“Portugal é uma espécie de milagre económico. […] É um pouco misterioso como é que as coisas correram tão bem” - diz hoje Paul Krugman, (antigo) prémio Nobel da Economia, em entrevista ao “Jornal de Negócios”, de que faz primeira página.
É precisamente isto que há muito venho dizendo a amigos, ou a parceiros de conversa, sempre que ela - a conversa - resvala para a situação do país, da economia e da sociedade portuguesa em geral. Eu, que não acredito em milagres, falo mais de mistério. Mas fico um pouco como os espanhóis com as bruxas: "no lo creo, pero que las hay las hay".
É certo que Portugal é um país muito desigual, e que a percepção do país varia muito conforme a bolha a partir da qual o olhamos. À nossa volta vemos com mais nitidez o que está na bolha que integramos do que nas outras, e isso precipita percepções diferentes. Uns tendem a tomar a sua bolha pelo todo. Outros tendem a ignorá-la, para ver o todo nas outras.
Mas que, num país pobre, que se afasta dada vez mais dos indicadores de desenvolvimento das sociedades mais robustas, que mantém inalteráveis a estrutura e o paradigma da sua economia, em que o salário médio cada vez se encosta mais ao mínimo, em que as bolsas de pobreza crescem aceleradamente, a exigir cada vez maior intervenção subsidiária do Estado, e que esgota espectáculos, enche restaurantes, esgota hotéis e programas de férias, e viabiliza a abertura de cada vez mais e maiores superfícies comerciais, há algo de profundamente misterioso, disso não há dúvida.
Um dos meus amigos com quem converso frequentemente sobre estas coisas chama-lhe simplesmente economia paralela. É certo que a economia paralela faz milagres - em Espanha fez até o "milagre" de funcionar, durante décadas, com taxas de desemprego superiores a de 20% - mas os mistérios são mais difíceis de explicar.
Boa parte dos adeptos portistas começou a descobrir por estes dias, ontem e hoje, depois de 40 anos de práticas criminosas, de coacção e agressões, que Pinto da Costa fez do FC Porto uma organização à imagem da Mafia e, do Porto, uma cidade geminada com Palermo.
Já o Ministério Público, mais dado à política que à bola, depois de 40 anos disto, e de 20 de "apito dourado", precisou disto para desconfiar que é capaz de haver alguma razão para abrir um inquérito.
A descoberta dos adeptos portistas, a gente percebe: já não ganham. Enquanto ganhavam tudo ia bem, o guarda Abel era um zeloso agente da autoridade, a escolta pretoriana de Pinto da Costa um grupo de escuteiros, e o Madureira um cidadão exemplar. Que só agora o Ministério Público tenha encontrado motivo para abrir um inquérito, é que cheira a mistério.
Numa semana em que a morte levou traiçoeiramente o João Vasconcelos, aos 43 anos, um dos melhores de nós, atirando-nos brutalmente contra a realidade da vida a que não podemos deixar de chamar injusta, num não menos insondável mistério, a mesma morte deixa-nos um milagre de vida.
A mesma morte que levou o João tão cedo levara, mais cedo ainda, Catarina, uma jovem canoísta com apenas 26 anos. Estava grávida de 12 semanas do seu primeiro filho quando, na sequência de uma crise de asma, no Natal passado, lhe foi declarada a morte cerebral, já Hospital S. João, no Porto. Entendeu a equipa médica que havia condições para prolongar a gestação, mantendo o corpo da jovem em suporte artificial de vida até à melhor oportunidade para o nascimento do filho, decisão que teve o acordo da família materna e do pai.
Já há três anos, em Lisboa, tinha ocorrido um bem-sucedido caso de gestação em morte cerebral, depois de 107 dias de desenvolvimento intra-uterino com a mãe em suporte de vida.
O Salvador, assim se chama o filho a que, morta, Catarina conseguiu dar vida, nasceu às primeiras horas de ontem, um dia antes do previsto, por complicações na assistência respiratória. Desligada a máquina, a mãe vai hoje a enterrar, 91 dias depois de, a 26 de Dezembro do ano passado, ter sido chorada pela primeira vez a sua morte.
Também de morte se faz vida. Bastava isto para fazer da vida o mais extraordinário dos mistérios. Mas também a mais interminável das discussões…
O material roubado de Tancos apareceu. Tão - ou mais - misteriosamente como havia desaparecido, há perto de 4 meses...
A Lone Star, o tal fundo imobiliário a que alguns chamam de abutre, já ficou com o Novo Banco. Correu tudo bem mas, misteriosamente, Bruxelas autorizou o Estado português a responder às necessidades de capitalização que se vierem a colocar ao Banco... da Lone Star.
O primeiro-ministro já substituiu a ministra da administração interna. Depois do que se passou, esperava-se que António Costa reforçasse o governo com alguém com competência e provas dadas nas matérias da mais fragilizada pasta do executivo. Misteriosamente, em vez de reforçar o governo em competência, António Costa reforçou-o em amiguismo e lealdade pessoal
Não há dúvida - Portugal é um país cheio de mistérios. Talvez dê um bom slogan de promoção turística, mas parece-me pouco original!
Vamos ver se percebo. Quando rebentou esta estória o governo correu com os secretários de estado que tinham responsabilidades na coisa. Todos, menos esta senhora, que ensinou Economia a Passos, na Lusíada e a quem é entregue a responsabilidade pelo inquérito à coisa. A senhora, enterrada até às orelhas na coisa, é promovida a ministra e ... quem é que convida para o lugar que vai deixar vago?
Um vendedor de swaps, pois claro!
Assim vão as coisas no Mi(ni)stério dos Swaps...
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