Newcastle 3 - Benfica 0
As últimas imagens são sempre as que ficam. E as que ficaram do Benfica no Saint James Park, em Newcastle, são da mais dramática decepção.
Na verdade o Benfica acabou o jogo a transformar o Newcastle, o 14º classificado da Premiere League, numa potência da élite do futebol mundial!
O Benfica até entrou bem no jogo, mas já se percebeu que isso não é sinal de coisa nenhuma. O Benfica vem entrando bem nos jogos todos, o pior é o que vem a seguir. O que começou a vir logo a partir dos primeiros dez minutos, quando se começou a perceber que a ideia de pôr o Tomás Araújo no lado esquerdo da defesa, não era grande coisa. Com Aursenes à frente, aquele lado esquerdo não dava para atacar e, a defender, era uma auto-estrada aberta a Murphy e Trippier. Ou que o Dedic, sozinho na direita, nunca daria conta do Gordon, o seu adversário directo e o melhor em campo.
Mesmo assim, depois de ter deixado bem à mostra estes pecados, o Benfica ainda conseguiu dar a ideia que podia discutir o jogo e o resultado. Desequilibrado, a coxear, mas sim ... Poderia ser que sim. Era tudo à conta de Lukébakio, mas chegou a parecer possível que ele conseguisse arrastar o resto da equipa.
O belga esteve por duas vezes muito perto do golo. À segunda, a meio da primeira parte, quando a bola partiu do seu pé esquerdo já toda a gente a via dentro da baliza. Naqueles décimos de segundo que demorou a percorrer a distância para a baliza vimo-la sempre colada às redes, mas no último momento acabou no poste, e a afastar-se definitivamente do rumo que lhe tinha sido traçado.
Estava já a partida num intrincado jogo de equilíbrios e desequilíbrios quando o desequilibrado lado esquerdo do Benfica cedeu. Numa saída de bola, Tomás Araújo entregou a bola ao entalado Aursenes, que logo tentou desfazer-se dela, de primeira. À toa. Foi facilmente interceptada, e foi parar ao pior sítio - os pés (e os olhos) do Bruno Guimarães. A partir daí, com a equipa descompensada, foi ... limpar o rabinho a meninos.
Até ao intervalo Lukébakio ainda voltou a pôr-nos a sonhar com o golo do empate mas, depois do golo, o Newcastle nunca deixou de estar por cima do jogo.
Essa sensação manteve-se depois do intervalo. Durante um pouco mais de metade da segunda parte o Benfica ia entretendo um jogo - ganhando uns cantos, e tal ... - que o Newcastle ia dominando.
Até que com a equipa no ataque, numa segunda bola de um canto, Lukébakio (em ataque posicional é outro jogador, nem comparação tem!) quase quis desfazer-se da bola, cruzando-a directamente para as mãos de Nick Pope, o guarda-redes que já lhe negara um ou dois golos. Que, com as mesmas mãos, a lançou para o recém-entrado Harvey Barnes correr por ali fora até, no meio de quatro (!) defesas do Benfica, bater Trubin.
A partir daí o Benfica afundou. E os 20 minutos que se jogaram até ao apito final do árbitro polaco - que até aí errara sempre em prejuízo do Benfica, fosse a beneficiar o infractor, fosse a trocar faltas, e até amarelos, mas que nesses minutos negros até foi amigo - foram um dos maiores pesadelos dos últimos tempos.
Só deu para mais um golo, com Barnes a bisar, em mais um erro tremendo de uma equipa desnorteada. Mas bem poderia ter acabado num resultado ainda muito mais pesado. Valeu Trubin, com um punhado de boas defesas.
Apenas ele e Lukébakio escaparam ao desastre de Saint James Park. Mourinho afundou-se com a equipa. Na abordagem ao jogo, no onze inicial, nas substituições que não fez (apenas Dedic, lesionado, foi substituído por Ivanovic, para jogar na ala esquerda, de onde saiu Aursenes para jogar a lateral direito), na persistente incapacidade de virar o que quer que seja.
Zero pontos à terceira jornada, é péssimo. Pior, ainda, é a equipa completamente de rastos, humilhada, que sai deste terceiro jogo.