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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

You too Bo(u)no(u)?

Marrocos x Espanha vão para os pênaltis; confira detalhes da Copa do Mundo - GettyImages

E aos oitavos a Espanha foi embora... empurrada por uma sensacional selecção de Marrocos.

Foi nos penáltis, mais uma vez, num escandaloso 3-0, depois do nulo dos 90 minutos regulamentares que os 30 de prolongamento não alterou.

Começando pelo fim, a Espanha não converteu nem um dos três penáltis que que teve em oportunidade. No primeiro, Sarábia - que entrara já no fim do jogo, com Luís Henrique a pensar nessa forma de desempate, e que, nos últimos segundos do prolongamento tivera um remate ao poste, na melhor oportunidade dos espanhóis em toda a partida - acertou no poste. Nos outros dois, Bounou, que é nome de guarda-redes que por pouco não é nome de músico, dançou. Dançou na baliza, e defendeu espectacularmente os pontapés de Soler e de Busquets.

Antes, para trás, ficou mais uma grande exibição da selecção de Marrocos. Que, sem mais que dois ou três jogadores muitos bons, é uma verdadeira equipa, praticamente intransponível. Basta ver que sofreu apenas um golo - entre três jogos de 90 minutos, mais um de 120, e ainda três penáltis - e, mesmo esse, não foi consentido aos adversários. Foi um auto-golo, verdadeiramente infeliz, no jogo com o Canadá.

Só a espaços, e mesmo esses curtos, a Espanha conseguiu impor o seu futebol de cerco ao adversário. Aquele futebol que, em vez de snipers,  ou de mísseis, liquida os adversários por exaustão. 

Os jogadores marroquinos não só resistiram e essa exaustão - mesmo que exaustos no final do jogo - como tiveram ainda engenho, arte e alma para criar as melhores oportunidades do jogo, uma das quais na imagem. A Espanha pode queixar-se daquele remate ao poste de Sarábia, nos últimos momentos do prolongamento. Mas pouco, em boa verdade. Sem qualquer ângulo para atingir a baliza, aquilo não foi uma oportunidade desperdiçada, foi mesmo o melhor que o jogador que passou o ano passado em Alvalade dali poderia ter tirado.

Era impensável, mas aconteceu. A Espanha voltou a falhar, e é, depois da Alemanha, mais um candidato a ficar prematuramente de fora deste Mundial.

 

As portas dos quartos

Copa do Mundo do Qatar 2022: Argentina 2 x 1 Austrália

A bola não pára, e Argentina e Países Baixos já estão nos quartos de final. Dir-se-ia que com naturalidade, dado o peso de ambas as selecções no contexto mundial. E, inversamente, o das selecções americana e australiana.

A selecção de Van Gaal não tem encantado ninguém. Hoje voltou a não encantar, voltou a ser feliz, mas mostrou progressos. Colectiva e individualmente. Os americanos - a selecção mais jovem da competição - confirmaram o futebol agradável que tinham apresentado nos três jogos iniciais. E deixam este Mundial com promessas para o próximo, que vão disputar em casa.

Os Estados Unidos entraram melhor no jogo, com uma grande oportunidade de golo logo nos minutos iniciais. Estavam por cima do jogo quando os holandeses marcaram, na primeira jogada de ataque que construiram, logo aos 10 minutos. Uma grande jogada de futebol, muito bem concluída por Depay. Que não levou os americanos ao tapete. Pelo contrário, nunca deixaram de equilibrar o jogo. E estavam novamente por cima quando, em cima do intervalo, levaram com o segundo. Um golo que ficou a cargo dos laterais holandeses, com Dumphries - por esta altura o melhor lateral direito da competição - a cruzar para Blind finalizar. 

Tem sido assim, tudo lhes tem corrido bem. A selecção americana reduziu à entrada do último quarto de hora, com o extraordinário golo de Wright (prefiro chamar-lhe assim, e não estranho). Que, se não fosse um grande chouriço, seria o golo do Mundial. Ou simplesmente o golo, sem mais adjectivos.

Não deu para agitar fantasmas, até porque, apenas 5 minutos depois, os laterais holandeses repetiram a gracinha, invertendo os papéis, num erro defensivo grosseiro dos americanos, que nem com os olhos marcaram o lateral direito Dumphries.

O outro era o "jogo mil" de Messi, e só por isso já era histórico. Não foi só o milésimo jogo de Messi. Foi o jogo de Messi.

A Argentina também não tem encantado, e tem vivido da inspiração dos seus jogadores. Hoje foi o dia de Messi.

A Austrália foi a equipa aguerrida que tem sido, e não dava espaço aos argentinos para o que quer que fosse. Se não fosse dia de Messi, dificilmente seria dia de Argentina. Só Messi resolveria aquilo. E fê-lo com um golo que só ele poderia marcar, na única oportunidade da primeira parte que, sem ele, também nunca o seria.

Messi ainda não tinha aparecido. Apareceu naquele minuto 35, mas não ficou. E na verdade o golo não mudou nada mais que o resultado. O jogo manteve-se na mesma, fraquinho. Até que, já em cima do primeiro quarto de hora da segunda parte, o guarda-redes australiano armou-se em Beckenbauer, correu mal, e ofereceu o golo ao Alvarez. O miúdo. 

A Argentina apanhava-se a ganhar por 2-0 com uma única oportunidade de golo. E quando, precisamente 20 minutos depois, já perto dos 10 minutos finais, a Austrália fechou o resultado - numa bola que bateu no Enzo e acabou na baliza - o jogo passava a contar com 3 golos na mesma única oportunidade.

Nessa altura já Messi espalhava magia pelo relvado. Mas só isso, porque no fim havia sempre um pé australiano a evitar a conclusão. A partir daí o jogo mudou finalmente: os australianos tinham 10 minutos pela frente e o empate a um golo de distância; e os argentinos sentiram o perigo do resultado em aberto. E passou a haver espaço para Messi acrescentar claras e sucessivas oportunidades de golo à magia que lhe saía dos pés.

Nem uma foi aproveitada (só o Lautauro - por que será que o Dybala nunca é opção para Scaloni? - falhou três golos oferecidos por Messi) e, mesmo no fim, ao minuto 97, na última jogada, foi Emiliano Martinez, o guarda-redes argentino, a evitar o empate que levaria o jogo para prolongamento.

Pronto. Esta já está!

 

Pronto. Já está. Se no jogo jogado as coisas nunca correram bem, não nos podemos queixar de nada do que nos era alheio. Aí, naquilo em que nada podíamos fazer, que dependia apenas do que os outros fizessem, não podia correr melhor. 

Se antes de a selecção entrar em campo para este último jogo da fase de apuramento as coisas já corriam de feição, depois, no outro jogo que opunha os dois restantes adversários do grupo, tudo correu ainda melhor. Autêntico jackpot, com aquele golo da Islândia, no último minuto do seu jogo com a Áustria...

Mais uma vez, naquilo que lhe competia, a selecção falhou. E só não falhou em toda a linha porque se salvou o apuramento. E, ironia do destino, nas melhores condições possíveis para quem, contra todas as evidências, continua a dizer que quer ser campeão europeu. Num jogo louco em que, também mais uma vez, a sorte não queria ajudar, foi com sorte que, quando, pela terceira vez, a Hungria ia desfazer o empate que a equipa nacional acabava de alcançar, o poste desta vez foi nosso amigo.

Uma sorte que acabou por compensar o azar nos três golos sofridos. Para quem acredita nessas coisas da sorte e do azar, porque na verdade o que os três golos sofridos fizeram foi penalizar a equipa pelos erros defensivos. Bem mais que três!

Bem mais - também - que falta de sorte, a equipa tem falta de futebol. Isso é que é indisfarçável. Não é provável, mas até poderá eliminar a Croácia nos oitavos de final. Se o fizer, afasta "apenas" o mais forte adversário que se perfila até à final, em razão daquele bónus do golo "suicida" da Islândia. Que atirou com os islandeses que nem um microfone para o lago dos tubarões.

Quer dizer que, mesmo sem futebol para ir a lado nenhum, se a probabilidade for uma batata e eliminar a Croácia, a selecção nacional pode até chegar à final. Mas continua a ser muito improvável que uma equipa que não conseguiu ganhar à Islândia, nem à Áustria, nem à Hungria consiga ganhar a alguém daqui para a frente. 

Mas pronto. Esta já está, como diz o presidente. Omnipresente!

Nem tudo é mau... Salvam-se os oitavos!

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Foi um Benfica muito igual ao que tem sido, aquele que hoje empatou em Astana, no longínquo e asiático Cazaquistão. Sem chama e sem soluções, como tem sido hábito.

De tal forma que o adversário, que entrara encolhido e a deixar a impressão de ser ainda inferior ao que havia mostrado em Lisboa, depressa percebeu que, do temível Benfica, só lá estavam as camisolas. O medo com que entraram só durou um quarto de hora, o tempo suficiente para este Benfica mostrasse que não estava ali para fazer mal a ninguém.

A partir daí, perdido o medo, os jogadores do Astana passaram a correr mais - muito mais - que os do Benfica ( só o miúdo, o Renato Sanches, é que corria, mais ninguém) e, nada a que não estejamos já habituados, a chegarem sempre primeiro às bolas e a ganharem todos os ressaltos. Bastaram-lhe dois ou trê minutos para chegarem pela primeira vez com perigo à baliza de Júlio César. Na segunda, logo a seguir, fizeram o primeiro golo.

E assim continuaram: sempre mais rápidos, sempre a chegarem primeiro. O segundo golo, dez minutos depois, não foi surpresa nenhuma. Não foi surpresa mas foi irregular, num fora de jogo que a péssima arbitragem da equipa francesa, que tinha deixado por assinalar um penalti sobre o Lizandro Lopez, deixou passar em claro. 

E com apenas meia hora de jogo, e com apenas 10 minutos de alguma iniciativa do adversário, o Benfica perdia por dois com a equipa mais fraca do grupo. Que não ganhara a ninguém, e que provavelmente não irá ganhar a ninguém. Quando se temia o pior, o Benfia reagiu e partiu para 10 minutos de bom nível, criando três excelentes oportunidades de golo. À terceira marcou, e reduziu a desvantagem. Faltavam 5 minutos para o fim da primeira parte, e os jogadores deixavam a sensação que queriam empatar ainda antes do intervalo. 

Mas não. E na segunda parte nunca mais repetiu aqueles 10 minutos. E quando o empate chegou, no bis de Jimenez, a 20 minutos do fim, o jogo acabou. Ambas as equipas tinham o que afinal queriam do jogo: o Astana, já sem nada a ganhar, só queria concluir a campanha sem perder em casa; o Benfica, confiando que o empate chegaria - como chegou - para chegar aos desejados oitavos, satisfazia-se com o facto de os adversários também não terem feito melhor.

Fica o apuramento, importantíssimo. Mas fica mais uma exibição lastimável. Colectiva e individualmente muito frouxa, onde apenas o Renato - o miúdo esteve mesmo fantástico - e o Jimenez, com dois golos e muito trabalho, estiveram em bom plano. Mau sinal é que já nem Gonçalo Guedes e Samaris, que têm sido dos melhores, escapem à mediocridade geral.

Brasil 2014 XXII - Desceu o pano sobre os oitavos

Por Eduardo Louro

 Di Maria e Messi festejam golo da Argentina

 

Argentina e Suíça abriram o dia da despedida dos oitavos de final do mundial, num jogo igual a tantos outros, com o favorito a não provar o privilégio de o ser.

A equipa europeia vestiu de vermelho e o hino era o da Suíça mas, apesar de ter jogadores melhores, bem podia estar de azul e chamar-se Grécia… A sul-americana foi a Argentina que se tem visto, igualzinha… Não tão má quanto a do primeiro jogo, cheia de defesas, mas nem por isso muito diferente.

Não admira por isso que na primeira parte as ocasiões de golo tenham sido uma raridade, e apenas para o lado da selecção europeia. Da Argentina, nada. Nem Messi!

E o jogo continuou assim na segunda parte, ainda com mais uma boa oportunidade para os suíços. Até se chegar à hora de jogo.

Não que alguma coisa tenha mudado na Argentina – a teimosia é um dos mais apreciados atributos dos treinadores, mas este seleccionador argentino não precisava de levar tão longe a sua admiração por Paulo Bento – mas porque o adversário começou a cair fisicamente. O vai e vem começou a ser mais difícil, e a Suíça começou a mostrar outro produto: queijo, com uns buracos à vista, em vez do relógio, certinho.

Mas nem isso valeu aos argentinos. E como Messi apenas apareceu em duas ou três ocasiões, lá veio mais um prolongamento. Não menos penoso que todos os outros…

Di Maria continuou a ser o melhor, e a merecer o golo, que o nosso conhecido Diego Benaglio não merecia sofrer. No último minuto!

Nos três minutos de compensação, com um coração do outro mundo, a Suíça jogou com Benaglio na área adversária, e podia ter empatado. Teve ainda uma bola no poste…

Sorte para a Argentina, que Sabella não merece. Nem essa nem a de escolher jogadores num dos maiores e melhores viveiros do planeta!

No outro jogo, que fez cair definitivamente o pano sobre os oitavos, voltamos a ter oportunidade de nos lembrar de Paulo Bento e dos seus rapazes. Eram eles que ali deviam estar…a correr e a lutar como aqueles!

Mas eram os americanos que lá estavam. Com a Bélgica, aquela promessa de grande selecção a parecer interessada em chegar lá. E o jogo foi muito disso, com os americanos a fazerem lembrar o jogo com os portugueses, - muito longe da equipa que os ganeses tinham dominado – até mesmo na exploração do corredor direito. Mesmo que sem o buraco que Raul Meireles, Miguel Velosos e André Almeida abriram, e mesmo que sem Johnson, o pulmão daquela asa, substituído por lesão. E os belgas, particularmente na segunda parte, porque na primeira não foi tanto assim, a projectarem-se para bem perto do que se pode esperar do somatório dos seus valores individuais.

E já que se fala de promessas deve já dizer-se que este foi um jogo que, sem ter prometido muito, cumpriu tudo. Pode não ter sido técnica e tacticamente um grande jogo de futebol mas foi, no fim dos 120 minutos que teve, um espectacular e emocionante jogo de futebol. Daqueles que nos fazem vibrare que tenderemos a não esquecer!   

As oportunidades iam-se sucedendo mas, ora por alguma inépcia dos belgas, ora pela excelência das intervenções de Tim Howard – que grande exibição do veterano gurada-redes americano – os golos é que não. Curiosamente seria dos americanos o mais clamoroso dos falhanços, já nos últimos segundos do tempo de compensação.

E lá veio mais um prolongamento, o sexto, em oito jogos!

E Lukaku, o jovem belga que o Chelsea anda a emprestar a uns e a outros. Que tomou conta da história do jogo, a construir o primeiro golo logo a abrir, concluído por Kevin de Bruyne e, em inversão de papéis, a marcar ao fechar da primeira parte.

Parecia que tudo ficava resolvido. Nada disso, porque este era um jogo de emoções. Klinsmann lançou um miúdo de 19 anos - viu, Paulo Bento?-, Green, que logo marcou mudando por completo o jogo. Que afinal até podia ter tido um resultado diferente!

Brasil 2014 XXI - Hoje alguém deveria estar envergonhado

Por Eduardo Louro

 Halliche rejeita ideia de vingança contra a Alemanha

 

Num relvado de areia pintada de verde, tecnologia provavelmente importada de Alvalade, França e Nigéria, a primeira vinda do tal grupo, como primeira classificada, e a segunda do grupo dominado, via Messi, pela Argentina, encontraram-se para disputar o acesso ao grupo dos oito melhores.

A primeira parte do jogo não confirmou, nem nada que se parecesse, o largo favoritismo atribuído aos franceses. A Nigéria esteve até mais vezes por cima, com mais iniciativa e mais constante no jogo, com a França mais expectante.

Claro que quando a exigência era maior percebia-se a superioridade técnico-táctica da França, mas nada que desequilibrasse o jogo. Nem que lhe permitisse aproveitar as duas oportunidades em que a equipa nigeriana não resistiu àquilo a que tenho chamado vírus africano do disparate…

Na segunda parte o tom manteve-se, mas a superioridade dos africanos acentuou-se, o que não invalidou que a primeira grande oportunidade de golo tenha pertencido aos franceses (Benzema, aos 70 minutos).

Com a entrada no último quarto de hora a França, e com Griezmann no lugar de Giraud – o que faz muito mais sentido, dá mais largura mas também mais equilíbrio à equipa – inverteu o rumo dos acontecimentos e passou a pressionar a defesa da Nigéria, que não resistiu por muito tempo. Em apenas três minutos, um defesa salva em cima da linha, Cabayé atira ao poste e, logo a seguir, num canto que se seguiu a um livre lateral, o golo. De Pogba. Faltavam 10 minutos para o fim e o tal vírus africano tomou conta da Nigéria, que acabaria por agravar o resultado com um auto – golo, já nos descontos.

Provavelmente foi por opção estratégica que a França se deixou subalternizar durante cinco dos seis quartos de hora do jogo. Provavelmente deixou a aposta na pressão alta para o fim porque foi essa a altura que escolheu para atacar o jogo. Isso, e a entrada de Griezmann, terá sido determinante mas, decisivo mesmo, foi ter mantido Matuidi durante os noventa minutos. Porque foi um jogador fundamental, porventura o melhor em campo. Mas que deveria ter sido expulso logo aos 10 minutos da segunda parte, no preciso momento em que, com uma entrada violenta que o árbitro simplesmente amarelou, atirou com Onazi, que estava a ser o seu equivalente na Nigéria, para fora do campo!

A França acabou por ganhar bem. Mas… Há sempre um mas!

O outro jogo do dia foi uma tortura. Verdadeiramente penoso. Não pelo jogo em si, mas por, com o jogo da selecção portuguesa tão presente – faz hoje precisamente quinze dias – vermos como a selecção argelina começou por anular, e até a superiorizar-se, à alemã. Com uma receita simples: linhas muito juntas e agressividade qb. Sem espaço entre linhas onde, contra Portugal, Lahm, Gotze, Ozil, Kroos, Khedira e Muller entraram como quiseram, para fazer o que muito bem lhes apeteceu, a Alemanha errava passes e perdia bolas. Que os argelinos aproveitavam muito bem. Até para criar oportunidades de golo!

Tudo isto com jogadores que jogam na Bulgária, na Croácia, nos escalões inferiores em Inglaterra ou em França. E em Portugal, na Académica. E no Sporting… Faço ideia da vergonha por que passou hoje Paulo Bento. E as suas estrelas, se é que viram o jogo…

Só nos últimos 10 minutos, já com Khedira e com Lahm regressado ao seu lado direito, e aí a fazer a diferença – ele faz a diferença em qualquer lado –, a Alemanha começou a criar verdadeiras ocasiões de golo. Que, do outro lado, Neuer evitava jogando como se de um libero se tratasse. Adivinhava-se então o golo, mas foi o final do jogo a chegar mais depressa. E depois o prolongamento, penoso, mais uma vez, para muitos jogadores…

E logo no início, sem saber muito bem como, Schurle marcou. A Argélia ainda dispôs de uma grande oportunidade para empatar. E marcou mesmo, já nos descontos, só que já depois de, um minuto antes, Ozil ter feito o segundo golo. E cumpriu-se o futebol: no fim ganha a Alemanha!

E lá está um França – Alemanha nos quartos. E não sei, não!

 

Brasil 2014 XX - Emoções fortes

Por Eduardo Louro

 

 

Holanda e Costa Rica formam já o próximo par para os quartos. Fala-se do mundial de futebol, bem entendido…

No terceiro jogo dos oitavos de final a Holanda afastou o México (2-1) num grande jogo de futebol, entre duas equipas que sabem jogar à bola, orientadas por gente que sabe do ofício. Especialmente do lado holandês!

Esta foi uma vitória da selecção holandesa, mas tem o dedo inconfundível do próximo treinador do Manchester United. A Holanda apresentou-se no seu novo formato, no 5-3-2 que fez moda neste mundial, mas foi o México, com idêntica disposição, que mandou no jogo, com o portista Herrera, seguramente merecedor do troféu – se não o houver podia criar-se – para o mais deselegante e inestético jogador do mundial, como motor.

Os mexicanos distribuíam-se bem pelo campo, roubaram todos os espaços aos holandeses, e impuseram a sua dinâmica, assente na tão inegável quanto insuspeita categoria de jogador do Porto. Tirar o espaço a Robben e Van Persie é como tirar-lhes o ar: sem ar não respiram, como qualquer um de nós, sem espaço não jogam. Pronto: jogam pouco, são - foram -peças perdidas lá na frente!

Foi assim durante mais de uma hora, – mesmo que pelo meio, mesmo no fim da primeira parte, o Pedro Proença tenha deixado por assinalar um penalti claríssimo sobre o Robben – o tempo que o México precisou para marcar, logo no arranque da segunda parte (3 minutos), mais o que Van Gaal terá demorado a preparar a mudança. 

Se não havia espaço para Van Persie, o melhor seria tirá-lo. E colocar alguém lá na área mais posicional e fisicamente forte. E mais fresco. Já para Robben, o melhor seria ele procurá-lo. É um jogador fundamental, e então foi para a ala direita procurar - e encontrar - o espaço que noutras zonas sempre lhe faltou. E abrir o jogo pela direita, porque para o abrir do lado contrário entrou o miúdo Depay. À medida que tudo isto ia acontecendo, e já dentro do quarto de hora final, De Kyut saiu da esquerda, desfazendo o cinco, e subiu para a área, para junto de Huntelaar, o tal que entrara para substituir Van Persie.

O resto é a emoção do futebol, com Sneijder a fazer o empate a dois minutos do 90, e Huntelaar, na conversão de um penalti - que o árbitro português assinalou para fazer a vontade a Robben - a consumar a reviravolta a outros dois minutos dos 6 de compensação.

O adversário da Holanda nos quartos de final saiu do confronto entre a Grécia e Costa Rica, duas das surpresas destes oitavos, com os centro-americanos na figura de surpresa maior deste mundial. E pode dizer-se que lhes calhou o pior adversário possível para reforçarem o estatuto!

Porque a Grécia é, como se sabe, um adversário matreiro, que nunca se expõe e que espera pela presa como o melhor dos caçadores. Mas acima de tudo porque eliminá-la não seria sequer surpresa!

O jogo foi fraquinho na primeira parte, se bem que com mais Costa Rica, mas muito intenso depois. Logo no início (7 minutos) da segunda parte a Costa Rica marcou - o árbitro negar-lhe-ia, no minuto seguinte, um penalti que poderia ter dado o 2-0 - mas já contra a chamada corrente do jogo. A Grécia, que já estava por cima, tomou notoriamente conta do jogo a partir do momento em que ficou em superioridade numérica (66 minutos) por expulsão – segundo amarelo – de um jogador centro-americano. Foi já no período de compensação que acabou por chegar ao golo. E ao empate. E ao prolongamento!

Que foi de um enorme sofrimento para os jogadores de ambas as equipas. Mais penoso para os da Costa Rica, mais de uma hora com um jogador a menos... A Grécia foi então ainda mais dona do jogo, mas não marcou. E lá vieram os penaltis!

Ao contrário do que sucedera no desempate entre o Chile e o Brasil foi um festival da arte de bem marcar penaltis. Falhou um, o grego Gekas. Melhor: defendeu, muito bem, o guarda-redes Navas, o homem do jogo (na foto) que, diz-se por aí, está a caminho de Portugal. E Fernando Santos, que foi expulso no intervalo para a marcção dos penaltis, também vem para casa. Mas com o dever cumprido!

Brasil 2014 XVI

Por Eduardo Louro

 

 

Os oitavos de final do mundial estão quase definidos. O penúltimo dia confirmou a França e a Suíça, do tal grupo E, que nem mesmo depois de deixar de ser grupo deixará de ser o tal …

Como é e será sempre o tal, não merece sequer referência a particularidade de se terem apurado as duas selecções europeias, ficando de fora as duas americanas.

A França, mesmo empatando, ganhou o grupo, fugindo assim ao confronto com a Argentina – mas não perde pela demora, é só desenvencilhar-se da Nigéria – e, mesmo com a equipa secundária, continuou a provar que é do melhor que por lá anda, como aqui tem sido reiteradamente dito.

A Suíça qualificou-se também sem qualquer dificuldade, aparecendo Shaquiri – que fez os três golos, segundo hat-trick da prova, depois do de Muller, de má memória – a estrela perdida no Bayern de Munique, tapado que está por Robben e Ribery. Talvez tarde de mais, porque agora vem aí a Argentina…

Que acabou por ganhar todos os jogos do grupo F, sempre pela margem mínima. Desta vez à Nigéria, que ficou com o segundo lugar e com o apuramento, que vitória – única – da Bósnia sobre o Irão lhes garantiu.

A Argentina voltou a não entusiasmar, mas mantém elevado o estatuto. Porque Messi resolve, e já está lá em cima, com quatro golos, a par de Neymar!

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