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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Não havia necessidade...

Por Eduardo Louro

 

O Sporting foi prejudicado pela arbitragem do último jogo, em Setúbal. Mais, bem mais, que uma arbitragem a prejudicar o Sporting, foi uma arbitragem desastrada: basta que, dos quatro golos que o jogo teve, nem um esteve de acordo com as leis. E que tenha sido anulado o único que deveria ter valido.

O Sporting reagiu como costuma reagir, reclamando até o primeiro lugar do campeonato, que não fossem as arbitragens e seria seu. Mas reagiu também para, evidentemente, marcar posição para o jogo do próximo domingo, com o Porto, em que está em causa o segundo lugar, o tal que dá acesso directo à Champions.

E para colocar pressão no árbitro desse jogo que, soubemo-lo ontem, seria Olegário Benquerença. Que não está apenas na fase descendente da sua carreira. Está a terminá-la numa forma que só permite um desejo: que seja depressa, que acabe depressa com este penoso e triste fim de festa.

Por isso, mas também pelo seu histórico nos jogos com o Porto, ninguém entendeu esta decisão de Vítor Pereira. Uma nomeação absurda, destituída de senso, sem pés nem cabeça, que mais não era que mandar mais achas para a fogueira!

De repente, por motivos de indisponibilidade física devidamente comprovada”, o Conselho de Arbitragem liderado por Vítor Pereira, trocou Olegário Benquerença por Pedro Proença. Sou dos que acham que nunca fica mal emendar a mão, mas... não havia necessidade...

PONTO FINAL

O Benfica não ganhou este jogo que pôs ponto final na questão do título, e que permitiu a antecipação dos festejos que neste momento inundam a invicta, mui nobre e sempre leal cidade do Porto, também porque entrou mal e reentrou pior no jogo.

Sublinhei também porque, infelizmente, voltou a suceder o costume. Se foi assim até aqui, assim teria de ser até ao fim…

A nota curiosa deste jogo residiu no regresso de Olegário Benquerença à arbitragem dos jogos do Benfica, vinte meses, quase dois anos depois. Igual a ele próprio, como costuma dizer-se!

De mão leve, puxando de amarelos a torto e a direito, mas assinalando um penalti a favor do Benfica. Inédito, creio!

Mas, porque a tradição ainda é o que era, mais dois – claríssimos e cometidos mesmo à sua frente – deixaria por assinalar. A não ter sido assim o Porto festejaria o título que o Benfica lhe ofereceu no relvado do Dragão ou no da vizinha Vila do Conde, ainda antes de o festejar na Avenida dos Aliados.

Mas nem o facto de considerar que este Porto os não terá merecido, me impede de deixar de aqui os meus parabéns aos portistas. Em primeiro lugar, e em especial, aos meus colegas dragões do Dia de Clássico e ao meu amigo Nuno, o Portomaravilha. E ao Paulo, Mr Cosmos...

Parabéns a todos vós!

Futebolês #42 Falso ponta de lança

Por Eduardo Louro

   

 

O futebolês é uma linguagem com virtudes inimagináveis. Entre elas uma capacidade extraordinária de adaptação aos mais rebuscados conceitos e uma enorme facilidade de transmitir as mais subliminares mensagens. O falso ponta de lança tem um pouco de tudo isso!

Há o ponta de lançao matador –, que já por aqui passou, mas também o falso ponta de lança. Que, ao contrário do falso médico (ou de qualquer outro falsificador), não anda por aí a armar-se no que não é. O falso ponta de lança não é aquele tipo que chega ao aeroporto todos os Verões (e todos os Janeiros, também Verão lá na terra deles) a proclamar aos setes ventos que faz muitos golos, que remata bem com os dois pés e que é muito bom de cabeça mas que, depois … nada. Nem um só desses atributos! Esse, embora pudesse parecer, não é o falso ponta de lança. Esse é o barrete!

O falso ponta de lança não é um impostor. Fazem dele um impostor, não o é ele próprio. É o treinador que cria esse embuste!

Ou porque não tem mesmo um ponta de lança na equipa – às vezes só tem um ou outro desses barretes – e, já diz o povo, quem não tem cão caça com gato; ou porque, mesmo tendo-o, não o utiliza porque tem medinho do adversário. Não é capaz de o enfrentar cara a cara. De disputar o jogo pelo jogo, olhos nos olhos com o adversário. Arma a equipa em bases ultra defensivas e, não lhe sobrando ninguém para servir o ponta de lança – ou assistir, como vimos na assistência –, opta por destinar as tarefas atacantes a um só jogador, normalmente franzino e rápido e de boa relação com a bola.

Aí está o falso ponta de lança!

Que nem sequer é bem uma falsidade. Comparada com as falsidades que por aí andam…

São as falsas partidas do Benfica e da selecção, a colocarem em sérios riscos os respectivos objectivos logo de início. São as falsas soluções e até mesmo os verdadeiros problemas confundidos com falsas questões!

Na selecção, como de resto se esperaria, tudo se resolveu com o despedimento de Queiroz. É falso que Madaíl tivesse algo a ver com o problema, ou mesmo que não seja ele o próprio problema. Basta olhar para a desorientação e o desespero verdadeiramente humilhante da tão disparatada quanto ridícula ideia de ir suplicar a José Mourinho (e ao Real Madrid) que venha treinar a selecção nos dois próximos jogos. Nunca visto!

No Benfica as coisas estão a correr como a partir de certa altura (o tema tem aqui sido abordado desde a 36ª edição) era previsível que corressem.

É visível que não há só falsos pontas de lança. Também há falsos resultados, falseados por arbitragens que, muitas vezes, custam a perceber como meramente infelizes. Objectivamente o Benfica vem sendo duplamente prejudicado: penalizado por decisões erradas nos seus próprios jogos e por decisões erradas que têm beneficiado os seus adversários directos. E os órgãos sociais do Benfica reagiram. Com razão. Mas mal, a meu ver! Mal porque dispararam em todas as direcções, e muito mal quando apelam à desmobilização da sua massa associativa – a sua maior força. Uma força capaz de levar a equipa ao colo – joga praticamente em casa em 27 ou 28 dos 30 jogos do campeonato – como ainda há pouco se via. Apelar aos adeptos para não comparecerem nos campos dos adversários é deitar fora uma das principais vantagens comparativas. Mas é também um espinho na relação de boa vizinhança com a grande maioria dos concorrentes: os pequenos clubes que vêm na visita do Benfica o seu euromilhões!

Não é assim que se mobilizam as tropas!

Ah! E Olegário Benquerença?

Bom, não está em causa a sua seriedade, para mim absolutamente intocável. Mas começa a ser demasiado evidente que não é feliz nos jogos com o Benfica. E como faz infelizes todos os benfiquistas (menos um, que eu conheço e ele também)!

Tudo começou aqui há uns anos, na Luz, com aquele remate do Petit que o Vítor Baía defendeu para além de uma linha que, mais que uma linha de golo, é uma linha que separa benfiquistas e anti benfiquistas. A partir daí é uma história de jogos complicados que, à luz dos dois últimos – o do Dragão do final da época passada e agora este de Guimarães – o melhor mesmo é pôr-lhe ponto final. E que a recente homenagem da A. F. Porto (já quase ninguém se lembrava da sua histórica e tumultuosa relação com a arbitragem) em nada ajudou. É que não é a mesma coisa da homenagem da A.F. Leiria, em que com muito gosto (a convite do tal benfiquista único  que acima referi) participei, na véspera da partida para a África do Sul!

E domingo há derbi. Que parece estar já a aquecer, depois de uma longa semana europeia em que apenas o Braga deu passo em falso!

Mundial da África do Sul #10: O último adeus...

Por Eduardo Louro

 

 

Tranquilizem-se. Não morreu ninguém!

Fechada a janela dos quartos de final é tempo das últimas despedidas antes do fim de festa. Estas são as despedias em lágrimas: iniciaram-se com o fim da fase de grupos, quando, surpreendentemente, se despediu gente grande como a Itália e a França, esta com uma despedida à francesa – envergonhada, não se sabe se por ter aparecido sem ter sido convidada (ou mal convidada), se pelas tristes figuras que fez; continuaram nos oitavos de final, primeira ronda eliminatória, quando se despediriam alguns convidados VIP, como a Inglaterra e Portugal (até aqui a velha aliança continua viva) e terminaram nos quartos (de final, bem entendido) com a despedida de dois convidados de honra – Brasil e Argentina.

Para o fim de festa ficaram Alemanha, Espanha, Holanda e Uruguai – esta sempre bem protegida pela sorte do sorteio e por outras sortes – que irão disputar os sete jogos correspondentes a todas as rondas da festa. E 10 árbitros!

É aqui que surge o último adeus português: Olegário Benquerença! Fez três jogos – um recorde nacional, nunca um árbitro português tinha arbitrado tantos jogos num campeonato do mundo – e aguentou-se por lá bem mais tempo que a selecção nacional. Chegara primeiro e já entrara em jogo também primeiro, como aqui dera nota. Mas não esteve lá apenas mais tempo: esteve mais tempo e bem melhor que os nossos rapazes, a ponto de não merecer ter regressado a casa antes do cair do pano.

Para esta despedida só há uma explicação, que encontro precisamente na história da histórica participação de Olegário Benquerença: é que acabaram-se os jogos com equipas africanas!

É isso! O nosso conterrâneo estava, no primeiro mundial africano, destinado a arbitrar apenas equipas africanas, de quem muito se esperava. Mas acabaram-se nos quartos de final, e pronto. Já lá não estava a fazer nada…

Num campeonato do mundo marcado por más prestações da arbitragem, com erros para todos os gostos, e alguns do mais grosseiro que se pode ver (e nem de todos a FIFA pediu desculpas!), ao ponto de, finalmente, os órgãos máximos do futebol passarem a considerar a hipótese de recurso à tecnologia, as três prestações de Olegário Benquerença foram merecedoras de nota bem alta. Nos dois primeiros jogos, Japão – Camarões (1-0) e Nigéria – Coreia do Sul (2-2), daqueles que se dizem fáceis de arbitrar, teve o imenso mérito de não complicar. O terceiro e último – o mais dramático dos jogos do campeonato – foi diferente, um jogo que teve de tudo: perto de 50 faltas, prolongamento, um penalti na última jogada, esgotado o 120º minuto, e desempate por penaltis. Um jogo de elevado grau de dificuldade, intenso e sem erros, com apenas duas circunstâncias de dúvida – uma em cada área. Ambas de difícil avaliação em que se decidiu (eventualmente) pelo mais fácil: nada assinalar!

Perante um desempenho destes não há dúvida que o Olegário apenas não ficou para arbitrar (pelo menos) um dos jogos das meias-finais porque não está lá nenhuma selecção africana. Mas podiam ter avisado que era isso que estava no chip!

Mundial da África do Sul #1: A estreia

Esperei pela primeira intervenção portuguesa no Mundial da África do Sul para trazer aqui ao Quinta Emenda uma primeira espreitadela sobre o acontecimento que está a dominar a atenção mundial e, se não a fazer esquecer a crise, a passá-la para segundo plano.

Ao contrário do que alguns possam estar a pensar Portugal estreou-se hoje. Quando amanhã a selecção nacional se estrear em Port Elizabeth – um porto inventado logo ao virar da esquina do Cabo das Tormentas, já da Boa Esperança, por Bartolomeu Dias, o Navegador, não um daqueles navegadores que amanhã carregarão com o peso de toda uma nação que continua, como sempre, à espera que sejam onze rapazes a correr atrás de uma bola a expiar-lhe os pecados e a alimentar-lhe a ilusão – já o fará depois de outra equipa portuguesa: a equipa de arbitragem de Olegário Benquerença.

A prova já vai no seu quarto dia, o que já dá para algumas notas.

A primeira para provar como o destino é muitas das vezes cruel. Um acidente roubaria a vida à bisneta de Nelson Mandela, roubando-lhe, assim e também, a oportunidade de, apesar do seu estado de saúde, presidir à inauguração oficial do Campeonato do Mundo de Futebol, a prova máxima do futebol mundial que ele, de forma decisiva, ajudara a trazer pela primeira vez para a sua África e para a sua África do Sul. E roubando ao futebol a oportunidade de ser abençoado por um dos maiores vultos da humanidade do século XX!

A segunda nota vai, como não podia deixar de ser, para as vuvuzelas. Essa praga que se assemelha a um enorme enxame em incansável, laboriosa e frenética actividade. Um ruído insuportável que a tudo se sobrepõe, alterando por completo o habitat dos estádios de futebol: não há mais cânticos, palmas ou bruás! Todos os dias se diz que a FIFA irá proibir a sua utilização mas a verdade é que, dia após dia, ali está aquele ruído monocórdico, entediante … e que faz sono!

Como os jogos, e entraria na terceira nota, não têm sido nada de por aí além, também eles suficientemente entediantes – o que leva a questionar a forma como se disputam as fases iniciais deste tipo de provas (a “poule” torna os jogos demasiado fechados, onde o medo de perder se sobrepõe à vontade de ganhar, dando em espectáculos de qualidade nada condizente com a grandeza da competição) – aquilo dá mesmo sono.

O que é mau porque, adormecendo-se, perdem-se o que têm sido as excelentes realizações televisivas – a quarta nota. As transmissões televisivas têm sido realmente de grande qualidade e, essas sim, de grande espectáculo, mesmo quando o espectáculo não ajuda…

A quinta e última nota vai para as selecções africanas. O factor continentalidade não tem funcionado e os seus resultados não têm sido famosos, quando apenas falta entrar uma em acção: precisamente a Costa do Marfim, que amanhã defronta Portugal. Esperemos que se confirme a tendência e que se mantenha solteira a vitória do Gana, a quem já ouvi chamar a Itália africana.

Mas voltemos à estreia portuguesa (e leiriense) para assinalar o excelente desempenho da equipa de Olegário Benquerença no Camarões 0 – Japão 1. O jogo, talvez o que melhor ilustre todas as anteriores notas – espectáculo fraco e sub rendimento da equipa africana, recheada de estrelas – não foi complicado e Olegário teve o enorme mérito de não o complicar ele próprio. Belo desempenho a abrir boas perspectivas para o resto da prova: mais duas ou três nomeações, de preferência para jogos de grande impacto…

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