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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O mister

 

No dia da festa do Sporting - e impõe-se desde já dar os parabéns à lagartagem, e muito especialmente aos meus amigos sportinguistas, que são muitos, e muitos muito amigos mesmo - o Benfica pareceu querer dar-nos mais uma tristeza. E deu, mesmo que no fim a vitória na Madeira a disfarce um bocadinho. A tristeza de mais um jogo pobre, de muito desacerto e de pouca inspiração não é apagada pelo resultado.

Jorge Jesus escalou um onze com seis alterações em relação ao último jogo, com o Porto, de má memória. Duas - Diogo Gonçalves, suspenso por acumulação de amarelos, e Rafa, por obra e graça de Pepe - inevitáveis, as restantes, vá lá saber-se porquê... E a equipa, que já não é famosa, ressentiu-se disso. Gilberto, Pedrinho, Chiquinho, Cervi, Waldschmidt e mesmo Nuno Tavares, não estiveram à altura. Mas a verdade é que, à excepção de Helton Leite, que claramente evitou o pior, e de Lucas Veríssimo, os restantes também não, mesmo que se tenha de reconhecer que, em tamanha minoria, também não seria fácil fazerem muito melhor.

A primeira parte foi uma lástima. Para além das investidas de Riasco, a deixar Gilberto de rastos,  pouco mais há para dizer. Os jogadores do Benfica viam os do Nacional correr, e esmeravam-se a falhar passes. Remates, nem vê-los. E oportunidades de golo só para a equipa da Madeira. Do lado do Benfica apenas duas aproximações à baliza adversária, uma concluída com remate de cabeça de Seferovic por cima da barra, e outra em que o ponta de lança suíço voltou a trocar os pés sem sequer tocar na bola, quando tinha tudo para fazer o golo.

Mau de mais, mais uma vez.

Ao intervalo o mister emendou a mão, e lançou Grimaldo, Pizzi e Everton. E apesar de ter sido o Nacional, logo no arranque, a voltar a ameaçar a baliza de Helton, cedo se percebeu que o Benfica metia mais velocidade no jogo, e que as coisas poderiam mudar de rumo. A equipa passou então a mandar no jogo, mas logo voltou o VAR a entrar em cena. Uma autêntica maldição.

Fruto da superioridade que finalmente tinha no jogo, o Benfica chegou ao golo, por Nuno Tavares. Mas lá estava o VAR para o anular. Desta vez o pretexto foi uma falta de Lucas Veríssimo, numa disputa de bola, para aí um minuto antes, em que fora ele o primeiro a sofrer falta. Depois, pouco depois, em cumprimento da lei máxima desta liga, foi mais um penalti que ficou por assinalar, quando um defesa do Nacional jogou a bola dentro da área com as duas mãos. Não percebíamos como nem o árbitro nem o VAR tinham visto, mas logo os senhores da Sport TV nos elucidaram. Pelo que explicaram ficamos a perceber que, jogar a bola com a mão, ou até com as duas, como foi o caso, já não é penalti. Só é penalti se o movimento dos braços aumentar a volumetria. Se um defesa blocar a bola, como um guarda-redes, não é penalti. Que bom é ter estas explicações dos senhores da Sport TV!

Entretanto entrava-se no último quarto de hora jogo, e a relativa qualidade daqueles vinte e tal minutos começava a desaparecer. Voltavam os passes errados, e o treinador do Nacional começava a lançar jogadores rápidos para o ataque, acreditando que, com o Benfica mandado para a frente, mas já fora do seu melhor período, teria chegado a hora de dar o golpe final no resultado.

Era este o cenário quando, aos 78 minutos, já com Darwin e Gonçalo Ramos em campo, chegou o golo do empate. Seferovic, sozinho em frente ao guarda redes, ia falhar mais um golo, com um remate para fora, só que o defesa do Nacional que tinha marcado o golo na primeira parte, ao tentar o corte, desviou-lhe o sentido para dentro da baliza.

Só podia ser assim. Assim ... ou com Gonçalo Ramos. Dois minutos depois, lá estava o miúdo, no sítio certo, a rematar de primeira, e com classe, para o golo, a passe de Darwin. Cinco minutos depois, repetiu. Sem o mesmo brilhantismo, mas com a mesma eficácia. A lembrar a toda a gente existe, que está lá, e que merece jogar bem mais. 

Mérito de Gonçalo Ramos, o homem do jogo? Não, nada disso. Mérito do mister. Que o meteu a jogar, e que, antes de o fazer entrar, lhe explicou que movimentos tinha de fazer. Mérito de Jorge Jesus, pois claro. Sem qualquer responsabilidade nesta época miserável, em que tudo é culpa da covid, como é que poderia não ser?

Futebolês #38 Mister

Por Eduardo Louro

  

 É mais um anglicismo! Daqueles que pouco dão nas vistas mas que não deixam de o ser. Não se trata, como toda a gente sabe, de um complemento de identificação. Até porque esse é universalmente apresentado pela abreviatura mr, comum ao mister e ao monsieur, para cobrir toda a cultura  europeia dominante dos séculos XIX e XX.

O mister é o treinador, admito que por força da ascendência inglesa no futebol. Com a influência do Brasil o treinador também já é professor.

Em Portugal, com o peso dos jogadores brasileiros – maioritários nas duas ligas profissionais – o treinador já é professor para mais jogadores do que mister.

É também a variante dos títulos a chegar ao futebol português. Se em toda a Europa um advogado ou um economista (ou um engenheiro ou um arquitecto) é Mr (mister ou monsieur) e em Portugal é doutor (ou engenheiro ou arquitecto) porque é que um treinador há-de ser mister?

Enquanto os treinadores foram feitos a partir do futebol, especialmente antigos jogadores, ou mesmo antigos jogadores frustrados, mister ia bem com a coisa. Que muda quando os treinadores começam a sair das academias: primeiro do ISEF, depois Faculdade de Motricidade Humana e posteriormente das inúmeras escolas de desporto espalhadas pelos Institutos Politécnicos. Aí surgem os professores. Mas também a guerra entre velhos e novos, entre misteres e professores!   

No primeiro plano do futebol nacional os misteres ganham aos professores. Se bem que em problemas estejam todos muito equilibrados.

No Benfica, Jesus é claramente um mister. Não um gentleman, mas um mister à antiga. Um clássico! E em dificuldades!

As coisas este ano parecem não estar a correr bem. Muito por culpa própria… E não vale a pena falar de arbitragens, e de penaltis por assinalar porque, quando as coisas correm como devem correr, como foi o caso na última época, não é preciso fazer essas contas. Na época passada também ficaram penaltis por assinalar, e não era por isso que o Benfica deixava de ganhar. E de golear!

No Braga, Domingos Paciência é também um mister. Que continua a dar cartas – acaba de deixar o poderoso Sevilha com o credo na boca – e a afirmar-se como um grande treinador, por muito que em certas circunstâncias se distraia. Pode ser que, agora que lá pelo Dragão anda um tipo novo e com alguns anos pela frente, passe a andar menos distraído. Só lhe fará bem!

O jovem que está à frente do Porto não é professor, excepto para os muitos brasileiros que lá estão, porque não teve tempo de ir à escola. Parece que aos quinze anos já andaria a aprender estatística mas por conta própria. Como autodidacta! Mas também não é um mister. Se calhar é simplesmente o André!

Para o caso pouco importa. É um treinador à Porto e o resto não interessa nada! É do Porto desde pequenino, fala e provoca à Pinto da Costa, tem estrelinha e todos os méritos normalmente atribuídos aos treinadores do Dragão, em particular as simpatias das arbitragens. Quando os jogos estão complicados arranja-se sempre um penalti para os desbloquear. Daqueles que, depois, se diz que levantam polémica. Mas pouca, passa logo! E não é só por cá, ainda ontem na Bélgica foi assim! E, claro, quando há daqueles que toda a gente vê dentro da sua área, o árbitro, sempre simpático, é o único que não vê.

Com um treinador destes pouco importa se é mister ou professor!

Novo e mister – o que parecia começar a ser uma raridade – é também Paulo Sérgio, treinador do Sporting. Também ele a braços com sérios problemas – agravados com a derrota de ontem, que afasta a equipa da Europa mesmo antes de lá entrar – entre eles alguns no aparelho auditivo. Aqueles assobios vão deixar mossas. Ai vão…vão!

Mas também no aparelho respiratório, tão entalado está entre o Costinha e o Maniche!

Professor, sem sombra de dúvidas, é Carlos Queiroz, o ainda seleccionador nacional. Ou melhor, o suspenso seleccionador nacional. Uma suspensão de um mês ontem confirmada pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), depois de anunciada na véspera, ainda antes da reunião do Conselho de Disciplina da FPF que tomou a decisão! Uma suspensão por causa de uns palavrões impróprios para um professor. E que vão muito para além do vernáculo que Pinto da Costa (olha quem!) declara socialmente aceitável.

Como é a própria FPF a impedir o seleccionador de dirigir a selecção nos dois primeiros jogos de apuramento para o próximo campeonato da Europa – o que é inédito e verdadeiramente surrealista – pode concluir-se que entende que Queiroz não faz falta nenhuma.

Há muito boa gente a pensar o mesmo! Mas então por que o contratou? E por que o contratou por tanto dinheiro? E por tanto tempo?

E, com mais um processo disciplinar – agora pela cabeça do polvo – que condições restam ao professor para continuar mister da selecção nacional?

E à direcção da FPF, onde segundo o professor, está mesmo a cabeça do polvo?

Aproveitem todos para ir embora. Depressa!

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