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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Uma notícia

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Passando os olhos - com os dois bem abertos, não mais - pelas notícias dos jornais, parei. Não consegui passar ao lado e seguir em frente. Dizia: "menina de 11 anos deu á luz, e o pai do bebé é o irmão de 14 anos".

Não podia ter sido em Portugal. Isso teria dado capa nos jornais todos e teria sido abertura em todos os telejornais. Onde terá acontecido, interroguei-me, sem grande vontade de procurar pormenores. No profundo terceiro mundo. Talvez na Índia, donde já nos habituamos às maiores aberrações neste domínio...

Percebi que me estava a entregar a estes pensamentos para, por repugnância, evitar entregar-me à notícia. Mas tinha de saber onde uma coisa destas poderia ter acontecido. Fui ver.

Aconteceu em Espanha. Em Múrcia. Estava tudo dito. Não precisava de saber mais. A partir daí, dizer que tinha acontecido numa família de imigrantes, era redundante.

É impressionante a faciidade de certos países desenvolvidos em recriar dentro de portas modelos infra-humanos dos mais desgraçados países do terceiro mundo. Espanha, e a região de Múrcia em particular, são disso o maior exemplo. Sabem como poucos replicar a mais indigna miséria humana, como se museus vivos do horror estivessem a criar. 

A personagem

Por Eduardo Louro

 

 


 

"Um Presidente da República de bom senso não deve entrar em lutas político-partidárias e o Presidente da República está acima dos partidos..."

Isto foi tudo o que Cavaco entendeu que tinha finalmente para dizer ao país. Infelizmente nada mais que "Presidente da República" se lhe cola à pele. Nem o "bom senso" é seu apanágio, nem estar "acima dos partidos" é a sua prática. É mais acima de uns e no meio de outros...

Apenas "Presidente da República" corresponde à personagem. Infelizmente!

O silêncio de Cavaco

Por Eduardo Louro

 

Tão lesto a vir a público perorar sobre a Grécia, tão rápido a apoiar posição do governo português na oposição cega ao grego, estranha-se agora que o Presidente da República continue calado perante o que se está a passar no país.

Não se estranha, evidentemente, que nada diga sobre a miséria moral que nesta semana se acentuou no país. Isso não se estranha, a isso já Cavaco há muito nos habituou. Para isso já Cavaco perdeu também há muito autoridade moral. O que verdadeiramente se estranha é que ainda não tenha ainda vindo em socorro do primeiro-ministro. O que se estranha é que ainda não tenha estendido a mão a Passos Coelho...

E daí talvez não. Ele não é muito de estender a mão para segurar. É mais para se agarrar...

Miséria moral

Por Eduardo Louro

 

Em apenas sete meses - Dezembro de 2013 a Julho de 2014 - Ricardo Salgado desobedeceu 21 vezes ao Banco de Portugal. Que tinha praticado actos de gestão ruinosa já se sabia, mas confirmou-o também a Auditoria Forense levada a cabo pela Deloitte, e hoje dada a conhecer.

O antigo ministro da saúde de Cavco, Arlindo Carvalho, acusado do desvio de milhões de euros no BPN, começou ontem a ser julgado. Também ontem foram detidas cinco pessoas envolvidas na falsificação de declarações de dívida, entre as quais um director e um chefe de serviços da Segurança Social. Dezenas de empresários da Grande Lisboa terão comprado certidões de "ficha limpa" de dívidas, ficando habilitados a concorrer a concursos públicos.

Paulo Pereira Cristóvão, antigo agente da PJ e até há pouco vice-presidente do Sporting,  vai ser ouvido hoje pela Justiça, acusado de comandar um gang de assaltos à mão armada, que incluía agentes da PSP no activo e um líder de uma claque sportinguista.

E Sócrates aproveita o grupo de media agora presidido por Proença de Carvalho, seu advogado, para voltar a fazer prova de vida. Desta vez para responder ao primeiro-ministro, que em desepero não tinha resistido a trazê-lo para uma conversa em que não era chamado. E para acusar Passos Coelho de estar "próximo da miséria moral", sem perceber que há muito deixou ele próprio para trás essa barreira!

Há dias assim. Em que o país não podia, ele sim, estar mais próximo da miséria moral...

 

 

 

 

 

 

MISÉRIAS

 Convidada: Clarisse Louro *

 

Vamos assistindo incrédulos ao espectáculo degradante que se desenrola aos nossos olhos: serviços secretos que supostamente se devem dedicar à protecção interna e externa do país servem, afinal, para a bisbilhotice, para espiar cidadãos ao serviço nem se sabe de quê, para investigar pessoas e negócios ao serviço de interesses privados; altos responsáveis que, no exercício de funções públicas vitais para a soberania nacional, preparam meticulosamente a sua transferência para empresas privadas, fazendo disso o seu único desígnio. Que, depois em funções privadas, continuam a dispor dos serviços que comandavam a seu bel-prazer, dando-lhe ordens como se a cadeia hierárquica se mantivesse intacta. Ordens religiosamente cumpridas, numa inquebrável e obscura teia de interesses. Teias de interesses que atravessam os partidos do arco do poder, passando de uns para outros como se fossem apenas um mesmo. Iguais nas práticas, nos interesses, nas motivações e até nas pessoas!

No meio de tudo isto organizações secretas e clientelares e duas ou três personagens centrais, mas apenas isso: centrais. Para além delas estão muitas outras e, mais que as personagens, o estado de miséria generalizada em que agonizam as instituições do Estado.

Um empresário que contrata um director dos serviços secretos do Estado para utilizar a informação, o poder, os meios e as influências que lhe vêm das funções especiais que ocupa. O mesmo director dos serviços secretos que não revela quaisquer escrúpulos e a quem nenhuns limites nem reservas são impostos. Que se comporta como dono do poder, de um poder que foi construindo em cima de informação e de informações, e cimentado em relações insinuantes que alimentam mais informação. Que ainda não foi jogada, mas que o virá a ser, destapando mais misérias. Que enterrarão ainda mais quem já esbraceja no pantanal, para onde outros mais serão arrastados!

E um ministro que não resiste a este caldo fatal feito de informação e de meios, de influências e do seu tráfico, de intriga e de poder que não conhece limites. Que não resiste a dar passos maiores que a perna, não percebendo que mais curta que a sua fica a perna da mentira. Atrás da qual anda a correr, já sem penas para a agarrar…

Mentira que o primeiro-ministro disse não tolerar mas da qual – a contragosto, quero acreditar – se não conseguiu demarcar. Porque também ele acaba por ser mais um exemplo do funcionamento em rede, de uma teia que mina a sociedade portuguesa e que produz reféns a cada esquina.

O Presidente da República, que lá de longe reclamara transparência, afirmou no passado fim-de-semana ter sido informado de todos os detalhes por “quem tem competência” e que “não tem razões para duvidar que os interesses nacionais estão a ser tidos em conta”. Que “o primeiro-ministro deu explicações na Assembleia da República prestou os esclarecimentos que considerou necessários…”

Não me tranquiliza. Mas também já não é de agora…Há muito que perdeu essa capacidade!

 

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

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