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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Remontada de última hora

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Fotografia: LUSA

O Benfica voltou à competição interna, e voltou à equipa A para o nosso campenato. Mas nem por isso mais inspirado!

Mesmo assim, com pouca inspiração, e nem sempre com muita transpiração, ganhou este jogo em Moreira de Cónegos, com uma remontada no marcador nos últimos cinco minutos. E talvez não o tenha merecido ganhar, mesmo que todas as varíáveis estastísticas que medem o jogo lhe tenham sido todas favoráveis: 60% de posse de bola, o dobro dos ataques, e mais do que isso nos remates, e mais oportunidades de golo. 

Mas não foi a equipa que melhor jogou, as estatísticas nem sempre dizem toda a verdade do jogo.

O Moreirense entrou mehor no jogo, pressionante sobre a bola e os adversários, e ocupando todos os espaços do campo que, como se sabe, naquele campo são menos que noutros. E praticamente dominou o jogo no primeiro quarto de hora. Esse período acabaria no entanto com a única oportunidade golo a pertencer ao Benfica, desperdiçada por Pizzi, precisamente aos 15 minutos. 

Seguiram-se 20 a 25 minutos em que o Benfica se superiorizou claramente no jogo, chegando a ter períodos de verdadeira asfixia. E quando se pensava que estava encontrada a fórmula para mandar no jogo e construir a vitória, viu-se que não. O Moreirense recompôs-se e voltou a encontrar a sua zona de conforto no jogo, donde não voltaria a sair até ao final da primeira parte.

Como nos últimos jogos as segundas partes têm sido invariavelmente melhores que as primeiras, esperava-se um Benfica melhor para depois do intervalo. Só que a equipa entrou como que apostada em dar uma prenda ao Moreirense. De tal forma que o golo dos minhotos, logo dois minutos depois do reinício, não apanhou ninguém de surpresa. É que naquele reinício os jogadores do Benfica não conseguiram sair da frente da sua baliza - cada vez que iam a sair, perdiam a bola.

Com o golo sofrido, e com aquela incapacidade de sair com a bola, o futebol do Benfica perdeu-se, e esqueceu-se de todas as ideias que lhe têm sido habituais. Apenas Rafa pegava no jogo e, com Taarabt, na equipa. Nada mais funcionava, e Bruno Lage parecia sem capacidade de reacção.

Apenas aos 66 minutos tirou Fejsa, que já nada acrescenta à equipa, para estrear o regressado Gedson, já que Samaris, sabe-se lá porquê, está desaparecido. E só dez minutos depois, Pizzi, a quem nada saía bem, para entrar Caio.

Querendo ficar-se apenas por dois, e não podendo ir além de três, os que sairam tinham de ser aqueles. E, pelos que estavam no banco, os que entraram dificilmente poderiam ser outros. Ou seja, substituições bem feitas, mesmo que não tenham resultado, como nada no Benfica estava a resultar. 

Poderia ter entrado Jota, que sempre tem mais minutos de jogo que qualquer dos outros. Mas esse ficou para o fim, estando já junto à linha lateral, para entrar, quando em plena fase de desespero, mais com o coração do que com a cabeça, mesmo que tenha sido de cabeça, o Benfica chegou ao empate, por Rafa - quem mais? - ao minuto 85. Rafa ... de cabeça!

E se Jota estava para entrar para procurar o empate, encontrou, três minutos depois de ter entrado, o golo da vitória num cruzamento perfeito para a cabeça de Seferovic, que fez explodir a onda vermelha em Moreira de Cónegos.

 Seferovic voltou aos golos, fez saltar a festa e, ao contrário da última vez, festejou como deve ser. Agora falta Raul De Tomás ... completamente engolido por uma espiral depressiva. Começou por não marcar, mas jogar. Passou a não marcar, nem jogar. E já vai em não marcar, não jogar ... e a atrapalhar.

Assim vai o campeonato dos desígnios

 

Esta jornada do campeonato, que levou o Benfica a Moreira de Cónegos, confirmou que, para ser campeão, a equipa de Bruno Lage terá de ganhar todos os jogos que faltam, já que, como víramos ontem, com o mesmo árbitro do jogo da passada segunda-feira, na Luz, ao Porto basta-lhe comparecer em campo para assegurar a vitória. Árbitros e VAR tratam do resto!

Hoje, o jogo com o Moreirense confirmou que, para ganhar, ao Benfica exige-se muito mais. Exige-se que ganhe a muito mais adversários que aqueles onze jogadores  (nunca dez, como ontem o Porto jogou durante mais de 90 minutos) que, em cada momento, tem em campo pela frente. 

O treinador e os jogadores do Benfica sabem disso. E por isso a equipa entrou no jogo com vontade de não dar hipóteses à equipa adversária, já que contra os outros não pode fazer nada que não "comer e calar". O início do jogo mostrou um Benfica à procura do golo, logo falhado por Pizzi ao terceiro minuto, isolado na cara do guarda-redes, e um Moreirense à procura das pernas dos jogadores do Benfica, onde iam acertando com grande frequência e maior violência.

Foi esta a toada do jogo nos primeiros doze minutos, com Rafa, aos nove, a falhar a segunda oportunidade de golo, quando Gabriel, depois de Grimaldo, aos quatro minutos (momento em que João Aurélio teria que ter sido expulso, mas não foi porque o Benfica não pode jogar contra 10), ficou também ele perto de ser mandado para o estaleiro.

Esgotado o quarto de hora inicial, pareceu que o Moreirense quis finalmente começar a jogar e a disputar a bola. E começou então a perceber-se a estratégia do seu treinador para o jogo, sem qualquer ponta de lança, para dispor de jogadores móveis que condicionassem a saída de bola do Benfica - o início da construção, como dizem os entendidos. Nada que incomodasse muito a determinação e a qualidade com que os jogadores do Benfica prosseguiam na procura do golo, que acabaria por surgir aos 29 minutos, numa desmarcação de Pizzi, a assistir Jonas para uma finalização de grande classe.

Não podia ser. Um golo daqueles não poderia valer e, inacreditavelmente, o VAR anulou-o. O árbitro não foi confirmar a informação que terá recebido do fora de jogo de Pizzi que, mais uma vez, ninguém consegue ver. Sendo que, na lei, diz-se que, em caso de dúvida, não se decide contra quem ataca. A própria equipa de arbitragem no campo cortou por mais duas vezes jogadas de golo do Benfica com foras de jogo inexistentes.

Teve que se esperar mais oito minutos para o primeiro golo, a valer. De João Félix. E mais cinco para o segundo, de Samaris, a marcar pelo segundo jogo consecutivo.

A fechar a primeira parte, já no período de compensação, uma fantástica execução de João Félix (na foto) que, a ter dado golo, seria o do campeonato. E uma soberba defesa de Odysseas, na única oportunidade do Moreirense.

A segunda parte arrancou praticamente com o terceiro golo do Benfica, de Rafa, em mais uma boa jogada de futebol dos novos movimentos preparados para este jogo. É isso, mesmo com apenas um dia para preparar o jogo, Bruno Lage introduziu-lhe movimentos novos trabalhados a preceito.

A partir daí o Benfica, sem nunca desligar, nem nunca perder de vista a baliza do Moreirense, preocupou-se em dominar e controlar o jogo. O Moreirense limitou-se a voltar a obrigar Odysseas a uma segunda grande intervenção, na cobrança de um livre. Enquanto isso, a arbitragem negava ao Benfica mais um penalti, cometido sobre André Almeida (aos 20 minutos), cortava mais umas jogadas de ataque por foras de jogo imaginários, e Jonas deixava o quarto adiado, à espera de Florentino, a 10 minutos do fim. Desse fim que mostraria jogadores do Moreirense no chão, com cãibras. Como se viessem eles de um jogo europeu com prolongamento, três dias antes...

Depois de todas as peripécias lá acabou em goleada com assinatura o jogo em que tanta gente apostava todas as fichas. E assim vai o campeonato dos desígnios: do desígnio nacional de salvar o Sporting, do desígnio de fazer do Braga candidato ao título e do desígnio de fazer do Porto bi-campeão. São desígnios a mais para uma bola só!

Há coisas que não vale a pena prolongar

 

Tudo começou direitinho. A águia Vitória tardou um bocadinho, mas fez o seu papel e chegou ao seu destino -  dos Vitória, foi a única a fazê-lo -, o adversário não chateou com a escolha de campo, a moeda caiu para o lado de Jardel - e foi a única coisa que lhe saiu bem -, Jonas estava finalmente de regresso à titularidade e, qual cereja no topo do bolo, marcou, a passe do João Félix, logo no primeiro ataque à baliza adversária, ainda o relógio não tinha chegado ao segundo minuto.

Foi com este arranque perfeito que o Benfica surgiu hoje na Luz, longe das enchentes de há semanas - elas não matam, mas moem - mas, mesmo assim, com quase cinquenta mil, para defrontar o Moreirense. Mas foi também este arranque perfeito que a equipa do Benfica tratou de dinamitar de imediato.

O golo madrugador, o centésimo de Jonas no campeonato português, em vez de libertar a equipa, em vez de apaziguar a ânsia do golo que fugia, e de atemorizar o adversário, deixou a equipa a dormir. Logo. De imediato!

E passou a ver-se em campo uma equipa que não dava espaços à outra, e usava  magistralmente os que a outra lhe oferecia. Uma equipa colectivamente muito melhor, e até - juraríamos - com melhores jogadores individuais. Só que essa equipa era a que tinha chegado de Moreira de Cónegos!

Foi assim durante toda a primeira parte. Passava pouco da meia hora de jogo e já o Moreirense ganhava por 3-1. Em pouco mais de uma hora, as primeiras meias-horas dos dois últimos jogos, o Benfica sofria cinco golos, tantos como nos anteriores sete jogos do campeonato. Todos eles inaceitáveis numa equipa da dimensão da do Benfica, e todos eles a revelarem o estado de esgotamento a que a equipa chegou.

O esgotado futebolzinho de Rui Vitória é isto. Quando tudo corria bem, os golos apareciam e as fragilidades disfarçavam-se. Mas à menor contrariedade é o descalabro. E hoje já todos os treinadores conhecem esse futebolzinho, e sabem como contrariá-lo... É o descalabro a suceder-se sucessivamente, já com toda a gente sabe como lançar a equipa do Benfia no caos.

E então é vê-la perdida em campo, sem perceber o que lhe está a acontecer, ora agarrada  a um futebol estéril de passes para o lado e para trás, incapaz de um rasgo, de uma rotura, ora perdida no pontapé para frente, a entregar sucessivamente a bola à defesa adversária. 

Há coisas que não vale a pena prolongar. Isto é uma delas! 

 

 

Sem glória, e também sem brilho...

Jonas e bons ventos da Madeira colocam Benfica na rota da Champions

 

Contra todas as expectativas, no jogo de despedida do campeonato, com a Luz longe daquilo que foi durante toda a época, o Benfica assegurou o segundo lugar. O tal que se diz que não é o primeiro dos últimos porque dá acesso à Champions, agora com mais milhões. Mas também de mais difícil acesso, porque há ainda que ultrapassar dois adversários.

Contra as expectativas mas não contra a realidade da competição, se bem que contra a realidade deste jogo.

Na realidade o Benfica foi melhor que o Sporting ao longo do campeonato (mais 17 golos marcados e menos 2 sofridos)  e foi também melhor nos jogos disputados entre si. Foi melhor - muitíssimo melhor - no empate a um da Luz, em Janeiro, e voltou a ser melhor no empate a zero de Alvalade, há uma semana. Só uma absurda regra de desempate para uma prova deste género, em mais uma originalidade o futebol cá do burgo dava, em caso de empate pontual, vantagem ao Sporting pelo golo marcado na Luz. E não se esperava nada que os de Alvalade desperdiçassem essa vantagem, deixando de ganhar ao Marítimo, no Funchal!

Mas na realidade o Sporting perdeu, contra todas as expectativas. Todas, não: o presidente do clube alimentava secretamente essa esperança!

O Benfica teria pois de ganhar o seu jogo de hoje com o Moreirense, e esperar uma ajuda do Marítimo. No que sempre pareceu que os jogadores do Benfica não acreditaram muito. Só pode ser essa a explicação para terem jogado tão pouco!

À medida que o jogo ia avançando mais claro isso ficava. Até não entraram mal de todo, e na primeira metade da primeira parte conveceram-nos que podiam jogar para ganhar o jogo. A velocidade era pouca, e a intensidade ainda menor, mas com o Moreirense lá encostadinho atrás ... podia ser que sim. As três únicas iniciativas, daquelas que tinham a chave do jogo, aconteceram nessa primeira metade  -  uma em trocas de bola rápidas e de primeira, outra num desiquilíbrio individual e a última num remate de fora da área -  aconteceram nesse período. Deram nas três oportunidades de golo do Benfica, e deram para mostrar que teria de ser por ali.

Mas parece que ninguém percebeu isso. Esperava-se que o intervalo fosse aproveitado para treinador e jogadores perceberem que teriam de repetir e alternar aquelas três opções até à exaustão. Mas não foi. Ou, se foi, os jogadores esqueceram-se disso naquele tempo todo que ficaram ali à espera que a partida recomeçasse...

Valeu que, 5 minutos depois de finalmente ter começado a segunda parte, caiu do céu um penalti - claro e indiscutível, mas primário - que Jonas, finalmente regressado, transformou no golo único do desafio. Porque, depois, a intranquilidade regressou em todo o seu esplendor, e o futebol dos últimos tempos do Benfica de Rui Vitória, feito de passes para o guarda-redes e de pontapés para a frente, instalou-se na sua plenitude. 

E foi assim, com o coração nas mãos e o credo na boca, que se chegou ao fim do jogo. E nem foi preciso que o Moreirense criasse uma oportunidade de golo. Ou que fizesse sequer um remate para o Varela defender. Bastava ver o desacerto generalizado dos jogadores, cada um pior que o outro.

Simplesmente miserável. Uma miséria tão grande que apaga qualquer brilho que o segundo lugar possa acabar por ter, numa época absolutamente lamentável.

 

 

Dias interessantes

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Puigdemont não apareceu, nem na mala de um automóvel, e o Parlamento da Catalunha não empossou governo nenhum, deixando tudo na mesma. Trump fez o seu primeiro discurso do Estado da União, e parece que conseguiu não chocar ninguém,  parecendo até cordial. A investigação judiciária entra por todas as portas dentro, até pela própria, como sugere o próprio nome escolhido: "operação lex". E atinge dois juízes desembargadores, marido e mulher, ao que se diz. E ainda ao que se diz, o presidente do Benfica. O que talvez finalmente explique por que é que o clube tem sido deixado ao abandono na defesa do seu bom e glorioso nome.

E já que fomos dar à bola, passamos pela saga Centeno, agora com a pouca vergonha a saltar fronteiras - o PPE quer levar o assunto a discussão ao plenário de Extrasburgo. E até por um guarda-redes, o do Moreirense, que no fim do jogo, que empatou, foi à "flash interview" convencido que tinha perdido. 

Ora digam lá se não há uns dias mais interessantes que outros?

Responsabilidade sem pressão

 Festejos

 

O Benfica passou com distinção a primeira das duas provas consecutivas no Minho, confirmando o rendimento dos últimos jogos nesta Liga. Como se sabe o calendário determinava que o Benfica fechasse a primeira volta no campo do Moreirense e abrisse a segunda em Braga, numa dupla dupla jornada minhota de enorme importância para o futuro da equipa na única competição em que, agora, está envolvida.

Sabe-se que nas actuais circunstâncias a equipa do Benfica está sob enorme pressão. Não pode falhar, a mínima falha é a morte do artista. A ponte para o sucesso passa por transformar essa pressão em responsabilidade. Pode parecer treta, mas não é. A responsabilidade de ganhar é diferente da pressão de ter de ganhar, é mentalmente bastante diferente.

A equipa entrou em campo com a responsabildiade de ganhar, sem nunca dar a ideia de uma equipa pressionada para ganhar. Nunca jogou sobre brasas!

Tomou conta do jogo, e nunca deu grandes hipóteses ao adversário. E nem com um grande problema de eficácia, com o desperdício de sucessivas ocasiões de golo, a equipa mostrou ansiedade. O mesmo não se poderá dizer dos adeptos, escaldados que estão com situações destas, em que a factura do desperdício tem acabado sempre por aparecer.

O 1-0 ao intervalo (golo de Pizzi, a meio da primeira parte, na conclusão de mais uma grande jogada de futebol, com uma assistência fabulosa de Jonas) era muito curto para o que o Benfica tinha jogado. E deixava no ar fantasmas antigos, mesmo que a aquela estranha e insondável quebra da equipa a seguir à marcação de cada golo já faça parte do passado.

A segunda parte começou com o desperdício de mais uma flagrante oprtunidade de golo para, pouco depois, se começar a ver a transfiguração da estratégia do Moreirense, para passar a apostar num futebol directo, no pontapé longo à procura de ganhar as segundas bolas já mais perto da área do Benfica. A estratégia vingou durante perto de 10 minutos, um pouco menos, e chegou a assustar. Pizzi e Salvio foram ao fundo, e Rui Vitória, que ao intervalo tinha sido obrigado a substituir o massacrado (muita porrada deram os jogadores do Moreirense) Samaris (por Keaton)  tardou a reagir. 

Só à entrada do último quarto de hora, já o pior tinha passado e já o Benfica voltara a criar e desperdiçar flagrantíssimas oportunidades de golo, tirou Salvio, para entrar João Carvalho. Uma substituição que há muito se impunha e que viria acabar de resolver o jogo. Logo depois de ter entrado, depois de pressionar a saída do adversário, o miúdo ganhou a bola e assistiu Jonas, que daquela vez não falhou, e fechou o resultado. De um jogo bem ganho e que, tirando aqueles tais 10 minutos de alguma instabilidade, o Benfica dominou por completo, com mais meia dúzia de oportunidades flagrantes de golo desperdiçadas. 

Falando de oportunidades de golo, tem de se falar de Jonas, hoje exasperante. Mas também de Varela que, com duas defesas enormes, anulou as únicas duas oportunidades que o Moreirense criou. Ambas defesas daquelas que dão pontos. E muita confiança à defesa, também agora com o seu eixo central establizado, com Jardel e Rúben Dias. 

E pronto, a primeira volta já ficou para trás. Não deixa saudades, e a segunda tem de ser melhor. Sem pressão, mas com sentido de responsabilidade!

Se este era o mais fácil...

 

O jogo desta noite em Moreira de Cónegos não foi apenas o primeiro dos sete últimos jogos deste campeonato que, para chegar ao tetra, o Benfica não pode deixar de ganhar. Foi muito mais do que isso, até porque, como diziam os entendidos, este era o mais fácil desses sete. 

É caso para dizer que, se este era o mais fácil, nem quero saber o que aí está para vir.

O jogo começou como tem começado a maioria dos que o Benfica tem disputado. É já um clássico: adversário fechadinho lá atrás, todos muitos juntos, sem sobrar espaço para jogar à bola nos últimos 30 metros do campo. E com os jogadores a correrem como nunca, a disputar cada bola como se fosse a última. Até aí nada de novo!

E o que houve de novo nem sequer foi novidade. A dimensão física para que o Moreirense empurrou o jogo, que levou a que os seus jogadores ganhassem praticamente todos os ressaltos, e quase todas as bolas divididas, não foi grande novidade. Como não foi novidade nehuma que os jogadores do Moreirense complementassem essas tarefas com o recurso a faltas sucessivas, quase sempre duras, dentro daquela visão de canela até ao pescoço que o Petit tem do futebol.

O jogo foi todo ele assim, nunca permitindo que o Benfica gozasse do mínimo de conforto. A verdade é que se o Moreirense fazia o seu papel, o Benfica, hoje com os importantes regressos de Fejsa e Grimaldo, nem tanto. Não fez tudo para conquistar esse conforto. Teve muita bola, mas poucas oportunidades de golo. Valeu, já a chegar ao final da primeira parte, o aproveitamento de um lance de bola parada, coisa que, como se sabe, é esta época uma verdadeira raridade.

Na segunda parte, mesmo que sempre em cima das mesmas bases, o jogo foi bem diferente. Foi mais selvagem, mais partido e menos controlável ainda. O Moreirense, mantendo aquelas bases do jogo, só tinha a ganhar em alargar a sua área de influência no campo. Passou a discutir o jogo no campo todo e teve duas ou três oportunidades que poderiam ter dado ao jogo outro resultado. Só no último quarto de hora, e em especial depois da entrada de Samaris, em substituição do Jonas, o Benfica controlou verdadeiramente o jogo, começando finalmente a ganhar corpo a ideia que os três pontos não fugiriam. 

Não fugiram, permitindo aos jornais e às televisões voltarem a falar do regresso do Benfica à liderança. Quando lá está, e de lá não sai, desde a quinta jornada. Já lá vão vinte e três. E oito meses!

 

    

Os jogos têm 90 minutos divididos em duas partes

 

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A Taça da Liga é uma competição desenhada para os grandes. Os quatro primeiros classificados do campeonato anterior são encaminhados para as meias-finais, ou para, agora, com mais pompa, a final four.  

Creio que nunca lá chegaram os quatro. Desta vez lá estiveram o Vitória de Setúbal, no lugar do Sporting, e o Moreirense, no do Porto. Benfica, com a folha limpa, e Braga, com muita dificuldade e bastante sorte, acabaram por cumprir com o que era a sua obrigação. Lá estavam os únicos três vencedores da competição. E o Moreirense: o outsider que chega à final, com o Braga.

Porque ganhou ao Benfica, e logo por 3-1. Porque o Benfica tem-se dedicado a jogar apenas a metade de cada jogo. Se joga a primeira, desaparece na segunda, como fez hoje. Se não aparece na primeira, joga na segunda, como no último jogo.

O Benfica saiu para o intervalo bêbado com a superioridade que tinha exercido. Tão bêbado que se esqueceu que só estava a ganhar por um a zero. Tão inebriado que se esqueceu  de regressar para a segunda parte. Deixou os rapazes do Morerirense a jogar sozinhos que, de repente e incrédulos, se viram a ganhar por 3-1. Em apenas 10 minutos, como com o Boavista, de má memória, com apenas dois remates - do primeiro golo só se percebeu que nem foi preciso rematar à baliza - o Moreirense marcou por três vezes.

Não importa que o segundo golo tenha acontecido porque ficou por marcar uma falta sobre o Eliseu. Nem as bolas nos ferros. Nem um penalti que ficou por marcar. Nem as seis ou sete oportunidades desperdiçadas no tempo que sobrou para jogar à bola. Agora importa apenas que o Rui Vitória consiga meter na cabeça dos jogadores que os jogos têm 90 minutos, divididos em duas partes, de 45 cada uma.

E que têm de ser disputados em cada minuto desses 90. Que as peladinhas, para brincar com a bola, ficam para os treinos. Mesmo assim só naquela parte de descompressão, no espaço de lazer que o trabalho ás vezes tem que ter. 

 

 

Cardápio inejável

 

 

O Benfica ganhou por 3-0 ao Moreirense, no jogo da décima primeira jornada, hoje disputado na Luz, de novo de casa cheia.

Começo por aqui, pelo resultado, porque se fala por aí muito de eficácia. Os três golos que o Benfica marcou, representam menos de um terço das ocasiões que criou, coeficiente que nem foge muito dos padrões normais, em especial nos jogos deste tipo. O que quer dizer que para ganhar estes jogos, que são para os candidatos ao título a imensa maioria deles, é preciso volume e qualidade de jogo capazes de criar sucessivas oportunidades de golo. Criar uma, duas ou três é curto... Simplesmente porque desperdiçar duas ou três oportunidades por jogo é normal.   

Enfiada a carapuça por quem a deve enfiar, este jogo foi um postal ilustrado do que são os jogos na Luz neste campeonato. Um adversário com os jogadores todos lá atrás, em cima da baliza. Que correm até poder atrás da bola, que entram sem dó sobre os jogadores do Benfica, e que queimam tempo desde o primeiro minuto. E um relógio inclemente e determinado em chegar ao minuto 90.

Perante este cenário, o Benfica entra forte. Se as coisas correm bem, e nas primeiras duas ou três oportunidades chega ao golo, o jogo abre, as oportunidades sucedem-se e os golos surgem à cadência dos índices normais de aproveitamento.

Não aconteceu assim neste jogo. Nem mesmo depois do primeiro golo - que só chegou aos 32 minutos, em mais uma bela jogada concluída, com classe, por Pizzi - o Moreirense alterou a sua postura. Continuou exactamente na mesma, como se o resultado se mantivesse em branco.

E o Benfica abriu o compêndio, donde saiu um invejável cardápio de soluções para este tipo de problemas. Ora acelerando pelos alas até à linha de fundo, ora entrando em tabelas pelo centro. Ora tranquilamente fazendo circular a bola, ora com desmarcações entre as linhas de defesa do adversário. Ora transportando a bola desde trás, ora com surpreendentes lançamentos longos a rasgar a defesa contrária. Tudo isto com o cerebral do Pizzi ao botão do comando!

E foi assim que as oportunidades foram surgindo ao longo dos 90 minutos. Como nem todas podem ser aproveitadas, só deu em três golos. Pizzi – tinha de ser – bisou. Raul Gimenez fechou!

Para que nada faltasse no postal ilustrado até as lesões lá estão. Desta vez a fava saiu ao Eliseu, deixando o Benfica sem lateral esquerdo. Mas há André Almeida. Sempre disponível para tudo, e sempre ao mais alto nível.

Alguém se lembrou que só tinha ainda jogado 28 minutos nesta época?       

 

 

 

 

 

 

Máquina de alto rendimento

Moreirense-Benfica, 1-4 (destaques)

 

Não era fácil a tarefa do Benfica nesta sua segunda visita a Moreira de Cónegos, em cinco dias. Depois da fantástica exibição da última terça-feira, tudo o que hoje o Benfica fizesse estaria sempre prejudicado por uma bitola altíssima e difícil de atingir.

E não era imaginável que a exibição se repetisse. Porque cada jogo é um jogo? Porque não há dois jogos iguais? 

Nada disso, isso não passam de balelas do futebolês. Simplesmente porque não é fácil repetir uma exibição daquelas. 

O jogo de hoje foi na realidade outro jogo. O Moreirense fez tudo para que o Benfica não repetisse esse jogo, tentando sempre possível alongar o jogo, e mesmo parti-lo. E no entanto o desfecho final só não foi o mesmo por circunstâncias meramente acidentais. Entre as quais dois penaltis que ficaram por assinalar contra a equipa minhota.

O próprio golo do Moreirense, do mesmo Iuri Medeiros, na última jogada do desafio, com o Benfica já em descompressão, acabou por enfatizar os circunstancialismos que impediram a repetição do resultado.

E isto diz tudo sobre o momento que o Benfica atravessa. Pode não conseguir atingir sempre o brilhantismo de nota 20. Mas, com os mesmos ou com outros jogadores, mantem-se sempre num plano exibicional que poucos atingem e sempre em alto rendimento! 

No momento em que regressou Gaitan, a ditar o injusto regresso de Carela ao banco, teme-se pela lesão de Lizandro, ainda antes do regresso de Luisão. Que faria igualmente injusto o regresso ao banco do central argentino... 

 

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