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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

FUTEBOLÊS#120 PÉ ALTO

Por Eduardo Louro

 

Toda a gente sabe o que é um pé grande. Ou pequeno. Ou elegante, como o da Cinderela. Mas, pé alto, só no futebolês!

O que é então um pé alto?

Não! Não é um pé enfiado nestes sapatos de senhora que se usam agora. Tão altos que temos dificuldade em perceber como é que aquilo não se desmancha tudo e vem cá parar abaixo com, pelo menos, uns entorses dos valentes. Nem sequer é o pé do Sarckosy, apostado em trepar os oito centímetros que separam o seu mísero metro e sessenta e oito do imponente metro e setenta e seis da Carla Bruni. Nem o pé alto do copo do vinho, da taça de champanhe ou do candeeiro. 

Pé alto é tão simplesmente quando os jogadores disputam a bola, nas alturas, com os pés. Os inventores do futebol acharam que, sendo jogado com os pés, também podia ser jogado com a cabeça. Mas que, cada macaco no seu galho: à cabeça o que é da cabeça; aos pés o que é dos pés! Nas alturas a bola disputa-se com o peito e com a cabeça. No chão com os pés. Fora disto nada mais é permitido!

Atenção que falamos de disputa da bola, não de jogar a bola. Quando se trata de apenas jogar a bola, sem ter de a disputar directamente com ninguém, cada um joga-a como quer. Melhor, como pode! Se a tanto ajudar o engenho e a arte, pode fazer-se um remate a um metro e oitenta do solo com os pés, num espectacular pontapé de bicicleta, como com a cabeça a um palmo da relva num voo picado arrepiante.

O pé alto é pois uma infracção às leis do jogo penalizada, nos termos das mesmas, com livre indirecto. Sem a chamada punição disciplinar, que já tem lugar se o pé, para além de alto, também for em riste. O pé em riste é um pé alto mas em atrevido, direitinho às pernas – e às vezes mais do que isso – do adversário.

O problema deste pé alto é que, frequentemente, são dois. Na maioria das vezes, quando um jogador levanta o pé para disputar a bola, o adversário faz exactamente o mesmo.

Quem é que o árbitro deve punir? O que o faz em primeiro lugar... Quem é que pune? O jogador do nosso clube, invariavelmente!

Ainda na última jornada do campeonato vimos isso. Isso e muito mais!

O Aimar e um adversário (do Olhanense) disputam uma bola no ar com os pés. Pé alto, de ambos, e livre indirecto. Contra o Benfica, naturalmente, porque quem levantou o pé em primeiro lugar foi o jogador do Olhanense, que não é o meu clube. O meu é o Benfica, via-se logo quem teria de ser o penalizado com o livre indirecto…

O pior foi quando, sem pé em riste nenhum e sem obviamente ter sido o primeiro a levantar o pé ao alto, aparece na mão do árbitro não o cartão amarelo do pé em riste mas o vermelho de uma agressão. De uma das mais estranhas agressões que terão acontecido no futebol. Logo à partida um jogador como Pablo Aimar a agredir um adversário é coisa estranha, de verdadeira ficção. Não cabe na cabeça de ninguém!

Bom, não é bem assim, até porque esta estranha agressão, que teve a particularidade de não ter sido sentida pelo suposto agredido – que se confessou surpreendido com a decisão do árbitro (“foi o que o árbitro entendeu” – foram as suas palavras) –, apenas foi vista por portistas e sportinguistas (e braguistas, que também os há e reclamam voz). Para os sportinguistas - que nestas coisas não gostam de deixar os seus créditos por mãos alheias - foi mesmo uma agressão brutal, que bem poderia ter incapacitado para sempre o jogador do olhanense, pondo mesmo em risco uma das suas principais funções do homem… Que dizer do que a fotografia abaixo documenta, exactamente no mesmo jogo, e que passou em claro? Ao árbitro, aos sportinguistas, às televisões, a toda a gente ...

Quem também não fez a coisa por menos foi a comissão disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que decidiu punir Aimar com dois jogos de suspensão. E que jogos: Braga e Sporting! Quando, em todas as expulsões ocorridas por cartão vermelho directo durante os cerca de 200 jogos do campeonato, a sanção se ficou sempre pelo único jogo de suspensão.

Quer dizer, os senhores que compõem este órgão disciplinar da FPF, não acham apenas que se tratou de uma agressão. Acham que foi a mais violenta agressão que aconteceu em Portugal durante toda esta época!

No que pode dar um simples pé alto ...

 

FUTEBOLÊS#111 LEVANTAR O PÉ

Por Eduardo Louro

 

Sendo o futebol jogado com os pés é natural que esta parte dos membros inferiores seja frequentemente chamada à conversa. À conversa em linguagem própria, em futebolês evidentemente!

Fiquemos hoje pelo levantar o pé. Levantar o pé na disputa da bola pode não querer dizer que se levante o pé. Pelo contrário, é normalmente sinal de que se não levanta o pé!

Confuso? Sim, mas exactamente como o futebol, o futebolês é isso mesmo!

Levantar o pé - quando acima de determinada altura, o chamado pé alto, que é punido pelas leis do jogo - é um gesto normalmente tido como sinal de entrega ao jogo e de empenhamento máximo na disputa de cada bola. Significa disputar cada bola como se fosse a última!

Ora isto é precisamente o inverso de levantar o pé. De tirar o pé do acelerador, a imagem automobilística de que o futebolês se apropriou!

Levantar o pé é, neste sentido, sinal de baixar a guarda. De descompressão competitiva! Ora, quem levanta o pé sem receio e apenas porque é lá que está a bola e é lá que tem de ser disputada, não está a negligenciar nem a regatear esforços. Isto é, não levanta o pé!

A tendência para a descompressão é uma inevitabilidade da própria condição humana. Em competição, seja num jogo de futebol ou noutro confronto qualquer, exigem-se níveis de concentração competitiva capazes de superar aquela tendência natural e é a gestão dessa concentração competitiva que faz a diferença. É decisiva!

É por isso que há jogos que mudam por completo quando o resultado começa a atingir determinado desnivelamento. O avolumar do resultado permite tirar o pé do acelerador – levantar o pé - e, daí até à perda completa da concentração competitiva, é um passo muito curto. Daí que, levantar o pé, só mesmo quando o adversário está sob controlo absoluto.

O Benfica, por exemplo, não está a dar hipóteses. Não levanta o pé!

Joga mais e melhor que todos os adversários e por isso já leva um avanço que começa a ser apreciável. Tanto que começa a perturbar os rivais, em especial o principal rival dos últimos anos, levando o seu treinador - exorbitando mais as suas capacidades que propriamente as suas funções, para as quais, de resto, também não revela especiais aptidões – a confundir o conforto da competência com o do colo. São coisas diferentes, Sr Vítor Pereira!

As coisas complicaram-se um bocado no último fim-de-semana. Tudo fora feito, como aqui se deu conta na última semana, para que o Benfica fosse jogar naquela caixa de fósforos que é o campo do Feirense: sem espaço (menos 4 metros de comprimento e menos 3 de largura, o que levou um comentador da RTP a dizer, sem se rir nem corar de vergonha, que não podia haver razão de queixa das dimensões do campo que teria apenas menos 12 metros quadrados) e sem adeptos benfiquistas. Não resultou: o Benfica ganhou enquanto o Porto perdia, sem apelo nem agravo, com o Gil Vicente. Como não resultou, o Benfica ganhou porque o árbitro ajudou, anulando uma jogada por fora de jogo inexistente que, já depois de interrompida pelo árbitro, daria em golo. Não contava que o árbitro assistente não tivesse assinalado um fora de jogo mas sim um pé alto do jogador do Feirense. Ou que o mesmo árbitro tivesse deixado por assinalar dois penaltis as favor do Benfica. Ou que o Benfica tivesse jogado muito mais, e criado inúmeras ocasiões de golo sucessivamente anuladas pela fantástica exibição do guarda-redes adversário!

Consta por aí que, com o vencimento do regressado Lucho (a custo zero? Seria interessante saber quantas prestações o Marselha ainda teria por pagar...), o João Moutinho e mais uns quantos irão passar a levantar o pé um pouco mais. Acredito que sejam as habituais más línguas...

Quem agora não quer levantar o pé é o Sporting. Não tanto os jogadores dentro do campo, que esses ainda andam à procura do pedal do acelerador, mas o seu presidente. À procura de investidores internacionais! De alguém que pague as contas…

Olharam para Inglaterra e miraram-se em Londres - lá para os lados de Stamford Bridge – e em Manchester, no City of Manchester. Aqui mais perto, para os lados da Costa del Sol, a imagem também já não era má: também se via por ali um árabe cheio de massa que ficara com o Málaga. E acham que o futebol em Portugal é tão atractivo para gente dessa como em Inglaterra ou em Espanha. Por acaso as duas principais ligas do mundo!

Mas, se calhar, também já ouviram falar em lavagem de dinheiro! Não havia, nas últimas eleições, um candidato que tinha uns russos em carteira? Vá lá: pé no fundo, rapazes!

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