mais indiscutível dos convocáveis para o Brasil!

A tristeza por Sílvio sobrepôs-se à alegria da vitória e da passagem às meias. Mas há sempre espaço para a esperança, como o Sálvio hoje confirmou. No dia da grave lesão do Sílvio, nada melhor que a primeira grande exibição do argentino, também ele regressado da grave lesão do início da época, que o afastara por seis meses. Digam isso ao Sílvio...

E pronto. Agora que venha a Juve. Ou o Sevilha… Ou o Valência, para quem dava preferência ao Basileia... Tanto faz! 

 

NAS MEIAS

Por Eduardo Louro

 

Os últimos jogos do Benfica em Coimbra tinham sido bem complicados.

Basta lembrar que o da época passada marcou a viragem do campeonato, quando lá ficaram dois dos cinco pontos de avanço que num ápice desapareceram que nem fumo e que no último, há três ou quatro meses, o Benfica lá deixaria dois dos poucos pontos perdidos no actual campeonato. Sempre com arbitragens mais do que simplesmente manhosas por árbitros cirurgicamente escolhidos!

Era isto mesmo que vinha à memória quando se soube da nomeação do antigo companheiro de André Vilas Boas nos Super Dragões. Como à memória veio a história dos inúmeros golos desperdiçados nesses jogos quando, logo no primeiro minuto, Cardozo pica a bola sobre o guarda redes da Académica e surge, não se sabe de onde, um defesa em cima da linha de golo a tirar a bola.

Mas cedo se percebeu que desta vez seria diferente, mesmo que aqui e ali tenha ainda esboçado o que o super dragão Jorge de Sousa gostaria de fazer. Ainda o ponteiro não tinha chegado aos 10 minutos e já o Benfica, com dois golos marcados, tinha escancarado as portas das meias-finais da Taça de Portugal. E rapidamente o jogo deixou de ter história para além da história dos golos. Dos quatro marcados e dos outros tantos feitos, mas falhados… Escandalosamente falhados!

E pronto. Com mais uma exibição na linha do que vem sendo a prestação da equipa, o Benfica está nas meias-finais. O apuramento para a final do Jamor será agora disputado - com o Paços de Ferreira – em duas mãos: a primeira a jogar daqui a duas semanas e a segunda lá para finais de Abril. Três meses depois! Faz sentido… 

EURO 2012 (XXVIII) - VENHA A FINAL!

Por Eduardo Louro

                                                                      

Fizemos aqui uma espécie de balanço da primeira fase deste Euro 2012, voltamos a fazê-lo quando o pano caiu sobre os quartos de final. Não há razão para que não o façamos sobre as meias-finais!

A esta competição, marcada por um certo paralelismo com a crise do euro – do outro, que afinal conta bem mais – e da Europa, chegaram em maioria os representantes dos PIIGS, todos representados nesta fase final deste Euro 2012. Na primeira fase caiu apenas um – a Irlanda -, coisa que se repetiu nos quartos de final, com a pobre Grécia a ser expulsa pela implacável Alemanha. Que se viu depois sozinha nas meias-finais rodeada de PIIGS por todos os lados, a reclamarem o protagonismo na bola que a economia e as finanças lhes negam no euro. E dispostos a vingar-se da Alemanha!

Portugal e Espanha, os vizinhos ibéricos em dificuldades, abriram a discussão pela presença na final, num jogo marcado pelo medo, como então aqui se caracterizou. Um medo que pareceu mais evidente na selecção espanhola, que abdicou do seu estilo de jogo habitual, recorrendo como nunca ao improvável jogo directo.

Normalmente, no futebol, quem abdica dos seus princípios de jogo, quem se descaracteriza em função do adversário, é penalizado. Esta é uma regra universal do futebol, sobejamente provada!

Não aconteceu isso desta vez porque os penaltis sorriram-lhe. E ninguém mais se lembrará que foi por essa unha negra que a Espanha chegou à final. Disse-se, e continua a dizer-se, que os espanhóis – que apenas se superiorizaram no prolongamento - ganharam porque tinham mais e melhores opções no banco. A que Del Bosque lançou mão com apurado sentido de oportunidade: no timing certo, as opções certas!

Sendo isto verdade, e tão mais evidente quanto Paulo Bento esteve no lado oposto, no timing – substituições muito tardias - e nas opções, com a entrada de Nelson Oliveira a ser completamente falhada e a de Varela, porque em substituição de Meireles, a esburacar o meio campo, a realidade é que a selecção nacional acabou por perder porque, antes de tudo isso acontecer, não conseguiu ganhar. Portugal podia e devia ter feito ganho o jogo nos 90 minutos. Não o tendo feito, não podia ter consentido que o domínio do jogo no prolongamento caísse para o lado dos espanhóis que, fisicamente mais desgastados, fizeram das fraquezas forças. E isto é do domínio mental. O factor mental pesou bem mais que o da qualidade do banco!

Porque falta-nos o hábito de ganhar, a rotina de vencer que faz com que se arrisque quando há que arriscar, que se percebam as dificuldades do adversário e que se entenda que é a altura do ataque fatal. Não é uma só uma questão de ambição – embora também passe por aí – é um problema de instinto. É o nosso fado do quase!

Esta Espanha do tiki-taka nunca como desta vez esteve tão ao alcance de Portugal. Não está, como desde o primeiro dia aqui se defendeu, ao nível de há anos atrás. Nem tem o melhor futebol da Europa!

Na outra meia-final, a imperial Alemanha, super favorita e disposta a impor o seu poder e a sua hegemonia também na Europa do futebol, encontrava-se com uma Itália surpreendente, com um futebol que ganhou atracção sem perder eficácia. E em crescendo, ao contrário do que começava a perceber-se na equipa alemã!

A Itália foi técnica e tacticamente muito superior à Alemanha, superioridade que o resultado não espelha. Por mérito próprio mas também por muito demérito alemão, pelo qual Low é principal responsável. Porque - mais uma vez o medo – abdicou também dos seus princípios de jogo para jogar em função do adversário. E desta vez não houve excepção à regra. Porque, mexendo muito na equipa de jogo para jogo, por ventura em excesso de confiança, lançou-a num processo descendente. E acabou com o fundamental Mario Gomez quando, esquecendo-se que um avançado vive de golos, o colocou de fora no jogo com a Grécia, quando era o melhor marcador em prova. Igualmente incompreensível a sua substituição ao intervalo. Erros a mais, perante um adversário que, ao contrário de Portugal, não está habituado a perdoar!

Ao lado do mérito italiano está, como a outra face da moeda, Prandelli. O treinador que, se não está a revolucionar o futebol da squadra azurri anda lá perto, tal é o salto de qualidade que evidencia. Um tipo de futebol que não abdica da habitual segurança defensiva, mas que defende muito mais alto, permitindo à equipa - e a Pirlo, o maestro e o melhor jogador deste europeu – recuperar a bola em zonas subidas do terreno, já mais perto da baliza contrária, onde depois chega com enorme facilidade. Tudo isto servido por jogadores de alta qualidade, em todos os sectores. E dois génios, um dos quais com muito de louco, de que todos temos um pouco!

Invariavelmente, nos períodos de maior lamaçal no calcio, a squadra azurri ganha o que houver para ganhar. É a minha favorita para amanhã levantar o caneco!

EURO 2012 (XXVII) - CIAO ALEMANHA

Por Eduardo Louro

                                                                      

A Itália empurrou a Alemanha para fora do Euro e, contrariando os desejos de Platini, vai ser ela a disputar a final com a Espanha.

Foi um grande jogo, uma meia-final que pouco teve a ver com a de ontem. Onde a Alemanha, com mais dois dias de recuperação e com muito menos para recuperar – a Itália até vinha de um apuramento através de um prolongamento e de grandes penalidades – como aqui havido sido dito, até entrou melhor no jogo. Mesmo surgindo com alterações ao seu modelo de jogo, em tão evidente quanto surpreendente sinal de receio – não sei se dos italianos se da história - dominou por completo o primeiro quarto de hora, com duas claras oportunidades de golo, a primeira salva por Pilro – começou cedo mais um festival - em cima da linha de golo, logo aos 5 minutos.

Só que o jogo tem seis quartos de hora, e os restantes cinco foram da Itália. Que só fez o seu primeiro remate à baliza de Neuer aos 17 minutos. Mas para fazer o segundo no minuto seguinte e o golo logo no outro a seguir. Em três minutos três remates, um dos quais golo. De Balotelli!

A resposta alemã ao golo só surgiria aos 33 minutos numa excelente iniciativa de Boateng, logo seguida de um grande remate de Kehdira, com uma enorme defesa de Buffon. No minuto seguinte, aos 36, Balotelli deu espectáculo e fez o segundo golo. E continuou o espectáculo, a tirar a camisola – e levar com o amarelo mais estúpido que há no futebol – e, em vez de festejar, a posar para a adoração.

Arrumou com o jogo. Com o jogo e com a Alemanha! Ninguém admitia que a Itália, com dois a zero, pudesse deixar de estar em Kiev, na final do próximo domingo. Ao intervalo os italianos tinham feito quatro remates, todos direitinhos à baliza, e dois golos. Dividiam a posse de bola com os alemães (50-50) e tinham corrido mais!

Ao intervalo, Joaquim Low fez duas substituições. Surpreendentemente trocou Mario Gomez por Klose, ficando sem o melhor goleador do Europeu quando precisava de marcar pelo menos dois golos.

A segunda parte continuou a ser um grande jogo, dos melhores do campeonato. Com o domínio técnico-táctico dos italianos a acentuar-se, sob o comando do melhor jogador presente na Ucrânia e na Polónia: Pilro, evidentemente! Uma, mais uma, exibição de sonho deste extraordinário jogador para que faltam adjectivos. Atenção à bola de ouro! Foi o homem do jogo, apesar de Balotelli que fez os dois golos. E que golos!

A Alemanha reduziria para 2-1, praticamente no último minuto, através de um penalti convertido por Ozil. Mas foi a squadra azurri quem, na sua praia, construiu mais e as melhores oportunidades de golo.

Cumpriu-se a história: a Alemanha nunca ganhou à Itália em jogos oficiais. Coisa de que mais ninguém se consegue orgulhar. E pôs fim a uma série notável de 15 vitórias consecutivas da Alemanha em jogos oficiais!

Quando se admitia que a final fosse discutida entre os apurados do Grupo B, o da morte – porque a Alemanha tinha lugar cativo desde o início – vai afinal ser discutida entre os apurados do grupo C. Não deixa de ser curioso!

Contra todas as expectativas – se bem que, mesmo depois de esmagada pela Rússia em Roma, socorrendo-me da história, lhe tenha aqui entregue uma boa dose de favoritismo – a Itália, que apesar de chegar à final com apenas duas vitórias, apresenta um futebol que foge dos velhos cânones do calcio, será provavelmente o novo campeão europeu!

Que pena Portugal não ter ontem aproveitado a sua oportunidade. Por todos nós e por Platini!

 

EURO 2012 (XXV) - MALA SUERTE

Por Eduardo Louro

                                                                      

A selecção nacional foi afastada da final do campeonato da Europa, no desempate por grandes penalidades. Que é sempre uma questão de sorte e de azar…

Na circunstância da suerte espanhola no decisivo remate de Fabregas, quando a bola, do poste, segue para dentro da baliza; e do azar português, quando a bola rematada por Bruno Alves, da barra segue para fora!

Antes, o Rui Patrício – finalmente com a oportunidade de se mostrar – defendera, com grande brilho, o penalti de Xabi Alonso, hoje um dos melhores dos espanhóis. Alegria de pouca dura porque, logo a seguir, Moutinho – o jogador português que menos merecia que isto lhe acontecesse – marcou muito mal o primeiro (percebe-se, pela história recente, que Paulo Bento não tenha optado por Cristiano Ronaldo para abrir a série) dos penaltis nacionais, e permitiu a defesa de Casillas. E tinha Sérgio Ramos marcado à Panenka, esse sim, mais ou menos à Panenka!

Desconfio que, a partir deste europeu, com o impacto que esta irresponsabilidade teve na viragem do curso dos penaltis, irão multiplicar-se os Panenkas

E, antes de tudo isso, foram 90 minutos de um jogo que esteve longe de ser sequer aceitável. Com duas equipas dominadas pelo medo, às vezes mesmo de pânico. Foi tanto o medo que ambas traíram o seu modelo de jogo, no caso português seja lá isso o que for. Porque na realidade não se percebe bem!

Foi, por isso e não só, a Espanha quem mais infidelidades cometeu. Desde logo com a introdução de Negredo, um ponta de lança com que a equipa não sabe jogar. Mas também não conseguiu impor o seu tiki taka, nem atingir os tais níveis pornográficos de posse de bola (apenas 57%) nem sequer assumir o domínio no jogo. Da selecção nacional ficou a ideia que poderia ter jogado bem melhor, que teve condições para o fazer, e que só não o fez pelo medo que revelou, que não era perspectivável na conferência de imprensa de Paulo Bento na véspera do jogo. Só não diria que se descaracterizou tanto quanto a Espanha porque jogou de forma muito semelhante à dos piores períodos dos jogos anteriores. Aos vinte minutos iniciais do jogo com a República Checa ou a boa parte do jogo com a Dinamarca, com pouco critério no passe e muito chuto para a frente, sem condições de servir os nossos dois melhores jogadores, aqueles que têm condições para desequilibrar.

Portugal perdeu uma boa oportunidade de ganhar à Espanha e de voltar à final de um campeonato da Europa. Porque a Espanha teve muito medo da selecção nacional, porque a Espanha, por via disso e pelo cansaço que evidenciou, foi bem inferior ao que se espera e exige de um campeão do mundo e da Europa. A equipa nacional não aproveitou a oportunidade que Del Bosque e os jogadores espanhóis ofereceram e limitou-se a defender bem e a controlar o jogo. O que umas vezes basta e outras não!

Quando Del Bosque corrigiu - voltou ao seu sistema alérgico a pontas de lança, e tirou do banco as armas que Portugal tinha em campo mas não sabia utilizar (alas velozes e de grande categoria como são Pedro e Navas) - acabou-se. Manteve-se a defender bem – é certo – mas perdeu o controlo do jogo.

Quando se chegou ao prolongamento o jogo já era outro. A selecção espanhola, que sempre deixara a ideia de bem mais fatigada, foi então superior. O que não deixa de ser surpreendente, porque Paulo Bento deixara as substituições para mais tarde. Tarde de mais, mas também infelizes!

Não resultaram, ao contrário das que Del Bosque fez. Que, evidentemente, também tinha no banco opções que nada têm a ver com as de Paulo Bento.

Acabamos derrotados, com honra mas sem glória, pela armada invencível. Que foi apenas espanhola, não teve - como se receou – ajuda decisiva e visível de mais ninguém. O árbitro turco não esteve sempre perfeito – o maior erro terá sido um benefício ao infractor, quando, aos 30 minutos, marcou uma falta sobre Nani quando ele, resistindo, prosseguiu em direcção à baliza ou, dez minutos antes, quando não assinalou outra sobre o mesmo Nani, o melhor da frente na primeira parte, mas a desaparecer depois - mas também não interferiu em favor dos desejos do Sr Platini.

Nem o resultado nem a exibição de hoje retiram o que quer que seja ao que Portugal fez até aqui neste euro. A selecção nacional fez um grande europeu, muito acima do que seria legítimo esperar e muito acima dos seus limites. O que não quer dizer que sejam as melhores as perspectivas que se abrem, ao contrário do que afirmou Paulo Bento no final do jogo…

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