"Mais papista que o Papa"

Com o Papa Francisco por cá, e com Jornada Mundial da Juventude "on fire", houve quem se lembrasse de mandar afixar cartazes a lembrar que “mais de 4800 crianças foram abusadas pela Igreja Católica em Portugal" em três outdoors localizados na Alameda, em Lisboa, em Loures e em Algés.
Não terá sido uma ideia absolutamente original, ou genial. Nem seria para avivar a memória do Papa. Toda a gente sabia que o Papa não estava esquecido disso. E ninguém de boa fé - qualificação que não precisa de fé, mas apenas de equilíbrio e bom senso - acreditará que o Papa se incomode mais com os cartazes do que com os actos e comportamentos que eles denunciam. Não foi pelos cartazes, que ainda não existiam, que o Papa trazia, como não poderia deixar de ser, o tema na sua agenda.
Já o tinha abordado sem rodeios, e "sem dó nem piedade". E o seu encontro pessoal com treze das vítimas desses abusos, ontem ao fim da tarde, há muito que estava agendado, mesmo que não constasse da agenda tornada pública.
Ainda assim a autarquia de Oeiras lembrou-se de censurar o que estava instalado no seu território (Algés), cobrindo-o de preto. Como se, quando o Papa é Francisco, fizesse sentido "ser mais papista que o Papa".
E como não faz, percebemos que os cartazes, afinal, não pretendiam avivar a memória do Papa, mas apenas a dos muitos "mais papistas que o Papa".