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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Os números. Ou para além deles…*

Os contactos sociais devem ser reduzidos ao mínimo mais que nunca"

 

O país vai-se abrindo e as quarentenas fechando-se. Entramos já na terceira fase de desconfinamento, e são residuais as actividades ainda canceladas. Já há espectáculos culturais, e até o futebol já regressou, para gáudio de uns – muitos, imagino - e desassossego de outros. Menos, talvez.

E no entanto os números com que se escreve a história desta pandemia não melhoram. O número dos mortalmente atingidos pela doença mantém-se estável há algumas semanas, mas o de novos infectados não. Esse tem vindo a subir. E a concentrar-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, aqui à porta.

Nos últimos dias mais de 90% das novas infecções acontecem nesta região do país.

É um novo paradigma nas transmissões do vírus. Agora já não atinge idosos em lares, como maioritariamente acontecia. Agora atinge pessoas mais novas e em idade activa. E pessoas com condições sócio-económicas mais débeis e vulneráveis, em ambientes sociais mais degradados e com condições profissionais mais precárias. É sempre assim que se fecham os ciclos de miséria…

Muitos são imigrantes ilegais, no topo da precariedade laboral. Fugiram das obras encerradas por surtos da pandemia, e partiram de Lisboa à procura do único trabalho que podem procurar: o informal, o precário... Que, por cá, encontram na construção civil, mas também na campanha da fruta, que começa a iniciar-se.

Vêm entregues ao seu destino. Sem papéis e sem suporte familiar. Sozinhos. Entregues a si próprios e ao medo que os aprisiona. Muitos fogem, de medo. Não do medo, que esse nunca os larga.

Não é uma segunda vaga. É um novo problema, que não é sequer um problema novo, e que vai muito para além dos números das conferências de imprensa das autoridades de saúde.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Números com nomes

 

        Radomir Antic, antigo treinador de Atlético, 'Barça' e Real ...

 

Não é apenas com números que se está a fazer a história desta pandemia. É também com nomes.

É quando os números ganham nomes que deixam de ser simples números. Os números dos óbitos tinham já nomes famosos do teatro, do cinema, da música, da dança. da comédia, do desenho ... A partir de ontem têm também nomes do futebol. Radomir Antic, o treinador sérvio que se tornou numa lenda do futebol espanhol, e o único a treinar os três grandes de Espanha, aos 71 anos, emprestou o seu nome a este números. Pepe Guardiola emprestou o da sua mãe...

Que tenha sido Boris Johnson a emprestar o seu para o número de infectados em cuidados intensivos poderá ser simples ironia do destino. Que não se deseja a ninguém. Nem aos que, com ele, mais exuberantes foram na primeira fila da negação da realidade.

 

Boris Johnson confiante | Euronews

 

Números e disparates

Os números que medem a pandemia, que fazem as curvas, as desejadas achatadas, como a tartaruga, ou as temidas esguias, como a girafa, são os de infectados e os de mortes.

A correlação entre eles está a prestar-se a muita especulação, e a infindáveis teorias da conspiração que ganham vida, crescem e multiplicam-se no sítio do costume. Que não é evidententemente no Pingo Doce.

Uma dessas teorias, que achei particularmente disparatada vem na sequência das "repugnantes" declarações do ministro das finanças holandês, já reafirmadas pelo chefe do seu governo e que, pelos vistos, encontram eco em muitos portugueses que passeiam as suas alarvidades pelo sítio do costume. E diz que espanhóis e italianos estão a inflacionar o número das mortes para suscitarem comiseração, e no fim da linha ajuda externa. 

Os números não mentem, diz-se, para salientar o rigor e a infalibilidade matemática. Mas podem mentir, mesmo que sejam verdadeiros e que dois mais dois seja sempre rigorosamente quatro. Olhar para a taxa de mortalidade de 0.72% na Alemanha, e compará-la com os 10,8% da Itália e com os 8% de Espanha, não quererá apenas dizer que a Alemanha tem mais dinheiro para investir no seu sistema nacional de saúde, e que por isso tem melhores resultados. Mas poderá querer dizer que a Alemanha, por ter mais dinheiro e por outras quaisquer razões, optou por generalizar a realização dos testes.

Daí que os seus números de infectados projectem uma muito maior aproximação à realidade do que os de Itália, Espanha ou Portugal, onde os testes são apenas, e muito lentamente, realizados a quem já apresenta sintomas adiantados da infecção. Ou do que na tal Holanda, onde os testes são apenas realizados a pessoas já internadas em hospital.   

Resultando a taxa de mortalidade da doença de uma fracção que tem no numerador os óbitos, contados de forma muito idêntica nos diversos países (óbitos de infectados, independentemente da comorbilidade) e no denominador um número obtido de maneira substancialmente diferente, o resultado final deixa de ser comparável.  Naturalmente que, com o denominador mais alargado, e mais próximo da realidade, como sucede no caso alemão, o resultado final é logo, à partida, muito mais baixo. 

Se aquela tese é já um disparate, tentar sustentá-la na comparação das taxas de mortalidade é acrescentar-lhe mais disparate.

 

 

 

 

Números do desemprego

Por Eduardo Louro

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Numa campanha eleitoral em que vai valer tudo, governo e coligação querem fazer do desemprego uma questão de números. Reduzindo o maior problema da economia e da sociedade portuguesa a um número, o problema fica resolvido. Um número é um número, e com os números faz-se o que se quiser... 

Se há coisa em que os números se pareçam com pessoas - com algumas pessoas - é nisso mesmo: prestam-se a tudo!

Se as pessoas que um dia perderam o emprego e estão sem trabalho há dois, três anos ou quatro anos não são desempregados, são inactivos. Se as pessoas que estão ocupadas uma hora por semana a receber formação que nunca lhes servirá para nada, estão em formação, não são desempregados. Se as pessoas que estão integradas em estágios pagos pelo Estado às empresas, são estagiários e não desempregados. Se as pessoas que tiveram de sair do país são hoje emigrantes e não desempregados, os números do desemprego são forçados a cair.

Os problemas das pessoas, esses, são os mesmos. Às pessoas pouco interessam os números, mais ou menos martelados, e sempre manipulados, do desemprego oficial do governo. O que às pessoas importa é o emprego que lhes falta.  Não importa o desemprego, importa é o emprego. Não conta para nada que os números do desemprego tenham caído quando os do emprego cairam ainda muito mais!

O que realmente conta é o emprego que foi destruído nestes últimos quatro anos, que - palavra do FMI - demorará 20 anos a recuperar. Demoraria, direi eu, se a economia portuguesa conseguisse garantir tanto tempo de crescimento ininterrupto, coisa de que nos não lembramos.

E o que nunca deixará de contar é a qualidade do emprego que se está a criar. Muitas vezes, mais que emprego a prazo, emprego com prazo marcado para o desemprego, assente numa relação de trabalho cada vez mais desigual.

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