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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

É Natal

Resultado de imagem para fila de supermercado

 

Em cima da passadeira da caixa do supermercado duas garrafas de óleo alimentar, um garrafão de água e dois sacos de pão. No chão ficara o cesto, com mais dois sacos de pão. 

Ao ver que a operadora registara já tudo o que estava à boca da caixa, o cliente que a seguia na fila chamou-lhe a atenção: olhe que ainda está isto no cesto. Segurando na mão um cartão multibanco e uma fita de papel donde não desviava o olhar, a mulher respondeu com um simples "deixe estar, é para ficar". 

Três euros e noventa e seis - ouviu-se da operadora da caixa. A mulher voltou a olhar para a fita de papel: "então tire este saco de pão". Contrariada a funcionária retirou o saco, teclou, e de novo, nom mesmo tom de voz: "três euros e cinquenta e cinco".

A fila, que não parava de crescer, começava a dar sinais de impaciência. Já sem necessidade de voltar a olhar para a tira de papel de poucas linhas, ouve-se: "só pode ser três euros e trinta e três". E de seguida pede à operadora para retirar uma carcaça, ou duas, se fosse preciso, do último dos quatro sacos de pão que havia recolhido para o seu cesto de compras.

A operadora fechou por fim a conta, e a mulher passou o cartão na máquina, introduziu-lhe o código e recolheu as suas compras, enquanto a funcionária explodia: já viu o pão que se estragou por sua causa?

Terceiro da fila, senti uma raiva irreprimível a subir-me pelo corpo acima. Uma raiva  que se tornou insuportável quando me dei conta que acabara  de assistir a tudo aquilo sem sair da fila, e sem me chegar à frente e pedir à funcionária que repusesse todo o pão retirado.

É Natal, dizem... Sim, já senti raiva neste Natal!

É Natal. É assim ...*

 

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A notícia é desta semana de Natal: uma senhora, funcionária de um lar de idosos da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, viu decretada a penhora do subsídio de alimentação para liquidação de uma dívida de 8500 euros, como tanta outra gente vê penhorados os seus rendimentos pelas mesmas razões. Até aqui, nada de novo. Todos sabemos que circunstâncias destas são infelizmente cada vez mais frequentes. Sabemos que o endividamento é um dos maiores problemas do país. E das pessoas que o fazem… E sabemos que os credores têm direito a receber os seus créditos, mesmo que também saibamos que, muitas das vezes, a sua responsabilidade no crédito não é menor que a do devedor.

O que é novidade, insólito e mesmo surreal, é que, não recebendo a senhora subsídio de alimentação porque toma as refeições no lar de idosos onde trabalha, o agente de execução penhorou a refeição em espécie.

Não se sabe se o zeloso agente de execução tenciona ir diariamente à instituição de marmita na mão a tempo de retirar da boca da executada a sopa, o pão, o arroz, as batatas, o naco de carne ou a posta de peixe. Nem se tenciona depois ir a correr entregá-la ao credor, para que não arrefeça. Porque, requentada, perderá certamente valor, tornando mais difícil a recuperação da dívida.

Nesta semana de Natal já tínhamos imagens de fome, dor, terror e morte a cruzarem-se com imagens de felicidade, beleza e sonho, que nos impingem tudo e o crédito para o comprar. Faltava mesmo era qualquer coisa que cruzasse a mais alta imbecilidade com o mas baixo sentido de dignidade humana. É este o nosso mundo hipócrita, que nem uma pausa  para Natal tem!

 Feliz Natal para todos!  

 

* Baseado na minha crónica de hoje na Cister FM

Não tem é nada a ver com o Natal!

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Em Ancara, na Turquia de Erdogan, um polícia supostamente em folga mata e exibe a morte do embaixador russo numa pacata exposição de fotografia. Em Zurique, um indivíduo ainda não identificado entrou numa mesquita, onde gente rezava, e disparou a matar. Em Berlim, um terrorista que também é jovem refugiado - a ordem é arbitária - tomou de assalto um camion, matando o camionista, para o usar como arma de terror e morte por um espaço comercial dentro. Matou doze pessoas, e deixou largas dezenas feridas, muitas ainda em  perigo de vida.

Há mesma hora, em Alepo, gente, muita gente, continua a morrer enquanto foge sem saber donde e muito menos para onde. Apenas perdidos no meios de escombros e bolas de fogo em que ditadores, assassinos, e diplomatas transformaram a outrora maior e mais cosmopolita cidade Síria.

No mesmo dia, mais hora menos hora de todas estas horas, em Paris, um tribunal  provava que a conduta negligente de Christine Lagarde, enquanto ministra das finanças de Sarkozy, num processo com essa figura acima de toda a suspeita chamada Bernard Tapie, custara aos cofres franceses 404 milhões de euros. Mas que isso não tinha importãncia nenhuma... Já não tinha grande importância para a lei, que previa uma moldura penal de um ano de prisão, e uma multa simbólica de 15 mil euros.  Teve ainda menos para o Tribunal que a aplica, que entendeu que tão destinta personagem, mesmo que culpada, não poderia sujeitar-se a qualquer tipo de sanção.

Pode ser que nada tenha nada a ver com coisa nenhuma. Mas a mim parece-me que tudo tem um bom bocado a ver com tudo...

Não tem é nada a ver com o Natal!

 

PS: O jovem refugiado paquistanês suspeito de ter tomado o volante do camion, e nessa qualidade detido, foi já posto em  liberdade por não ter sido provada essa suspeita. As minhas desculpas pela imprudência de ter assumido por notícia o que não passava de uma suspeita.

 

 

 

 

 

 

O espírito de Natal vai emigrar

Convidado: Luís Fialho de Almeida

Segundo informações postas a circular pelos mensageiros de trincheira - aqueles que, próximos do governo, anunciam novas medidas de austeridade para ver a reação dos governados – Passos Coelho sente-se aliviado com a decisão do Espírito de Natal de emigrar para terras da Escandinávia, onde a democracia é mais sadia. Passos Coelho terá mesmo comentado que dispensa “espíritos que lhe irritem a consciência.

Apanhado numa conversa com o Pai Natal, o Espírito de Natal diz-se desiludido e considera que o actual governo e mesmo Seguro como alternativa, deixam o país sem alma, sem pátria, à deriva. Sente-se cansado de uma evangelização inglória e de manifestações hipócritas de solidariedade e generosidade, desde as elites às bases populares, ambas a organizarem-se em gangs para melhor posicionamento no saque. As elites do capital, manipuladoras dos governos, deitam mão a tudo o que seja estratégico e lucrativo. Na base, os espoliados organizam-se para deitar a mão às migalhas, cegos contra cegos, como no “ensaio da cegueira” de Saramago

Por sua vez o Pai Natal, à beira do desemprego, face ao saldo migratório e redução da natalidade, partilha também a opinião que este país está cada vez mais irrelevante, ponderando, igualmente, emigrar.

Tal como acontece com as decisões do Tribunal Constitucional, Passos Coelho, ainda que mostre o contrário, já preparou cenários alternativos para o Natal de 2014. Segundo as mesmas fontes, Passos pretendia acabar com o feriado do dia de Natal, mas foi contrariado por Paulo Portas, que alertou para a importância da celebração a 25 de Dezembro em todo mundo católico desde o ano 354, por determinação do Papa Libério. Para não afrontar a História e a Igreja, Passos vai optar por um programa (ainda provisório) que aqui se divulga:

Com a emigração do Espírito de Natal e o Pai Natal, a quadra natalícia de 2014, será festejada durante todo mês de Dezembro, ainda que Rui Machete esteja a acompanhar a experiência da Venezuela, para uma eventual antecipação do seu início para Novembro, a fim de dar mais felicidade e paz ao povo que anda muito revoltado.

No dia 1 de Dezembro, - ainda se lembram “Restauração da Independência”? - haverá a abertura oficial da quadra natalícia com o discurso solene de Passos Coelho, que irá ler a mensagem de Natal de Angela Merkel, ladeado pelas fotografias desta e do renovado ministro da austeridade Wolfgang Schäuble. Merkel irá dizer que durante a quadra natalícia todos dias são de festa e trabalho, porque o trabalho liberta – os judeus não esquecem “Arbeit macht frei”. Assim, se formos laboriosos, cumpridores e disciplinados, promete que não nos volta a chamar de PIGS.

No dia 25 de Dezembro, será privilegiada a TVI, que irá dar relevância aos acontecimentos da “casa dos segredos”, para distrair o cidadão mais irreverente que gosta de ouvir as mensagens do Papa Francisco, cada vez mais revolucionário e diz coisas tão blasfemas como “esta economia mata”. Já o nosso cardeal D. Manuel Clemente, fará a sua homilia na Sé de Lisboa, abordando a crise social, mas não terá cobertura televisiva.

No dia 31 de Dezembro, Passos Coelho e Seguro, irão finalmente discutir o pacto de regime do pós troika ou da continuação da mesma, durante o réveillon que irá decorrer na Praia dos Tomates, ficando encarregue de preparar a festa a deputada Teresa Leal Coelho.  No dia 1 de Janeiro, a mensagem de Ano Novo não será de Cavaco Silva, devido a provável indigestão de bolo-rei e dos avisos da Maria, de que não se fala de boca cheia. Será o sempre versátil e irrevogável Paulo Portas, a apresentar os votos de Ano Novo e a fechar a quadra natalícia, já que o dia de Reis será abolido por ser uma afronta à Republica e, do ouro, do incenso e da mirra, apenas o ouro tem particular valor de mercado.

Durante toda a quadra, para que os portugueses trabalhem com alegria, como Merkel recomenda, Passos Coelho fará umaPPP com o Belmiro, o qual garante a presença permanente da Popota, como artista consagrada da rádio e televisão.

Bem Hajam e sejam todos amigos e felizes neste Natal, porque nem tudo é para levar a sério, apesar de nos “tirarem do sério”.

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