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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Nervos à flor da pele

Por Eduardo Louro

 

"O governo de Passos e Portas acabou hoje". Atrevido, não se sabe se tanto quanto prometera, Passos logo anunciou que tinha 20 medidas para oferecer ao PS. Chamou-lhe facilitador porque, para dificultar, já bastava que continuasse sem enviar números.

Da espuma do dia fica muita agitação. Da Conferência Episcopal, do desautorizado secretário geral da UGT, e das televisões em geral, que não se cansam de procurar fantasmas. Como não os encontraram nos juros foram procrá-los no PSI 20...

Ou antes pelo contrário...

Por Eduardo Louro

 

  

Deixei ontem aqui a ideia que, ao contrário do que muita gente pensa, o processo em curso que opõe a Grécia à ortodoxia alemã – as coisas são cada vez mais assim, não é a Europa que está de um lado e a Grécia do outro – não está bloqueado. Que, antes pelo contrário, está agora aberta a fase de negociação. E que, depois de reafirmadas as posições de cada uma das partes, se entrará num processo de cedências onde a semântica tratará de esbater muita da conflitualidade que hoje está á vista.

Não sei se será assim que as coisas se irão passar. Sei que é esse o meu desejo, e que seria assim que o bom senso mandaria. Mas também sei que, antes pelo contrário, o bom senso não abunda na Europa... E que os tratados pós Mastricht que a Alemanha impôs à volta do euro são irredutíveis, precisamente com o objectivo - antidemocrático, como todo o processo de construção do actual edifício europeu - de amarrar os governos á sua bíblia ideológica. Às escolhas que os cidadãos europeus façam pelo seu voto livre e democrático, sobrepõem-se sempre os compromissos impostos pelos tratados alemães, que os velhos centrões europeus correram a subscrever sempre à revelia do mandato popular, fugindo dos referendos como diabo da cruz. Não deixa de ser insólito que uma união que tinha justamente a democracia como condição sine qua non de acesso, tenha acabado na sua sistemática negação.

E, francamente, também sei que a falta de bom senso é ainda agravada pela falta de estatura e de visão política dessa gente que manda na Europa. Que é gente bem capaz de a deixar cair no abismo que está aí, mesmo à frente dos olhos…

 

 

Passo seguinte: negociação e semântica!

Por Eduardo Louro

 

 

O governo, e a opinião publicada que o sustenta, estão seriamente empenhados no falhanço do processo grego. Passos Coelho deu o mote, com a já famosa história para crianças, e a máquina não parou mais. E no entanto o interesse nacional aconselharia, se não um apoio entusiástico à causa grega, que isso seria pedir muito a um governo que tem a história – para crianças e adultos – que este tem, pelo menos que se mantivesse quedo e mudo. Na expectativa. Porque o país não tem nada a perder, ou melhor, o que tem a perder é imensamente menos do que o que tem a ganhar!

Mas, porque as eleições estão aí, o governo, e os poucos – estou em crer – que o apoiam, sobrepõem os seus interesses eleitorais particulares aos interesses do país, importa-lhes que a Europa bloqueie as pretensões do governo grego, obrigando-o a reconhecer a sua incapacidade e a capitular. Demitindo-se ou, e isso seria melhor ainda, traindo e negando as suas promessas e o seu eleitorado.

O que nesta altura ao governo de Passos e Portas mais importa é que não se confirme que há, e sempre houve, alternativas ao modelo que a Alemanha impôs, e que tão entusiasticamente abraçou. O que o governo não quer é pôr agora em causa a teoria da inevitabilidade em que fez assentar a sua governação. É justamente isso que sustenta a sua solidariedade com Merkel, que também tem na mesma TINA (there is no alternative) o seu ponto de não retorno.  

E no entanto o bloqueamento a que ontem se chegou, quando o périplo grego chocou de frente com Berlim, não é mais que aparente. Nem é a derrota da Grécia, como o governo de Passos e a sua gente pretenderiam, nem é a apregoada saída épica do governo grego que, entre a espada e a parede, teria heroicamente preferido a espada.

Creio que está agora oficialmente aberto o espaço de negociação. Ninguém poderia admitir que a Alemanha reconhecesse humildemente que falhara, que tudo o que impusera estava errado, e que bastaria aparecerem uns tipos desempoeirados e desengravatados para desdizer tudo o que disse. Também me parece que ninguém acreditaria que uns tipos tão desempoeirados não tivessem expressões mais suaves na gaveta para ir gradualmente substituindo as mais radicais. Como hair cut, por exemplo!

Varoufakis, o ministro das finanças grego, já pelo menos por duas vezes recorreu, em jeito de desculpa, aos erros de tradução. É aí, não em erros de tradução mas na semântica, que as coisas se vão passar a jogar. Deixará de se falar em perdão da dívida, ou hair cut, para se falar, por exemplo, em empréstimos perpétuos. As reformas que, como se sabe, para os alemães – e para o governo português, sempre em sintonia – querem dizer cortes de salários e de despesa social, substituirão a austeridade. E quererão dizer, para o governo grego, ataque às oligarquias, aos grupos de interesses organizados, à corrupção e à evasão fiscal (onde, por exemplo, seria bonito ver o governo português disponibilizar-se para dar uma ajuda).

A Grécia é um pequeno país, mas é um país muito importante. Para a Europa e para o Mundo. Por isso o BCE fechou, com estrondo, de um lado e abriu do outro. E assim irá continuar a ser nos próximos dias, até que todo o pó assente, e a dignidade regresse á Grécia. E à Europa!

CONTAS AO GOVERNO

Por Eduardo Louro

 

Enquanto não é saciada a enorme fome de notícias sobre o novo governo – tiro o chapéu à malta do PSD e do CDS que, nesse aspecto, têm sabido o que andam a fazer: nada de bufos - o país anda, incansável, a fazer contas ao governo.

Fazem-se contas aos ministros ou, mais do que isso, fazem-se apostas sobre nomes e lançam-se nomes como se fossem dados. Mas também se fazem contas aos ministros, estritamente no sentido literal. Aos ministros ou aos ministérios, porque percebeu-se que essa coisa de reduzir os ministérios seria uma enorme trapalhada de que ninguém se veria livre nos próximos seis meses.

Aquela ideia simpática - e popular – de dez ministérios implodiu. Ninguém se tinha lembrado das implicações que isso tinha ao nível do ordenamento orgânico do Estado: o governo estaria obrigado a passar os primeiros seis meses a olhar para o umbigo, o que contrariaria radicalmente os conselhos avisados do novamente sensato quase ex-ministro das finanças. Vão-se os anéis fiquem os dedos – creio que já começamos a duvidar que ainda tenhamos dedos – e, se não podem ser dez ministérios, serão dez ministros. Ou onze! Ou doze… Pronto Paulo Portas, 13 não - que dá azar - mas fiquemos pelos 14 e não se fala mais nisso. E lá estamos nós a fazer contas ao governo!

Seria importante que o governo tomasse posse até ao próximo dia 23: data do próximo almoço em Bruxelas, onde Pedro Passos Coelho já deveria estar sentado à mesa. Mais contas ao governo, a contar os dias a ver se dá. Parece que vai dar: já se fala na indigitação oficial do primeiro-ministro lá para quarta-feira, sinal de que ninguém espera problemas com os boletins de voto que chegam desses quatro cantos do mundo onde há portugueses, e que votam! E que estas contas ficam mais fáceis de fazer.

E, no meio de tantas contas ao governo, até o governo quer que lhe façam as contas. Parece que não acredita nas contas que se têm vindo a fazer – e nisso tem toda a razão, e nem está sozinho, ninguém mesmo acredita – e quer criar um novo organismo para fazer contas: as contas do governo!

Fazendo as contas, parece-me bem que é por isso que se quer poupar no número de ministros: para se poder pagar aos tipos dessas contas!

 

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