Luís Montenegro vai hoje apresentar ao Presidente da República a lista de nomes para o novo governo. Dessa, pouco ainda se sabe neste momento, correndo-se até o risco de, o que se sabe, vir a não a confirmar-se. Sabe-se, depois dos resultados das últimas eleições, e mais ainda depois daquelas 30 horas que marcaram o início da nova legislatura só para escolher a Presidência da Assembleia da República que, só por milagre, não será um governo de curta duração.
No ano em que comemoramos 50 anos do 25 de Abril enfrentamos óbvias ameaças à nossa convivência democrática. E, em vez de celebrarmos a maturidade (de 50 anos) democrática e os valores da liberdade, da fraternidade ("em cada esquina um amigo") e da justiça social ("em cada rosto igualdade"), vemo-nos reduzidos à obrigação de defender o fundamental de um regime que não conseguiu evitar a fatalidade deste destino!
Depois do PS se ter fechado sobre si mesmo para o funeral da geringonça, foi a vez do governo de António Costa se fechar sobre si mesmo para o seu próprio funeral.
Sabe-se que as soluções governativas têm tanto menos espaço quanto menor for o espaço que abram para além das paredes do seu círculo político. Para constituir seu o novo governo António Costa não limitou sequer o campo de recrutamento ao seu próprio partido; limitou-o ao seu próprio governo. Que já dava mais a ideia de um corpo de segurança pessoal que propriamente um governo.
É um governo novo que nasce velho. Talvez seja por isso que é tao grande, o maior de sempre. Mas não certamente o de maior o futuro...
Faz de conta que já há governo. Mesmo que seja um governo a fazer de conta. Que faz de conta que é governo e faz de conta que é novo, a mostrar bem que o campo de recrutamento da coligação que ganhou as eleições se esgota nas paredes do próprio governo. Nem sequer nas dos dois partidos!
Os ministros continuam ministros, mesmo os que antes faziam de conta que o eram. E até os secretários de Estado fazem agora de conta que são ministros... Para fazer de secretário de Estado é que parece que está mais difícil. Até porque dessa rapaziada já está tudo empregado. E bem, ao que se diz...
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