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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tema da semana*

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De repente, instalou-se no país a febre do Panteão Nacional, como altar emérito de reconhecimento. Ou, se calhar, como palco maior da parolice nacional.

Bem nos lembramos como passou há poucas semanas pelo centrão político do país, com Mário Soares, Sá Carneiro e um Parlamento em choque frontal com a lei, que tinha aprovada há menos de um ano… Coisas da política, coisas do centrão ...

Parece que a febre se espalhou, e esta semana fomos surpreendidos com o propósito da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) de para lá transferir Zeca Afonso, achando que “é este o tributo e é esta homenagem que Portugal deve a quem como mais ninguém o soube cantar em nome dos valores da liberdade, da democracia, da cultura e da cidadania”.

Evidentemente que Zeca Afonso é “panteonável” (perdoem-me o abuso linguístico). No mínimo, tanto quanto muitos dos que lá estão. A surpresa vem da certeza que temos todos os que conhecemos Zeca Afonso que ele nunca aceitaria uma coisa dessas. Quem o conheceu sabe que ele recusou todas as condecorações que lhe quiseram atribuir, e sabe que a sua autenticidade é incomportável com esse estatuto. Naturalmente, a viúva, Zélia Afonso, manifestou a sua (e confirmou a nossa) surpresa - “Não sabemos por que razão nem qual o conceito subjacente” – referiu, ao mesmo tempo que deixava claro qua a família rejeitava liminarmente tal proposta, recordando que o Zeca estava sepultado em Setúbal, em campa rasa, exactamente como fora seu desejo.

Recorde-se que em 1994, o então Presidente da República, Mário Soares, tentou condecorar postumamente José Afonso com a Ordem da Liberdade, o que Zélia Afonso recusou, alegando que se o músico não aceitou a condecoração em vida, não poderia ela aceitá-la após a sua morte.

Nada de estranho, portanto.

O que se estranha é que a SPA não conheça Zeca Afonso. O que se estranha – ou talvez não – é que a SPA não passe de um agente burocrático indiferente à dimensão humana dos autores que lhe compete defender.

O que não se estranha é a enxurrada de disparates que logo tomaram conta das redes sociais, a provar que já não passam de sítios mal frequentados onde se destila ódio e ignorância.     

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM 

Brincadeiras*

 

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A indignação voltou a tomar conta do país, seguindo aquilo a que já poderíamos chamar os trâmites do costume. Tudo começou nas redes sociais, afinal o local onde hoje tudo começa, para depois passar para os mais altos representantes do poder: o Presidente da República e o primeiro-ministro.

Nestes trâmites costuma ser mesmo essa a ordem: primeiro chega sempre o presidente, e depois lá vem o primeiro-ministro.

Desta vez – e estou a referir-me, como não podia deixar de ser, ao celebérrimo repasto no Panteão Nacional de Santa Engrácia – António Costa, farto de ser segundo, de chegar sempre atrás de Marcelo, deu à perna e chegou primeiro. Desconfio que o presidente estaria ainda entretido a arranjar madrinha para os portugueses. Não fosse isso, e teria conseguido, também desta vez, chegar à frente.

Marcelo consegue ler 40 livros ao mesmo tempo, ver 10 filmes e ler 10 livros numa noite e ainda dormir três horas, mas não consegue – ainda, talvez lá chegue dentro de pouco tempo – arranjar madrinha e indignar-se ao mesmo tempo.

Pode parecer uma brincadeira, mas é um retrato do país. E um país que é uma brincadeira, só pode ter um retrato destes.

A indignação foi tal que ninguém se indignou com a brincadeira. Nem com a madrinha com que Marcelo quis brincar com a malta!

Sim. Só pode ter sido por brincadeira, pelo tal lado traquina do irrequieto Marcelo, já cansado de se portar bem.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Fake news

 

Capa do i

 

António Costa foi claro a propósito do jantar da Web Summit no Panteão Nacional. Classificou-o de "ofensivo", numa utilização “absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”. Em nota enviada à imporensa, o gabinete do primeiro-ministro declarou "ofensivo utilizar desse modo um monumento nacional com as características e particularidades do Panteão Nacional”.

Desde logo a generalidade da imprensa, seguindo de resto a pista do secretário de Estado da Cultura do governo anterior, que permitira aquela utilização e fixara a respectiva tabela de preços, entendeu que a coisa não podia ficar bem assim, e que António Costa teria de ter as suas responsabilidades. Tivera dois anos para alterar a lei, apressaram-se os jornais...

Logo depois, agora seguindo a pista da senhora que é responsável pelo monumento, que fez o negócio, que nem pediu desculpa a ninguém nem se demite, relativizou: o Panteão Nacional já tinha sido usado para fins idênticos em várias outras ocasiões. Para, logo a seguir, e como o jornal i traz hoje à capa, mas que podemos ver em todos os jornais e televisões, identificar António Costa como "padrinho" ou mesmo promotor de uma dessas ocasiões: um jantar organizado em Setembro de 2013 pela Associação de Turismo de Lisboa, de que António Costa era, por inerência, presidente, destinado à promoção do Fado. 

O desmentido foi imediato. O então presidente da Câmara de Lisboa, confirmado pelo então Director Geral de Turismo, não teve sequer conhecimento de tal realização. 

Como sempre, o desmentido não tem qualquer impacto, e as caixas de comentários da notícia já estão invadidas por um frenético exército fortemente armado de impropérios e ignorância, pronto a destruir tudo à sua passagem.

Ainda há poucos dias, enquanto nas televisões passavam imagens (incluindo a de António Costa) da tomada de posse dos dois novos ministros  e secretários de Estado, uma delas, a TVI, com o ângulo da câmara mais fechado, dizia através da repórter no local, e reproduzia em rodapé, que o primeiro-ministo estava ausente da cerimónia. 

Sabemos que é assim, que as fake news são isto mesmo. Temos é dificuldade em perceber por que tem de ser assim!

 

 

 

 

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