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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Pois é, tinha que ter alguma coisa para dizer sobre isto!

 

Estava a ver que acabavam as celebrações dos 70 anos do reinado de Her Majesty Queen Elizabeth sem que disso aqui desse conta. 

Não segui os acontecimentos de perto. Nem de longe. Mas fui apanhando nas notícias uma ou outra coisa, percebi que a estrela do primeiro dia foi o príncipe Louis, o mais novo de Kate e William, duque de Cambridge. Que tomou conta da varanda Palácio de Buckingham, onde Harry e Meghan não tiveram entrada, e das capas de revistas. Reparei na elegância de kate, claro. Meghan também não ia nada mal, quando teve direito a aparecer, na missa em St Paul's Cathedral. Nem mesmo a mulher de Boris Johnson, apesar daqueles apupos todos, que não seriam certamente pelo vestido. Gosto daquela cor, como se sabe.

Ouvi de relance especialistas em protocolo a dizer banalidades. E fiquei até a saber que há "consultores de sociedade", que era profissão que ignorava. Mas o que me fez mesmo ter alguma coisa para dizer sobre estas celebrações foi ter apanhado de raspão uma entrevista, em estúdio, da nossa duquesa de Bragança. A Senhora Dona Isabel Herédia, a esposa do nosso pretende ao trono, o Senhor Dom Duarte, como um dia destes ouvi chamar-lhe numa amena cavaqueira entre dois jovens monárquicos, que se passava ao meu lado no intervalo de um evento social, que para aqui não interessa nada.

Não tinha nota de aparições públicas da Senhora Duquesa - falha minha, com certeza - e não quis perder a oportunidade de ouvir o que ela tinha a dizer. Confesso que, mais do que tinha a dizer, a minha curiosidade era pela forma de expressão. Pela desenvoltura e pela articulação verbal. Mais pela forma que pelo conteúdo, de que não esperava nada de especial. Desiludido logo nas primeiras sílabas pela forma, esperei pelo conteúdo. E aí fiquei siderado: a senhora duquesa começou por dizer que tudo aquilo, todo aquela festa popular só era possível na monarquia. Que na República nunca haveria um Presidente tantos anos. Não imaginam o que me sossegou ficar a saber que Putin poderá estar por dias, e que kim jong un - que, já agora, também felicitou a Rainha pelo seu jubileu de platina -  não se pode fiar na sua juventude. 

O ímpeto decisivo para trazer aqui estas celebrações surgiu quando a senhora duquesa rematou a entrada com "veja bem, toda a gente em todo o mundo conhece a Rainha de Inglaterra, e ninguém sabe quem é o Presidente da República da Alemanha". Só que foi o mesmo que me deu para deixar a senhora por ali, e desligar o televisor.

 

Princípios e fins

Juan Carlos I foge de Espanha e já está exilado em Cascais - NiT

 

Aconteceu no fim-de-semana, apenas ao fim do dia de ontem foi conhecido, e é hoje notícia do dia. Juan Carlos, o ainda rei emérito de Espanha, partiu para o exílio. Saiu do país pela porta pequena. Não, não tem a ver por onde saiu - pelos vistos pela Galiza, com passagem pelo Porto - mas pela forma como saiu. Com o rabinho entre as pernas...

A imprensa hoje entretém-se a adivinhar o seu destino. Não se percebe onde esteja o interesse, mas é assim. Há gente para quem é mais importante saber o destino que a origem. E não é por qualquer razão filosófica que possa defender que o que importa é onde se chega, não de onde se parte. Também não tem a ver com os fins a justificar os meios, porque aqui só há princípios e fins.  

Na circunstância concreta do monarca, bons princípios a que faltaram princípios para bons fins. A princípio correu bem. Subiu ao trono na agonia do franquismo, assegurou a transição para a democracia e assegurou a impossível unidade nacional espanhola. Depois é que veio o diabo. Vestido de mulher, como tanta vez. E começou a faltar-lhe em princípios o que passou a sobrar-lhe em caça grossa...

Não importa para onde seguiu. Até porque reinará para onde quer que vá. E, como já há cinco séculos dizia John Milton, reinavam por cá os Felipes, é melhor reinar no inferno do que servir no céu!

 

 

 

O rei abdica

Por Eduardo Louro

 

O Rei Juan Carlos abdicou da coroa espanhola em favor do seu filho, Felipe. É a vantagem da monarquia. Noutro regime, dois anos depois daquela caçada aos elefantes em que acabou caçado, tinha-se simplesmente demitido!

Por cá, como não temos rei, ninguém abdica. Nem se demite. Está tudo Seguro...

"INSTAURAR A DEMOCRACIA, RESTAURAR A MONARQUIA"

Por Eduardo Louro

  

Assinala-se hoje mais um aniversário do regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, data que, mais que o agora descartado 5 de Outubro, vem nos últimos tempos sendo aproveitada para iniciativas – se não cada vez mais convincentes, cada vez mais convencidas – de exaltação monárquica.

Os ventos correm-lhe, de resto, de feição: uma democracia cada vez menos democrática, cada vez mais degradada, a gravíssima crise social que o país atravessa, a crise institucional, a crise de valores, de ética e de moral e, the last but not the least, um presidente que caiu no fundo… Tudo a convergir num ciclone que empurra como nunca as ideias monárquicas!

Dentro dessa linha surge hoje o manifesto “Instaurar a Democracia, Restaurar a Monarquia” subscrito por 18 ilustres monárquicos, entre os quais gente que me merece o maior respeito e admiração como, por exemplo, Gonçalo Ribeiro Teles - o primeiro subscritor - ou Miguel Esteves Cardoso. Ali dão conta do “preocupante enfraquecer das estruturas democráticas”, da “visível delapidação dos valores morais na política”, do “estado caótico da nossa justiça”, e da “ameaça de perda de soberania”, tudo problemas que a simples entrega da chefia do Estado a um rei resolveria. Um rei que, no seu entendimento, tem uma legitimidade inquestionável: a legitimidade de quem é “eleito pela história”!

Os monárquicos entendem que nós não temos que eleger qualquer chefe de Estado. Isso cabe à história!

A mim custa-me ver pessoas que admiro e respeito defender este tipo de coisas. Mas parece-me que seria bem mais compreensivo se visse que o seu putativo rei, o tal eleito pela história, era uma personalidade de uma dimensão superior, um personagem de uma craveira única, de uma dimensão humana e intelectual verdadeiramente digna da missão histórica que o trouxe ao mundo. Mas, dizem eles, esta missão caberia a D. Duarte de Bragança, “único e legítimo pretendente ao trono português”

É por isso que, mesmo com chefes de Estado que não mereçam o meu voto – como já tantas vezes aconteceu -, mesmo sendo o mais crítico dos críticos do actual Presidente da República, prefiro sempre um chefe de Estado eleito por mim e pelos meus concidadãos a um determinado por uma consanguinidade qualquer. Ou eleito pela história, como eles dizem!

 


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