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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Benfica 3 - Tondela 0

28

Mais de 50 mil na Luz, a uma quarta-feira e a horário impróprio, para um Benfica - Tondela da primeira ronda da Taça da Liga, que agora é também os quarto de final, que apuram os quatro grandes para a as meias finais, também chamadas de final a quatro, quando não "final four".

Que comparam com os quatro o cinco mil da Pedreira (onde o Braga despachou o Santa Clara por 5-0), e com os 20 mil de Alvalade, em tempo de Sporting gordo que, com uma equipa de segundas linhas e muita rapaziada nova, despachou o Alverca por 5-1. Nisto o Benfica é de outro campeonato, ninguém tem dúvidas.

Nisto de comparações é, no entanto, quase impossível fugir a uma outra, já com mais a ver com o que se joga dentro das quatro linhas do campo. É que no passado domingo, há três dias apenas, houve que tivesse visto o Sporting jogar com este Tondela, lá pela zona de Lafões. Eu vi. Não era este mesmo Tondela, porque Ivo Vieira, o treinador madeirense agora em terras da Beira, mudou 10 jogadores. Não terá utilizado agora os melhores, mas também não fez grande diferença. Grande diferença houve mas foi naquilo a que o adversário o obrigou. 

José Mourinho não brincou em serviço, e poucas alterações fez àquilo a que já se pode chamar o seu onze. Mudou o guarda-redes, mas isso é já da praxe. E não seria Samuel Soares a fazer qualquer diferença. E trocou Rios por Leandro Barreiro, e Pavlidis por Ivanovic. Com Dedic ainda de fora, lesionado, nem sequer dispensou Aursenes da função de lateral direito. Por isso utilizou Schjelderup na esquerda, sem que se pudesse ainda dizer - agora parece que sim - em vez de Prestiani.

Mas nem assim a equipa conseguiu entusiasmar ninguém, e repetiu-se o que se tem visto: equipa sem dinâmica ofensiva, sem velocidade, sem intensidade, sem rematar, e a deixar passar o tempo, à espera que seja ele, e não eles, a resolver as coisas. Em contraste flagrante com o que vemos nos nossos rivais.

Já com o intervalo à espreita, o - a, no caso, Cláudia Ribeiro - VAR descortinou um penálti, que os jogadores do Benfica reclamavam, e que o árbitro, Carlos Macedo, confirmou depois de observar as imagens, desbloqueando-se assim o que a equipa não conseguia desbloquear. Fosse por ser dia de celebração (250 jogos pelo Benfica) de Otamendi, fosse pelo exemplo que é - que Mourinho tinha voltado a enfatizar -, fosse mais um sinal para Ivanovic, a responsabilidade da conversão foi entregue ao capitão, que resolveu com mestria.

Pareceu que o intervalo tinha servido para Mourinho espevitar aquela gente, e a verdade é que o início da segunda parte parecia prometer outra coisa, melhor que o que se tinha visto. Parecia, porque logo a abrir, numa jogada como até então ainda se não tinha visto - excelente recuperação de bola de Schjelderup, que entregou a Barreiro, deste para Lukebakio que, num espectacular toque de calcanhar, assistiu Sudakov para um remate extraordinário de força e colocação - o Benfica fez o segundo golo.

Aconteceu então algo de verdadeiramente insólito. Durante mais de 5 minutos o jogo esteve parado à procura de qualquer coisa de que ninguém se tinha apercebido. Ninguém nas bancadas, e ninguém no relvado. Nem árbitro, nem assistentes, nem jogadores ... No fim, do VAR, veio a inacreditável notícia de fora de jogo de Lukebakio. Minutos depois, viriam as imagens a revelar ... fora de jogo por 1 centímetro!

Não é o ridículo do centímetro único. É a falta de vergonha, já que na própria imagem se vê Lukebakio atrás da linha, e atrás do defesa adversário, por quem está até completa e totalmente coberto.

Durante toda aquela espera os jogadores devem ter-se esquecido do que ouviram ao intervalo, e regressaram à toada da primeira parte. Obviamente com os mesmos resultados. 

Então o tempo passava sem resolver nada mais que não fosse lembrar às bancadas Santa Clara e Rio Ave. Às bancadas e a José Mourinho, que por isso achou melhor lançar Pavlidis (saiu Ivanovic), Prestiani (saiu Schjelderup) e Rios (saiu Sudakov). 

Pouco depois de ter entrado Rios tirou da cartola um coelho como ainda se lhe não tinha visto e, de bandeja, ofereceu o golo a Lukebakio. Faltavam 10 minutos, e era finalmente a tranquilidade. Já dentro dos 6 minutos de compensação Pavlidis fecharia o marcador. Ironicamente numa expressão exactamente igual à do tal jogo do passado domingo, em Tondela. O da comparação!

Tinha dito aqui, a propósito da exibição no último jogo, com o Arouca, que tínhamos de nos conformar, que não dava para esperar muito mais e que se vira "provavelmente o melhor que o futebol de Mourinho tem para nos dar". Quatro dias depois, este jogo confirma-o!

Como aqui referia no momento da sua contratação, não esperava de Mourinho "um futebol empolgante" ... "uma equipa demolidora, capaz de arrasar todos os adversários, goleadora, a espalhar perfume pelos relvados". Esperava "uma equipa rigorosa e competente, com jogadores empenhados, e capaz de, a bem ou a mal, ganhar". E tinha a certeza da mais valia da comunicação de José Mourinho. 

Mourinho não está a desiludir. Pelo contrário, confirma tudo isso. E mesmo quando não se confirma  o rigor e o empenho dos jogadores, ele próprio o denuncia. Não é como tantos - diria mesmo, todos - treinadores que vêm jogos que ninguém vê. Não, ele vê o mesmo jogo que nós. E isso é o seu grande capital.

Vemos - claramente visto - que os jogadores vêm, cada vez mais, parecendo piores do que quando chegaram. Já vinha de Bruno Lage. Temos que fazer um grande exercício de memória e de análise para nos lembrarmos de um jogador que Bruno Lage tivesse claramente valorizado. Olhamos para Rios, Enzo, Sudakov, e Ivanovic e não temos grande dúvida em afirmar que parecem hoje piores que quando, há três ou quatro meses, chegaram. Dos mais de 100 milhões de euros acabados de investir em meia dúzia de contratações, ao dia de hoje, somos capazes de achar que se salvam Dedic e Lukebakio. Este ainda com o peso de fazer esquecer Di Maria.

Pois. Até neste quadro desolador o carácter de Mourinho nos deixou ontem ver uma luz no fundo do túnel. Disse ele, na conferência de imprensa, isto, sem tirar, nem pôr: "Aqueles que acreditam na minha filosofia, no meu método, na minha liderança, no meu trabalho, melhoram. E melhoram para níveis que tinham por inatingíveis. Os outros, pioram".

Nesta declaração, nesta precisa altura, está tudo o que é preciso. É qualquer coisa de fantástica. É Mourinho!

AFS 0 - Benfica 3

Na Vila das Aves hoje foi dia de festa. Receber o Benfica é sempre motivo de festa para as localidades visitadas, e em especial para o tesoureiro dos seus clubes. Mas hoje era diferente, hoje era a estreia de Mourinho, no regresso ao comando da Benfica, 25 anos depois. E isso fez da Vila das Aves a capital do futebol, como bem se percebeu pelos jornalistas estrangeiros presentes na conferência de imprensa.

O jogo não esteve no entanto ao nível do acontecimento em que se tornou. Especialmente na primeira parte, em que foi francamente mau. Teve mais fases próprias de um jogo entre solteiros e casados (não sei se ainda há disso, mas o conceito subsiste) do que propriamente dignas de um jogo de futebol profissional num campeonato que pretende vir logo atrás dos big five

José Mourinho tinha dito que os jogadores do Benfica tinham de morder. Qualquer coisa que já Bruno Lage tinha sinalizado quando reclamava mais agressividade no campo (e fora dele) para o Benfica, mas nunca logrou. No entanto - e Mourinho sabe tudo, mas talvez não saiba isto - o Benfica nunca conseguirá igualar o morder dos adversários no campeonato português. É impossível, porque contra o Benfica eles mordem como nunca.

Não se pode dizer que o Benfica tenha mordido, à luz do que se viu fazer aos jogadores da SAD do Vilafranquense deslocalizada para as Aves, com o nome de AFS, não mordeu; deu uns beliscões. Que no entanto deram para perceber uma nova atitude dos jogadores.

Os jogadores do Benfica lutaram. Entregaram-se à luta. Jogar era outra coisa, isso eles não conseguiam fazer. Nem eles nem ninguém, a bola andava sempre para o ar. No chão, apenas os jogadores do AFS, onde sucessivamente se iam deitando para que o jogo parasse. Por isso os jogadores do Benfica passaram metade do tempo a lutar pela bola lá nas alturas; a outra metade passaram-no à espera que os adversários se levantassem.

Foi assim durante toda a primeira parte. Quando os jogadores do Benfica ganhavam a bola preferencialmente chutavam-na para frente, à solteiros e casados. Lá na frente alguma coisa haveria de acontecer. Ia acontecendo logo nos primeiros minutos, mas Ivanovic - a única alteração de Mourinho ao último onze de Lage, retirando Schjelderup,  - decidiu tecnicamente mal, rematando, descaído para a direita, com a parte interior do pé direito. Ou pouco depois, quando Ivanovic marcou, mas que o árbitro Bruno Costa (outro velho conhecido) anulou por, alegadamente, Dahl ter cruzado a bola já depois de ter passado na totalidade a linha final, coisa que nem aquela câmara manhosa do poste de iluminação, que ainda lá deve estar desde que validou aquele golo do Sporting, na época passada, desta vez não confirmou, nem desmentiu. Ou depois da meia hora quando, já depois de ter ultrapassado o guarda-redes, o mesmo Ivanovic - que, ao contrário do que sucedia com Lage, e como parece mais natural, jogou mais perto da àrea, com Pavlidis mais dedicado à construção - enviou a bola para a baliza, interceptada in extremis pelo velho conhecido Devenish. E acabou mesmo por acontecer mesmo em cima do intervalo, e já depois do remate de Tomané ao poste esquerdo da baliza de Trubin, com o golo de estreia de Sudakov. Golo que resulta directamente de uma novidade relativamente aos últimos jogos: forte presença na área adversária. 

Isso mesmo. Foi por, ao contrário do que vinha sucedendo com Bruno Lage, ter muita gente na área que foi possível disputar e ganhar sucessivamente a bola que, à segunda, Sudakov rematou com êxito para o golo redentor.

A ganhar, na segunda parte os jogadores do Benfica tranquilizaram-se. A perder, mas também já com bem menos pilhas, os do AFS passaram a morder menos, e a deixar que se jogasse mais à bola. 

Jogar mais à bola significa ainda, e muito, jogar para trás e para o lado. O Benfica tem essa dependência mas, a ganhar, isso não tem grande mal. Hoje serviu para "chamar" os jogadores adversários, para os retirar lá de trás, donde, a perder pela diferença mínima, estas equipas não saem.

O penálti, sobre Otamendi, ainda antes de fechado o primeiro quarto de hora, que Pavlidis converteu, confirmou a mudança no jogo, e estabilizou definitivamente a equipa. Que então já funcionava com alguma fluidez pelas alas, com Dahl a preencher toda a esquerda, e Sudakov mais interior, e Dedic a carburar bem com Aursenes.

Bastaram menos de cinco minutos para o terceiro golo, finalmente por Ivanovic, bem construído pelos dois pontas de lança, depois de um passe de enorme categoria de Sudakov. Faltava ainda meia hora ao jogo, mas foi como se tivesse acabado ali!

O resto ... foi Mourinho. Na conferência de imprensa já só deu Mourinho. Os dois grandes trunfos que aporta ao Benfica, que aqui referi na altura própria, ficaram já à vista !

A decisão de Rui Costa

Oficial: Benfica anuncia José Mourinho como novo treinador

 

Independentemente do momento eleitoral no Benfica, o momento do futebol da equipa obrigava à tomada de decisões. "Entre a espada e a parede", ou na desconfortável posição de "preso por ter cão e por não ter cão", como por aqui já deixei escrito, Rui Costa tinha de tomar a decisão de despedir Bruno Lage, e tinha de tomar a decisão de contratar um treinador.

Como também já por aqui escrevi em repostas a alguns comentários, Rui Costa decidiu encurralar-se por becos sem saída. Depois disso, nunca lhe restaram com grandes alternativas.

Decidiu extemporaneamente renovar com Roger Schmidt. Depois de perceber o erro dessa decisão, voltou a errar não o despedindo oportunamente, no final da época, e decidindo arrancar para 2024/2025 com um treinador inferiorizado por resultados e exibições, e contestado pelo plantel. Teve de o despedir à quarta jornada do campeonato, no último dia de Agosto, mas já sem qualquer alternativa  que não ... Bruno Lage.

Rui Costa não tinha alternativa. Não é que não a houvesse. Haveria sempre, mas não para o perfil de Rui Costa, sem rasgo, sem ver mais além, sem capacidade de risco ... 

Bruno Lage dera-nos, a nós benfiquistas, as maiores alegrias dos nossos últimos anos. Mas também nos dera todas as razões para não o repetir.

Dera-nos a épica "remontada" de 2018/2019, numa segunda volta inesquecível, com 18 vitórias e um empate em 19 jogos, triunfos em todo o lado - Dragão,  Alvalade, Braga e Guimarães -, e um título nacional que nos fazia acreditar na hegemonia que LFV dinamitara ao abdicar do penta, que daria em hexa e hepta. Tinha lançado jogadores da formação, e lançado João Félix para o estrelato mundial. Deu-nos a goleada na Supertaça ao Sporting (5-0), a maior em dérbis nos últimos 35 anos, e que nos resgatava completamente dos maiores pesadelos nessa competição, no sinal de partida para a  extraordinária primeira volta de 2019-20, com 18 vitórias nos primeiros 19 jogos.

Depois disso, desses oito meses de 2019 distribuídos pelas duas épocas, todo o edifício desmoronou como um castelo de cartas, sem que ninguém percebesse exactamente como. Mais tarde, pela mão de Jorge Mendes, Bruno Lage foi parar a Wolverhampton. Arranque espectacular, com um futebol que era um regalo para a vista. De repente, do nada, o colapso total. Mais algum tempo depois, foi o Botafogo, nas trevas do futebol brasileiro. Novo arranque espectacular, com rápida liderança avantajada para, novamente de repente, o repetido colapso.

No regresso ao Benfica foi diferente. A exuberância já nunca voltou. Bruno Lage não aproveitou a oportunidade que se abriu com a saída de Rúben Amorim do Sporting, e com a desastrada passagem de João Pereira pelo comando do rival, mesmo com tudo o que sabemos que aconteceu, no campeonato, e na final da Taça. Ainda assim  ganhou ao rival a Taça da Liga, goleou o Porto, em casa e fora, passou por uma excelente participação na Champions, com uma notável goleada ao Atlético de Madrid, que levou o clube ao top dez do ranking da UEFA, e acabou numa participação honrosa no primeiro mundial de clubes.

Que que também terá contribuído para esconder tudo o que já vinha vindo à tona. 

Provavelmente, sem a interferência das arbitragens, e das restantes estruturas de poder de que Varandas se apropriou, o Benfica teria tido outros resultados, e conquistado até a dobradinha, e o comportamento de Bruno Lage teria sido diferente. Mas não foi assim, e Bruno Lage, que tinha passado boa parte do tempo a defender-se contra a falta de confiança, passou a restante a defender-se contra os insucessos e, pelo meio, pronto a lamber todas as botas calçadas por quem o pudesse segurar.

É claro que o tempo é factor de desgaste de Bruno Lage. Entra bem, depois esgota-se. E as equipas que comanda caem. A pique, na maioria das vezes. O que o Benfica demonstrou neste início da época nem foi bem isso. Alternou jogos razoáveis no apuramento para a Champions, e na Supertaça, que conquistou ao Sporting, com jogos deprimentes no arranque da Liga.

Atentando ao percurso de Bruno Lage parece fácil concluir que perde o grupo. Que não tem capacidade de liderança, seja para manter o grupo focado e empenhado nos resultados, seja para o manter unido em torno de objectivos. Quem olha para os últimos dois jogos, com o Santa Clara e o Qarabag, percebe facilmente que perdeu os jogadores. Que todos parecem pior que quando chegaram, sem que nenhum se tenha visto crescer.

Rui Costa repetiu com Bruno Lage o que fizera com Schmidt. Voltou a entrar no beco. E voltou a não ter alternativa. Desta vez, por todas as circunstâncias, a José Mourinho. Não é, novamente, que não a houvesse. Só que, para o mesmo Rui Costa, e agora na luta pela sobrevivência, por maioria de razão não havia.

Era, não sei se sou dos muitos, se dos poucos, benfiquistas que não concordou com esta decisão de Rui Costa. Era dos que vêm em Mourinho o copo meio vazio. Agora, que Mourinho é o treinador do Benfica, é o meu treinador. E o copo meio vazio, está agora cheio.

Eliminei todos os riscos da contratação de Mourinho, mesmo que já se tenha percebido que, ao contrário do que quiseram fazer crer, o segundo dos dois anos de contrato é mesmo para valer, com direito a indemnização e tudo. A cláusula de rescisão pode não ter em absoluta consideração as circunstâncias eleitorais do clube (é curioso que volte um quarto de século depois em circunstâncias semelhantes), e que a sua "especialidade" se reduza à reciprocidade, por ventura à luz dessas coisas da selecção nacional. Já me esqueci do futebol pouco atraente, defensivo e resultadista, para guardar na memória a apresentação como treinador do Benfica de um Mourinho maduro, mas emotivo. Emocionado com a grandeza do Benfica e com o benfiquismo. Benfiquista, como se desconfiava. E ambicioso, como um jovem.

Não espero um Benfica a jogar um futebol empolgante. Não espero uma equipa demolidora, capaz de arrasar todos os adversários, goleadora, a espalhar perfume pelos relvados. Mas espero uma equipa rigorosa e competente, com jogadores empenhados, e capaz de, a bem ou a mal, ganhar. E tenho uma certeza: com José Mourinho no banco, e nas salas de imprensa, os árbitros, e a comunicação social, dois dos agentes que nos últimos anos mais o têm prejudicado, e gozado, vão passar a respeitar o Benfica!

Putedo

2 em cada 3 minutos da grelha das televisões é de produção nacional ...

Peço desculpa pela linguagem, mas não encontro melhor palavra para definir isto. Bastaram meia dúzia de horas sobre o despedimento de Lage para que esse pessoal que desfila pelas televisões, que antes exigia a sua demissão, passasse a defendê-lo com uma compaixão enternecedora. Os mesmos que à meia noite davam Mourinho como solução para tudo lembram, agora que ele está praticamente confirmado como próximo treinador do Benfica, que este é o Mourinho dos últimos quinze de anos, o das indemnizações, e não o dos primeiros cinco. 

Se isto não é putedo, do mais ordinário, é o quê?

De volta à Catedral

3

Com fome de Catedral cheguei à Luz bem cedo. E não correu bem!

Aquela ideia do autocarro entrar com os jogadores pela Praça do Centenário até é capaz de fazer sentido. Mas, com as portas do Estádio fechadas, quem andava ali descansado pela Fun Zone, de repente, ficou completamente bloqueado por um mar de gente que se apinhava à espera dos jogadores ... apenas avistados por quem estivesse encostado às baias. Desconfortável, o suficiente para quebrar a boa disposição.

Ultrapassada a indisposição, e bem cedo sentado no lugar - desta vez com a pouco habitual companhia da companheira de vida - deu então para matar a fome. Quando se trata disto, de matar a fome, e nesta altura do calendário a que chamam pré-época, o jogo em si, com as suas nouances, estratégias, tácticas e opções passa para segundo plano. Prioritário é, na circunstância, celebrar Eusébio - "tu és o nosso rei, descansa eternamente" -, depois sentir o bater da Catedral, depois, ainda, sentir as caras novas. Só no fim vem o jogo.

Eusébio esteve lá. Esteve lá sempre, do início ao fim. A Catedral bateu com mais de 55 mil a vibrar, e uns quantos, poucos, a fazer tristes figuras: um petardo (insistem, não vale a pena avisar, nem se importam com as penalizações ao clube que dizem amar) e uns assobios, em determinada fase do jogo ao Samuel, só porque dois lançamentos longos - que faz como poucos (lembram-se do Ederson?) e que víramos treinar com 100% de sucesso ao intervalo, antes de entrar - não correram bem. As caras novas ficaram bem na fotografia: Richard Rios é craque, e não é preciso dizer mais; Enzo Barrenechea equilibra (o maior elogio que se lhe pode fazer é dizer que se sentiu bem a sua falta na fase mais complicada da segunda parte); e Dedic encheu-me a alma.

Faz lembrar Carreras, de que já sentimos saudades. Na forma como sai com a bola, na facilidade em atacar em slaloms difíceis de parar, na intensidade, na disponibilidade para o jogo, sem medo.

Das caras novas do Seixal o destaque vai para João Veloso, o miúdo de Albufeira que se estreou no onze titular. Não será um portento de técnica mas é lutador, faz lembrar Gonçalo Ramos na forma como pressiona a defesa adversária, e revela já uma visão de jogo acima da média, bem visível na forma como descobriu Pavlidis, no início da jogada do segundo golo.

Gonçalo Oliveira e Joshua Wynder, baixo mas, sem dúvida, um enorme centralão a curto prazo, que até entraram no período mais difícil do jogo, logo a seguir ao Fenerbaçe ter empatado, formam uma dupla de centrais respeitável.

Henrique Araújo (será que ainda vai a tempo?) teve um regresso feliz à sua casa, com dois golos plenos de oportunidade, se bem que só um deles tenha contado. Foi o miúdo que conhecemos do Benfica, e da selecção nacional de sub 21, e não o que nos mostraram de Famalicão, e de Arouca.

O jogo mostrou-nos um Fernerbaçe mais adiantado na preparação, muito competitivo, e extraordinariamente agressivo (perante a complacência de mais uma lamentável arbitragem, desta vez do conhecido Hélder Carvalho) com os jogadores sistematicamente a baterem forte e feio, especialmente em Richard Rios. Mas também com muitos bons jogadores, de renome mundial. E com duas caras tácticas, bem à imagem de Mourinho. 

Um jogo que o Benfica dominou na primeira parte, com espaços de bom futebol que, mesmo sem criar uma enormidade de ocasiões para marcar, poderia ter terminado com uma vantagem bem mais alargada que o 2-1 ao intervalo. Com o golo da equipa de Mourinho, logo a seguir ao 2-0 (Akturkoglu, aos 38 minutos, e autogolo de Archie Brown aos 42 minutos, depois de Livakovic ter negado o golo de estreia a Richard Rios), e mesmo em cima do intervalo, a surgir na sequência de uma perda de bola de Enzo Barrenechea, na fase inicial de construção, que permitiu a Kahveci o remate certeiro à entrada da grande área.

O Benfica voltaria a entrar bem na segunda parte, com duas boas oportunidades por Akturkoglu, mas foi sol de pouca dura. Não durou mais de 5 ou 6 minutos até o vice-campeão turco tomar conta do jogo. Chegou ao empate - golo de Youssef En-Nesyri, o internacional marroquino que assinou a eliminação da selecção portuguesa no último mundial - no final do primeiro quarto de hora quando, tal foi o seu domínio naqueles 10 minutos, já o justificava.

Imediatamente a seguir - não foi reacção ao golo, já estavam preparadas - Bruno Lage, que ao intervalo já tinha trocado Trubin por Samuel Soares, Enzo Barrenechea por Leandro Barreiro, Dedic por Leandro Santos, e João Veloso por Bruma, substituiu Pavlidis, Akturkoglu, Richard Ríos, Aursnes e Dahl, por Obrador, Schjelderup, Prestianni, Henrique Araújo e Diogo Prioste. 

Pouco depois, Bruma, que não estava particularmente feliz, lesionou-se gravemente. Tão gravemente - rotura completa do tendão de Aquiles esquerdo - que poderá significar o fim da carreira. E foi substituído por Tiago Gouveia, muito aplaudido.

Admitia-se que tantas trocas, e com a saída de figuras de primeiro plano, no período em que a equipa de Mourinho estava tão por cima do jogo, ficasse mais difícil ganhar o jogo e o troféu da homenagem a Eusébio. Mas aconteceu o contrário, e o Benfica retirou o domínio ao adversário e voltou a colocar-se por cima do jogo.

Henrique Araújo colocou justiça no marcador, ao marcar o terceiro, aos 81 minutos, num lance de antecipação ao (excelente) guarda-redes Livakovic, em movimento de ponta de lança. Idêntico - e não é por acaso, é porque quem sabe, sabe - ao do quarto golo, festejado exuberantemente, por ele e por todo o Estádio, mas anulado, depois, pelo VAR.

E como o jogo também foi arbitragem, não há como não falar dela. Hélder Carvalho, que das bancadas até parecia o Luís Godinho, é mais um desta nova ordem lagarta. Já conhecíamos os seus serviços do Benfica-Farense, de há pouco mais de três meses, ou do Sporting-Estoril, pela mesma altura. Não esteve sozinho neste jogo inaugural da Luz, a mostrar aos novos jogadores o que é a arbitragem em Portugal. Na cidade do futebol estiveram Paulo Barradas (VAR) e Pedro Felisberto (AVAR) também com lugar proeminente nesta nova ordem do futebol português. Cada golo do Benfica, sem que qualquer sombra de irregularidade pairasse, demorou uma eternidade a ser validado. Até que ao quarto, ao que me dizem, sem linhas e com o pé esquerdo do defesa contrário a deixar Joshua Wynder em jogo, conseguiram mesmo anulá-lo. Pelo contrário, o segundo golo do Fernerbaçe, foi prontamente validado.

Tudo isto já sem falar de nem um amarelo, para amostra, nas sucessivas faltas, muitas delas maldosas, sobre o Richard Rios. Ou nas duas vezes em que Otamendi foi agarrado dentro da área adversária. 

Continua um caso sério, esta arbitragem portuguesa. Ver como o Sporting ganhou ao Villa Real os seus "cinco violinos" incomoda. Mas incomoda muito mais o que já se sabe que aí vem. Outra vez!

 

O anúncio

Jose Mourinho: Portuguese named new coach of Turkish side Fenerbahce - BBC  Sport

Num anúncio publicitário a uma dessas plataformas de levar comida a casa - que dão emprego (o segundo, porque o primeiro é às portas da AIMA) a milhares de imigrantes asiáticos -, recentemente surgido nas televisões, uma jovem - os jovens é que dominam estas coisas das plataformas digitais - explica ao pai (os pais dos jovens têm mais dificuldade em dominar a matéria) as maravilhas do serviço. O pai é José Mourinho, a filha não deverá ser a sua, mas o pai é que importa. Evidentemente!

Explica-lhe ela que pode pedir tudo.

- Tudo, mesmo? - interroga ele. 

- Sim, tudo! 

- Então peço um clube para treinar...

A resposta ao pedido não tardou, e logo apareceu o Fenerbahçe, de Istambul, na Turquia, onde não se gosta de trabalhar, pelo que diz o outro. Que logo lhe disse, como a "filha" do anúncio, que pode pedir tudo.

Não se sabe se, como no anúncio, chegou a perguntar se era mesmo tudo. Imagina-se que não. Que tenha saltado por cima da pergunta e desatado a pedir tudo. A começar pela indemnização ... Depois - diz-se - Lukaku, Dybala, Humells ...

Há quem tenha de pagar anúncios a pedir emprego. Mourinho recebe - e não terá sido pouco - por um anúncio a pedi-lo. Genial. Mais uma vez!

Os desgraçados que, para trabalhar sem nunca terem um emprego, têm passar dias e noites à espera de um papel que lhes custa três ou quatro meses de trabalho, não fazem parte desta história. Nem cabem no anúncio!

 

O tudo ou nada

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Não estou certo que dê certo. Tenho mesmo muitas dúvidas, mas há grandes probabilidades de Mourinho vir a ser, no início da próxima época, o novo treinador do Benfica.

Há muito pouco tempo, quem ousasse pensar uma coisa destas só poderia não estar bom da cabeça. Hoje, é a coisa mais natural deste mundo!

Se José Mourinho, enquanto treinador de top mundial, não bateu no fundo, não anda lá muito longe. Tem, nesta fase da sua carreira, duas opções. Nem mais uma: ou desiste, e começa a viver a sua reforma dourada; ou vai à procura do relançar a carreira!

Se pensarmos um bocadinho concluimos facilmente da baixa probabilidade da primeira hipótese, e rapidamente somos levados a concluir que a única opção de Mourinho é, agora, relançar a carreira. Não é começar tudo de novo, mas é recomeçar para voltar ao lugar de topo que ocupou, e tornar-se ainda maior que os maiores por lá ter estado em tempos históricos diferentes. E provar que é tão "special" que até contraria a própria natureza!

O Benfica serve estes propósitos. Tem grandeza e tem condições que lhe permitem voltar a ganhar. Está também perto do fundo e só pode subir, minimizado-lhe todos os riscos. 

É a tábua de salvação para a reeleição de Luís Filipe Vieira que - lembram-se? - há muito tem na mão uma cenoura bem viçosa a que chama ganhar na Europa. Quer isto dizer que Vieira, ao contrário do que sucedeu nos últimos três anos, não vai olhar a meios para fazer investimentos na equipa de futebol. Não faltarão jogadores para satisfazer as exigências de Mourinho, nem dinheiro para lhe pagar um vencimento bem chorudo e confortável. Longe, em qualquer das circunstâncias, daquilo a que está habituado, mas nada que envergonhe ninguém...

Acabo como comecei: não estou certo que dê certo. Por certo tenho apenas que, neste cenário há pouco inimaginável, José Mourinho e Benfica correm diferentes graus de risco.  São mínimos os riscos que Mourinho corre nesta oportunidade. São muito grandes, enormes, os do Benfica. Como sempre acontece quando se chega ao desespero do "tudo ou nada"! 

Quando a estrela se apaga

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Todos temos a nossa estrela, cada um à sua dimensão. Todas empalidecem, mesmo as (dos) maiores, mais cedo ou mais tarde, mesmo que todos achem cedo de mais. Vão perdendo brilho, o brilho que nos emprestam, mas que julgamos nosso, e deixam-nos desamparados num caminho antes largo e aberto, despido de obstáculos, e agora turvo e de destino incerto.

Quanto mais alto se sobe, maior é o trambolhão. Quanto maior e mais brilhante for a estrela, quanto mais alto nos tiver levado, mais perdidos ficamos à sua partida.

Poderia estar a pensar em Mourinho. Mas estou mesmo a pensar no Papa Francisco. 

A estrela de Jorge Bergoglio começou a empalidecer, porventura quando menos se esperaria, ao contrário da de Mourinho. Também ao contrário do que se poderia esperar, são a pedofilia e os escândalos sexuais na Igreja que lançam o primeiro e decisivo ataque à estrelinha papal.

Parecia um tema fácil de abordar. Pensar-se-ia até que seria matéria de reforço da sua imagem e das suas posições. Parece que não é, parece que se trata de terreno altamente escorregadio, onde Francisco revela dificuldade em manter o equilíbrio.

Em dois dias, tantos quanto durou a sua visita à Irlanda, no fim de semana, tudo isso veio ao de cima. Quando o Papa pediu perdão pelos inqualificáveis  e vergonhosos abusos sexuais dos membros da sua Igreja neste país, levantou um pedregulho que escondia muito mais do que se esperava. 

É que, ao contrário do que esperaria, e perante as monstruosidades conhecidas, ao Papa não basta pedir perdão. Isso não faz a diferença, nem faz diferença nenhuma. Fica curto, tão mais curto quanto, ao mesmo tempo, era acusado (pelo arcebispo Carlo Maria Viganò, antigo núncio apostólico nos Estados Unidos) por encobrir graves suspeitas que lhe teriam sido denunciadas e agora já confirmadas por conhecidas acusações públicas. 

Já no avião de regresso, aquele conselho para que os pais levem os filhos ao psiquiatra logo que lhes percebam tendências homosexuais, apenas confirma a dificuldade de Francisco em manter o equilíbrio!

 

 

Special questions

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O segundo despedimento de Mourinho pelo Chelsea levanta algumas questões. Por exemplo: será que Abramovich vai voltar à final da Champions?

Será que Mourinho vai ensaiar outro regresso? Para voltar a dizer que lá não é desejado?

Por que será que Luís Filipe Vieira veio pedir paciência aos benfiquistas? 

OK. Esta não vale.

Será que os jogadores gostavam mais da Eva Carneiro que de Mourinho?

Bolas, esta também não... 

Estrelas cadentes

Por Eduardo Louro

 

Quando (quase) toda agente contava com a marcação para Lisboa de mais um duelo entre Mourinho e Guardiola, acontecerá, antes, mais que uma final inédita, uma final entre duas equipas da mesma cidade. Um derbi. Isso mesmo, a Catedral da Luz será palco de mais importante derbi madrileno da história!

Ontem, a equipa de Guardiola foi goleada pela mesma equipa do Real Madrid, desfalcada de Ozil e Khedira, que há um ano, pela mão de Mourinho, era goleada pelo Dortmund. Hoje, em Londres, sucedeu quase o mesmo ao Chelsea, de Mourinho.

Que parecia estar a pedi-las. Depois de uma larga série de exibições verdadeiramente lastimáveis, com muitos autocarros à mistura, Mourinho apresentou uma equipa com seis defesas: dois laterais – Azpilicueta e Cole – e quatro defesas centrais – Terry, Cahill, Ivanovic e David Luís. Independentemente das posições onde foram colocados, são sempre seis defesas. Restavam-lhe apenas quatro jogadores para cumprir os restantes momentos do jogo que não se fiquem pela destruição. Não dava!

Não admira que o Atlético de Madrid tenha sido sempre claramente superior, e que ao Chelsea não tenha bastado a sorte de marcar primeiro. Aos 36 minutos da primeira parte, quando a equipa espanhola já era melhor e tinha até já enviado uma bola á trave (e ao poste).

E no entanto sabe-se que Mourinho tem os jogadores que quiser, basta pedir ao tio Abrahomovic que ele dá. E que até o melhor guarda-redes dos seus quadros estava a defender (e como defendeu) a baliza adversária!

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