Um grande nome do cinema. Tendo sido um dos mais famosos actores - brilhou, entre outros, em "Dois homens e um destino” (1969), “Os Homens do Presidente” (1976), “Os Três Dias do Condor” (1975), “Golpe De Mestre” (1973) -, e um dos principais galãs de Hollywood, foi como realizador que ganhou o seu único Oscar (Gente Vulgar, 1980).
Fundador - com Roger Hodgson, com quem dividiu o protagonismo do sucesso, e depois se incompatibilizou - dos Supertramp, a banda inglesa que não precisou de gerar unanimidades para fazer as delícias da minha geração, Rick Davies - teclista, vocalista e um grande escritor de canções - partiu aos 81 anos.
Começou por trabalhar num banco, mas a paixão deste irlandês foi sempre os automóveis. Deu o nome à Jordan, a equipa que se estreou na Fórmula 1 em 1991, para atingir o seu ponto mais alto nos dois últimos anos da década. O novo milénio no entanto não lhe sorriria, e em 2004 decidiu vender os direitos da equipa que, mais tarde, se tornaria na Force India, que deu lugar à atual Aston Martin.
"Um dos processos habituais de Pinto da Costa ao longo de mais 40 anos consistia em dividir ou, até, provocar hostilidade entre os dois rivais de Lisboa. A sua visão nos anos de brasa do começo do pontificado era a de “Lisboa a arder”. Nesses tempos, a sagacidade bélica do ambicioso caudilho regional era muito elogiada e reconhecida como único método para ultrapassar o “centralismo” e conquistar o país e o mundo. Contra João Rocha ao lado de Fernando Martins, condescendente com Sousa Cintra mas figadal com Gaspar Ramos, estranho a José Roquette e Dias da Cunha mas entranhado com Luís Filipe Vieira - o defunto presidente portista nunca suportou uma guerra simultânea com ambos os clubes. A paradoxal “amizade” de circunstância com um dos “inimigos” funcionava como válvula de escape ao tremendo desgaste provocado pelos conflitos permanentes contra o poder da capital e pela progressiva conquista de influência a nível nacional. É assim uma ironia das mais finas que tenha provocado no fim da vida uma união reactiva entre Benfica e Sporting, que ignoraram olimpicamente o seu óbito em observância de um sentimento generalizado das respetivas massas associativas e de adeptos. Pinto da Costa não quereria ter Benfica e Sporting a chorar a sua morte, tal como não quis os seus adversários internos liderados “pelo Luís André” a carpir no velório. E todos respeitaram a sua última vontade".
"Uma ode à hipocrisia. É aquilo a que tenho vindo a assistir desde sábado. Não só uma tentativa ridícula de beatificar uma personagem tenebrosa, como a falsa e hipócrita indignação pela falta de reacção do Benfica (e Sporting). A morte não é uma espécie de esponja mágica, que apaga tudo aquilo que uma pessoa foi em vida. Em primeiro lugar, convém recordar que Benfica (e Sporting) estão de relações institucionais cortadas com o FC Porto há anos, precisamente por causa dessa personagem. Alguém que construiu a sua presidência assente num clima de ódio por ele inventado e introduzido no futebol português".
"Acredito, honestamente, que nem os portistas, ou pelo menos alguns deles, percebam inteiramente o que representou Pinto da Costa para o Benfica. Só por isso alguém poderá estranhar o silêncio do clube da Luz para com a morte de um cidadão - que já nem sequer era o presidente do FC Porto. Não é por ter ganhado muitas vezes. Sim pelos métodos com que o fez (todos os imagináveis), e, talvez ainda mais, pela atitude ostensivamente provocatória e cínica que sempre manifestou para com aqueles que, ele próprio, considerava seus inimigos".
"Rui Costa e Frederico Varandas terão promovido, não sei se concertadamente, a única homenagem possível a um crápula que, em vida, tudo fez para os humilhar e aos seus clubes e adeptos. Neste caso, com o silêncio ensurdecedor que homenageou os muitos portugueses que ainda têm alguma vergonha na puta da cara e, ao mesmo tempo, deixando "indignadas" uma quantidade de prostitutas assinalável".
"A lavagem de imagem que se estão a esforçar por fazer a Pinto da Costa é parecida com a que fizeram a José Maria Pedroto, quando faleceu. Mas, como escrevia alguém, a morte não apaga registos criminais, escutas comprometedoras, nem transforma gente má em santos".
Foi um dos melhores de sempre. Começou a jogar no Benfica, com 19 anos, onde começou por se celebrizar e permaneceu durante cinco anos, até partir para Saragoça. Regressou um anos depois, mas para o Sporting, onde permaneceu ao mais alto nível durante nove anos. Nos últimos dois anos da carreira representou o Vitória de Setúbal, passando depois a dedicar-se completamente à pintura.
Conta-se que não mais foi visto no futebol. Os artistas são assim. E Jordão, ao lado de Eusébio, de Artur Jorge ou de Vítor Baptista, ou ao lado de Manuel Fernandes, foi sempre o artista que a tela e os pincéis confirmaram.
Sabemos que elogiar as pessoas quando morrem faz parte da nossa forma (tuga) de ser. Mesmo sobre pessoas que depois de uma vida pouco recomendável não deixam saudades, a conversa vai sempre parar a um expressivo "não era mau diabo"... "No fundo não era mau diabo"!
Não vem dessa idiossincrasia tuga esta unânime unanimidade à volta da dimensão humana e de cultura, inteligência, educação, simpatia e afabilidade de Rúben de Carvalho, que aos 74 anos ontem nos deixou. Não é fácil que alguém tão marcante e tão comprometido suscite unanimismos. Ou talvez seja a quem, num partido como o PCP, é capaz de conjugar uma inquestionável fidelidade partidária - pela qual se sacrificara e se sacrificava - com a tolerância e a liberdade do mais livre dos cidadãos.
Se calhar só isto, o enorme e multifacetado conhecimento, a enorme sensibilidade e a eloquente mundividência que nos prendia a cada "crónica da idade mídia", ou o vasto e sólido menu cultural e o brilhante raciocínio dialéctico que nos agarrava aos "radicais livres", faz de Rúben de Carvalho um caso raro de justa unanimidade nacional.
Esperava-se já há alguns dias, aconteceu hoje, em Detroit. The Queen, a rainha do Soul, morreu. Fica uma história rica. De êxito e de desgraça. Ficam 18 prémios Grammy. E fica o melhor de si - a sua música. Que nos enche a alma!
Era conhecido por ser o homem mais rico do país. Mais do que mais ou menos rico, nas volatilidades da Forbs, Américo Amorim foi um grande empresário português. E foi, com Belmiro de Azevedo, o rosto do capitalismo português do pós 25 de Abril e, nessa medida, o obreiro de um novo país virado a norte.
Tão importante como saber investir é saber desinvestir. É saber sair, é perceber exactamente qual é o momento de saltar do negócio. E nisso Américo Amorim era insuperável: foi um dos maiores investidores imobiliários, mas soube sair antes que a crise o pudesses sequer chamuscar; foi banqueiro, mas saiu sempre antes de tudo e de qualquer coisa.
No princípio era a cortiça... Daí nunca precisou de sair. Aí era o maior do mundo!
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