Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Brasil 2014 XXIX - O nosso onze

 Por Eduardo Louro

               
                      M. Newer      
       (Alemanha)      
               
P.Lahm   R. Varane   E. Garay   Junior Diaz
(Alemanha)   (França)   (Argentina) (Costa Rica)
               
               
               
    Schweinstaiger T. Kroos      
    (Alemanha) (Alemanha)    
               
  Robben   James    Messi    
  (Holanda)   (Colômbia) (Argentina)  
               
      T. Muller        
      (Alemanha)      
               

Brasil 2014 XXVIII - E no fim ganhou a Alemanha...

Por Eduardo Louro

 

 

Pelo que se tinha visto, ninguém imaginaria as dificuldades por que a Alemanha iria passar nesta final. À superioridade patenteada pelos alemães ao longo da competição juntavam-se as vantagens de mais um dia de descanso e de um muito menor dispêndio de energias para chegar à final. Enquanto a Argentina, para aqui chegar, teve o desgaste de um prolongamento, e até dos penaltis, com a Holanda, a Alemanha, à meia hora de jogo tinha tudo tratado com o Brasil. Acresce ainda que, com o tipo de jogo da selecção alemã, com muita posse de bola, eram os jogadores argentinos que mais tinham de se desgastar a procurá-la.

Mas, mesmo com dificuldades inesperadas, ganhou. Foi preciso esperar pelo minuto 22 do prolongamento para que Gotze, que tinha entrado para jogar o prolongamento apenas na segunda substituição alemã, – e a primeira tinha sido logo aos 30 minutos de jogo por lesão de Kramer, que substituira Khedira (que falta fez!), lesionado no aquecimento – fazer o golo (na imagem), magnífico deve dizer-se, que garantiu o primeiro título de uma selecção europeia no continente americano.  

Ganhou a Alemanha, como toda a gente esperava, mas também podia ter ganho a Argentina. Que fez um campeonato em crescendo, de menos para mais. Ao ponto de hoje ter podido discutir o jogo, e até ganhá-lo. Mesmo que na verdade a melhoria da equipa fosse especialmente notória na forma como defendeu e se defendeu. Mesmo com um processo ofensivo rudimentar, ficou a ideia que, com Di Maria, esta Argentina daria ainda outra resposta mas, acima de tudo que, com Messi perto do seu nível – de facto, e não na visão enviesada da FIFA, que lhe atribuiu o troféu de melhor jogador da competição – seria campeã do mundo!

Muito se bateu aqui no seleccionador argentino. Alejandro Sabella teve a virtude de não ser tão teimoso quanto Paulo Bento ou Scolari, mas nem assim deixou de cometer erros que porventura este segundo lugar, atrás de uma grande equipa como é a Alemanha, irá esconder. Não se saberá que culpas terá – se é que tem alguma – na má condição de Aguero e no sub rendimento de Messi. Mas tem-nas nas ausências de Gaitan e de Tevez, e na falta de um modelo de jogo conforme com o talento de que dispõe.

Ganhou a Alemanha, que foi a melhor equipa do campeonato e é actualmente a melhor selecção do mundo, confirmando - paradoxalmente - a regra da continentalidade: na Europa ganham os europeus, na América ganham os americanos. É que, com este título, a Alemanha é a excepção que confirma a regra. Como foi o Brasil em 1958, na Suécia!

Brasil 2014 XXVII - E o burro sou eu? Evidentemente!

Por Eduardo Louro

 Scolari desolado

 

A diferença entre os 7 a 1, da passada terça-feira, e os 3 a 0 deste jogo de atribuição dos terceiro e quarto lugares, é a mesma que vai da selecção para a holandesa. Exactamente!

O que desde logo quer dizer que o tal resultado histórico, que deixou o Brasil inteiro em estado de choque, só foi extraordinário por ser invulgar. Não tem nada de acidental!

Bastaram dois minutos de jogo para se perceber isso. Para perceber que a selecção brasileira estava a repetir exactamente o que tinha mostrado contra a Alemanha. Quando vimos a forma desorganizada como o Brasil entrou a pressionar, e o espaço que deixava nas costas da sua defesa, percebeu-se que a receita de Scolari era a mesma. E que, portanto, não só não tinha aprendido nada, como não tinha percebido nada do que lhe tinha acontecido.

E, como diz a canção, vem-nos à memória uma frase batida: … e o burro sou eu?

Se contra a Alemanha a ilusão ainda durou onze minutos, agora, contra a Holanda, bastaram dois. Vale a pena recordar: os jogadores brasileiros corriam atrás da bola que nem baratas tontas, numa pressão disparatada que obrigou os jogadores holandeses a atrasar a bola para o guarda-redes, que de imediato a colocou à entrada do meio do campo brasileiro. Van Persie ganhou de cabeça e colocou a bola em Robben, na sua praia, com aquele espaço todo livre. Foi por aí fora até Thiago Silva o derrubar, quando seguia isolado frente a Júlio César. Penalti – má, mas compreensível decisão de um mau árbitro, o argelino Djamel Haimoudi; incompreensível foi o cartão amarelo em vez do vermelho ao capitão brasileiro – e golo!

No fim do primeiro quarto de hora veio 0 2 a 0, e o terceiro só surgiu já no período de compensação porque - lá está - a Holanda não é a Alemanha. Porque o jogo do Brasil foi a mesma anarquia de jogadores que, sem saber o que fazer, marcavam encontro uns com os outros no sítio onde a bola se encontrasse. O resto era pontapé para a frente!

E foi este o Brasil que Scolari teve para apresentar, esgotada que foi a única fórmula que o homem domina – a motivação emocional de trazer por casa, de raiz populista. Que, aliada a umas arbitragens simpáticas – que hoje se repetiu, mesmo numa arbitragem deplorável, das piores de uma competição onde o nível geral foi fraco – lhe permitiu chegar às meias-finais. Onde era a pior equipa, mas também já o era nos quartos. Onde já não merecera ter chegado!

Foi, curiosamente, o primeiro terceiro lugar da Holanda num mundial. É habitué das meias-finais dos mundiais, mas nunca ganhara o último jogo. Sempre que chegou à final perdeu, como sempre também perdera quando lá não tinha chegado… Até hoje!

Falta-lhe agora ganhar a outra, a final. Ao Brasil falta-lhe agora tudo. Se calhar até jogadores… Quem diria?

Brasil 2014 XXVI - Argentina - Holanda

Por Eduardo Louro

 

 

Não foi um bom espectáculo, este que Argentina e Holanda nos serviram nesta segunda meia-final do campeonato do mundo. Foi um jogo mastigado, enrolado, que só abriu nos últimos 10 minutos dos noventa.

A Argentina não teve Di Maria. Nem Messi, que esteve lá mas foi como se não tivesse estado. Provavelmente porque Messi terá achado que o seleccionador Sabella não merecia ter Messi. Teve Enzo Perez, que acabaria substituído aos 80 minutos, quando o seleccionador argentino fez uma dupla substituição (saiu também Higuain) com a entrada de Palácio e Aguero, uma das maiores desilusões deste mundial.

E já que se está a falar de substituições vale a pena dizer que quando, depois, Sabella trocou Lavezzi por Maxi Rodriguez, decidi que não torceria mais pela Argentina.

Quando o melhor jogador em campo é Mascherano, está tudo dito!

A Holanda também não fez melhor, antes pelo contrário, se bem que Robben, mesmo longe da sua praia (sem espaço), tenha espalhado ainda o seu perfume pelo jogo. Foi, apesar de tudo, a única das estrelas a chegar perto do seu estatuto!

Mas também Van Gaal voltou a não estar bem. Voltou a descaracterizar a equipa, cortando-lhe todas as possibilidades de se superiorizar a um adversário que, sem Di Maria e com aquele Messi, estava perfeitamente ao seu alcance.

Já no prolongamento, Van Gaal hesitou entre fazer entrar Huntelaar ou guardar a última substituição para repetir a insólita substituição do guarda-redes. Acabou por se decidir pela troca de pontas de lança. Não ganhou nada com isso, mas não terá sido também por isso que acabou por ser afastado da final. Não deixa no entanto de ser verdade que perdeu nos penaltis, que o guarda-redes agora não defendeu um único, e que foi Romero, o guarda-redes argentino, a defender dois. Brilhantemente, e porque não foi preciso defender mais. É que apenas Robbem e D. Kuyt converteram!

E pronto, lá teremos no Maracanã a Alemanha e a Argentina a disputar o título mundial. Correu bem para o Brasil: o pior que lhes poderia acontecer teria sido, depois do desastre de ontem, defrontar a Argentina no jogo de consolação! 

Brasil 2014 XXV - O Balão que rebentou

Por Eduardo Louro

 

 

Poderia sempre dizer-se que não há explicação. Que a hecatombe que se abateu sobre a selecção brasileira é verdadeiramente sobrenatural. Impensável: cinco golos num quarto de hora. Coisa inédita em campeonatos do mundo: nunca à meia-hora de jogo uma equipa estivera a perder por 5 a 0.

E no entanto isto percebe-se. Isto é Scolari. Isto é Nossa Senhora do Caravaggio. Isto é a exacerbação da emoção e o desprezo pela competência!

Como aqui se foi dizendo o Brasil não jogava nada. Mesmo deixando de fora da convocatória grandes talentos, de que Lucas Moura é apenas um exemplo, a Scolari não faltaram jogadores de grande talento. O que lhe faltou foi capacidade para os pôr a jogar futebol!

Víamos e não acreditávamos naquele futebol sem meio campo, de pontapé para a frente e fé em Deus. Fé… Muita fé. Apenas fé!

Sem qualquer racionalidade, com todos as fichas no lado emocional do jogo, a selecção brasileira era um balão prestes a rebentar à primeira contrariedade. Percebeu-se isso claramente no jogo com o Chile, na descarga emocional que se sucedeu ao sucesso nos penaltis!

David Luiz é provavelmente o jogador que melhor simboliza este Brasil emocional e incompetente. Hoje não o foi apenas uma vez mais, hoje foi-o em toda a expressão dramática!

A canarinha foi humilhada, goleada como nunca ninguém tinha sido, em casa e nesta fase da prova. O Brasil está em estado de choque, o país apostou tudo – certamente de mais – neste mundial, e a sociedade brasileira reagiu. Violentamente, muitas vezes… O hexa poderia não ser um desígnio nacional, mas era certamente a válvula de escape de todas as tensões sociais. Que a frustração, ao invés, provavelmente irá potenciar. Com consequências imprevisíveis!

Que dizer da Alemanha, que simplesmente fez isto tudo?

Pouco. Que deu sete, mas poderiam até ter sido mais. Que foi o que tem sido – a melhor equipa do mundo nesta altura. Simplesmente perfeita, sem falhas. E que, para que tudo fosse perfeito, Klose, aos 36 anos, tornou-se no maior marcador de sempre em fases finais, com 16 golos. Superando os 15 do brasileiro Ronaldo…

Falou-se que este jogo seria a final antecipada deste campeonato do mundo. Olha se fosse… A Alemanha já era a campeã. Mas não vê forma de o não vir a ser!

Brasil 2014 XXIV - Quartos de final

Por Eduardo Louro

                                        

Foram-se os quartos, venham as meias!

Nos quartos de final, com menos espectacularidade e menos golos, imperou a lei do mais forte.

O Alemanha-França já foi aqui tratadoNão vi o Brasil-Colômbia, pelo que não sei se alguma coisa mais importante que a lesão do Neymar aí se passou. Que afastou aquele que era uma das grandes figuras deste mundial e talvez o maior pilar das aspirações brasileiras. A carga do jogador colombiana não terá certamente sido propositada. Não terá tido por objectivo partir-lhe as costelas, mas não é aceitável!

O Argentina-Bélgica teve bastantes semelhanças com o primeiro destes jogos, com os das pampas a fazerem de alemães, e os belgas de franceses. Os argentinos são, e foram sempre, melhores. Mas bem podiam não ter ganho, com os belgas a desfrutarem da sua melhor ocasião de golo nos últimos momentos do jogo.

A Argentina continua sem encantar, embora tenha vindo a melhorar a sua qualidade de jogo, continuando a ser levada às costas de Messi. E de Di Maria, que hoje se lesionou e que, tal como Neymar, está também fora do mundial.

A Bélgica voltou a confirmar que é uma equipa de compartimentos, com valores individuais de grande qualidade, atrás e à frente. A começar no guarda-redes, tem uma defesa de imensa categoria. E no entanto defende mal!

Na frente tem igualmente jogadores do melhor que se viu no Brasil. E nem por isso constrói muitas oportunidades de golo. Porque não tem – não teve – meio campo, e não tem sistema de jogo. Faz mal as transições ofensivas, e com isso não tira o melhor proveito da qualidade que tem no ataque. Mas é nas transições defensivas que é um verdadeiro desastre. Não se percebe quem fica, quem compensa nem quem transporta. E aquele Fellaini... Francamente! 

O último, mesmo sem golos, foi o mais emocionante de todos os jogos dos quartos de final. Encontravam-se a surpreendente e extraordinária Costa Rica e a Holanda que, ao contrário das restantes apuradas, vem de mais para menos. Começou espectacularmente com a goleada imposta à Espanha, mas depois disso foi sempre a descer. Pela simples razão de que é uma equipa – a exemplo da portuguesa, e salvo as devidas distâncias – talhada para o contra-ataque e para o ataque rápido. Quando enfrenta adversários que não tomam a iniciativa do jogo, e tem de jogar em ataque planeado, o rendimento é outro. E bem inferior!   

Esta Holanda é a capacidade de passe de Sjneider, a aceleração, velocidade, drible e diagonais de Robben, e capacidade de execução de Van Persie. Sem espaços nada feito, não funciona!

Se bem que haja sempre Robben: a alma de Robben, a encher o campo todo e… os mergulhos, às vezes a resolverem o que tudo o resto não resolveu!

Dá vontade de dizer que a selecção das Caraíbas mereceu toda s sorte que teve durante os 90 minutos do jogo e mais 30 de prolongamento, e não mereceu o azar que teve nos penaltis, acabando por morrer com os ferros com que matara a Grécia

Os holandeses tiveram três bolas na barra, mas só verdadeiramente tomaram conta do jogo nos últimos 10 minutos dos noventa e no prolongamento. Tivessem mais cedo posto em campo o empenho, e especialmente uma velocidade aceitável, e talvez não tivessem de se sujeitar aos penaltis que, pela história deste campeonato e pela extraordinária exibição – mais uma – do fantástico (será apenas guarda-redes de engate?) Navas, tinham tudo para não desejar.

Van Gaal não fez muito para alterar o curso dos acontecimentos. Fez duas alterações bastante tarde, a segunda (entrada do ponta de lança Huntelaar por saída do defesa português Bruno Martins, que está a caminho do Porto) já na segunda parte do prolongamento. E guardou a terceira para o último minuto do prolongamento. Insólito: trocou de guarda-redes, para os penaltis. Como já se percebia pelos exercícios de aquecimento que o guarda-redes Krul há minutos vinha fazendo à vista de toda a gente!

E resultou, defendeu dois penaltis e assegurou a qualificação da Holanda para as meias finais. Para compensar o azar das três bolas no ferro, Van Gaal teve sorte! 

Com a Argentina, nas meias finais, a Holanda poderá voltar a encontrar as condições naturais ao desenvolvimento do seu jogo. Pode ser que se volte a sentir como peixe na água... Mas se há coisa que caracteriza esta Argentina de Sabella é a forma como não permite desiquilíbrios!

Brasil 2014 XXIII - França - Alemanha

Por Eduardo Louro

 

 

Era dada como uma final antecipada: a final europeia do campeonato do mundo. Final, ou não, era um jogo entre as duas melhores equipas da Europa que estão no Brasil.

A Alemanha porque é, de há um ano para cá, e mesmo que isso tivesse passado despercebido a Paulo Bento e à sua rapaziada, a melhor equipa europeia. E continuará certamente a sê-lo durante os próximos anos.

A França porque chegou ao Brasil e desatou a impressionar, forte em todos os sectores mas com um meio campo do melhor que por lá se via. Havia um pequeno se não: não tinha verdadeiramente sido posta à prova. A partir do tal grupo, e até mais de trás, podia ter ficado a ideia que a França tinha sido trazida até aos quartos de final…

Os alemães estariam previsivelmente mais desgastados, vinham, ao contrário dos franceses, de um apuramento apenas decidido no prolongamento. Mas isso não se notou, nem provocou alterações na equipa. À excepção da inclusão de Klose, pela primeira vez titular, em vez – que não no lugar – de Gotze, com Muller a jogar nas suas costas. O velho Miroslav procura ainda tornar-se no maior goleador da história em fases finais, agora que já igualou (15 golos) o brasileiro Ronaldo. Mas não foi por isso que entrou de início, terá sido para marcar terrenos e puxar a equipa para começar a pressionar mais alto.

A França, ao contrário das expectativas que apontavam para maior prudência defensiva, fez alinhar Griezmann de início, no seu trio da frente. Nem Giroud, que não tem provado e voltou a não provar quando entrou, nem outra solução mais defensiva.

E o que viu foi a Alemanha tomar conta do jogo. Com pressão alta e colocando muita gente entre as linhas adversárias, tinha mais bola e fez eclipsar o fabuloso meio campo da França, que teve de usar o pontapé longo como forma de transição, descaracterizando por completo o seu futebol.

Foi sempre assim durante a primeira parte. E só não foi assim nos primeiros vinte minutos da segunda parte, quando a França conseguiu soltar-se da teia alemã. Mais porque a Alemanha não podia manter aquela pressão durante todo o tempo do que por outra coisa qualquer.

É certo que a Alemanha ganhou apenas por um golo, que marcou num lance de bola parada. Mas a ideia que ficou foi que, se não tivesse marcado dessa forma, logo aos 13 minutos, tê-lo-ia feito noutra altura qualquer, da mesma ou de outra forma qualquer, tal foi objectivamente a superioridade alemã, o cliente habitual das meias-finais dos campeonatos do mundo que disputou os quartos de final pela 16ª vez consecutiva!

Mesmo no fim, quando, até pelas substituições efectuadas, Joachim Low tinha já dado o jogo por ganho, a França teve talvez a sua melhor oportunidade de golo. Que, a acontecer mudaria muita coisa. Menos a verdade que a Alemanha é muito superior!

Mais que cumprir-se o futebol – … e no fim ganha a Alemanha – cumpriu-se o destino desta selecção alemã, que encontra agora o Brasil na aguardada final que o sorteio trouxe para as meias-finais!

Brasil 2014 XXII - Desceu o pano sobre os oitavos

Por Eduardo Louro

 Di Maria e Messi festejam golo da Argentina

 

Argentina e Suíça abriram o dia da despedida dos oitavos de final do mundial, num jogo igual a tantos outros, com o favorito a não provar o privilégio de o ser.

A equipa europeia vestiu de vermelho e o hino era o da Suíça mas, apesar de ter jogadores melhores, bem podia estar de azul e chamar-se Grécia… A sul-americana foi a Argentina que se tem visto, igualzinha… Não tão má quanto a do primeiro jogo, cheia de defesas, mas nem por isso muito diferente.

Não admira por isso que na primeira parte as ocasiões de golo tenham sido uma raridade, e apenas para o lado da selecção europeia. Da Argentina, nada. Nem Messi!

E o jogo continuou assim na segunda parte, ainda com mais uma boa oportunidade para os suíços. Até se chegar à hora de jogo.

Não que alguma coisa tenha mudado na Argentina – a teimosia é um dos mais apreciados atributos dos treinadores, mas este seleccionador argentino não precisava de levar tão longe a sua admiração por Paulo Bento – mas porque o adversário começou a cair fisicamente. O vai e vem começou a ser mais difícil, e a Suíça começou a mostrar outro produto: queijo, com uns buracos à vista, em vez do relógio, certinho.

Mas nem isso valeu aos argentinos. E como Messi apenas apareceu em duas ou três ocasiões, lá veio mais um prolongamento. Não menos penoso que todos os outros…

Di Maria continuou a ser o melhor, e a merecer o golo, que o nosso conhecido Diego Benaglio não merecia sofrer. No último minuto!

Nos três minutos de compensação, com um coração do outro mundo, a Suíça jogou com Benaglio na área adversária, e podia ter empatado. Teve ainda uma bola no poste…

Sorte para a Argentina, que Sabella não merece. Nem essa nem a de escolher jogadores num dos maiores e melhores viveiros do planeta!

No outro jogo, que fez cair definitivamente o pano sobre os oitavos, voltamos a ter oportunidade de nos lembrar de Paulo Bento e dos seus rapazes. Eram eles que ali deviam estar…a correr e a lutar como aqueles!

Mas eram os americanos que lá estavam. Com a Bélgica, aquela promessa de grande selecção a parecer interessada em chegar lá. E o jogo foi muito disso, com os americanos a fazerem lembrar o jogo com os portugueses, - muito longe da equipa que os ganeses tinham dominado – até mesmo na exploração do corredor direito. Mesmo que sem o buraco que Raul Meireles, Miguel Velosos e André Almeida abriram, e mesmo que sem Johnson, o pulmão daquela asa, substituído por lesão. E os belgas, particularmente na segunda parte, porque na primeira não foi tanto assim, a projectarem-se para bem perto do que se pode esperar do somatório dos seus valores individuais.

E já que se fala de promessas deve já dizer-se que este foi um jogo que, sem ter prometido muito, cumpriu tudo. Pode não ter sido técnica e tacticamente um grande jogo de futebol mas foi, no fim dos 120 minutos que teve, um espectacular e emocionante jogo de futebol. Daqueles que nos fazem vibrare que tenderemos a não esquecer!   

As oportunidades iam-se sucedendo mas, ora por alguma inépcia dos belgas, ora pela excelência das intervenções de Tim Howard – que grande exibição do veterano gurada-redes americano – os golos é que não. Curiosamente seria dos americanos o mais clamoroso dos falhanços, já nos últimos segundos do tempo de compensação.

E lá veio mais um prolongamento, o sexto, em oito jogos!

E Lukaku, o jovem belga que o Chelsea anda a emprestar a uns e a outros. Que tomou conta da história do jogo, a construir o primeiro golo logo a abrir, concluído por Kevin de Bruyne e, em inversão de papéis, a marcar ao fechar da primeira parte.

Parecia que tudo ficava resolvido. Nada disso, porque este era um jogo de emoções. Klinsmann lançou um miúdo de 19 anos - viu, Paulo Bento?-, Green, que logo marcou mudando por completo o jogo. Que afinal até podia ter tido um resultado diferente!

Brasil 2014 XXI - Hoje alguém deveria estar envergonhado

Por Eduardo Louro

 Halliche rejeita ideia de vingança contra a Alemanha

 

Num relvado de areia pintada de verde, tecnologia provavelmente importada de Alvalade, França e Nigéria, a primeira vinda do tal grupo, como primeira classificada, e a segunda do grupo dominado, via Messi, pela Argentina, encontraram-se para disputar o acesso ao grupo dos oito melhores.

A primeira parte do jogo não confirmou, nem nada que se parecesse, o largo favoritismo atribuído aos franceses. A Nigéria esteve até mais vezes por cima, com mais iniciativa e mais constante no jogo, com a França mais expectante.

Claro que quando a exigência era maior percebia-se a superioridade técnico-táctica da França, mas nada que desequilibrasse o jogo. Nem que lhe permitisse aproveitar as duas oportunidades em que a equipa nigeriana não resistiu àquilo a que tenho chamado vírus africano do disparate…

Na segunda parte o tom manteve-se, mas a superioridade dos africanos acentuou-se, o que não invalidou que a primeira grande oportunidade de golo tenha pertencido aos franceses (Benzema, aos 70 minutos).

Com a entrada no último quarto de hora a França, e com Griezmann no lugar de Giraud – o que faz muito mais sentido, dá mais largura mas também mais equilíbrio à equipa – inverteu o rumo dos acontecimentos e passou a pressionar a defesa da Nigéria, que não resistiu por muito tempo. Em apenas três minutos, um defesa salva em cima da linha, Cabayé atira ao poste e, logo a seguir, num canto que se seguiu a um livre lateral, o golo. De Pogba. Faltavam 10 minutos para o fim e o tal vírus africano tomou conta da Nigéria, que acabaria por agravar o resultado com um auto – golo, já nos descontos.

Provavelmente foi por opção estratégica que a França se deixou subalternizar durante cinco dos seis quartos de hora do jogo. Provavelmente deixou a aposta na pressão alta para o fim porque foi essa a altura que escolheu para atacar o jogo. Isso, e a entrada de Griezmann, terá sido determinante mas, decisivo mesmo, foi ter mantido Matuidi durante os noventa minutos. Porque foi um jogador fundamental, porventura o melhor em campo. Mas que deveria ter sido expulso logo aos 10 minutos da segunda parte, no preciso momento em que, com uma entrada violenta que o árbitro simplesmente amarelou, atirou com Onazi, que estava a ser o seu equivalente na Nigéria, para fora do campo!

A França acabou por ganhar bem. Mas… Há sempre um mas!

O outro jogo do dia foi uma tortura. Verdadeiramente penoso. Não pelo jogo em si, mas por, com o jogo da selecção portuguesa tão presente – faz hoje precisamente quinze dias – vermos como a selecção argelina começou por anular, e até a superiorizar-se, à alemã. Com uma receita simples: linhas muito juntas e agressividade qb. Sem espaço entre linhas onde, contra Portugal, Lahm, Gotze, Ozil, Kroos, Khedira e Muller entraram como quiseram, para fazer o que muito bem lhes apeteceu, a Alemanha errava passes e perdia bolas. Que os argelinos aproveitavam muito bem. Até para criar oportunidades de golo!

Tudo isto com jogadores que jogam na Bulgária, na Croácia, nos escalões inferiores em Inglaterra ou em França. E em Portugal, na Académica. E no Sporting… Faço ideia da vergonha por que passou hoje Paulo Bento. E as suas estrelas, se é que viram o jogo…

Só nos últimos 10 minutos, já com Khedira e com Lahm regressado ao seu lado direito, e aí a fazer a diferença – ele faz a diferença em qualquer lado –, a Alemanha começou a criar verdadeiras ocasiões de golo. Que, do outro lado, Neuer evitava jogando como se de um libero se tratasse. Adivinhava-se então o golo, mas foi o final do jogo a chegar mais depressa. E depois o prolongamento, penoso, mais uma vez, para muitos jogadores…

E logo no início, sem saber muito bem como, Schurle marcou. A Argélia ainda dispôs de uma grande oportunidade para empatar. E marcou mesmo, já nos descontos, só que já depois de, um minuto antes, Ozil ter feito o segundo golo. E cumpriu-se o futebol: no fim ganha a Alemanha!

E lá está um França – Alemanha nos quartos. E não sei, não!

 

Brasil 2014 XX - Emoções fortes

Por Eduardo Louro

 

 

Holanda e Costa Rica formam já o próximo par para os quartos. Fala-se do mundial de futebol, bem entendido…

No terceiro jogo dos oitavos de final a Holanda afastou o México (2-1) num grande jogo de futebol, entre duas equipas que sabem jogar à bola, orientadas por gente que sabe do ofício. Especialmente do lado holandês!

Esta foi uma vitória da selecção holandesa, mas tem o dedo inconfundível do próximo treinador do Manchester United. A Holanda apresentou-se no seu novo formato, no 5-3-2 que fez moda neste mundial, mas foi o México, com idêntica disposição, que mandou no jogo, com o portista Herrera, seguramente merecedor do troféu – se não o houver podia criar-se – para o mais deselegante e inestético jogador do mundial, como motor.

Os mexicanos distribuíam-se bem pelo campo, roubaram todos os espaços aos holandeses, e impuseram a sua dinâmica, assente na tão inegável quanto insuspeita categoria de jogador do Porto. Tirar o espaço a Robben e Van Persie é como tirar-lhes o ar: sem ar não respiram, como qualquer um de nós, sem espaço não jogam. Pronto: jogam pouco, são - foram -peças perdidas lá na frente!

Foi assim durante mais de uma hora, – mesmo que pelo meio, mesmo no fim da primeira parte, o Pedro Proença tenha deixado por assinalar um penalti claríssimo sobre o Robben – o tempo que o México precisou para marcar, logo no arranque da segunda parte (3 minutos), mais o que Van Gaal terá demorado a preparar a mudança. 

Se não havia espaço para Van Persie, o melhor seria tirá-lo. E colocar alguém lá na área mais posicional e fisicamente forte. E mais fresco. Já para Robben, o melhor seria ele procurá-lo. É um jogador fundamental, e então foi para a ala direita procurar - e encontrar - o espaço que noutras zonas sempre lhe faltou. E abrir o jogo pela direita, porque para o abrir do lado contrário entrou o miúdo Depay. À medida que tudo isto ia acontecendo, e já dentro do quarto de hora final, De Kyut saiu da esquerda, desfazendo o cinco, e subiu para a área, para junto de Huntelaar, o tal que entrara para substituir Van Persie.

O resto é a emoção do futebol, com Sneijder a fazer o empate a dois minutos do 90, e Huntelaar, na conversão de um penalti - que o árbitro português assinalou para fazer a vontade a Robben - a consumar a reviravolta a outros dois minutos dos 6 de compensação.

O adversário da Holanda nos quartos de final saiu do confronto entre a Grécia e Costa Rica, duas das surpresas destes oitavos, com os centro-americanos na figura de surpresa maior deste mundial. E pode dizer-se que lhes calhou o pior adversário possível para reforçarem o estatuto!

Porque a Grécia é, como se sabe, um adversário matreiro, que nunca se expõe e que espera pela presa como o melhor dos caçadores. Mas acima de tudo porque eliminá-la não seria sequer surpresa!

O jogo foi fraquinho na primeira parte, se bem que com mais Costa Rica, mas muito intenso depois. Logo no início (7 minutos) da segunda parte a Costa Rica marcou - o árbitro negar-lhe-ia, no minuto seguinte, um penalti que poderia ter dado o 2-0 - mas já contra a chamada corrente do jogo. A Grécia, que já estava por cima, tomou notoriamente conta do jogo a partir do momento em que ficou em superioridade numérica (66 minutos) por expulsão – segundo amarelo – de um jogador centro-americano. Foi já no período de compensação que acabou por chegar ao golo. E ao empate. E ao prolongamento!

Que foi de um enorme sofrimento para os jogadores de ambas as equipas. Mais penoso para os da Costa Rica, mais de uma hora com um jogador a menos... A Grécia foi então ainda mais dona do jogo, mas não marcou. E lá vieram os penaltis!

Ao contrário do que sucedera no desempate entre o Chile e o Brasil foi um festival da arte de bem marcar penaltis. Falhou um, o grego Gekas. Melhor: defendeu, muito bem, o guarda-redes Navas, o homem do jogo (na foto) que, diz-se por aí, está a caminho de Portugal. E Fernando Santos, que foi expulso no intervalo para a marcção dos penaltis, também vem para casa. Mas com o dever cumprido!

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics