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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Choque de expectativas

 

Por Eduardo Louro

 

Primeiro, no final da semana passada, foi ele próprio, Paulo Portas, a fazer o número. Que não há novas medidas de austeridade, as linhas vermelhas, o novo ciclo … E umas boas notícias, soltas, suficientemente vagas para não serem sequer reconhecidas e escaparem ao teste do algodão…Tudo para deixar bem escondidas as medidas que já estão no armazém, prontas a sair, ou outras ainda em laboratório de ensaio!

Depois, ao ritmo cadenciado de uma por dia, as medidas escondidas começam a ser postas na imprensa. Por cada uma, e em cada dia, lá vem ou dois ministros, um sempre mais vago e mais atabalhoado que o outro, mas todos sempre nos píncaros da demagogia, bem para lá da fronteira do reprovável, já em pleno reino do escandalosamente chocante.

Algumas serão barro atirado à parede, a ver se pega. Outras serão lançadas para preparar o ambiente, para desgastar… Para esbater os efeitos na opinião pública. Outras ainda para esgotar todas as reacções, combatidas desde o primeiro minuto pelos mais demagógicos argumentos e pelos mais escandalosos exemplos.

Vai ser assim até daqui a uma semana, quando o orçamento for finalmente apresentado no Parlamento. É isto o novo ciclo. É este o dedo de Paulo Portas!

Passos Coelho chama-lhe choque de expectativas. Sabe que precisa da sua máquina de propaganda em pleno, e lança-lhe por isso um desesperado apelo...

Hoje, em Portugal, governa-se assim! 

A moção de confiança e o novo ciclo

Por Eduardo Louro

 

 

O governo levou hoje ao Parlamento a moção de confiança que o Presidente lhe ordenou que apresentasse. Que, mais que uma moção, foi um abuso. Um abuso de confiança, e um abuso da nossa paciência!

Um abuso que começou em Cavaco que, ao impor-lha, abusou dos partidos da coligação. Mas também da nossa paciência, no meio de tudo isto o que menos tínhamos era paciência para voltar a ouvir tudo, de uma ponta à outra, o que há pouco mais de uma semana tinha sido dito na discussão da moção de censura.

E que continuou no Parlamento – governo, maioria e oposição – incapaz de dar ao debate o caminho que as circunstâncias exigiam. Abusaram, todos. De tudo e da nossa paciência!

Ao governo competia justificar a moção de confiança, tinha a obrigação de lhe dar substância em vez de a esgotar na forma – tanta mais obrigação quanto se sabia resultar de uma intromissão excessiva do Presidente – e isso teria de ser centrado no anunciado novo ciclo. Competia-lhe transformar a moção de confiança na aprovação do guião político do novo ciclo. Só que o novo ciclo esgota-se no IRC, não tem nem mais uma alínea. E percebemos que tem essa alínea porque a comissão liderada por Lobo Xavier lhe deu vida política na semana passada, logo a seguir à tomada de posse. Não fosse isso e o novo ciclo era um livro completamente em branco.

Era por isso impossível ao governo concretizá-lo em objectivos, políticas e compromissos que se transformassem em objecto de aprovação, que credibilizassem a moção de confiança. Restou à maioria, a quem caberia aprovar o guião do novo ciclo, abusar do ridículo de todas as maiorias, esgotando-se nas mais estúpidas e descabidas questões laudatórias. Que, evidentemente, não questionam coisa nenhuma. Bajulam miseravelmente. E à oposição abusar dos jogos florais da retórica, saltando de (não) assunto para (não) assunto e deixando em paz o novo ciclo!

Poucas vezes os narizes de palhaço vieram tão a propósito...

"Uma certa podridão de hábitos políticos"

Por Eduardo Louro

 

Vai bem a moção de confiança que o governo vai apresentar no Parlamento, para dar o pontapé de saída no novo ciclo.

Divide-se em duas partes. Na primeira faz o elogio do passado, destes dois anos em que tudo correu às mil maravilhas. Sem eles nunca poderíamos ter chegado a este momento único de felicidade e optimismo que abre o país ao novo ciclo. Na segunda fala justamente do novo ciclo, do ciclo de progresso, crescimento e desenvolvimento que o novo governo, desnecessariamente remodelado e revigorado – não se percebe porquê, nem para quê, mexer num governo-maravilha, que tudo o que fez foi bem feito - nos vai trazer nesta segunda parte do seu mandato.

Posso garantir que está aqui “uma certa podridão de hábitos políticos”! E eu não minto

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