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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Irrelevância(s)

Ursula von der Leyen e Josep Borrell reúnem-se amanhã com Zelensky

A União Europeia, o antigo "gigante económico e anão político", vem encolhendo a passos largos na última década. De "gigante económico", passou a um ser da estatura média. E, de anão político, passou a microscópico.  E a velha, poderosa e grande Europa passou a irrelevante no actual xadrez mundial, como se viu na Ucrânia, e se vê no Médio Oriente.

Tão irrelevante que não dá sequer para se lhe ver o ridículo do paradoxo que são as posições políticas das suas duas mais importantes lideranças - a Presidente da Comissão Europeia, Von der Leyen, e o Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, a que antes se chamava Sr PESC, Josep Borrel - relativamente ao que está a acontecer em Israel e na Palestina.

A Srª Van der Leyen apressou-se a correr para Israel, sem nada que se visse que não a subserviência em forma de espiral irrelevância. O Sr Josep Borrel lembra que a Europa defende há 30 anos a solução de dois Estados, e que o “conflito obriga-nos a comprometermo-nos politicamente com a solução, para a tornar real”. Que a UE  passou 30 anos “a dizer que esta é a solução, mas a fazer muito pouco ou nada” para a alcançar. E que os territórios ocupados por Israel “estão, de acordo com o direito internacional, tão ocupados como os territórios ucranianos invadidos pela Rússia”. Que o território ocupado por Israel “se multiplicou por quatro” enquanto o palestiniano “tem vindo a encolher e a dividir-se em áreas desconexas”.

A irrelevância é tanta que ainda ninguém se irritou com o irrelevante responsável pela política externa europeia. Depois de, por muito menos, Cosgrave ter sido atirado pela janela e afundado a Web Summit. E de Guterres ter sido enterrado vivo nos destroços da ONU.   

 

Está visto: há coisas que não se podem dizer ...

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres

Paddy Cosgrave ("war crimes are war crimes even when committed by allies,”) já foi ... 

Guterres (é "importante reconhecer" que os ataques do grupo islamita Hamas "não aconteceram do nada"; e "o povo palestiniano foi sujeito a 56 anos de ocupação sufocante"que se cuide... Nem sei com o que mais se deve preocupar: se com a exigência de demissão do embaixador de Israel nas Nações Unidas; se com a sobranceira pergunta (“em que mundo vive"?) do seu MNE.

"A primeira vítima da guerra é a verdade"

Crime de guerra.″ Ataque a hospital em Gaza terá feito pelo menos 500 mortos

O ataque de ontem ao Hospital Batista Al-Ahli, em Gaza, roubando de imediato a vida a cerca de quinhentas pessoas, é a perversão da guerra. É ultrapassar os limites da estupidez, da brutalidade e a hipocrisia na guerra.

Não é novidade que nas maiores monstruosidades da(s) guerra(s) as partes se acusem reciprocamente, como o fazem o governo de Netanyahu e os terroristas do Hamas. É assim há muito tempo, e é assim em todas as guerras. Vem nos manuais.

O que talvez seja novidade é a forma como a água e o azeite se misturam desta vez. Sabe-se que a verdade se comportará sempre como o azeite. Por mais que agitem a mistura, como parece que Biden ajudou hoje de fazer na sua visita a Israel.

Ésquilo, há milhares de anos, na antiga Grécia, também deu uma ajuda ao declarar  a verdade como a primeira vítima da guerra. 

 

 

 

 

Israel: legitimidade na democracia?

Apoio árabe à causa palestina cresce após ataque do Hamas contra Israel -  10.10.2023, Sputnik Brasil

O conflito Israel-Palestina entrou decisivamente na sua fase mais brutal e constitui, hoje, apesar da guerra na Ucrânia - entretanto já em segundo plano -, a maior ameaça para o Mundo.

Sobre o ataque terrorista do Hamas desencadeado há uma semana - completa-se precisamente amanhã - já aqui escrevi, condenando-o sem reservas. Mas relevando também a responsabilidade israelita, e particularmente a do tenebroso Netanyahu na formação do Hamas e do Hezbollah, com o objectivo central de aniquilar toda e qualquer contra-parte de diálogo (acabando com a laica e moderada OLP) e para um conflito que é um somatório de 78 anos de guerras, massacres e atentados ao Direito Internacional.

Todas as guerras tem as suas narrativas, e a sua História é sempre escrita pelos vencedores. Integra a narrativa actual que Israel é a única democracia daquela região, e o único regime em que é possível viver à luz dos valores civilizacionais de um mundo decente, como se isso bastasse para legitimar uma História de 78 anos de atropelos a grande parte desses valores.

Foi por deliberação da ONU que, em 1948, foi criado o Estado de Israel, ocupando praticamente 80% do território da Palestina, até aí ocupado praticamente apenas por palestinianos. 78 anos depois, contrariando todas as deliberações da Organização que o criou, todas as resoluções do Conselho de Segurança, o Estado de Israel ocupa 90% desse mesmo território, depois de ocupar com colonos ilegais a Cisjordânia, e reduzir a população palestiniana a 21%, fechada e cercada por um muro na faixa de Gaza, a que agora acaba de de cortar a água, a alimentação, a electricidade e a energia a mais de 2 milhões de civis. E ocupou totalmente Jerusalém, de que fez capital. 

Onde está a legitimidade?

E a democracia? 

É certo que que há eleições, tantas vezes quantas as necessárias para manter Netanyahu no poder, apesar de tão cercado de crimes e corrupção, como cercados estão os palestinianos na prisão de Gaza. É certo que é permitida (até quando?) voz aos poucos israelitas que se opõem aos crimes do Estado. É certo que Michael Sfard ainda não está preso. Mas não é menos certo que o aumento sucessivo da influência dos ortodoxos, e a liderança política de Netanyahu, hoje pouco distingue o fanatismo religioso do poder israelita do dos radicais islâmicos.

Como pouco distingue a "democracia" de Netanyahu e a do seu aliado Putin!

 

Não querer saber (da) História

Entenda a guerra em Israel, que começou com o maior ataque do Hamas e tem  contraofensiva intensa na Faixa de Gaza

O dia 7 de Outubro de 2023 constituir-se-á certamente como uma data Histórica. Na História "já escrita" do século XXI só terá paralelo no 11 de Setembro, de 2001.

ataque do Hamas a Israel, numa das datas mais importantes para Israel - dia do 50º aniversário da guerra do Yom Kippur, dia do Shabbat e do feriado religioso mais importante do país - o maior, e mais mortal, de sempre por parte dos palestinianos, surpreendeu o mundo. Mas na realidade não tem muito de surpreendente.

Bem mais surpreendente que o ataque - "um ataque terrorista comandado e planeado como uma operação militar", como bem o descreve a Clara Ferreira Alves, no Expresso - é que os hiper-qualificados e insuperáveis serviços secretos israelitas tenham sido apanhados de surpresa. Isso, sim, é verdadeiramente surpreendente. E, já agora, isso sim, é que pode verdadeiramente correr mal a Netanyahu.

Tudo o resto, incluindo a dimensão da brutalidade terrorista que vimos nas imagens que correm mundo - e, também já agora, que não devem ser muito diferentes das que não vimos no passado, nem veremos, da parte de Israel - era, não só previsível, como o desfecho lógico do que Netanyahu vem fazendo há muitos anos.

O Hamas é uma criação de Netanyahu. É o "monstro" - como diz o Daniel Oliveira - que criou para acabar com as forças palestinianas moderadas e empenhadas durante décadas na negociação da paz e da convivência entre israelitas e palestinianos. Para minar por dentro a nação palestina, e acabar de vez com a sua aspiração ao legítimo direito a ter um Estado.

Primeiro, Netanyahu criou o Hamas. Depois avançou pelo território palestino dentro, até confinar mais de dois  milhões de pessoas numa pequena e isolada faixa de com pouco mais de 300 quilómetros quadrados, fechada a arame farpado e electrificado, entregue aos terroristas do Hamas e do Hezbollah  que formou e financiou a partir do Líbano.

Não é a primeira vez que acontece na História. Nem será a última. O "monstro" talibã instalado no Afeganistão é apenas um dos últimos exemplos... 

Mas o mundo está entregue a quem não quer saber nada de História!

 

"Acordo do século"

Diário de Notícias

 

Para Trump tudo serve para desviar a atenção do julgamento do impeachement em curso no Senado, onde, ao contrário de todas as expectativas, as coisas não estão a correr nada bem. Os "republicanos" dispunham de maioria para tudo, inclusivamente para impedir novos e decisivos testemunhos, como o de John Bolton... Só que já há alguns senadores republicanos a achar que ele tem coisas importantes para dizer...

Agora tirou da cartola, e chamou "acordo do século", a um programa sem pés nem cabeça para a paz entre Israel e a Palestina, de uma incompetência em toda a linha. Defende a criação do Estado palestiniano, mas sem mexer nos territórios ocupados... E propõe a capital da Palestina para Jerusalém leste - onde "os Estados Unidos da América abrirão orgulhosamente a sua embaixada" - ao mesmo tempo que reafirma uma Jerusalém una e indivisível. Para onde Trump transferiu a embaixada há dois ou três meses...

Selo de sangue

Resultado de imagem para embaixada americana jerusalém

 

Enquanto os clãs Trump e Netanyhau, de costas voltadas para todo o mundo, celebravam o selo americano que carimba Jerusalém como "capital una e indivisível do Estado de Israel", ali ao lado, à frente do mundo todo, o exército israelita  respondia com snipers e bombas às fisgas e às pedras dos palestianos em protesto, matando e ferindo a eito. Perto de 60 mortos e mais de 1200 feridos!

Ao contrário da cena bíblica, aqui o Golias ganha sempre. Ao David só resta a agonia e o sofrimento...

Portou-se bem a diplomacia europeia. E a portuguesa. Já o mesmo se não pode exactamente dizer da comunicação social, onde se ouviram coisas inacreditáveis. Na TVI 24, no jornal da meia-noite, uma peça referia-se mesmo a "confrontos" entre "terorristas palestinianos" e o exército israelita...

 

 

Faixa do horror

 

Foi divulgado e está a correr mundo um vídeo que mostra um militar israelita  a matar, a frio, um jovem palestiniano desarmado, com um tiro na cabeça, em imagens de exaltação de desumanidade, de corrupção humana e de impunidade. A impunidade do Estado Israelita num massacre com a conivência da comunidade internacional! 

Mas quando as imagens e as evidências não são suficientemente chocantes, há sempre um governante israelita capaz de fazer ainda mais pela indignação das nossas consciências. Como foi agora o caso do ministro da Defesa, Avigdor Lieberman que, depois de ter visto as imagens, declarou que o soldado que deu o tiro deveria ser condecorado. E, o que divulgou as imagens, despromovido!  

 

 

 

COMO PILATOS, OU TALVEZ NÃO

Por Eduardo Louro 

 

Ontem, numa prisão do estado americano da Georgia, foi executado o cidadão norte-americano Troy Davis que, durante os mais de vinte anos que passou no corredor da morte, jurou a sua inocência na morte de um polícia à paisana, em 1989, de que era acusado. Sucederam-se os recursos, os apelos e as petições, e as provas irrefutáveis nunca apareceram – arma do crime, que nunca foi encontrada, impressões digitais, etc. –; mas a sentença permaneceu, implacável, até à sua execução. Ontem!

É chocante. Porque a pena de morte choca e porque choca ainda mais numa sociedade como a americana, esse farol da liberdade e da democracia apontado ao mundo e paradigma de civilização e do desenvolvimento. Mas também pela frieza de uma pena de morte aplicada numa condenação sem objectivas e irrefutáveis provas de culpa.

Várias foram as personalidades que pediram clemência e reclamaram o indulto desta pena: actores e actrizes de HollWood, o ex-presidente Jimmy Carter e até o papa Bento XVI. O presidente Obama, chamado a intervir, fez como Pilatos. Que não tinham nada a ver com aquilo, que era assunto do Estado da Georgia e não da competência do seu poder federal!

Não sei quantas pessoas terão sido executadas durante o mandato de Obama, mas sei que a esperança que o mundo depositou em Obama não encaixa nesta indiferença. Sei que o Obama que lava as mãos desta maneira nãos a pode voltar a mostrar ao mundo. Porque estão sujas!

Hoje, na assembleia-geral da ONU, a Palestina pede o reconhecimento do seu Estado como o 194º membro da Organização. É minha convicção que, no actual momento histórico e sem me deter em argumentações que seriam fáceis de encontrar, porque esse não é agora o objectivo,  seria fácil votar este pedido de adesão, um dos maiores, se não os maior, contributos para a solução do eterno problema do médio oriente que, como todos já percebemos, há muito que deixou de se limitar àquela zona do globo.

Mas os EUA não o permitem e Obama veio explicar que é preciso negociar primeiro. Não diz é o que é há a negociar quando, como todos sabemos, o que está em causa são os colonatos que Israel instalou e que continua a instalar. E que, enquanto contar, como conta, com a protecção americana, continuará a expandir sem nada negociar.

Quando Obama anuncia o veto e diz que preciso, primeiro, negociar, está a lavar as mãos, exactamente como fez perante a execução de Troy Davis! E, como aí, a trair a esperança dos que vibraram com a sua vitória eleitoral há apenas três anos!

Há três anos o mundo elegeu Obama. Pode ser que daqui por pouco mais de um ano os americanos o reelejam!

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